{"id":7318,"date":"2012-11-21T23:49:20","date_gmt":"2012-11-22T02:49:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/11\/21\/voltando-no-tempo-pampeana-gruit-ale\/"},"modified":"2012-11-22T08:41:54","modified_gmt":"2012-11-22T11:41:54","slug":"voltando-no-tempo-pampeana-gruit-ale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/11\/21\/voltando-no-tempo-pampeana-gruit-ale\/","title":{"rendered":"Voltando no tempo: Pampeana Gruit Ale"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/pamps1.jpg\" alt=\"pamps1.jpg\" \/><\/p>\n<p>A cerveja existe h\u00e1 milhares de anos, e, no principio, ela era bem diferente do que n\u00f3s estamos acostumados a beber. Consta que sum\u00e9rios, eg\u00edpcios, mesopot\u00e2mios e ib\u00e9ricos j\u00e1 fabricavam cerveja 6 mil antes de Cristo, mas esse tipo de cerveja consumida no mundo todo hoje em dia surgiu apenas no s\u00e9culo 12, na Alemanha, quando a Abadessa Hildegard Von Biden colocou l\u00fapulo na mistura, descobrindo assim uma flor que n\u00e3o s\u00f3 combatia o adocicado do malte como tinha qualidades de conservante natural. Nascia a cerveja como n\u00f3s conhecemos \u2013 e bebemos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que fica: como os cervejeiros faziam antes da descoberta do l\u00fapulo? Para contrabalan\u00e7ar o malte e conservar a cerveja durante algum tempo era usado um gruit, que nada mais \u00e9 do que uma mistura de ervas arom\u00e1ticas que funcionavam como tempero e concediam a cada cerveja um sabor \u00fanico e bastante particular. Como as ervas mudavam de regi\u00e3o para regi\u00e3o, cada localidade tinha uma cerveja sua, que era feita s\u00f3 ali usando os ingredientes locais \u2013 muitos deles moderadamente narc\u00f3ticos (como o l\u00fapulo, ali\u00e1s, um parente distante da cannabis).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/pamps2.jpg\" alt=\"pamps2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Com a populariza\u00e7\u00e3o do l\u00fapulo, num primeiro momento, e a rigorosa Reinheitsgebot (Lei da Pureza da Baviera), que em 23 de abril de 1516 definiu que os \u00fanicos ingredientes que poderiam ser utilizados na produ\u00e7\u00e3o de cerveja fossem apenas \u00e1gua, cevada e l\u00fapulo, o gruit perdeu terreno e desapareceu lentamente, at\u00e9 ressurgir junto ao movimento de microcervejarias norte-americanas dos anos 90. De l\u00e1 pra c\u00e1, v\u00e1rias cervejarias (tanto californianas quanto belgas, brit\u00e2nicas e escocesas) produziram e ainda produzem cerveja apenas com gruit.<\/p>\n<p>No Brasil, a honraria e coragem ficou a cargo do Lagom Brewpub, de Porto Alegre. Para festejar os dois anos da casa, em 2012, o pessoal arriscou e o resultado \u00e9 a Pampeana Gruit Ale, que conta com diversas ervas, entre elas a Carqueja e o Guaco, t\u00edpicos da regi\u00e3o dos Pampas. A primeira prova saiu extremamente amarga, por isso o mel aparece na receita para equilibrar o conjunto. Vendida apenas em torneira (essas garrafas da foto s\u00e3o uma cortesia para um apaixonado que escreve sobre cervejas), a Pampeana Gruit Ale \u00e9 uma bela surpresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/pamps3.jpg\" alt=\"pamps3.jpg\" \/><\/p>\n<p>No aroma, notas intensas de ervas al\u00e9m de mela\u00e7o e alguma coisa de rem\u00e9dios de inf\u00e2ncia (isso mesmo). Ainda \u00e9 poss\u00edvel sentir o malte de caramelo, nozes e \u00e1lcool (s\u00e3o 8,3% de gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica). O paladar valoriza as ervas, que causam sensa\u00e7\u00f5es que remetem desde pr\u00f3polis e mela\u00e7o at\u00e9 nozes, coco queimado e, claro, \u00e1lcool. O liquido cria uma camada de sabor no c\u00e9u da boca, e a descida deixa um rastro de mel por todos os cantos. O final \u00e9 longo, adocicado e surpreendente. Eis uma cerveja \u00fanica.<\/p>\n<p>No balc\u00e3o da Lagom ela \u00e9 vendida por R$ 15 cada pint (R$ 10, meio pint), e acompanha uma carta que traz entre outras 10 e 15 cervejas (dependendo da \u00e9poca \u2013 a Lagom j\u00e1 produziu mais de 40 cervejas diferentes em dois anos de exist\u00eancia) com destaque para a intrigante Tripel (8,8%) da casa, que junta aveia, coentro e casca de laranja (e remete a anis) e para a sensacional Imperial Stout (9,5%). Sem contar com a Tiltap Irish Red Ale, receita vencedora do concurso Acerva Ga\u00facha, de 2011, feita por Jesael Eckert e&#8230; Wander Wildner (sim, sim!).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/pamps4.jpg\" alt=\"pamps4.jpg\" \/><\/p>\n<p>As cervejas da casa s\u00e3o divididas em tr\u00eas grupos cujo pre\u00e7o varia de R$ 7 o pint (PIlsen), R$ 9 (Belgian Ale, Weiss, Brown Porter, Tiltap, Blond Ale, Dunkweiss e Dry Stout) e R$ 13,50 (Tripel, Imperial Stout e a Columbus American IPA). Na parte de petiscos destaque para as brusquetas (que podem ser as tradicionais \u2013 tomate, ervas e azeite \u2013 ou ent\u00e3o de cogumelos e, ainda, uma vers\u00e3o com gorgonzola e alho por\u00f3), mas ainda h\u00e1 um Entrecot Viking (500 gramas de carne grelhada acompanhada de pur\u00ea e ervilhas) e Salsicha Bock com Queijo.<\/p>\n<p>A Lagom fica na Rua Bento Figueiredo, 72, no Bairro Bom Fim, h\u00e1 cerca de cinco minutos a p\u00e9 do Parque Farroupilha, e funciona de segunda a s\u00e1bado das 18h \u00e0s 23h. Merece muito uma visita \u2013 com o pint de Pampeana Gruit Ale na ta\u00e7a. Com a Lagom (e muitas outras cervejarias abertas nos \u00faltimos dois anos na capital ga\u00facha), Porto Alegre se junta a Curitiba e Belo Horizonte no quesito de boas cervejas locais. J\u00e1 \u00e9 um destino certo para os apaixonados por boa cerveja no lado debaixo do Equador.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/pamps5.jpg\" alt=\"pamps5.jpg\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cerveja existe h\u00e1 milhares de anos, e, no principio, ela era bem diferente do que n\u00f3s estamos acostumados a beber. Consta que sum\u00e9rios, eg\u00edpcios, mesopot\u00e2mios e ib\u00e9ricos j\u00e1 fabricavam cerveja 6 mil antes de Cristo, mas esse tipo de cerveja consumida no mundo todo hoje em dia surgiu apenas no s\u00e9culo 12, na Alemanha, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[24],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7318"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7318\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}