{"id":708,"date":"2008-07-21T14:08:24","date_gmt":"2008-07-21T17:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/21\/fib-2008-domingo\/"},"modified":"2016-07-18T08:29:45","modified_gmt":"2016-07-18T11:29:45","slug":"fib-2008-domingo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/21\/fib-2008-domingo\/","title":{"rendered":"FIB 2008, Domingo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-005.jpg\" alt=\"europa2008-005.jpg\" \/><br \/>\nTexto e fotos: Marcelo Costa<\/p>\n<p>Eu juro que n\u00e3o estava preparado emocionalmente para o que iria acontecer no \u00faltimo dia do Festival Internacional de Benic\u00e0ssim, edi\u00e7\u00e3o 2008. Juro. Se eu conseguisse ter imaginado que tudo que aconteceu fosse realmente acontecer, talvez at\u00e9 tivesse medo de ter um infarto fulminante em meio ao p\u00fablico, sacum\u00e9, tem coisas que o cora\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o aguentar mais. O cora\u00e7\u00e3o, neste momento, ainda bate. O corpo est\u00e1 um caco e n\u00e3o sei se me recuperei emocionalmente ainda. Vamos ver&#8230;\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1629.jpg\" alt=\"europa2008-1629.jpg\" \/><\/p>\n<p>Acordei \u00e0s 13h para postar o texto do s\u00e1bado e ir tentar almo\u00e7ar com o pessoal do Alto Falante. Cheguei no hotel e ainda deu tempo de ver Nelsinho Piquet subir ao podium com Felipe Massa (vou ter que falar que o Galv\u00e3o Bueno espanhol fala muuuito mais do que o nosso), se preparar para o almo\u00e7o (hamburguer, fritas, salada e cerveza) e rir das hist\u00f3rias dos mineiros (&#8220;Esse pueblo de Lula es muy confuso&#8221;). Os pr\u00f3ximos programas prometem, especialmente o gravado em Abbey Road.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/2690156056\/in\/set-72157606236708583\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/national_fib.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" height=\"338\" width=\"450\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uns quinze minutos de caminhada e um sprint de 200 metros pra n\u00e3o perder o come\u00e7o do show e l\u00e1 estou eu novamente frente ao The National, que numa tenda sob um sol de sabe se l\u00e1 quantos graus (muitos) apresentou suas p\u00e9rolas rom\u00e2nticas doloridas movidas a guitarradas, teclados atmosf\u00e9ricos e violino. O show foi um repeteco da brilhante apresenta\u00e7\u00e3o no Werchter, semanas atr\u00e1s, com &#8220;Baby, We&#8217;ll Be Fine&#8221;, &#8220;Fake Empire&#8221;, &#8220;Mistaken For Strangers&#8221; e uma estra\u00e7alhante vers\u00e3o de &#8220;Mr. November&#8221; fechando a noite de sol. A &#8220;noite&#8221; s\u00f3 estava come\u00e7ando.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-010.jpg\" alt=\"europa2008-010.jpg\" \/><\/p>\n<p>Pontualmente \u00e0s 20h, Leonard Cohen adentrou ao palco do festival com os dez personagens que transformam em m\u00fasica suas letras\/poesias. Olha, \u00e9 dif\u00edcil demais falar sobre esse show. Uma senhora emprestou um len\u00e7o para a Juliana enxugar as l\u00e1grimas no show de Edinburgh, na quarta anterior. Alguns dias antes, o Carlos falou sobre a apresenta\u00e7\u00e3o que ele viu em Amsterd\u00e3 &#8220;O Carlos que voc\u00ea conheceu no Rock Werchter n\u00e3o existe mais, agora existe o Carlos p\u00f3s show do Cohen&#8221;. Esses sentimentos s\u00e3o muito mais do que m\u00fasica, transcendem algo que n\u00e3o sei dizer ao certo o que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-020.jpg\" alt=\"europa2008-020.jpg\" \/><\/p>\n<p>Pra voc\u00ea ter uma ideia, 20 minutos ap\u00f3s o show terminado eu ainda estava chorando. A Carol falava: &#8220;Calma, respira fundo&#8221;. E as l\u00e1grimas vinham. Fora os flashbacks horas depois quando eu lembrava do show: &#8220;Vou ligar pra Lili pra contar&#8221; (e da-lhe l\u00e1grimas). &#8220;Como vou explicar o que foi &#8220;Hallelujah&#8221; ao vivo?&#8221; (mais l\u00e1grimas). Sinceramente: eu nunca tinha sentido o que senti ontem na frente de Leonard Cohen, e depois que ele saiu saltitando do palco ap\u00f3s apenas uma hora de cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-004.jpg\" alt=\"europa2008-004.jpg\" \/><\/p>\n<p>Come\u00e7ou com &#8220;Dance Me To The End Of Love&#8221;, e algumas senhoras presentes murmuravam: &#8220;Essa \u00e9 a m\u00fasica do meu primeiro amor&#8221;. Depois veio &#8220;The Future&#8221;, valsa do disco hom\u00f4nimo apropriada para apresentar o poeta aos incautos com versos como &#8220;I&#8217;ve seen the future, brother: it is murder&#8221;. E o que falar de coisas como &#8220;Bird on a Wire&#8221;, &#8220;Everybody Knows&#8221;, &#8220;Who by Fire&#8221;, &#8220;Suzanne&#8221; (com Cohen ao viol\u00e3o), &#8220;I&#8217;m Your Man&#8221; e &#8220;First We Take Manhattan&#8221;? Nao se fala. Se ouve. Chora. E eu chorei.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1821.jpg\" alt=\"europa2008-1821.jpg\" \/><\/p>\n<p>O dia j\u00e1 estava ganho, o ano j\u00e1 estava ganho, mas o FIB 2008 ainda reservava surpresas guardando como &#8220;brinde&#8221; shows de Richard Hawley e Morrissey (que festival \u00e9 esse em que um show de Morrissey vem como brinde?????). O guitarrista brit\u00e2nico Richard Hawley, que j\u00e1 tocou com o Pulp de Jarvis Cocker no \u00e1lbum &#8220;We Love Life&#8221;, levou para a tenda Vodafone todo charme e bom gosto dos fifties, com baladas encantadoras e rockabillys contagiantes. O visual n\u00e3o deixava d\u00favidas numa mistura de Roy Orbison e Elvis Presley, e o show foi ovacionado pelo p\u00fablico que lotou a tenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1827.jpg\" alt=\"europa2008-1827.jpg\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 Morrissey, voc\u00ea sabe. Ningu\u00e9m vai para um show dele esperando ouvir essa ou aquela m\u00fasica. As pessoas at\u00e9 gostariam de ouvir os hits, mas elas v\u00e3o mesmo a um show de Morrissey para ver Morrissey. Simples assim. O que ele tocar, est\u00e1 valendo. Ent\u00e3o comparar o repert\u00f3rio do show no FIB com aquele que vi em Buenos Aires quatro anos atr\u00e1s \u00e9 uma tremenda bobagem. Morrissey \u00e9 o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1876.jpg\" alt=\"europa2008-1876.jpg\" \/><\/p>\n<p>Quer ver: ele entra no palco (com os cinco integrantes de sua banda sem camisa e com jeans preto colado no corpo) e sacaneia: &#8220;Spanish eyes, olhem para mim. Voc\u00eas querem que eu fale espanhol? Eu vou falar argentino (sic), portugu\u00eas, franc\u00eas, mas n\u00e3o vou falar espanhol&#8221;. Ele abre com &#8220;Last Of The Famous International Playboys&#8221; e finada a can\u00e7\u00e3o tenta convencer o p\u00fablico: &#8220;Benic\u00e0ssim, eu estou aqui&#8221;. A m\u00fasica na sequ\u00eancia faz todo mundo duvidar: &#8220;Ask&#8221;, dos Smiths, aquele riff mastigado, aquela bateria galopante. Ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1863.jpg\" alt=\"europa2008-1863.jpg\" \/><\/p>\n<p>Seguem-se &#8220;First Of The Gang To Die&#8221;, &#8220;That&#8217;s How People Grow Up&#8221; (&#8220;a&#8221; m\u00fasica de 2008) e &#8220;Irish Blood, English Heart&#8221;. Ele volta ao microfone: &#8220;Eu sei que as bandas pop espanholas s\u00e3o um lixo, mas tudo bem, as bandas pop inglesas tamb\u00e9m s\u00e3o, e isso n\u00e3o importa pois.. &#8220;The World Is Full Of Crashing Bores&#8221;&#8221;. Ataca o consumo de &#8220;animais mortos&#8221; no festival, e filosofa: &#8220;Garoto namorando garota, garota namorando garoto, garota namorando garota, garoto namorando garoto: tudo \u00e9 poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1848.jpg\" alt=\"europa2008-1848.jpg\" \/><\/p>\n<p>Dos Smiths ainda marcaram presen\u00e7a &#8220;Vicar In A Tutu&#8221;, &#8220;What She Said&#8221;, &#8220;Stretch Out And Wait&#8221;, uma vers\u00e3o foda\u00e7a de &#8220;Death of a Disco Dancer&#8221; e &#8220;How Soon Is Now?&#8221;, fechando a noite ap\u00f3s um cover dos Buzzcooks (&#8220;You Say You Don&#8217;t Love Me&#8221;) e &#8220;Life Is A Pigsty&#8221;, um dos melhores n\u00fameros do \u00e1lbum &#8220;Ringleader Of The Tormentors&#8221;. Faltou um mundo de m\u00fasicas, mas ele pr\u00f3prio, mais do que ningu\u00e9m, sabe que suas duas camisas arremessadas ao p\u00fablico v\u00e3o se transformar em centenas de pedacinhos que v\u00e3o ser guardados como um pr\u00eamio por cada uma daquelas pessoas. Ele \u00e9 Morrissey, e pode tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/europa2008-1875.jpg\" alt=\"europa2008-1875.jpg\" \/><\/p>\n<p>Eram duas da madrugada e ainda tinha Siouxsie e Viva La Fete no palco principal, mas eu n\u00e3o tinha as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e emocionais para seguir em frente. The National, Leonard Cohen, Richard Hawley e Morrissey numa mesma noite e em seq\u00fc\u00eancia arrebenta com o cora\u00e7\u00e3o de qualquer um. At\u00e9 ouvi, de longe, &#8220;Hong Kong Garden&#8221;, mas o festival j\u00e1 tinha acabado &#8211; ao menos para mim. L\u00e1grimas ainda escorriam vez em quando pelo rosto. A lembran\u00e7a do dia perfeito j\u00e1 comecava a se cristalizar na mem\u00f3ria. Nunca fui t\u00e3o feliz ap\u00f3s um show. Agora \u00e9 dancar at\u00e9 o fim do amor pois \u00e9 assim que as pessoas crescem.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/2692408866\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/07\/morrissey_fib2.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" height=\"338\" width=\"450\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\">Saiba como foram todos os dias do FIB <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fib2008\">2008<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/fib2011\" target=\"_blank\">2011<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotos: Marcelo Costa Eu juro que n\u00e3o estava preparado emocionalmente para o que iria acontecer no \u00faltimo dia do Festival Internacional de Benic\u00e0ssim, edi\u00e7\u00e3o 2008. Juro. 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