{"id":6600,"date":"2012-07-11T22:34:15","date_gmt":"2012-07-12T01:34:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/11\/tres-filmes-cinema-cerveja-e-politica\/"},"modified":"2012-07-11T23:26:22","modified_gmt":"2012-07-12T02:26:22","slug":"tres-filmes-cinema-cerveja-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/11\/tres-filmes-cinema-cerveja-e-politica\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Filmes: Cinema, Cerveja e Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/allen.jpg\" alt=\"allen.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cUm Retrato de Woody Allen\u201d (Wild Man Blues,  1998)<\/strong><br \/>\nWoody Allen costuma rejeitar compara\u00e7\u00f5es com seus personagens, mas basta colocar Jerry, personagem que ele encena em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/03\/cinema-para-roma-com-amor\/\" target=\"_blank\">Para Roma com Amor<\/a>\u201d (que rememora muitos outros), ao lado do Woody Allen deste document\u00e1rio para percebermos que a linha que os separa \u00e9 praticamente invis\u00edvel. E isso \u00e9 um dos v\u00e1rios pontos interessantes de \u201cWild Man Blues\u201d, filme de Barbara Kopple (lan\u00e7ado agora no Brasil pela Flashstar &#8211; com uma leva de outros filmes do diretor) que flagra a turn\u00ea europeia da banda de jazz de Woody Allen em 1997, passando por 18 cidades em 23 dias: \u201c\u00c9 t\u00edpico de mim\u201d, comenta ele em certo momento. \u201cEu sonhava com essa turn\u00ea, e agora que estou nela n\u00e3o vejo a hora de acabar\u201d. O humor afiado do diretor avan\u00e7a sobre prefeitos, f\u00e3s e paparazzos, mas o retrato que Kopple faz do cineasta \u00e9 t\u00e3o honesto que comove. Filmado logo ap\u00f3s o longo processo que Mia Farrow e Woody Allen enfrentaram pela guarda dos filhos, e da uni\u00e3o do diretor com a filha adotiva de Mia, Soo-Yi, \u201cWild Man Blues\u201d expande seu territ\u00f3rio avan\u00e7ando al\u00e9m da banda (sem perder a boa m\u00fasica de foco) para o novo casamento e at\u00e9 para a rela\u00e7\u00e3o do cineasta com sua fam\u00edlia. Nettie, a m\u00e3e, responde na frente da nora que preferia uma filha judia a uma oriental enquanto o pai, j\u00e1 bastante idoso, parece ainda n\u00e3o aceitar a carreira escolhida pelo filho, passagens que mitificam (e explicam) um dos maiores cineastas vivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/cerveja.jpg\" alt=\"cerveja.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u00a0<strong>\u201cCerveja Falada\u201d (2010)<\/strong><br \/>\nEm um momento em que a produ\u00e7\u00e3o de cerveja artesanal come\u00e7a a despontar em v\u00e1rios cantos do Pa\u00eds, este document\u00e1rio de 15 minutos dirigido por Guto Lima, Luiz Henrique Cudo e Dem\u00e9trio Panarotto, da produtora Exato Segundo, resgata com m\u00e9ritos um personagem m\u00edtico que ficou a frente de uma das mais antigas cervejarias artesanais do pa\u00eds. Rupprecht Loeffler viveu boa parte de seus 93 anos dedicando-se a produ\u00e7\u00e3o de cerveja, e \u00e9 apontado por muitos como um dos mais antigos mestres cervejeiros do pa\u00eds, tocando a cervejaria Canoinhense, de Canoinhas, em Santa Catarina, por mais de cinco gera\u00e7\u00f5es (at\u00e9 seu falecimento, em fevereiro de 2011). Fundada em 1908 pelo pai de Rupprecht, a Canoinhense produz cerveja e chope artesanais com receita que segue a Lei da Pureza Alem\u00e3. Os ton\u00e9is de carvalho foram trazidos da Alemanha h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. \u201cMeu pai trouxe a f\u00f3rmula de Munique\u201d, conta Rupprecht, que diz que, na falta de leite, a \u201cpiazada\u201d tomava cerveja quando era crian\u00e7a. O mestre-cervejeiro lembra como estocou l\u00fapulo na Segunda Guerra Mundial e conta outras hist\u00f3rias divertidas em um registro carinhoso que j\u00e1 recebeu v\u00e1rios pr\u00eamios, e est\u00e1 dispon\u00edvel para download no site Filmes Que Voam (<a href=\"http:\/\/www.filmesquevoam.com.br\/filme.php?id=89\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). Ainda assim vale ir atr\u00e1s do DVD, que traz o \u00f3timo m\u00e9dia metragem \u201cHist\u00f3rias da Cerveja em Santa Catarina\u201d. Bate na porta da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.exatosegundo.com.br\/\" target=\"_blank\">Exato Segundo<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/chavez.jpg\" alt=\"chavez.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cAo Sul da Fronteira\u201d (South of The Border, 2009)<\/strong><br \/>\nDisposto a mostrar ao mundo &#8211; e especialmente aos norte-americanos &#8211; a verdadeira Am\u00e9rica Latina (j\u00e1 que n\u00f3s aqui debaixo conhecemos bem quase todas as hist\u00f3rias presentes no filme), Oliver Stone entrevistou Evo Morales (Bol\u00edvia), Fernando Lugo (Paraguai), N\u00e9stor e Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Ra\u00fal Castro (Cuba) e Lula buscando mostrar a for\u00e7a de um continente que quer olhar os EUA de igual para igual. Em \u201cAo Sul da Fronteira\u201d, o diretor busca suavizar a imagem dif\u00edcil de Hugo Ch\u00e1vez, temido presidente da Venezuela, e trope\u00e7a em lacunas e na falta do traquejo dramat\u00fargico e c\u00f4mico que transformam filmes de Michael Moore em epopeias mundiais, mas, ainda assim, soa educativo ao mostrar como a m\u00eddia norte-americana transforma pa\u00edses que dificultam as rela\u00e7\u00f5es com os EUA em grandes vil\u00f5es. \u201cObama trouxe da reuni\u00e3o com os pa\u00edses latinos um aperto de m\u00e3o e uma camiseta do Che\u201d, reclama um ancora, que pinta o presidente venezuelano como um monstro. \u201c\u00c9 tudo por petr\u00f3leo\u201d, retruca Ch\u00e1vez, que surge abra\u00e7ando criancinhas, andando de bicicleta (Stone faltou \u00e0s aulas de populismo barato) e, comicamente, perguntando aos membros da ONU se eles sentiam o cheiro de enxofre no palanque ap\u00f3s um discurso de Bush, o dem\u00f4nio. O grande m\u00e9rito do filme (que est\u00e1 inteiro no <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=mB-C6Ftaz7E\" target=\"_blank\">Youtube<\/a>) \u00e9 explorar com destreza o tema &#8220;manipula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia&#8221;. A verdade \u00e9 simples (para TODOS os lados): duvide de tudo que voc\u00ea v\u00ea na TV e l\u00ea em jornais. Tudo. Se n\u00e3o existe mais bobo no futebol (e existe), a pol\u00edtica ainda est\u00e1 com as salas cheias. Uma boa dose de ceticismo faz bem para a raz\u00e3o, mas, se preciso for, viva a Am\u00e9rica&#8230; do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUm Retrato de Woody Allen\u201d (Wild Man Blues, 1998) Woody Allen costuma rejeitar compara\u00e7\u00f5es com seus personagens, mas basta colocar Jerry, personagem que ele encena em \u201cPara Roma com Amor\u201d (que rememora muitos outros), ao lado do Woody Allen deste document\u00e1rio para percebermos que a linha que os separa \u00e9 praticamente invis\u00edvel. 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