{"id":6569,"date":"2012-07-07T21:00:06","date_gmt":"2012-07-08T00:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/07\/um-conto-cervejeiro-em-veneza\/"},"modified":"2016-06-25T06:56:02","modified_gmt":"2016-06-25T09:56:02","slug":"um-conto-cervejeiro-em-veneza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/07\/um-conto-cervejeiro-em-veneza\/","title":{"rendered":"It\u00e1lia: Um conto cervejeiro em Veneza"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza16.jpg\" alt=\"veneza16.jpg\" \/><br \/>\n<em>Texto e fotos: Marcelo Costa<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 quase um conto cervejeiro. Semanas atr\u00e1s estive em Veneza. Era minha segunda visita ao arquip\u00e9lago, sendo que na primeira caminhei e me perdi bastante entre Santa Croce e Dorsoduro. Desta vez, tracei com meta me perder no bairro atr\u00e1s da Piazza San Marco caminhando ainda nos bairros Castelo e Cannaregio. Neste segundo, ap\u00f3s passar pelas igrejas San Barnaba e Santa Maria Dei Miracoli, segui em frente totalmente sem destino, quando, na Fondamenta Ormesini, vejo um quadro: \u201cBirre da Tutto il Mundo (O Quasi)\u201d. Tive que parar.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza22.jpg\" alt=\"veneza22.jpg\" \/><\/p>\n<p>O Bacaro Pub \u00e9 de Aldo Campalto, um italiano corpulento que, assim que voc\u00ea pede a carta de birre, avisa: \u201cAs (quatro) geladeiras est\u00e3o a sua disposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 pegar\u201d. H\u00e1 mesas ao lado do canal e variedades de crostinis viciantes no balc\u00e3o. Era quase 13h, sol a pino. Ficar b\u00eabado n\u00e3o estava nos planos, por isso abri os servi\u00e7os com uma alem\u00e3 leve e refrescante, a Augustiner Weissbier, mas quando vi j\u00e1 estava com uma Amacord de 8% na mesa, cerveja artesanal italiana cuja linha extensa homenageia o cineasta Federico Fellini.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza19.jpg\" alt=\"veneza19.jpg\" \/><\/p>\n<p>De brasileiras no card\u00e1pio, o Aldo s\u00f3 tinha Brahma e Skol, mas a linha de italianas artesanais era surpreendente. Fui ao balc\u00e3o papear com o cara, e separar algumas para trazer para o Brasil. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o acha melhor, ao inv\u00e9s de levar a linha inteira de uma cerveja, levar metade dela e metade de outra? Acho que deveria experimentar as Del Ducato\u201d, orientou. Segui o conselho, separei tr\u00eas Amarcord e tr\u00eas Del Ducato, e Aldo ainda me presenteou com uma Oatmeal Stout, Del Ducato da linha moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza26.jpg\" alt=\"veneza26.jpg\" \/><\/p>\n<p>Fundada em 2007, a Del Ducato \u00e9 uma microcervejaria da cidade de Fiorenzuola d&#8217;Arda, na Em\u00edlia Romana (uma hora de Mil\u00e3o, duas horas de Veneza), com pouco mais de 13 mil habitantes. Com apenas cinco anos de exist\u00eancia, a Del Ducato j\u00e1 \u00e9 apontada por muitos como a melhor cervejaria italiana, tendo ganhado pr\u00eamios em diversos festivais, com uma produ\u00e7\u00e3o dividida em 22 r\u00f3tulos separados em tr\u00eas linhas: a cl\u00e1ssica (das quais eu trouxe a Winterlude, a A.F.O. e a Chimera), a moderna e a especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza14.jpg\" alt=\"veneza14.jpg\" \/><\/p>\n<p>A Oatmeal Stout da Del Ducato, cerveja da linha moderna (que ainda tem outros cinco r\u00f3tulos) j\u00e1 se define no aroma intenso de malte torrado, o que tamb\u00e9m remete a chocolate amargo e tamb\u00e9m caf\u00e9 mo\u00eddo na hora. O paladar segue as notas do aroma, mas perde no corpo. Est\u00e3o ali o caf\u00e9 mo\u00eddo (ainda mais intenso no paladar), o malte torrado e o mesmo chocolate amargo, mas a Oatmeal Stout \u00e9 aguada demais, o que prejudica o conjunto. Ainda assim, a defini\u00e7\u00e3o do site oficial merece cita\u00e7\u00e3o: \u201cela evoca finais felizes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza17.jpg\" alt=\"veneza17.jpg\" \/><\/p>\n<p>A Winterlude integra a linha de cervejas cl\u00e1ssicas da Del Ducatto (que traz mais sete r\u00f3tulos), e \u00e9 absolutamente perfeita. Isso mesmo: perfeita. Os italianos seguiram a risca a tradi\u00e7\u00e3o das maravilhosas Tripel belgas, da refermenta\u00e7\u00e3o na garrafa ao uso de l\u00fapulo especial, no caso importado de uma fazenda da cidade de Poperinge, na regi\u00e3o dos  Flanders Orientais \u2013 \u00e1rea famosa pela cultura do l\u00fapulo, que fornece 80% do material usado na produ\u00e7\u00e3o belga (e tamb\u00e9m nesta surpreendente Winterlude).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza6.jpg\" alt=\"veneza6.jpg\" \/><\/p>\n<p>O encantamento come\u00e7a no aroma, frutad\u00edssimo, que remete a laranja, abacaxi e mela\u00e7o (e, honrando a escola belga, \u00e1lcool). O paladar \u00e9 riqu\u00edssimo. Primeiro uva, depois laranja, abacaxi, talvez p\u00eassego e mel. A tonelada de \u00e1lcool (com 8,8%, essa \u00e9 a cerveja mais forte da Del Ducatto) n\u00e3o intimida: o frutado acaricia o c\u00e9u da boca enquanto o \u00e1lcool passeia pela l\u00edngua. O final fica entre o adocicado e o alco\u00f3lico. Apaixonante. Pra fechar: o nome \u00e9 de uma can\u00e7\u00e3o de Bob Dylan&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza8.jpg\" alt=\"veneza8.jpg\" \/><\/p>\n<p>Indo por uma linha completamente diferente, a das ales norte-americanas, a A.F.O. (Ale for Obsessed), segundo r\u00f3tulo lan\u00e7ado pela Del Ducato (em 2006), leva bastante a s\u00e9rio o que o nome prop\u00f5e: eis uma ale para obcecados em l\u00fapulo. Aqui s\u00e3o 10 tipos diferentes, tr\u00eas deles norte-americanos (Chinook, Cascade e Simcoe). O aroma \u00e9 levemente frutado, com algo que remete a pimenta e a madeira. O paladar \u00e9 amargo e incrivelmente saboroso, com o l\u00fapulo distribuindo notas c\u00edtricas, que terminam com um leve toque de mel. \u00d3tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza13.jpg\" alt=\"veneza13.jpg\" \/><\/p>\n<p>Por fim, chegamos \u00e0 \u00faltima Del Ducato que veio na mala direto de Veneza, a Chimera, uma Belgian Dark Strong Ale de responsa. O aroma fica entre o alco\u00f3lico (s\u00e3o 8% de gradua\u00e7\u00e3o, que intimidam no in\u00edcio) e o adocicado, com o mela\u00e7o de caramelo e a\u00e7\u00facar queimado marcando presen\u00e7a de forma intensa. O primeiro toque na l\u00edngua remete \u00e0 ameixa e uva passa, e a sugest\u00e3o se estende at\u00e9 a garganta, com o \u00e1lcool aparecendo de forma suave no final em um conjunto que surpreende. \u201c\u00c9 um pouco como perseguir uma ilus\u00e3o\u201d, diz o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.birrificiodelducato.net\/\" target=\"_blank\">site oficial<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza25.jpg\" alt=\"veneza25.jpg\" \/><\/p>\n<p>No pub do Aldo, em Veneza, cada uma das Del Ducato cl\u00e1ssicas saiu por 4 euros (cerca de R$ 10) enquanto a Oatmeal Stout custava 3 euros. No Brasil, com importa\u00e7\u00e3o da Tarantino, as cervejas da linha moderna saem a partir de R$ 19, da linha cl\u00e1ssica a partir de R$ 39 e da linha especial a partir de R$ 90 (a garrafa de 330 ml). Ent\u00e3o, recomend\u00e1vel que, em uma viagem \u00e0 It\u00e1lia, voc\u00ea procure pelas Del Ducato. O endere\u00e7o do Bacaro Pub, do Aldo, em Veneza, \u00e9 Fondamenta Ormesini Cannaregio, 2710. E o cart\u00e3o avisa: \u201cAperto tutti i giorni fino alle 2:00\u201d. Vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza2.jpg\" alt=\"veneza2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Del Ducato Oatmeal Stout<br \/>\n&#8211; Produto: Oatmeal Stout<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: It\u00e1lia<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 4,5%<br \/>\n&#8211; Nota: 3\/5<\/p>\n<p>Del Ducato Winterlude<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Tripel<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: It\u00e1lia<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 8,8%<br \/>\n&#8211; Nota: 4,25\/5<\/p>\n<p>Del Ducato A.F.O. (Ale for Obsessed)<br \/>\n&#8211; Produto: American Pale Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: It\u00e1lia<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 5,2%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,30\/5<\/p>\n<p>Del Ducato Chimera<br \/>\n&#8211; Produto: Belgian Dark Strong Ale<br \/>\n&#8211; Nacionalidade: It\u00e1lia<br \/>\n&#8211; Gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica: 8%<br \/>\n&#8211; Nota: 3,62\/5<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/veneza28.jpg\" alt=\"veneza28.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio de Viagem: Europa 2012 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/top-100-cervejas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Cinco fotos: Veneza (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/09\/cinco-fotos-veneza\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio 2009: Veneza, Veneza, Veneza, Veneza e Ryanair (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/27\/veneza-veneza-veneza-veneza-e-ryanair\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Di\u00e1rio 2009: A beleza de Veneza e a siesta de Treviso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/24\/a-beleza-de-veneza-e-a-siesta-de-treviso\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto e fotos: Marcelo Costa \u00c9 quase um conto cervejeiro. 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