{"id":6663,"date":"2012-07-24T22:12:10","date_gmt":"2012-07-25T01:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/24\/no-camarim-com-maria-rita\/"},"modified":"2012-07-24T22:30:15","modified_gmt":"2012-07-25T01:30:15","slug":"no-camarim-com-maria-rita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/24\/no-camarim-com-maria-rita\/","title":{"rendered":"No camarim com Maria Rita"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mariarita1.jpg\" alt=\"mariarita1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Oito anos atr\u00e1s, em um longo (e interessant\u00edssimo) bate papo de quase duas horas, o m\u00fasico e arranjador C\u00e9sar Camargo Mariano analisava a carreira ent\u00e3o iniciante da filha Maria Rita. \u201cEla saiu do barzinho, do show do Chico Pinheiro, e no dia seguinte, literalmente, pulou para um est\u00e1gio de superstar\u201d, comentava o pai. \u201c\u00c9 muito complicado conviver com isso, mas n\u00e3o \u00e9 o caso da Maria Rita. Eu conhe\u00e7o muito bem aquela cabecinha, ela tem uma estrutura muito boa para enfrentar tudo isso\u201d, completava, seguro, o pai.<\/p>\n<p>De l\u00e1 pra c\u00e1, Maria Rita gravou mais tr\u00eas discos e passou por todas as fases e testes que a fama exige de um grande artista, ao ponto de, hoje em dia, ela mostrar autoconfian\u00e7a \u201ccomo interprete e cantora em um cen\u00e1rio musical t\u00e3o vasto e rico como o Brasil\u201d. Ap\u00f3s a estreia, \u201cMaria Rita\u201d, de 2003, vieram \u201cSegundo\u201d (2005), \u201cSamba Meu\u201d (2007) e \u201cElo\u201d (2011), quatro \u00e1lbuns, quatro turn\u00eas intensas (sendo que a do \u00faltimo \u00e1lbum come\u00e7ou antes mesmo do disco existir). Uma boa estrada se fez.<\/p>\n<p>Maria Rita me recebeu no camarim ap\u00f3s um show transmitido ao vivo pelo Portal Terra, no final do ano passado, para uma pauta bem simples: rememorar cada um de seus discos, s\u00edmbolos de fases distintas de sua carreira. Com bastante calma (mesmo com o hor\u00e1rio apertado do voo), Maria Rita analisou seus quatro trabalhos de forma reflexiva e atenta. E soltou uma deliciosa gargalhada quando incluiu a m\u00e3e, Elis Regina, em uma playlist de artistas preferidos especial para o Sonora. \u201cS\u00f3 para ter uma mulher, n\u00e9\u201d. Abaixo, o bate papo:<\/p>\n<p><strong>Me fale de seus discos come\u00e7ando por \u201cMaria Rita\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n&#8220;Maria Rita&#8221; \u00e9 um disco de introdu\u00e7\u00e3o, de apresenta\u00e7\u00e3o. Foi o disco que fiquei mais nervosa pra gravar, mais ansiosa. Era mais ansiedade do que nervosismo. Senti uma press\u00e3o do artista iniciante que grava o segundo disco&#8230; (s\u00f3 que) senti no primeiro. Mas trabalhei com pessoas de absoluta confian\u00e7a, que confio 100% at\u00e9 hoje, mais a produ\u00e7\u00e3o do Tom Capone, um produtor eterno. (Gravar \u201cMaria Rita\u201d) Foi um astral muito bacana. Dediquei-me muito e fiquei muito orgulhosa de ter conseguido termina-lo da forma como eu tinha imaginado que ficaria. \u00c9 tamb\u00e9m um disco generoso, porque contei com o apoio de muita gente. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Marcelo Camelo&#8230; Tenho bon\u00edssimas lembran\u00e7as deste disco, desta fase.<\/p>\n<p><strong> O \u201cSegundo\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nEle surgiu de uma necessidade de encerrar o ciclo (do disco) \u201cMaria Rita\u201d, porque eu sentia que estava carregada de muita hist\u00f3ria. Teve o nascimento do meu filho, o falecimento do Tom Capone, teve o Grammy&#8230; Teve muita coisa&#8230; Senti que, principalmente ap\u00f3s a ida do Tom (Capone), estava ficando dif\u00edcil subir ao palco e cantar aquelas m\u00fasicas. O \u201cSegundo\u201d veio dessa necessidade muito intima de um novo projeto, com novas can\u00e7\u00f5es que pudessem contar a hist\u00f3ria desse momento. O encarte do disco \u00e9 branco, \u00e9 tudo muito claro&#8230; T\u00eam uma influ\u00eancia das coisas que a gente n\u00e3o v\u00ea, mas sabe que existe. O cen\u00e1rio do show tinha rendas, tapete feito \u00e1 m\u00e3o, o Divino Espirito Santo, uma brasilidade muita grande que remete a terra. Uma busca por um contato com algo que a gente n\u00e3o consegue explicar. Emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o diversas e adversas. Isso tudo influenciou no disco, no visual, na est\u00e9tica sonora. \u00c9 um disco mais vazio, silencioso. Os takes escolhidos eram os que transmitiam mais emo\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necessariamente os melhores tecnicamente. Tem erro, tem respira\u00e7\u00e3o fora do lugar, ent\u00e3o \u00e9 um disco muito humano.<\/p>\n<p><strong> Parece um disco de transi\u00e7\u00e3o para o \u201cSamba Meu\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nPossivelmente.<\/p>\n<p><strong> Que \u00e9 um disco mais alegre&#8230;<\/strong><br \/>\nExatamente. \u00c9 uma trajet\u00f3ria. O show do \u201cSegundo\u201d era explosivo e, apesar de eu n\u00e3o ser a compositora das can\u00e7\u00f5es, muito autobiogr\u00e1fico. Isso me possibilitou externar um monte de dem\u00f4nios, tristezas e hist\u00f3rias. E pode trazer de volta as alegrias que a vida nos proporciona.<\/p>\n<p><strong> Vamos falar das alegrias ent\u00e3o (risos)&#8230;<\/strong><br \/>\nSim (risos), chegamos ent\u00e3o no \u201cSamba Meu\u201d, aquela coisa ultra feminina, a feminilidade aflorada ao m\u00e1ximo, a alegria infundada que \u00e9 o samba. N\u00e3o \u00e9 a toa que o samba \u00e9 a maior express\u00e3o musical caracter\u00edstica do povo brasileiro, um povo sofrido, trabalhador, dedicado, e que jamais perde a esperan\u00e7a, jamais perde o sorriso, jamais perde a generosidade e a alegria de estar ali, vivendo, seja qual for o desafio. (\u201cSamba Meu\u201d) \u00c9 a minha paix\u00e3o pelo samba. Fiz muita quest\u00e3o que fosse um show absurdamente produzido, dentro dos meus padr\u00f5es. Queria troca de figurino, queria troca de cen\u00e1rio, queria proje\u00e7\u00e3o, luz rodando&#8230; Os meus outros shows eram muito mais teatrais, luz parada, e esse eu queria&#8230; brilhante, sorridente, pra cima, que \u00e9 como eu sinto o samba.<\/p>\n<p><strong> Como foi a busca pelo repert\u00f3rio?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o teve uma linha de racioc\u00ednio. Foram can\u00e7\u00f5es pelas quais me apaixonei. \u201cT\u00e1 Perdoado\u201d, do Arlindo Cruz, por exemplo, o Arlindo me deu antes mesmo de eu pensar em gravar um disco de samba, um ano e meio antes, talvez mais. \u201cEscrevi essa m\u00fasica pra voc\u00ea. N\u00e3o precisa gravar, fica ai. \u00c9 sua\u201d, ele disse (risos). Muito querido. E foi a primeira que despertou quando rolou a ideia de gravar o disco. J\u00e1 tinha essa garantida. E as m\u00fasicas vieram assim, muito femininas, o que era um desafio, porque o samba&#8230; s\u00f3 tem compositor homem no disco. Foi um desafio muito grande gravar essas m\u00fasicas como eu queria gravar, take corrido, ao vivo, desafio atr\u00e1s de desafio. Mas eu acho \u00f3timo dar uma chacoalhada, porque cair no lugar comum d\u00e1 uma pregui\u00e7a danada.<\/p>\n<p><strong> E o \u201cElo\u201d?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o menos ortodoxo, o menos tradicional poss\u00edvel (dos meus discos). Porque veio de um ano e meio de cantoria na estrada, de um show sem nome que n\u00e3o tinha a menor pretens\u00e3o de virar disco. O show surgiu da minha paix\u00e3o e completa necessidade de estar em cima de um palco. Eu n\u00e3o queria fazer um disco, mas tamb\u00e9m n\u00e3o queria sair do palco. Arranjei um meio do caminho (risos) pra fazer algo que n\u00e3o era pra ser um disco nem nada. N\u00e3o tinha nome, n\u00e3o tinha cen\u00e1rio. Era m\u00fasica em cima do palco. Quatro instrumentos e vamos embora. E o show foi crescendo, os f\u00e3s foram pedindo que eu registrasse de alguma forma as m\u00fasicas do show que nunca havia gravado, e ent\u00e3o surgiu a ideia do \u201cElo\u201d. Ele ganhou esse nome porque s\u00f3 existe por causa da receptividade do p\u00fablico, e, de certa forma, da coragem dessas pessoas sa\u00edrem de casa para assistir a um show que elas nem sabiam o que era. Foi intenso. O frio na barriga que eu sentia era maior. Porque tudo pode acontecer, \u00e9 uma democracia, e assim como eles v\u00e3o (ao show) porque eles querem, eles saem porque querem tamb\u00e9m. Era um turbilh\u00e3o. Can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, can\u00e7\u00f5es que ningu\u00e9m tinha me visto cantar. Era preciso um cuidado comigo mesma, para que todo show n\u00e3o derrapasse, n\u00e3o sa\u00edsse do foco. \u00c9 um presente deles para mim, uma invers\u00e3o de valores que me ensinou muito. Ouso at\u00e9 dizer que (esse disco) me deu um grau de autoconfian\u00e7a como interprete e cantora em um cen\u00e1rio musical t\u00e3o vasto e rico como o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/mariarita2.jpg\" alt=\"mariarita2.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; C\u00e9sar Mariano analisa carreira da filha Maria Rita (<a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI297118-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Tenho saudade de botequim&#8221;, diz C\u00e9sar Mariano (<a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI297105-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; C\u00e9sar Camargo Mariano e a remixagem de &#8220;Elis e Tom&#8221; (<a href=\"http:\/\/musica.terra.com.br\/interna\/0,,OI308079-EI1267,00.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oito anos atr\u00e1s, em um longo (e interessant\u00edssimo) bate papo de quase duas horas, o m\u00fasico e arranjador C\u00e9sar Camargo Mariano analisava a carreira ent\u00e3o iniciante da filha Maria Rita. \u201cEla saiu do barzinho, do show do Chico Pinheiro, e no dia seguinte, literalmente, pulou para um est\u00e1gio de superstar\u201d, comentava o pai. \u201c\u00c9 muito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6663"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6663"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6663\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}