{"id":712,"date":"2008-07-22T06:40:50","date_gmt":"2008-07-22T09:40:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/22\/lou-reed-em-malaga-2\/"},"modified":"2015-05-22T01:12:28","modified_gmt":"2015-05-22T04:12:28","slug":"lou-reed-em-malaga-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/22\/lou-reed-em-malaga-2\/","title":{"rendered":"Lou Reed em M\u00e1laga"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou5.jpg\" alt=\"lou5.jpg\" \/><\/p>\n<p>Acordei na segunda-feira destru\u00eddo. Fisicamente e emocionalmente, afinal ver The National, Morrissey e Leonard Cohen (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/21\/fib-2008-domingo\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) seguidos \u00e9 um teste para qualquer cora\u00e7\u00e3o, mas o tempo \u00e9 curto e haja correria. Dez quilos de bagagem nos bra\u00e7os mais 18 quilos nas costas,\u00a0e l\u00e1 vamos n\u00f3s para a esta\u00e7\u00e3o de trens. A viagem de Castellon para Barcelona foi ok. Lembra que eu tinha s\u00f3 seis minutos entre desembarque, comprar passagem e embarcar em outro trem? Ent\u00e3o, rolou. Mas eu n\u00e3o contava era com um congestionamento de malas de rodinhas no El Prat, o aeroporto internacional de Barcelona!<\/p>\n<p>Era uma multid\u00e3o de gente querendo sair do trem e entrar no aeroporto e uma multid\u00e3o de gente querendo entrar no trem, que a muvuca causou\u00a0um &#8220;congestionamento&#8221;. S\u00e9rio. Agora imagina: voc\u00ea tem 15 minutos pra fazer o check in, e fica quase 10 parado numa situa\u00e7\u00e3o surreal dessas? Assim que o congestionamento se desfez, fui procurar o guich\u00ea da Vueling, companhia barateira que faz voos nacionais na Espanha. Claro: o guich\u00ea ficava no quinto dos infernos do aeroporto, e l\u00e1 vou eu correndo com quase 30 quilos de bagagem. Cheguei quando j\u00e1 anunciavam: &#8220;\u00daltima chamada para M\u00e1laga&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou6.jpg\" alt=\"lou6.jpg\" \/><\/p>\n<p>Em M\u00e1laga, os term\u00f4metros do aeroporto\u00a0Pablo Ruiz Picasso, ilustre filho da cidade, marcavam 32 graus. Pela primeira vez na viagem tive que recorrer a um t\u00e1xi, ap\u00f3s vagar a esmo tentando encontrar o albergue, sem sucesso. Detalhe: nem os taxistas sabiam onde ficava o lugar. Liga pra c\u00e1, pergunta ali, e encontramos (e nem \u00e9 fora de m\u00e3o nem nada, v\u00e1 entender). Tentei achar uma internet, mas s\u00f3 h\u00e1 &#8220;peluquerias&#8221; na regi\u00e3o. Quando achei um locut\u00f3rio, um\u00a0e-mail da produ\u00e7\u00e3o do show de Lou Reed avisava que haveria um atraso:<\/p>\n<p><em>&#8220;Estimado Usuario: el concierto de LOU REED previsto para hoy d\u00eda 21 de julio de 2008 a las 21.30 horas ha sido retrasado por necesidades de producci\u00f3n, dada la complejidad del montaje, el espect\u00e1culo comenzar\u00e1 a las 22.00 horas, media hora m\u00e1s tarde de lo previsto inicialmente. Si tiene alguna duda adicional, por favor p\u00f3ngase de nuevo en contacto con nosotros.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o tem jeito, primeiro mundo \u00e9 outra coisa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou7.jpg\" alt=\"lou7.jpg\" \/><\/p>\n<p>Fui caminhando do albergue at\u00e9 o Teatro Cervantes para observar a paisagem e me apaixonar pela cidade, e cheguei ao teatro cinco minutos antes do show. Pessoalmente, n\u00e3o achava que esse show iria me abalar tanto quanto o fim de semana em Benicassim com Leonard Cohen, Morrissey e Spiritualized, mas ent\u00e3o eu entro no teatro, lindo (lembra o Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo, mas \u00e9 menor, com 1104 lugares, e mais charmoso), datado de 1870, e vejo que o meu lugar, fila 1, cadeira 18, \u00e9 realmente de frente ao palco: n\u00e3o dava para acreditar. Precisei beber uma cerveja no sagu\u00e3o para ajustar os \u00e2nimos.<\/p>\n<p>Quando a organiza\u00e7\u00e3o mandou o e-mail falando da &#8220;complexidade da montagem&#8221;, n\u00e3o estava brincando. O cen\u00e1rio \u00e9 belo, com um sof\u00e1 de tr\u00eas lugares pendurado no teto simbolizando um decadente quarto de hotel,\u00a0a New London Childrens Choir (coral infantil com doze crian\u00e7as) do lado esquerdo do palco, sete membros da London Metropolitan Orchestra do lado direito, mais a banda\u00a0com sete integrantes &#8211;\u00a0incluindo Steve Hunter, guitarrista original do \u00e1lbum &#8220;Berlin&#8221; &#8211; e, claro, o pr\u00f3prio Lou Reed. N\u00e3o se engane: estamos diante de uma \u00f3pera rock!<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou4.jpg\" alt=\"lou4.jpg\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Berlin&#8221;, lancado em 1973,\u00a0foi o terceiro disco solo de Lou Reed ap\u00f3s sua sa\u00edda do Velvet Underground, e vinha na seq\u00fc\u00eancia do sucesso conquistado pelo single &#8220;Walk On The Wild Side&#8221; e pelo disco &#8220;Transformer&#8221;, um ano antes. Seguindo a mesma tem\u00e1tica de seu principal hit, por\u00e9m, afundando as can\u00e7\u00f5es num dram\u00e1tico lodo orquestral, Lou fotografa a depress\u00e3o rom\u00e2ntica de um casal drogado na Berlim (Oriental) ainda dividida pelo muro. Ela (Caroline)\u00a0acaba, por fim, cortando os pulsos. Ele (Jim) lamenta a perda daquela que ele acreditava ser a sua Rainha da Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>O show que comemora 35 anos de lan\u00e7amento do disco come\u00e7a com Bob Ezrin, produtor do disco, subindo ao palco. Ele fala\u00a0um pouco da\u00a0apresenta\u00e7\u00e3o,\u00a0lembra que M\u00e1laga \u00e9 o encerramento da turn\u00ea, e chama Lou Reed ao palco. Lou entra de camiseta qualquer nota vermelha. Ele est\u00e1 aparentemente bem mais velho do que da \u00faltima vez que o vi, em 2001, no Credicard Hall (resenha <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loureedshow.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), mas ostenta ainda aquela cara de poucos amigos que fez sua fama. Ele pega sua Fender, olha para o coral e as crian\u00e7as come\u00e7am o show cantando a melodia de &#8220;Sad Song&#8221;. Arrepia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou1.jpg\" alt=\"lou1.jpg\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Berlin&#8221;, a m\u00fasica, come\u00e7a suave com seus cl\u00e1ssicos dedilhados de piano que contemplam a felicidade do casal. Guitarradas marcam a entrada de &#8220;Lady Day&#8221;, e o coral de crian\u00e7as e a orquestra\u00e7\u00e3o encantam. &#8220;Men of Good Fortune&#8221; (aquela que diz que &#8220;os homens de sorte, muitas\u00a0vezes, provocam a queda de imp\u00e9rios&#8221;)\u00a0surge com Steve Hunter estra\u00e7alhando na guitarra e o bom backing de Jeni Muldaur se destacando. &#8220;Caroline Says (I)&#8221; causa o primeiro momento de histeria na plateia, mas \u00e9 com a linha de baixo de &#8220;How Do You Think It Feels&#8221; &#8211; numa vers\u00e3o chapante &#8211; que o teatro quase vem abaixo.<\/p>\n<p>Lou Reed n\u00e3o se dirige ao p\u00fablico em nenhum momento. Ele sorri para Steve Hunter e para o baixista Fernando Saunders ap\u00f3s alguma boa passagem instrumental e e s\u00f3. Quando, em &#8220;Oh, Jim&#8221;, ele leva a base da can\u00e7\u00e3o sozinho na guitarra (com Steve fazendo pequenos solos), o p\u00fablico tenta acompanhar nas palmas, mas ele muda o andamento, quebra o ritmo, e o p\u00fablico se perde. A vers\u00e3o, no entanto, \u00e9 poderosa, e marca a passagem do disco (lado b) e do show para\u00a0a parte\u00a0tr\u00e1gica da hist\u00f3ria\u00a0do casal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou3.jpg\" alt=\"lou3.jpg\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Caroline Says (II)&#8221; surge numa vers\u00e3o fantasmag\u00f3rica, com Saunders tocando violino enquanto Lou narra a degrada\u00e7\u00e3o do romance. Jim bate em Caroline, que n\u00e3o para de se drogar, e \u00e9 apelidada pelos amigos como Alaska. &#8220;Est\u00e1 t\u00e3o frio no Alaska&#8221;, canta Lou acompanhado do coral infantil. &#8220;The Kids&#8221; \u00e9&#8230; foda. Foda. Lou repete o verso inicial v\u00e1rias vezes aumentando a tens\u00e3o sob uma base limpa de viol\u00e3o: &#8220;Eles tiraram os filhos dela, porque, dizem, ela n\u00e3o \u00e9 uma boa m\u00e3e&#8221;. Jim est\u00e1 cansado e n\u00e3o est\u00e1 mais feliz.<\/p>\n<p>&#8220;The Bed&#8221; \u00e9 de chorar. Canta Lou: &#8220;Este \u00e9 o lugar onde ela deitava a cabe\u00e7a quando ia para a cama \u00e0 noite \/ Este \u00e9 o lugar onde concebemos os nossos filhos, velas acesas iluminavam o quarto \/ Este \u00e9 o lugar onde ela cortou os pulsos naquela estranha e fat\u00eddica noite&#8221;. O coral de crian\u00e7as interv\u00e9m no trecho &#8220;oh, oh, oh, oh, oh, oh, what a feeling&#8221;\u00a0e \u00e9 preciso ter muito sangue frio para n\u00e3o se deixar levar e se emocionar. &#8220;Sad Song&#8221; retorna para fechar o show com\u00a0toda sua tristeza em forma de orquestra\u00e7\u00e3o rock and roll.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s mais de 10 minutos de incessantes pedidos de bis, Lou retorna ao palco e fala sobre o disco, apresenta as mais de 30 pessoas envolvidas, e come\u00e7a um improviso de guitarra que\u00a0se transforma em\u00a0&#8220;Satellite of Love&#8221;. &#8220;Rock and Roll&#8221;,\u00a0do Velvet, vem na sequ\u00eancia. E &#8220;Power\u00a0Of The Heart&#8221;, can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita disponibilizada no site\u00a0<a href=\"http:\/\/love.cartier.com\/home.php?idlangue=en_US&amp;idcontinent=na\" target=\"_blank\">Cartier. Love<\/a>, encerra a noite de\u00a0gala. Passa da meia noite, mas volto para o albergue caminhando, admirando a beleza da cidade sob a luz da lua. Esse show me trar\u00e1 sempre\u00a0a M\u00e1laga. Durmo feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/lou2.jpg\" alt=\"lou2.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Dois v\u00eddeos: Lou Reed em S\u00e3o Paulo, 2010 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/11\/22\/dois-videos-do-lou-reed-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Tr\u00eas v\u00eddeos: Lou Reed e Metallica (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/10\/10\/tres-videos-lou-reed-e-metallica\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Lou Reed ao vivo em Luxemburgo, 2012 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/06\/15\/lou-reed-em-luxemburgo\/\"><font color=\"#237fa1\">aqui<\/font><\/a>)<br \/>\n&#8211; Lou Reed explica pq n\u00e3o canta as \u201cvelhas can\u00e7\u00f5es\u201d (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/diariolou.html\" target=\"_blank\"><font color=\"#237fa1\">aqui<\/font><\/a>)<br \/>\n&#8211; Lou Reed ao vivo em S\u00e3o Paulo, 2000 (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/loureedshow.html\"><font color=\"#237fa1\">aqui<\/font><\/a>)<br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio de Viagem: Europa 2008, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/turismo\/europa-2008\/\"><font color=\"#237fa1\">aqui<\/font><\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acordei na segunda-feira destru\u00eddo. Fisicamente e emocionalmente, afinal ver The National, Morrissey e Leonard Cohen (aqui) seguidos \u00e9 um teste para qualquer cora\u00e7\u00e3o, mas o tempo \u00e9 curto e haja correria. Dez quilos de bagagem nos bra\u00e7os mais 18 quilos nas costas,\u00a0e l\u00e1 vamos n\u00f3s para a esta\u00e7\u00e3o de trens. A viagem de Castellon para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[20],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/712\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}