{"id":6633,"date":"2012-07-19T11:09:41","date_gmt":"2012-07-19T14:09:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/19\/a-intimidade-de-paul-mccartney\/"},"modified":"2012-07-19T19:00:19","modified_gmt":"2012-07-19T22:00:19","slug":"a-intimidade-de-paul-mccartney","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/19\/a-intimidade-de-paul-mccartney\/","title":{"rendered":"A intimidade de Paul McCartney"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/intimidade.jpg\" alt=\"intimidade.jpg\" \/><\/p>\n<p>Terminei ontem o meu sexto livro de 2012. \u201cA Intimidade de Paul McCartney\u201d, de Howard Sounes, se junta \u00e0 listinha que j\u00e1 tem \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo\u201d, do Alex Ross, \u201cA Visita Cruel do Tempo\u201d e \u201cO Torre\u00e3o\u201d, de, Jennifer Egan, \u201cSexo na Lua\u201d, de Ben Mezrich e \u201cConversas com Scorsese\u201d, de Richard Schinkel (al\u00e9m da releitura do primeiro volume de com\u00e9dias de Shakespeare). 2012 est\u00e1 rendendo, ao menos para leitura.<\/p>\n<p>Gostei bastante de \u201cA Intimidade de Paul McCartney\u201d. J\u00e1 tinha aprovado a prosa r\u00e1pida de Howard Sounes na \u00f3tima \u201cBob Dylan, A Biografia\u201d, e nesta vers\u00e3o beatle, o jornalista vai muito al\u00e9m dos outros livros que pretendem rememorar os fab four. Claro, h\u00e1 bastante pimenta e fofoca de bastidores no livro, al\u00e9m do julgamento de Sounes ser bem pesado com Paul McCartney, embora ele tente relevar isso nos agradecimentos.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de critica-lo nem glorifica-lo excessivamente em sua carreira\u201d, argumenta o jornalista. \u201cTentei contar a hist\u00f3ria \u00e9pica de sua vida de modo verdadeiro e justo\u201d, contemporiza. A justi\u00e7a, por\u00e9m, \u00e9 diferente para cada pessoa, e Sounes pesa a m\u00e3o em diversos momentos, como por exemplo quando esculacha (com certa raz\u00e3o e rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es) quase toda produ\u00e7\u00e3o musical solo do ex-beatle.<\/p>\n<p>\u201cA Intimidade de Paul McCartney\u201d \u00e9 um livro para ser lido com bastante cuidado, por\u00e9m, tem muitos m\u00e9ritos. Traz hist\u00f3rias interessantes dos tempos dos Beatles que foram vetadas tanto na biografia (chapa branca) de Paul, \u201cMany Years From Now\u201d, de Barry Miles, tanto quanto no \u201cAnthology\u201d, mas seu maior m\u00e9rito \u00e9 dividir a vida de McCartney em duas fases: Beatles e carreira solo (o Paul p\u00f3s Beatles \u00e9 praticamente ignorado em \u201cMany Years From Now\u201d).<\/p>\n<p>Sounes baixa a guarda com respeito (e chega a emocionar, embora solte uma ou outra farpa nas entrelinhas) no cap\u00edtulo que relembra a morte de Linda e esmi\u00fa\u00e7a o tr\u00e1gico casamento com Heather Mills, com a facilidade do acesso p\u00fablico aos documentos do div\u00f3rcio, 68 p\u00e1ginas que escancaravam a vida de Paul (listando todas as suas propriedades, todo seu dinheiro e cenas do cotidiano do ex-beatle que viraram festa nos tabloides ingleses).<\/p>\n<p>F\u00e3s at\u00e9 devem ficar ofendidos com a pena afiada de Sounes (que pega pesado em algumas compara\u00e7\u00f5es com Dylan, por exemplo, quando diz que Bob, \u201cno melhor de seus momentos, \u00e9 um homem profundo, enquanto Paul, no melhor, \u00e9 apenas um bom compositor \u2013 e um letrista med\u00edocre\u201d, ou quando esmi\u00fa\u00e7a a fixa\u00e7\u00e3o por Paul em viver do passado e continuar tocando as can\u00e7\u00f5es do mesmo modo de 50 anos atr\u00e1s nos shows atuais, enquanto Dylan opta por recriar seu repert\u00f3rio toda noite), mas o saldo \u00e9 bastante positivo.<\/p>\n<p>Abaixo, um dos trechos hil\u00e1rios do livro, que, de certo modo, exibe o poder de sedu\u00e7\u00e3o de Paul McCartney (como se suas can\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o bastassem pra isso)&#8230;<\/p>\n<p><em> \u201cPaul n\u00e3o divulgou suas experi\u00eancias com a coca\u00edna e a hero\u00edna \u00e0 imprensa em 1967, isso aconteceu 30 anos depois. O pouco que ele relatou sobre ter usado LSD causou pol\u00eamica suficiente em uma \u00e9poca na qual os jornais estavam cheios de mat\u00e9rias sobre astros pop e pessoas pr\u00f3ximas a eles presos por uso de drogas. Um amigo fot\u00f3grafo dos Beatles, John \u2018Hoppy\u2019 Hopkins, foi preso por posse de maconha no dia em que \u2018Sgt Peppers\u2019 foi lan\u00e7ado. Al\u00e9m disso, a batida policial na casa de campo de Keith Richards levou Robert Fraser, Keith e Mick Jagger a senten\u00e7as de 6, 12 e 3 meses de pris\u00e3o, respectivamente. Os Stones foram soltos mediante fian\u00e7a em poucos dias, esperando o julgamento do recurso, mas Fraser cumpriu quatro meses. Embora a intelligentsia considerasse as senten\u00e7as injustas, o editor do Times escreveu um elogiado editorial que ajudou os Stones a ganhar o recurso \u2013 havia uma sensa\u00e7\u00e3o de que a policia, mancomunada com os tabloides, estava em busca do maior pr\u00eamio de todos: prender um beatle. A confiss\u00e3o sobre o LSD de Paul causou estranheza em John, George e Ringo, que se viram assunto de escrut\u00ednio indesejado sobre o uso de drogas, com a ironia de que Paul fora o \u00faltimo entre eles a experimentar \u00e1cido. \u2018Pareceu estranho para mim\u2019, comentou George anos depois para o document\u00e1rio \u2018Anthology\u2019, \u201cporque est\u00e1vamos tentando faz\u00ea-lo tomar LSD havia mais ou menos um ano e meio \u2013 e um belo dia l\u00e1 estava ele na televis\u00e3o falando sobre isso\u201d. Com essa declara\u00e7\u00e3o, George pareceu sugerir que Paul desejava aten\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em> Em Liverpool, os McCartney ficaram preocupados com a noticia de que o membro famoso da fam\u00edlia estava usando drogas. Tia Ginny convocou uma reuni\u00e3o de fam\u00edlia para discutir a situa\u00e7\u00e3o, o que a levou ao sul para resolver tudo pessoalmente com o sobrinho. \u2018Ent\u00e3o ela foi \u00e0 Londres ficar com Paul\u2019, conta o parente Mike Robbins. \u2018Cerca de cinco ou seis dias depois ela voltou, e todos nos reunimos \u2013 eu vou lembrar disso para sempre \u2013 em sua pequena casa em Mersey View. A fam\u00edlia perguntou se Ginny conseguira v\u00ea-lo, e a senhora de 57 anos tirou um baseado da bolsa de m\u00e3o e perguntou, de maneira sonhadora: \u2018Voc\u00eas j\u00e1 experimentaram um desses?\u2019. A parentada acendeu e fumou a erva. \u2018Rimos feitos uns doidos\u2019, revela Mike. \u2018Essa era a Tia Ginny\u2019\u201d.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>E esse era Paul McCartney. Muito prazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/paul_isle.jpg\" alt=\"paul_isle.jpg\" \/><br \/>\n<em>Paul McCartney na Ilha de Wight \/ Foto: Marcelo Costa<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Sobre Scorsese e filmes que salvam almas, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/11\/sobre-scorsese-e-filmes-que-salvam-vidas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Martin Scorsese, eu e a morte, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/03\/20\/scorsese-eu-e-a-morte\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Jennifer Egan manipula o leitor em &#8220;O Torre\u00e3o&#8221;, por Mac (<a href=\"http:\/\/rollingstone.com.br\/guia\/livro\/o-torreao\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Sexo na Lua&#8221;, de Mezrich: sem a sorte de Zuckerberg, por Mac (<a href=\"http:\/\/rollingstone.com.br\/guia\/livro\/sexo-na-lua\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cO minimalismo e o rock and roll\u201d, trecho de \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/05\/o-minimalismo-e-o-rock-and-roll\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminei ontem o meu sexto livro de 2012. \u201cA Intimidade de Paul McCartney\u201d, de Howard Sounes, se junta \u00e0 listinha que j\u00e1 tem \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo\u201d, do Alex Ross, \u201cA Visita Cruel do Tempo\u201d e \u201cO Torre\u00e3o\u201d, de, Jennifer Egan, \u201cSexo na Lua\u201d, de Ben Mezrich e \u201cConversas com Scorsese\u201d, de Richard Schinkel (al\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6633\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}