{"id":6168,"date":"2012-04-30T13:58:45","date_gmt":"2012-04-30T16:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/30\/tres-filmes-camila-raul-e-xingu\/"},"modified":"2012-04-30T13:58:45","modified_gmt":"2012-04-30T16:58:45","slug":"tres-filmes-camila-raul-e-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/04\/30\/tres-filmes-camila-raul-e-xingu\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Filmes: Camila, Raul e Xingu"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/receberia.jpg\" alt=\"receberia.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cEu Receberia as Piores Not\u00edcias dos Seus Lindos L\u00e1bios\u201d (2012)<\/strong><br \/>\nAdaptado da obra hom\u00f4nima de Mar\u00e7al Aquino, colaborador frequente dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, \u201cEu Receberia\u201d opta por aprofundar o olhar do espectador n\u00e3o s\u00f3 no romance, mas na fun\u00e7\u00e3o da mulher em uma hist\u00f3ria de amor cl\u00e1ssica, uma musa com homens girando em sua \u00f3rbita e lutando por sua posse tal quais mitos gregos \u2013 a trag\u00e9dia, ent\u00e3o, surge como elemento obrigat\u00f3rio na trama. Assim \u00e9 Lav\u00ednia, musa tanto de um pastor (que v\u00ea nela seu poder de salva\u00e7\u00e3o) quanto de um fot\u00f3grafo (numa alus\u00e3o \u00f3bvia e n\u00e3o menos interessante). Ela \u00e9 casada com o primeiro, amante do segundo, e se essa frase j\u00e1 entrega o ponto de partida do drama, o que brilha na tela (mais que a nudez de Camila Pitanga) \u00e9 a forma com que os diretores investigam o \u00e2mago dos personagens \u2013 ainda que, em momentos, de forma exagerada (como quando tentam dramatizar a Amaz\u00f4nia, outra musa). Dif\u00edcil ficar alheio ao filme, e num mundo em que a grande maioria das hist\u00f3rias de amor j\u00e1 foi contada, recontada, vivida, lida e\/ou vista por quase todos, \u201cEu Receberia\u201d tem a virtude de pegar o espectador pelos ombros, chacoalha-lo, e obriga-lo a olhar para si pr\u00f3prio. E para sua pr\u00f3pria musa. Muitos devem desviar o olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/raul.jpg\" alt=\"raul.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cRaul \u2014 O In\u00edcio, o Fim e o Meio\u201d (2012)<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me lembro se foi Robby Krieger ou John Densmore, mas consta que um deles, frente ao t\u00famulo de Jim Morrison no Pere Lachaise, teria dito: \u201cEle n\u00e3o pode estar ai. Ele era grande demais para caber neste t\u00famulo\u201d. Foi a primeira coisa que pensei deste document\u00e1rio sobre Raul Seixas: como resumir uma persona t\u00e3o ampla e complexa quanto Raul numa tela de cinema? O diretor Walter Carvalho cumpriu com m\u00e9ritos a \u00e1rdua tarefa, e ainda abriu outras quest\u00f5es interessantes para discuss\u00f5es de mesa de bar. Do come\u00e7o, com um cover de Raul pilotando uma moto ao som de \u201cBlue Moon \/ Asa Branca\u201d (que resume a paix\u00e3o de Raulzito por Elvis e Luiz Gonzaga), Carvalho segue uma ordem cronol\u00f3gica preenchida por diversas entrevistas (o trabalho investigativo \u00e9 excelente) que tentam dar ao espectador uma centelha do mito em passagens deliciosas (seja com Os Panteras, seja com Paulo Coelho e o epis\u00f3dio da mosca, seja com os satanistas, seja com as ex-mulheres, ou mesmo o pol\u00eamico trecho final, com Marcelo Nova) que colocam \u201cRaul \u2014 O In\u00edcio, o Fim e o Meio\u201d ao lado de outros grandes (e obrigat\u00f3rios) document\u00e1rios recentes nacionais \u2013  como \u201cLoki\u201d, sobre Arnaldo Baptista, \u201cM\u00fasica Para os Olhos\u201d, sobre Cartola, e \u201cNingu\u00e9m Sabe o Duro que Dei\u201d, sobre Wilson Simonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/xingu.jpg\" alt=\"xingu.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cXingu\u201d (2012)<\/strong><br \/>\nA hist\u00f3ria dos irm\u00e3os Orlando, Leonardo e Cl\u00e1udio Villas B\u00f4as \u00e9 conhecida por muitos, mas ainda assim menos do que deveria. Filhos da classe m\u00e9dia paulistana, o trio deixou a cidade juntando-se \u00e0 &#8220;Marcha para o Oeste&#8221; num misto de busca por aventura e pelo desconhecido. Acabaram \u201cdescobrindo\u201d o universo ind\u00edgena, tornaram-se ferrenhos defensores da causa (tanto na floresta amaz\u00f4nica quanto em Bras\u00edlia) e, num paralelo a Oskar Schindler (empres\u00e1rio alem\u00e3o que salvou a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto), salvaram milhares de vidas idealizando o Parque Nacional do Xingu, que foi criado em 1961, com projeto assinado pelo antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro. Desta forma, \u201cXingu\u201d, o filme, tem como grande m\u00e9rito amplificar a a\u00e7\u00e3o dos Villas B\u00f4as (e tem cara de Oscar \u2013 o paralelo com a \u201cA Lista de Schindler\u201d n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa), o que torna a pel\u00edcula mais interessante pela a\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os do que por seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos cinematogr\u00e1ficos. O roteiro \u00e9 apressado e, ainda assim, funcional (apesar de abusar de estere\u00f3tipos). A fotografia \u00e9 bel\u00edssima, as atua\u00e7\u00f5es convincentes, mas \u00e9 tudo t\u00e3o excessivamente produzido que, algumas vezes, soa irreal (quando, talvez, devesse ser mais documental). Um filme excelente pela causa, mas apenas ok pelo cinema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu Receberia as Piores Not\u00edcias dos Seus Lindos L\u00e1bios\u201d (2012) Adaptado da obra hom\u00f4nima de Mar\u00e7al Aquino, colaborador frequente dos diretores Beto Brant e Renato Ciasca, \u201cEu Receberia\u201d opta por aprofundar o olhar do espectador n\u00e3o s\u00f3 no romance, mas na fun\u00e7\u00e3o da mulher em uma hist\u00f3ria de amor cl\u00e1ssica, uma musa com homens girando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6168"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6168\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}