{"id":4898,"date":"2011-08-17T10:58:55","date_gmt":"2011-08-17T13:58:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/17\/tres-filmes-bandidas-professoras-dentistas\/"},"modified":"2011-08-17T10:58:55","modified_gmt":"2011-08-17T13:58:55","slug":"tres-filmes-bandidas-professoras-dentistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/17\/tres-filmes-bandidas-professoras-dentistas\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas Filmes: Bandidas, Professoras, Dentistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bandidas.jpg\" alt=\"bandidas.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cBandidas\u201d (\u201cBandidas\u201d, 2006)<\/strong><br \/>\nSempre duvidei desse filme. Olhava a capa do DVD em promo\u00e7\u00f5es, admirava a beleza da deliciosa dupla de atrizes, mas pensava: deve ser uma bomba. Dia desses, num fim de semana pregui\u00e7oso debaixo do edredom, eis que o filme come\u00e7a em um canal a cabo qualquer, e deixei. E n\u00e3o \u00e9 que o filme surpreendeu. Luc Besson (adoro \u201cO Quinto Elemento\u201d e gosto do cult &#8220;O Profissional&#8221;) escreveu o roteiro e produziu deixando a dire\u00e7\u00e3o para os desconhecidos Joachim R\u00f8nning e Espen Sandberg. A dupla imprimiu um ritmo bacana \u00e0 trama que homenageia velhos faroestes enquanto espeta os Estados Unidos: na hist\u00f3ria, um norte-americano mata o chef\u00e3o de um grande banco mexicano e amea\u00e7a levar a fortuna do pa\u00eds para os yankees. Entram em cena a patricinha Sara Sandoval (Salma Hayek) e a caipira Mar\u00eda Alvarez (Pen\u00e9lope Cruz) \u2013 a qu\u00edmica entre as duas musas \u00e9 cativante \u2013 que juntas formam uma dupla especializada em roubar bancos. Elas s\u00e3o auxiliadas pelo \u00f3timo Steve Zahn (a cena do beijo \u00e9 hil\u00e1ria) e por Sam Shepard, que ensina \u00e0s garotas as manhas da arte do latroc\u00ednio. Divers\u00e3o desencanada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/monalisa.jpg\" alt=\"monalisa.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cO Sorriso de Mona Lisa\u201d (\u201cMona Lisa Smile\u201d, 2003)<\/strong><br \/>\nEis outro filme que sempre evitei. Nada contra Julia Roberts, muito pelo contr\u00e1rio. Cheguei ao c\u00famulo de ver 14 vezes \u201cAdoro Problemas\u201d \u2013 com Julia e Nick Nolte \u2013 no cinema (conto a hist\u00f3ria toda em um texto antigo <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/juliasroberts.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>), mas o que me fazia evitar \u201cO Sorriso de Mona Lisa\u201d era essa pretensa aura \u201ccarpe diem\u201d, que tem como maior representante \u201cSociedade dos Poetas Mortos\u201d (1989). Dia desses, no mesmo esquema de \u201cBandidas\u201d (debaixo do edredom), o filme come\u00e7ou na TV a cabo, e deixei. O diretor Mike Newell n\u00e3o consegue evitar que o filme soe \u00f3bvio (professora progressista de hist\u00f3ria da arte muda vida de grupo de meninas em col\u00e9gio cat\u00f3lico nos anos 50). Julia interpreta Katharine Watson, a tal professora que quer exibir quadros de Jackson Pollock para suas alunas \u2013 mais preocupadas em se casar antes dos 20 anos \u2013 estereotipadas: Giselle Levy (Maggie Gyllenhaal) \u00e9 a inconseq\u00fcente, Betty Warren (Kirsten Dunst) \u00e9 a metida \u00e0 inteligente que acha saber tudo da vida enquanto Joan Brandwyn (Julia Stiles) \u00e9 a simpl\u00f3ria sonhadora. Resultado: n\u00e3o verei duas vezes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/mulher.jpg\" alt=\"mulher.jpg\" \/><\/p>\n<p> <strong>\u201cA Mulher Sem Cabe\u00e7a\u201d (\u201cLa Mujer sin Cabeza\u201d, 2008)<\/strong><br \/>\nEm seu terceiro filme (ap\u00f3s os elogiados \u201cO P\u00e2ntano\u201d, de 2001, e \u201cA Menina Santa\u201d, de 2004), a diretora argentina Lucrecia Martel radicaliza na simplicidade retirando de cena qualquer objeto que soe sup\u00e9rfluo para a trama. Duas hist\u00f3rias aparentemente distintas abrem \u201cA Mulher Sem Cabe\u00e7a\u201d: na primeira, alguns meninos brincam em um canal; na segunda, uma mulher se despede das amigas e entra em um carro. O desfecho das duas hist\u00f3rias \u00e9 \u00f3bvio (mas n\u00e3o clich\u00ea: Martel aprecia a trivialidade da trag\u00e9dia), por\u00e9m o que interessa n\u00e3o \u00e9 o desfecho deste primeiro cen\u00e1rio, mas como a personagem lida com o ocorrido. A dentista Ver\u00f3nica (Mar\u00eda Onetto) entra numa espiral de desespero que, num primeiro momento, faz com que ela se esque\u00e7a de tudo (um certo bloqueio). Seu pr\u00f3ximo passo \u00e9 tentar lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Por fim, numa cartada a l\u00e1 David Lynch, Lucrecia Martel questiona (com genialidade) a realidade dos acontecimentos: pouca coisa acontece no filme, e ainda assim o espectador fica com a sensa\u00e7\u00e3o que realmente nada aconteceu. Ser\u00e1 tudo produto da mente de Ver\u00f4nica? Qualquer resposta encontra um grande filme.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Julia Roberts, Maggie Carpenter, Anna Scott e Anna Julia (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinema\/juliasroberts.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; N\u00e3o h\u00e1 moralismos em &#8220;A Menina Santa&#8221;, por Jonas Lopes (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/meninasanta.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;A Menina Santa&#8221;, uma pequena aula de cinema, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/10\/18\/a-menina-o-mamute-e-o-liquidificador\/\">aqu<\/a>i)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cBandidas\u201d (\u201cBandidas\u201d, 2006) Sempre duvidei desse filme. Olhava a capa do DVD em promo\u00e7\u00f5es, admirava a beleza da deliciosa dupla de atrizes, mas pensava: deve ser uma bomba. Dia desses, num fim de semana pregui\u00e7oso debaixo do edredom, eis que o filme come\u00e7a em um canal a cabo qualquer, e deixei. 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