{"id":4524,"date":"2011-06-20T13:26:46","date_gmt":"2011-06-20T16:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/20\/tres-filmes-maridos-esposas-e-marijuana\/"},"modified":"2011-06-27T00:22:02","modified_gmt":"2011-06-27T03:22:02","slug":"tres-filmes-maridos-esposas-e-marijuana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/20\/tres-filmes-maridos-esposas-e-marijuana\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas filmes: Maridos, Esposas e Marijuana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/maridos.jpg\" alt=\"maridos.jpg\" \/><\/p>\n<p> <strong>\u201cMaridos e Esposas\u201d, Woody Allen <\/strong>(1992)<br \/>\n\u201c\u2019Maridos e Esposas\u2019 foi um filme que eu queria que fosse feio. N\u00e3o queria que nada combinasse, ou fosse refinado, ou bem montado. Queria um filme desagrad\u00e1vel de assistir\u201d, diz o cineasta em um dos trechos de \u201cConversas com Woody Allen\u201d, livro essencial de Eric Lax. Por\u00e9m, ao mesmo tempo em que diz isso, Woody inclui \u201cMaridos e Esposas\u201d em um Top 5 pessoal (ao lado de \u201cA Rosa P\u00farpura do Cairo\u201d, \u201cMatch Point\u201d, \u201cTiros na Broadway\u201d e \u201cZelig\u201d) demonstrando seu apre\u00e7o pela obra e renegando \u201cAnnie Hall\u201d e \u201cManhattan\u201d (que marcaram sua persona para 90% do p\u00fablico \u2013 algo que ele parece odiar). Em uma coisa ele est\u00e1 certo: \u201cMaridos e Esposas\u201d \u00e9 desagrad\u00e1vel. A c\u00e2mera em constante movimento tentando flagrar conversas que se sobrep\u00f5e incomoda e atrapalha a leitura de um filme em que a forma est\u00e1 \u00e0 frente do conte\u00fado (assim como seu filme imediatamente anterior, o bonito e vazio \u201cNeblina e Sombras\u201d). Um bom exerc\u00edcio para a paci\u00eancia e tamb\u00e9m um filme excelente para quem acredita que uma das fun\u00e7\u00f5es do cinema \u00e9 provocar o espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/martnica.jpg\" alt=\"martnica.jpg\" \/><\/p>\n<p> <strong>\u201cUma Aventura em Martinica\u201d, Howard Wawks<\/strong> (1944)<br \/>\nEm 1944, o terceiro casamento de Humphrey Bogart n\u00e3o ia l\u00e1 bem das pernas e bastou encontrar a jovem Lauren Bacall (25 anos mais nova) no set de \u201cUma Aventura em Martinica\u201d para que uma nova paix\u00e3o florescesse. Bogart e Bacall casaram-se em 1945 e tiveram um casamento feliz, e \u201cUma Aventura em Martinica\u201d tem seu lugar na hist\u00f3ria muito mais pelo encontro dos dois do que pelas qualidades do filme, que reuniu um tima\u00e7o nos cr\u00e9ditos (Hemingway, autor do livro \u201cTo Have and Have Not\u201d, base para o roteiro assinado por Jules Furthman e William Faulkner, mais Wawks e Bogart), mas n\u00e3o conseguiu deixar de ser um \u201cCasablanca 2\u201d. O Rick de \u201cCasablanca\u201d aqui se chama Harry. Ele n\u00e3o tem um bar, mas um barco, no entanto mora em um hotel e passa quase todo o tempo no bar comandando a a\u00e7\u00e3o que, por fim, concentra-se em ajudar um casal franc\u00eas a escapar da persegui\u00e7\u00e3o nazista. Bacall se mostrou um furac\u00e3o em cena, ganhou mais espa\u00e7o na trama e atropelou Dolores Moran, que deveria ser a Ingrid Bergman da vez, mas teve seu papel reduzido. Para assistir e comparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/quebrandootabu.jpg\" alt=\"quebrandootabu.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cQuebrando o Tabu\u201c, de Fernando Grostein Andrade<\/strong> (2011)<br \/>\nO ex-presidente Fernando Henrique Cardoso \u00e9 o personagem ancora de \u201cQuebrando o Tabu\u201c, document\u00e1rio em que Fernando Grostein Andrade (irm\u00e3o de Luciano Huck) lan\u00e7a luz sobre a pol\u00edtica de combate \u00e0s drogas no Brasil atrav\u00e9s de exemplos ao redor do mundo. Ok, Fernando Henrique Cardoso poderia ter lutado para mudar a legisla\u00e7\u00e3o quando era presidente? Podia, mas n\u00e3o o fez. Ele mesmo assume a culpa em uma das cenas do document\u00e1rio, que peca pelo tratamento publicit\u00e1rio de imagem, som e roteiro (trilhas descoladas e pretensas frases de efeito que funcionam com margarina ou carro, mas n\u00e3o com cinema) assim como avan\u00e7a demais em v\u00e1rios pontos da discuss\u00e3o sem conseguir amarrar tudo no final, mas ainda assim \u00e9 um grande passo para se discutir o tema espinhoso da descriminaliza\u00e7\u00e3o das drogas. Legaliza\u00e7\u00e3o, no mundo imperfeito que vivemos, talvez fosse uma utopia, embora os passos dados por Portugal, Espanha, Su\u00ed\u00e7a e Holanda precisem ser estudados e, verificados sua efic\u00e1cia, colocados em pr\u00e1tica. FHC talvez n\u00e3o fosse a pessoa indicada para divulgar e ampliar essa discuss\u00e3o, mas est\u00e1 de parab\u00e9ns pela iniciativa. Antes ele do que ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211; &#8220;Neblinas e Sombras&#8221; (\u201dShadows and Fog\u201d), Woody Allen (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/12\/02\/um-francois-truffaut-e-tres-woody-allen\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMaridos e Esposas\u201d, Woody Allen (1992) \u201c\u2019Maridos e Esposas\u2019 foi um filme que eu queria que fosse feio. N\u00e3o queria que nada combinasse, ou fosse refinado, ou bem montado. Queria um filme desagrad\u00e1vel de assistir\u201d, diz o cineasta em um dos trechos de \u201cConversas com Woody Allen\u201d, livro essencial de Eric Lax. 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