{"id":6902,"date":"2012-09-05T10:39:19","date_gmt":"2012-09-05T13:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/09\/05\/entrevista-para-o-portal-imprensa\/"},"modified":"2013-11-17T23:09:42","modified_gmt":"2013-11-18T02:09:42","slug":"entrevista-para-o-portal-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/09\/05\/entrevista-para-o-portal-imprensa\/","title":{"rendered":"Entrevista para o Portal Imprensa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/cds.jpg\" alt=\"cds.jpg\" \/><\/p>\n<p>Bati um papo por telefone com a J\u00e9ssica Oliveira, do Portal Imprensa, sobre o cen\u00e1rio de shows no Brasil: \u201cO Brasil tem 30 anos como rota de shows. N\u00e3o \u00e9 novidade\u201d. Leia abaixo:<\/p>\n<p><em>A agenda dos brasileiros fan\u00e1ticos por um bom show anda disputada. Todos os meses, com poucas exce\u00e7\u00f5es, o pa\u00eds recebe algum artista estrangeiro ou grande festival com v\u00e1rios de uma vez s\u00f3. Mas isso est\u00e1 longe de ser uma realidade \u201cnova\u201d. \u201cSomos rota de shows, sim. Mas desde os anos 80\u201d, diz Marcelo Costa, curador do Sonora, realizado pelo Terra e editor do site Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>Costa passou em jornalismo e publicidade, mas se formou no segundo, porque o jornalismo s\u00f3 tinha &#8220;noturno\u201d na Universidade de Taubat\u00e9 (Unitau). Chegou em S\u00e3o Paulo e entrou no iG quando o portal montava sua primeira equipe. Na capital, passou pelo Not\u00edcias Populares, e mais de uma vez pelo UOL, iG e Terra, onde est\u00e1 hoje. Nessas mudan\u00e7as, j\u00e1 trabalhou com cidades, esportes e celebridades, mas a m\u00fasica sempre esteve com ele.<\/em><\/p>\n<p><em>  <\/em><em>O jornalista j\u00e1 colaborou com revistas como a Billboard e com a GQ, e atualmente colabora com a Rolling Stone, al\u00e9m de editar o Scream &amp; Yell h\u00e1 12 anos. Apesar da paix\u00e3o pela m\u00fasica, alerta em tom de brincadeira. \u201cSe ama musica, n\u00e3o escreva sobre\u201d, diz. Segundo ele, a rela\u00e7\u00e3o com discos e shows muda completamente. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode mais s\u00f3 gostar, mas tem que entender o que aquilo representa e perceber que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um ouvinte comum\u201d, explica. <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>Costa entende de m\u00fasica como poucos. Em sua casa, parte da parede da sala \u00e9 ocupada por nada mais nada menos que cerca de oito mil CDs, 800 vinis, fora os cassetes doados. Passa a maior parte de seu tempo ouvindo m\u00fasicas e escrevendo sobre &#8211; sua forma de entender o mundo. \u00c0 IMPRENSA, ele comenta os desafios e condi\u00e7\u00f5es do atual mercado de shows no pa\u00eds, as mudan\u00e7as e caracter\u00edsticas do p\u00fablico, e a cobertura da imprensa.<\/em><br \/>\n<strong>IMPRENSA \u2013 \u00c9 certo falar que o Brasil virou rota obrigat\u00f3ria de shows? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nMarcelo Costa &#8211; Somos, sim, rota de shows. Isso acontece desde os anos 80, n\u00e3o \u00e9 novidade. N\u00e3o \u00e9 um \u2018ah, descobriram o Brasil.\u2019 A novidade \u00e9 o pa\u00eds estar com uma economia segura, em um momento que o mundo passa por uma crise s\u00e9ria. A Alanis Morrisette, por exemplo, far\u00e1 oito shows no Brasil, mas saindo do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, acreditando que em outros lugares tamb\u00e9m ter\u00e1 um bom p\u00fablico. No come\u00e7o dos anos 80 ainda tivemos alguns probleminhas de sumir equipamentos de artistas, e n\u00e3o era tanto pelo valor em dinheiro, mas mais por ser uma coisa muito pessoal. Hoje em dia n\u00e3o existe isso. S\u00e3o 30 anos de mercado. Estamos prontos.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 Mas e os desafios, como os pre\u00e7os altos do nosso mercado?<\/strong><br \/>\nOs pre\u00e7os ainda s\u00e3o ditados por quem est\u00e1 dentro dele [mercado], e \u00e9 um problema que precisa ser acertado. O mercado est\u00e1 ativo, as pessoas est\u00e3o querendo ver shows, mas n\u00e3o conseguimos ver tudo, o que por um lado \u00e9 positivo. Antes voc\u00ea tinha um show e todo mundo tinha que ir nesse. Hoje, n\u00e3o. Voc\u00ea tem muitos shows. O que se desenha para o futuro \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o grande. A tend\u00eancia \u00e9 que os ingressos barateiem e todas as casas tenham um p\u00fablico bacana, mas n\u00e3o lotem. A op\u00e7\u00e3o de escolher, dispersa o p\u00fablico. Mas temos p\u00fablico para tudo. Precisamos chegar nesse consenso. Mas ainda somos conhecidos como um mercado que paga muito alto.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 O publicou mudou muito? Por exemplo, hoje quem vai a um show de rock, vai em shows de outros estilos. E sobre quem vai ao show, mas assiste pela telinha de celulares ou c\u00e2meras porque quer registrar tudo o tempo todo?<\/strong><br \/>\nAcredito que seja uma mudan\u00e7a comportamental, mais do que do pr\u00f3prio conceito de shows. Fomos caminhando em n\u00edvel mundial para uma pluralidade, \u00e9 normal que uma pessoa v\u00e1 em shows diferentes. Talvez at\u00e9 a MTV tenha contribu\u00eddo com isso tamb\u00e9m. E acho que as ferramentas foram mudando. Sou de uma gera\u00e7\u00e3o anterior. O que me incomoda mais s\u00e3o as pessoas falando no meio do show. Antigamente quando voc\u00ea tinha um ou dois shows e todo mundo ia l\u00e1, eventualmente tinha m\u00fasicas que o cara n\u00e3o conhecia e ele ficava conversando durante essas, mas quando sabia, prestava aten\u00e7\u00e3o e tal. Ainda carecemos de uma cultura de respeitar o artista, e respeitar o momento que se est\u00e1 vivendo. Al\u00e9m disso, outro ponto \u00e9 dissociar o show de balada. At\u00e9 acho muito legal, mas tem show e show. Tem show que funciona muito em balada. Tem show que n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 Se o pa\u00eds vai receber cada vez mais shows e se tem p\u00fablico para isso, por que muitos lugares que recebem esses eventos ainda pecam na estrutura?<\/strong><br \/>\nA gente n\u00e3o soube trabalhar com isso de shows em locais abertos ainda, um exemplo que deu certo foi o Lollapalooza [Jockey Club, abril-2012], mas foi estrutura de fora, um modelo de fora. No Anhembi, voc\u00ea muitas vezes n\u00e3o ouve o show. E o p\u00fablico acaba aceitando. Isso \u00e9 um problema s\u00e9rio. O contratante, geralmente, \u00e9 quem aprova o lugar e quer saber se o p\u00fablico vai ouvir tudo. Alguns artistas realmente se preocupam com isso, outros n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 Por que o p\u00fablico aceita pagar caro nessa situa\u00e7\u00e3o? O que podem fazer?<\/strong><br \/>\nUma das formas que o consumidor tem de pressionar a mudar isso, \u00e9 n\u00e3o ir aos shows. Mas isso \u00e9 dif\u00edcil, porque se voc\u00ea ama o artista, \u00e9 a chance que tem de v\u00ea-lo. A\u00ed acaba aceitando e come\u00e7a a torcer muito para dar tudo certo. Tamb\u00e9m tem os meios para se cobrar posteriormente, como no show do Radiohead que teve v\u00e1rios problemas e muita gente foi ao Procon reclamar. Infelizmente, empres\u00e1rios s\u00f3 sentem quando d\u00f3i no bolso. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o a estrutura do show em si. Falta um pouco tamb\u00e9m da prefeitura se preocupar com o p\u00fablico. N\u00e3o d\u00e1 para fazer um evento como o Lollapalooza e fechar as catracas do metr\u00f4 como fizeram. Por exemplo, no Hyde park, em Londres, quando acaba o show, as pessoas v\u00e3o at\u00e9 o metr\u00f4 e conseguem chegar em casa. A prefeitura local se preocupa em garantir a seguran\u00e7a do seu pessoal. Aqui a gente n\u00e3o tem essa preocupa\u00e7\u00e3o. Falta no Brasil um estudo de estrutura. Por exemplo: tenho isso aqui, o show ser\u00e1 para tantas mil pessoas, que precisam tanto de alimenta\u00e7\u00e3o, transporte&#8230; Claro que n\u00e3o da para resolver tudo, em nenhum lugar do mundo. Como a gente vai melhorar tudo isso? Com mais shows. Entendendo como as coisas funcionam.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 Com tantas bandas vindas de fora, como fica o mercado para nossos artistas? Em rela\u00e7\u00e3o ao espa\u00e7o e valoriza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/strong><br \/>\nH\u00e1 mercado para todos. Claro que isso reflete no mercado independente. Mas o pessoal tem que aprender a mudar isso de alguma forma, n\u00e3o d\u00e1 para ficar olhando tudo e reclamando. \u00c9 at\u00e9 bom, porque acabam tomando contato com uma cultura de festivais, e percebem que s\u00e3o capazes de fazer a mesma coisa, al\u00e9m de ver que todos tem os mesmo problemas e desafios. O palco \u00e9 o mesmo. Sobre o p\u00fablico, acho que ainda h\u00e1 um problema de n\u00e3o valorizar a cultura brasileira. Nos line-ups de festivais, por exemplo, muitos artistas brasileiros poderiam estar em hor\u00e1rios melhores, e tinham todo para isso. O cara que vai comprar o ingresso vai ver o show, desde que voc\u00ea consiga arrumar o card\u00e1pio sem ser de uma forma agressiva, todo mundo vai curtir. Voc\u00ea n\u00e3o faz um festival para f\u00e3s de uma banda, mas para um p\u00fablico que vai receber talvez 20 bandas diferentes.<\/p>\n<p><strong>IMPRENSA \u2013 Como voc\u00ea avalia a cobertura da imprensa sobre o assunto? Falta mais profundidade? Diversidade?<\/strong><br \/>\nTemos a Rolling Stone e a Billboard, que n\u00e3o s\u00e3o de grande tiragem (se comparadas com a Veja e \/ou Playboy), mas cumprem seu papel muito bem. Mas ainda n\u00e3o temos um jornalismo cultural aprofundado ou cobertura aprofundada. H\u00e1 o costume de replicar o que sai \u2018na gringa\u2019. Ao mesmo tempo, voc\u00ea tem grandes blogueiros que acompanham seus cen\u00e1rios e cobrem bem. Temos que ver que nossa cena do mercado independente, e n\u00e3o falo s\u00f3 de rock, mas de samba e outros, \u00e9 muito melhor que a cena americana ou inglesa. Talvez esteja na hora da imprensa valorizar a cena nacional e come\u00e7ar a vender isso. E n\u00e3o s\u00f3, muitas not\u00edcias sobre m\u00fasicos s\u00e3o repercuss\u00e3o de bobagens. Cada um tem seu p\u00fablico, claro, mas \u00e0s vezes o jornalista fica tentado com o clique, com a audi\u00eancia, e esquece de fazer jornalismo. Mas de modo geral acho que a gente ainda tem uma boa imprensa, critica e independente. Estamos bem de cr\u00edtica, mas precisa renovar um pouco at\u00e9 para n\u00e3o afastar a molecada. E o p\u00fablico precisa entender tamb\u00e9m que cada pessoa [jornalista] vai ter uma vis\u00e3o diferente. \u00c9 um mal do leitor, s\u00e9rio e cultural at\u00e9 de achar que s\u00f3 porque est\u00e1 na no jornal ou na TV, virou verdade. N\u00e3o \u00e9 verdade, \u00e9 uma pessoa comum que escreveu aquilo. Ela tem esse direito, de gostar ou n\u00e3o, e de falar se gostou ou n\u00e3o e argumentar sobre isso. O brasileiro n\u00e3o tem o costume de discutir.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/entrevistas\/\">Veja outras entrevistas aqui <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bati um papo por telefone com a J\u00e9ssica Oliveira, do Portal Imprensa, sobre o cen\u00e1rio de shows no Brasil: \u201cO Brasil tem 30 anos como rota de shows. 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