{"id":5833,"date":"2012-02-05T09:39:55","date_gmt":"2012-02-05T12:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/05\/o-minimalismo-e-o-rock-and-roll\/"},"modified":"2016-06-16T10:02:05","modified_gmt":"2016-06-16T13:02:05","slug":"o-minimalismo-e-o-rock-and-roll","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/05\/o-minimalismo-e-o-rock-and-roll\/","title":{"rendered":"O minimalismo e o rock and roll"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/02\/ruido.jpg\" alt=\"ruido.jpg\" \/><\/p>\n<p>\u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo \u2013 Escutando o S\u00e9culo XX\u201d, de Alex Ross, \u00e9 o melhor livro sobre m\u00fasica que li em toda a minha vida (edi\u00e7\u00e3o brasileira da Companhia das Letras -&gt; <a href=\"http:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/trecho.php?codigo=12578\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). A primeira p\u00e1gina relembra a primeira exibi\u00e7\u00e3o da \u00f3pera \u201cSalome\u201d, de Richard Strauss, em 1906. Bem mais pra frente (ap\u00f3s duas guerras mundiais, uma guerra fria, jazz, tonalidade, dodecafonia, Beatles e Stockhausen \u2013 um cem n\u00famero de passagens interessantes que v\u00e3o necessitar serem revistas em uma segunda leitura com o <a href=\"http:\/\/www.orestoeruido.com.br\/\" target=\"_blank\">site do livro<\/a> de ap\u00eandice), na p\u00e1gina 532, Alex Ross versa sobre o minimalismo e o rock and roll. O que d\u00e1 uma pequena ideia da grandiosidade de \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo \u2013 Escutando o S\u00e9culo XX\u201d \u00e9 voc\u00ea imaginar que todos os nomes do primeiro par\u00e1grafo abaixo foram dissecados antes em longos cap\u00edtulos do livro:<\/p>\n<p><em>&#8220;O minimalismo n\u00e3o \u00e9 tanto a hist\u00f3ria de um tipo de som, mas de uma cadeia de eventos. Schoenberg inventou a dodecafonia; Webern encontrou um sil\u00eancio secreto em seus padr\u00f5es; Cage e Feldman abandonaram as sequencias e enfatizaram o sil\u00eancio. Young diminuiu o ritmo da sequencia e a tornou hipn\u00f3tica. Riley sistematizou o processo e lhe conferiu profundidade de campo; Glass imprimiu um momentum motorizado. O movimento n\u00e3o parou por ai. A partir dos anos 60, uma pequena legi\u00e3o de artistas populares, encabe\u00e7ada pela banda Velvet Underground, levou a proposta minimalista ao grande p\u00fablico. Como Reich declarou mais tarde, havia uma \u201cjusti\u00e7a po\u00e9tica\u201d nessa mudan\u00e7a de pap\u00e9is: assim como ele outrora se sentira fascinado por Miles Davis e Kenny Clarke, personalidades do pop em Nova York e Londres passaram a se embevecer de seu trabalho.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>\u00c0s v\u00e9speras de sua revolu\u00e7\u00e3o gradual, Reich tinha um bocado de m\u00fasica pop soando em seus ouvidos. Ele n\u00e3o ouvia apenas jazz, mas tamb\u00e9m rock e r&amp;b. Em uma entrevista, ele citou duas can\u00e7\u00f5es dos anos 60 que faziam a gesticula\u00e7\u00e3o minimalista se concentrar em apenas um acorde: \u201cSubterranean Homesick Blues\u201d, de Bob Dylan, e \u201cShotgun\u201d, de Junior Walker. (A sua) \u201cIt\u2019s Gonna Rain\u201d tem algo em comum com \u201cA Hard Rain\u2019s a-Gonna Fall\u201d, de Bob Dylan, que combina profecia b\u00edblica com a ang\u00fastia da era at\u00f4mica num hino que anuncia um ju\u00edzo final iminente.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>O Velvet Underground surgiu na forma de uma conversa musical entre Lou Reed \u2013 um poeta transformado em compositor com uma voz dolorida e decadente \u2013 e John Cale, o sonolento violonista do Theatre of Eternal Music de La Monte Young. O in\u00edcio da carreira de Cale d\u00e1 uma boa vis\u00e3o do panorama do horizonte musical do final do s\u00e9culo XX: ele estudou no Goldsmiths College em Londres com Humphrey Searle, um disc\u00edpulo de Webern; mudou para composi\u00e7\u00e3o conceitual ao estilo de Cage, do Fluxus e de La Monte Young; chegou aos EUA com uma bolsa de estudos para Tanglewood; provocou l\u00e1grimas em madame Kussev\u00edtskaia ao realizar um trabalho que exigiu a destrui\u00e7\u00e3o de uma mesa com um machado; foi para Nova York com Xenakis; fez sua estreia tocando no espet\u00e1culo de John Cage para \u201cVexations\u201d, de Satie; e acabou entrando para o conjunto de Young. Em sua autobiografia, Cale afirma que um de seus deveres era conseguir drogas para as apresenta\u00e7\u00f5es do Eternal Music. Consta que as transa\u00e7\u00f5es eram conduzidas por um c\u00f3digo musical: \u201cseis compassos de sonata para obo\u00e9\u201d significava \u201cseis on\u00e7as de \u00f3pio\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>Lou Reed entrou em cena em 1964. Na \u00e9poca estava compondo can\u00e7\u00f5es kitsh para uma compania fonogr\u00e1fica chamada Pickwick Records. Por raz\u00f5es que at\u00e9 hoje permanecem obscuras, a Pickwick contratou tr\u00eas m\u00fasicos da Eternal Music \u2013 Cale, Tony Conrad e o baterista e escultor Walter De Maria \u2013 para ajudar Reed na apresenta\u00e7\u00e3o do que deveria ter sido uma novidade de sucesso chamada \u201cThe Ostrich\u201d. O plano n\u00e3o deu em nada, mas os m\u00fasicos da Eternal Music se deram bem com Lou Reed, que estava conduzindo experi\u00eancias independentes com novos temas e modos. A primeira banda de Reed e Cale chamava-se Primitives. Pouco mais tarde, com Sterling Morrison na guitarra e o percussionista do Eternal Music Angus MacLise na bateria, eles viriam a ser o Velvet Underground.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>A principio o Velvet se especializou em happenings e filmes underground. Depois o grupo come\u00e7ou a fazer shows de rock convencional. MacLise desistiu, recusando qualquer formato que o obrigasse a come\u00e7ar e parar em um momento especifico da m\u00fasica. Foi substitu\u00eddo por Maureen Tucker, baterista com um r\u00edgido toque minimalista. Um show na v\u00e9spera de ano novo de 1965 chamou a aten\u00e7\u00e3o de Andy Warwol, que se ligou \u00e0 banda num evento multim\u00eddia chamado Exploding Plastic Inevitable. Finalmente um \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em 1967, com algumas m\u00fasicas cantadas pela modelo alem\u00e3 Nico com sua voz de boneca. \u201cThe Velvet Underground &amp; Nico\u201d vendeu mal na \u00e9poca, mas hoje \u00e9 reconhecido como um dos mais brilhantes e ousados disco de rock j\u00e1 gravados.&#8221;<\/em><\/p>\n<param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HsR4ghMfq0U\"><\/param>\n<param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param>\n<param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param>\n<p align=\"center\"><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HsR4ghMfq0U\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" height=\"300\" width=\"450\"><\/embed><\/p>\n<param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cD2DAte0mU8\"><\/param>\n<param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param>\n<param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param>\n<p align=\"center\"><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/cD2DAte0mU8\" allowscriptaccess=\"always\" allowfullscreen=\"true\" height=\"300\" width=\"450\"><\/embed><\/p>\n<param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/eFd9h5IG5XQ\"><\/param>\n<param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\"><\/param>\n<param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\"><\/param>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo \u2013 Escutando o S\u00e9culo XX\u201d, de Alex Ross, \u00e9 o melhor livro sobre m\u00fasica que li em toda a minha vida (edi\u00e7\u00e3o brasileira da Companhia das Letras -&gt; aqui). A primeira p\u00e1gina relembra a primeira exibi\u00e7\u00e3o da \u00f3pera \u201cSalome\u201d, de Richard Strauss, em 1906. Bem mais pra frente (ap\u00f3s duas guerras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5833"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}