{"id":5461,"date":"2011-11-25T11:08:06","date_gmt":"2011-11-25T14:08:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/11\/25\/dez-perguntas-para-marisa-monte\/"},"modified":"2011-11-25T11:08:06","modified_gmt":"2011-11-25T14:08:06","slug":"dez-perguntas-para-marisa-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/11\/25\/dez-perguntas-para-marisa-monte\/","title":{"rendered":"Dez perguntas para Marisa Monte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/marisa50.jpg\" style=\"text-align: -webkit-auto\" alt=\"marisa50.jpg\" \/><br \/>\npor Marcelo Costa, especial para o Portal Terra<\/p>\n<p>Marisa Monte est\u00e1 de volta ap\u00f3s cinco anos sem um \u00e1lbum de in\u00e9ditas (o intervalo anterior, entre \u201cMem\u00f3rias, Cr\u00f4nicas e Declara\u00e7\u00f5es de Amor\u201d e os dois discos lan\u00e7ados em 2006 &#8211; &#8220;Infinito Particular&#8221; e &#8220;Universo ao Meu Redor&#8221; \u2013 havia sido de seis anos), o que n\u00e3o quer dizer que a cantora deixou de trabalhar com m\u00fasica neste tempo. \u201cFiz uma grande turn\u00ea, um DVD com registro de um  ano de trabalho e produzi o filme \u201cO Mist\u00e9rio do Samba\u201d\u201d, enumera a cantora em entrevista exclusiva ao Terra. \u201cDepois, entrei num momento de sil\u00eancio\u201d, completa.<\/p>\n<p>O mundo mudou um bocado nestes cinco anos em que Marisa ficou sem gravar. Novos artistas surgiram (estrelas pop atuais como, por exemplo, Restart, Luan Santana e Paula Fernandes n\u00e3o existiam para a grande massa em 2006), o modo de comercializa\u00e7\u00e3o de m\u00fasica tomou novos rumos (\u201cO Que Voc\u00ea Quer Saber de Verdade\u201d foi lan\u00e7ado com exclusividade no Sonora &#8211; ou\u00e7a\u00a0<a href=\"http:\/\/sonora.terra.com.br\/#\/Cd\/218240\/o_que_voce_quer_saber_de_verdade_standard\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e a web ganhou tamanha for\u00e7a na divulga\u00e7\u00e3o de novos discos que n\u00e3o s\u00f3 Marisa como Chico Buarque gravaram v\u00eddeos especiais para a nova m\u00eddia estreitando a dist\u00e2ncia com o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Em um momento que boa parte da nova cena m\u00fasical brasileira usa o samba como ponto de partida para o futuro, algo que Marisa Monte havia resgatado com intelig\u00eancia em dois \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos de sua discografia do come\u00e7o dos anos 90 (\u201cMais\u201d, de 1991, e principalmente \u201cVerde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carv\u00e3o\u201d, de 1994), a cantora deixa de lado as inven\u00e7\u00f5es e lan\u00e7a um \u00e1lbum feliz e reverente ao passado.<\/p>\n<p>H\u00e1 baladas (\u201cDepois\u201d, com um \u00f3rg\u00e3o que d\u00e1 \u00e0 melodia uma tonalidade sessentista; \u201cAmar Algu\u00e9m\u201d, faixa delicada com destaque para piano e sanfona; \u201cAquela Velha Can\u00e7\u00e3o\u201d, com o arranjo de cordas valorizando o tom brega da composi\u00e7\u00e3o), forr\u00f3s (\u201cHoje Eu N\u00e3o Saio N\u00e3o\u201d e \u201cO Que Se Quer\u201d, a \u00faltima uma parceria de Marisa com Rodrigo Amarante, que divide os vocais com a cantora) e latinidade (\u201cAinda Bem\u201d, primeira faixa de trabalho; \u201cLencinho Querido\u201d, tango gravado por Dalva de Oliveira em 1956). \u201cEu conheci a m\u00fasica quando era adolescente, ouvindo os discos da minha av\u00f3\u201d, conta Marisa sobre o tango, que ganhou arranjo de Gustavo Mozzi, da trupe argentina Cafe de los Maestros.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio de Jorge Ben voltou a inspirar a cantora. \u201cEu adoro \u201cDescal\u00e7o no Parque\u201d. \u00c9 uma m\u00fasica que eu tocava nos quartos de hotel, nos camarins e at\u00e9 em alguns shows. Normalmente \u00e9 assim que elas param nos discos\u201d, explica Marisa, que j\u00e1 havia gravado anteriormente outras duas can\u00e7\u00f5es do compositor, &#8220;Balan\u00e7a Pema&#8221; (em &#8220;Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carv\u00e3o&#8221;) e &#8220;Cinco Minutos&#8221; (em &#8220;Mem\u00f3ria, Cr\u00f4nicas e Declara\u00e7\u00f5es de Amor&#8221;).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de v\u00e1rias parcerias com Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, \u201cO Que Voc\u00ea Quer Saber de Verdade\u201d conta com a participa\u00e7\u00e3o de integrantes da Na\u00e7\u00e3o Zumbi (Dengue, L\u00facio Maia e Pupillo), e, ainda, Gustavo Santaolalla, Daniel Jobim, Jesse Harris, Money Mark (do grupo Beastie Boys) e do acordeonista Waldonys. E Dadi \u2013 baixista dos Novos Baianos, d\u2019A Cor do Som e do Bar\u00e3o Vermelho al\u00e9m de m\u00fasico de apoio dos  Tribalistas, Rita Lee, Caetano Veloso, Jorge Benjor, Moraes Moreira e muitos outros \u2013 que assina a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum junto com Marisa Monte.<\/p>\n<p>Para falar um pouco sobre o novo \u00e1lbum, escolha de repert\u00f3rio, vers\u00f5es e a nova cena m\u00fasica brasileira, Marisa Monte respondeu por e-mail a 10 perguntas. Confira abaixo o bate papo virtual.<\/p>\n<p><strong>Cinco anos sem lan\u00e7ar um novo disco \u00e9 um bom tempo. Foi algo planejado ou o tempo foi passando, passando, passando, outros projetos foram surgindo (como o seu filme) e quando voc\u00ea se deu conta j\u00e1 tinha se passado cinco anos?<\/strong><br \/>\nFoi um tempo natural&#8230; ap\u00f3s o lan\u00e7amento dos \u00faltimos cds, fiz uma grande turn\u00ea, um DVD com registro de um  ano de trabalho e produzi o filme \u201cO Mist\u00e9rio do Samba\u201d, sobre a Velha Guarda. Depois, entrei num momento de sil\u00eancio. Eu precisava desse tempo de vida para encontrar os parceiros, assistir a shows dos outros e alimentar as rela\u00e7\u00f5es que resultaram nesse novo trabalho.<\/p>\n<p><strong>\u201cO Que Voc\u00ea Quer Saber de Verdade\u201d ser\u00e1 lan\u00e7ado simultaneamente em 30 pa\u00edses. E a turn\u00ea? Como est\u00e1 o planejamento? Ser\u00e1 t\u00e3o extensa quanto a \u201cInfinito ao Meu Redor\u201d?<\/strong><br \/>\nEu estou muito mergulhada no lan\u00e7amento do disco nesse momento, ent\u00e3o estou deixando pra pensar em show um pouco mais para frente. A gente ainda n\u00e3o tem nada marcado.<\/p>\n<p><strong>O disco novo traz 14 can\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea j\u00e1 entra em est\u00fadio com o tracking list do \u00e1lbum definido, ou leva algumas coisas a mais no bolso caso determinado arranjo n\u00e3o funcione?<\/strong><br \/>\nEu geralmente gravo algumas a mais, mas nem todas v\u00e3o at\u00e9 as mixagens. Naturalmente, acontece um equil\u00edbrio entre as can\u00e7\u00f5es e algumas ficam pelo caminho.<\/p>\n<p><strong>\u201cDescal\u00e7o no Parque\u201d \u00e9 a terceira m\u00fasica de Jorge Ben que voc\u00ea regrava em um disco (as outras foram \u201cBalan\u00e7a Pema\u201d e \u201cCinco Minutos\u201d). Imagino que escolher uma m\u00fasica dele seja algo extremamente dif\u00edcil, pois h\u00e1 tanta coisa boa. Como se deu a escolha?<\/strong><br \/>\nEu adoro \u201cDescal\u00e7o no Parque\u201d. \u00c9 uma m\u00fasica que eu tocava nos quartos de hotel, nos camarins e at\u00e9 em alguns shows. Normalmente \u00e9 assim que elas param nos discos.<\/p>\n<p><strong>E \u201cLencinho Querido (El Pa\u00f1uelito)\u201d? Dalva de Oliveira \u00e9 um mito da m\u00fasica brasileira, mas pouca gente fala dela hoje em dia.<\/strong><br \/>\nEu conheci a m\u00fasica quando era adolescente, ouvindo os discos da minha av\u00f3. Na \u00e9poca, era muito dif\u00edcil ter acesso a essas m\u00fasicas, mas eu sempre gostei de pesquisar o repert\u00f3rio da m\u00fasica tradicional brasileira.<\/p>\n<p><strong>Essa vers\u00e3o foi gravada em Buenos Aires? Como foi o clima?<\/strong><br \/>\nFiz uma grava\u00e7\u00e3o das bases aqui em casa, s\u00f3 eu e o Dadi. Mandamos para o maestro Gustavo Mozzi, do Cafe de los Maestros, que fez o arranjo e me mandou de volta a grava\u00e7\u00e3o do ensaio deles, que era lindo. Quando encontrei o Gustavo Santolalla, em Los Angeles, falei pra ele que eu queria que a m\u00fasica fizesse parte do novo disco. Ele nos enviou o multitrack da sess\u00e3o, n\u00f3s mixamos, e \u00e9 essa grava\u00e7\u00e3o que est\u00e1 no disco.<\/p>\n<p><strong>Amar algu\u00e9m s\u00f3 pode fazer bem?<\/strong><br \/>\nSim, o amor \u00e9 uma forma de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o com Rodrigo Amarante? Voc\u00ea ouvia\/ouve Los Hermanos?<\/strong><br \/>\nSim, eu ou\u00e7o Los Hermanos. Encontrei o Rodrigo Amarante em Los Angeles, quando a gente gravou uma m\u00fasica pra o \u201cRed Hot + Rio 2\u201d. Nunca hav\u00edamos feito nada juntos, mas existia uma vontade rec\u00edproca&#8230; Come\u00e7amos a fazer O que se quer nesse encontro em LA e terminamos algum tempo depois no Rio.<\/p>\n<p><strong>E com o pessoal da Na\u00e7\u00e3o Zumbi, que participa de &#8220;Ainda Bem&#8221;, como foi o contato? Eles tamb\u00e9m est\u00e3o para lan\u00e7ar material novo.<\/strong><br \/>\nEles s\u00e3o incr\u00edveis, sou muito f\u00e3 deles. Eu j\u00e1 tinha gravado com o Pupillo antes, que \u00e9 um sonho de m\u00fasico. Eu estava procurando um som de banda e eles tocam juntos h\u00e1 muito tempo, t\u00eam uma linguagem pr\u00f3pria e uma sonoridade \u00fanica. Achei que eles poderiam trazer isto para as can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma nova gera\u00e7\u00e3o independente (j\u00e1 nem t\u00e3o nova assim) revalorizando o samba e a MPB, algo que voc\u00ea j\u00e1 fazia em \u201cMais\u201d (1991) e \u201cVerde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carv\u00e3o\u201d (1994). Voc\u00ea j\u00e1 comp\u00f4s com Lucas Santanna, por exemplo, mas chegou a ouvir outros artistas? Gente como Romulo Fr\u00f3es, Wado, Cidad\u00e3o Instigado, Junio Barreto, Barbara Eug\u00eania&#8230;<\/strong><br \/>\nMarisa Monte: Sim, conhe\u00e7o o trabalho do Romulo h\u00e1 um bom tempo. O Arnaldo me apresentou h\u00e1 alguns anos, gosto muito. Tamb\u00e9m conhe\u00e7o bem o \u00faltimo CD do Wado e gosto muito da onda do Catatau, do Cidad\u00e3o Instigado&#8230; Arnaldo tamb\u00e9m j\u00e1 me falou da B\u00e1rbara Eug\u00eania, estou curiosa. Junio Barreto ainda n\u00e3o escutei&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Marcelo Costa, especial para o Portal Terra Marisa Monte est\u00e1 de volta ap\u00f3s cinco anos sem um \u00e1lbum de in\u00e9ditas (o intervalo anterior, entre \u201cMem\u00f3rias, Cr\u00f4nicas e Declara\u00e7\u00f5es de Amor\u201d e os dois discos lan\u00e7ados em 2006 &#8211; &#8220;Infinito Particular&#8221; e &#8220;Universo ao Meu Redor&#8221; \u2013 havia sido de seis anos), o que n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5461"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5461\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}