{"id":5274,"date":"2011-10-22T10:12:01","date_gmt":"2011-10-22T13:12:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/10\/22\/sempre-as-mesmas-perguntas\/"},"modified":"2022-04-23T00:25:32","modified_gmt":"2022-04-23T03:25:32","slug":"sempre-as-mesmas-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/10\/22\/sempre-as-mesmas-perguntas\/","title":{"rendered":"Sempre as mesmas perguntas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.somimaginario.com\/2011\/10\/sempre-as-mesmas-marcelo-costa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/som.jpg\" alt=\"som.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fernando Neumayer, respons\u00e1vel pelo blog Som Imagin\u00e1rio, me convidou para participar de uma se\u00e7\u00e3o do blog que prev\u00ea sempre as mesmas perguntas para todos os entrevistados. Consegui conter a curiosidade e n\u00e3o conferir as respostas dos amigos S\u00e9rgio Martins, Regis Tadeu, Arthur Dapieve, Ricardo Seelig, entre outros, que j\u00e1 participaram da se\u00e7\u00e3o, e fiquei bastante satisfeito com o resultado, que&#8230; atualizando em 2022, com o Som Imagin\u00e1rio fora do ar, coloco na integra aqui embaixo:<\/p>\n<p><em>Marcelo Costa, o Mac, \u00e9 o editor e a pessoa por tr\u00e1s do Scream &amp; Yell, lugar para quem quer conte\u00fado de alto n\u00edvel. Hoje \u00e9 ele quem pinta aqui no Sempre As Mesmas falando de Purple, Miles, Neil Young, Radiohead, cena brasileira atual e mais. Ali\u00e1s, a se\u00e7\u00e3o tem crescido bem e com gente bacana, o que deixa a casa brindando no ar. A ideia \u00e9 a mesma de sempre: trazer as refer\u00eancias para uma coisa meio bate-papo, meio conversa de bar, com cutucadas, mitos discut\u00edveis e indiscut\u00edveis, quem \u00e9 quem na m\u00fasica hoje etc. Para ilustrar escolhi dois disquinhos que aparecem bem cotados pelo Marcelo: Wilco e Clash. D\u00e1 pra ver as outras edi\u00e7\u00f5es ali na tag entrevista, no canto direito.<\/em><\/p>\n<p><em>Bora l\u00e1.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Deep Purple do Gillan ou da dupla Coverdale\/Hughes?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Do Gillan, sem pestanejar. Por \u201cChild in Time\u201d, &#8220;Highway Star&#8221;, &#8220;Hard Lovin&#8217; Man&#8221; e, mamma mia, \u201cSmoke on the Water\u201d. Por \u201cPerfect Strangers\u201d tamb\u00e9m, mas isso \u00e9 outra coisa. Coverdale ser\u00e1 eternamente um sub-Robert Plant pra mim.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Neil Young: do rock ou do folk?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Os dois. A ess\u00eancia do Neil Young est\u00e1 na genialidade com que ele consegue lidar com os dois extremos e ainda soar&#8230; Neil Young. Como que algu\u00e9m pode escolher entre \u201cNeedle And The Damage Done\u201d e \u201cPowderfinger\u201d?<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Miles Davis vale em todas as fases?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Todas. Amar a m\u00fasica de Miles \u00e9 respeitar a sua inquieta\u00e7\u00e3o, entender que a m\u00fasica para ele estava em eterna transforma\u00e7\u00e3o, uma busca que gerou uma das discografias mais importantes da hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Nina Simone, Ella Fitzgerald, Billie Holiday ou Sarah Vaughan?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Dif\u00edcil, hein. Muito dif\u00edcil. Tendo a ficar com a Nina, mas a Ella&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Quais s\u00e3o os tr\u00eas discos de rock obrigat\u00f3rios?<\/strong><\/em><br \/>\n<em>\u201cLondon Calling\u201d, do Clash, pra pessoa perceber que o rock n\u00e3o \u00e9 burro; \u201cDoolittle\u201d, do Pixies, que mostra como o rock pode soar pop, mas tamb\u00e9m perigoso; \u201cWhite Album\u201d, dos Beatles, porque algum disco dos Beatles precisa constar de qualquer lista de obrigat\u00f3rios. O \u00e1lbum branco tem o dom de ir na contram\u00e3o do \u201cSargeant Peppers\u201d (o que come\u00e7a j\u00e1 pela capa), e ainda assim soar absurdamente foda (exagerado, mas foda). \u00c9 um daqueles discos em que a vida \u00e9 t\u00e1til (talvez porque as vidas por tr\u00e1s dele estivessem em conflito).<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Beatles e Stones. O que um tem que o outro n\u00e3o?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Beatles foi praticamente impec\u00e1vel enquanto os Stones cometeram v\u00e1rios deslizes. Por outro lado, os Beatles aguentaram o peso nas costas por uma d\u00e9cada, e os Stones viveram cinco. Beatles \u00e9 mais limpo, Stones \u00e9 mais sujo. Beatles \u00e9 amor, Stones \u00e9 sexo. Essas bobagens. N\u00e3o consigo escolher entre os dois. Os Beatles s\u00e3o mais importantes, mas o manual do rockstar foi escrito pelos Stones.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Peter Gabriel ficou pelo Genesis ou soube voar tamb\u00e9m solo?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Comecei ouvindo punk rock na primeira metade dos anos 80, ent\u00e3o Genesis era algo meio que proibido no c\u00edrculo (ainda mais que, naquela \u00e9poca, eles viviam a fase Phil Collins), mas nos anos 90 fui atr\u00e1s de algumas coisas antigas e, putz, tive que comprar o \u201cThe Lamb Lies Down on Broadway\u201d em vinil (e tenho at\u00e9 hoje). No entanto, nunca fui atr\u00e1s da carreira solo do Peter Gabriel. Quem sabe o show no SWU n\u00e3o seja um acerto de contas&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong><em>O que tem essa cena indie l\u00e1 de fora? \u00c9 pra tanto barulho? Quem se salva hoje?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Hoje em dia essa coisa de independente anda meio deturpada. Antigamente, o lance todo girava ao redor da liberdade de cria\u00e7\u00e3o. O cara era independente porque nenhuma gravadora queria lan\u00e7ar o disco dele, ent\u00e3o ele fazia do jeito dele e lan\u00e7ava. O capitalismo, altamente adapt\u00e1vel, aproveitou a chance de tamb\u00e9m vender a liberdade. E os indies chegaram \u00e0s grandes gravadoras, ao mainstream, ainda que no momento em que as gravadoras levavam uma rasteira do p2p. O que sobra hoje, como em qualquer cen\u00e1rio, \u00e9 um balaio com gente genial (Arcade Fire, Franz Ferdinand, Decemberists) e um monte de diluidores. Mas sempre foi assim.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Radiohead \u00e9 isso tudo?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>E mais um pouco. No momento em que a internet estava matando o \u00e1lbum como formato, os caras revalorizaram o conceito com um monte de bugigangas atreladas. Porque n\u00e3o amamos a m\u00fasica apenas pelo que ela \u00e9, mas tamb\u00e9m pelo que ela representa. O Radiohead \u00e9 uma das \u00faltimas bandas a entenderem isso. E isso os distingue do resto.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Quem est\u00e1 fazendo coisa boa e nova no Brasil?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Muita gente. A m\u00fasica brasileira atual \u00e9 a melhor do mundo. Se Simon Reynolds vivesse aqui ele nunca teria escrito \u201cRetromania\u201d. Mas como n\u00e3o achar o cen\u00e1rio uma merda se o disco mais esperado do seu pa\u00eds no ano \u00e9 o novo do Coldplay? Aqui temos uma safra genial que aprendeu \u2013 via Los Hermanos \u2013 que o samba pode ser torto e nos representa. N\u00f3s temos ginga, cora\u00e7\u00e3o e sentimentos. \u00c9 isso que Romulo Fr\u00f3es, Wado, Bruno Morais, Junio Barreto, Cidad\u00e3o Instigado e outros est\u00e3o mostrando. A melhor m\u00fasica do mundo est\u00e1 aqui, mas o pr\u00f3prio Brasil ainda n\u00e3o a descobriu.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Qual foi o \u00e1lbum dos anos 2000?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Em conceito, \u201cIn Rainbows\u201d, do Radiohead, pois mostrou que n\u00e3o basta ser m\u00fasica. Em efeito, \u201cIs This It\u201d, do Strokes, que influenciou um bocado de gente; em perfei\u00e7\u00e3o, \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d, do Wilco, momento em que o popular encontra a arte. Por\u00e9m, olhando de onde viemos e para onde vamos, \u00e9 bem prov\u00e1vel que o disco mais importante seja \u201cFuneral\u201d, do Arcade Fire, uma banda que entendeu a intensidade das emo\u00e7\u00f5es no novo s\u00e9culo.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Qual o lan\u00e7amento de 2011 at\u00e9 agora?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>\u201cLet England Shake\u201d, PJ Harvey. Em um mundo de pr\u00eamios merecidos, ela ganharia o de \u00e1lbum do ano, e ainda bem que a Inglaterra tem o Mercury Prize. Se fosse aqui ela seria engolida por qualquer modismo.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Estou em Dylan &amp; The Band, The Basement Tapes, e voc\u00ea? O que voc\u00ea est\u00e1 ouvindo?<\/em><\/strong><br \/>\n<em>Dois discos novos: \u201cThe Whole Love\u201d, do Wilco e \u201cSamba 808\u201d, do Wado. E acho que ainda vou ficar um bom tempo os ouvindo. \u201cAll Things Must Pass\u201d, do George, caiu no colo fazendo estrago tamb\u00e9m. E alguma hora da semana eu coloco \u201cThe King is Dead\u201d do Decemberists para acalmar a alma.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Neumayer, respons\u00e1vel pelo blog Som Imagin\u00e1rio, me convidou para participar de uma se\u00e7\u00e3o do blog que prev\u00ea sempre as mesmas perguntas para todos os entrevistados. 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