{"id":4797,"date":"2011-08-03T17:11:28","date_gmt":"2011-08-03T20:11:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/03\/a-armadilha-de-uma-descricao-verbal\/"},"modified":"2011-12-14T16:51:59","modified_gmt":"2011-12-14T19:51:59","slug":"a-armadilha-de-uma-descricao-verbal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/08\/03\/a-armadilha-de-uma-descricao-verbal\/","title":{"rendered":"A armadilha de uma descri\u00e7\u00e3o verbal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/escutaso.jpg\" alt=\"escutaso.jpg\" \/><\/p>\n<p>Trecho do pref\u00e1cio do livro &#8220;Escuta S\u00f3&#8221;, de Alex Ross:<\/p>\n<p><em>&#8220;Escrever sobre m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 especialmente dif\u00edcil. Quem cunhou o epigrama \u201cEscrever sobre m\u00fasica \u00e9 como dan\u00e7ar sobre arquitetura\u201d \u2014 a declara\u00e7\u00e3o foi atribu\u00edda em diferentes momentos a Martin Mull, Steve Martin e Elvis Costello \u2014 estava turvando as \u00e1guas. A cr\u00edtica musical \u00e9 certamente uma ci\u00eancia curiosa e d\u00fabia, e seu jarg\u00e3o varia do inexpressivo (\u201cA Quinta de Beethoven come\u00e7a com tr\u00eas s\u00f3is e um mi bemol\u201d) ao floreado (\u201cA Quinta de Beethoven come\u00e7a com o destino batendo \u00e0 porta\u201d). Mas n\u00e3o \u00e9 mais d\u00fabia do que qualquer outro tipo de cr\u00edtica. Toda forma de arte luta contra a armadilha de uma descri\u00e7\u00e3o verbal. Escrever sobre dan\u00e7a \u00e9 como cantar sobre arquitetura, escrever sobre literatura \u00e9 como fazer edif\u00edcios sobre bal\u00e9. H\u00e1 uma fronteira envolta em n\u00e9voa que a l\u00edngua n\u00e3o pode atravessar. Um cr\u00edtico de arte pode dizer de Laranja e amarelo de Mark Rothko que a tela consiste de uma \u00e1rea de tinta amarela que flutua acima de uma \u00e1rea de tinta cor de laranja, mas de que serve isso para algu\u00e9m que nunca viu um Rothko? O cr\u00edtico liter\u00e1rio pode copiar algumas linhas da \u201cEsth\u00e9tique du mal\u201d, de Wallace Stevens \u2014 <\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>And out of what sees and hears and out<br \/>\nOf what one feels, who could have thought to make<br \/>\nSo many selves, so many sensuous worlds\u2026<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><em>\u2014 mas quando tenta explicar o significado desses versos, quando tenta expressar sua m\u00fasica silenciosa, outra dan\u00e7a irrealiz\u00e1vel se inicia. Ent\u00e3o por que se arraigou a ideia de que h\u00e1 algo de peculiarmente inexpressivo na m\u00fasica? A explica\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o estar na m\u00fasica, mas em n\u00f3s mesmos. (&#8230;) A \u201cGrande Enciclop\u00e9dia Sovi\u00e9tica\u201d, em um de seus momentos mais sensatos, definiu a m\u00fasica como \u201cuma variante especifica de som feito por pessoas\u201d. No fim das contas, a parte dif\u00edcil de escrever sobre m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 descrever um som, mas um ser humano. \u00c9 um trabalho delicado, pretensioso no caso dos vivos e especulativo no caso dos mortos&#8221;&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Escuta S\u00f3&#8221;, de Alex Ross, foi lan\u00e7ado pela Companhia das Letras no Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trecho do pref\u00e1cio do livro &#8220;Escuta S\u00f3&#8221;, de Alex Ross: &#8220;Escrever sobre m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 especialmente dif\u00edcil. 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