{"id":4434,"date":"2011-06-02T14:59:18","date_gmt":"2011-06-02T17:59:18","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/02\/pj-em-amsterda-clapton-e-winwood-em-londres\/"},"modified":"2011-06-03T09:13:35","modified_gmt":"2011-06-03T12:13:35","slug":"pj-em-amsterda-clapton-e-winwood-em-londres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/02\/pj-em-amsterda-clapton-e-winwood-em-londres\/","title":{"rendered":"Ao vivo: PJ, Clapton e Winwood"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/pj1.jpg\" alt=\"pj1.jpg\" \/><\/p>\n<p>O Paradiso, em Amsterd\u00e3, \u00e9 uma velha igreja do s\u00e9culo 19 transformada em sal\u00e3o de shows em 1968 (ap\u00f3s uma frustrada invas\u00e3o de hippies no ano anterior). De 1968 para c\u00e1 j\u00e1 passarampela casa quase todas as grandes lendas do rock. Dos Stones (que fizeram dois shows semi-acusticos no local em 1995) aos Sex Pistols, do Joy Division ao Arcade Fire, do Nirvana ao Wilco, a lista \u00e9 imensa. H\u00e1 um sal\u00e3o principal e dois an\u00e9is superiores (no total, pouco mais de 1500 pessoas por show) e mais duas salas menores para apresenta\u00e7\u00f5es intimistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/pj2.jpg\" alt=\"pj2.jpg\" \/><\/p>\n<p>A turn\u00ea \u201cLet England Shake\u201d tem estado sold out em quase todas as cidades pela qual passa, e em Amsterd\u00e3 n\u00e3o foi diferente. Os ingressos se esgotaram t\u00e3o rapidamente que uma segunda data foi marcada, e na noite do primeiro show nada de cambistas na porta (apesar de na internet ser poss\u00edvel comprar o ingresso por 90 euros \u2013 na bilheteria era 40), mas sim muita gente vendendo pelo pre\u00e7o que pagou. O problema \u00e9 entender o holand\u00eas. Quando algu\u00e9m oferece um ingresso na l\u00edngua p\u00e1tria, no mesmo instante vende. S\u00f3 alguns segundos depois os \u201cturistas\u201d percebem a negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/pj3.jpg\" alt=\"pj3.jpg\" \/><\/p>\n<p>No segundo dia, por\u00e9m, a sorte bate no nosso ombro. \u201cVoc\u00eas querem ingressos? Eu comprei para os dois dias, e ontem foi sensacional, mas n\u00e3o vou poder ir hoje. Vou ter que ficar cuidando dela\u201d. Ela, no caso, era um bebe em um carrinho, e os ingressos saem pelos mesmos 40 euros da bilheteria. Cerca de 30 pessoas j\u00e1 est\u00e3o postadas frente ao palco uma hora e meia antes do show, mas optamos por um local mais singular: um banco no terceiro piso, quase dentro do palco. O local enche rapidamente criando um clima intimista e ent\u00e3o Polly Jean adentra o palco&#8230; vestida de preto.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/pj5.jpg\" alt=\"pj5.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos shows anteriores da turn\u00ea (ao menos em S\u00e3o Francisco, no Coachella e no Primavera Sound), em que a cantora se apresenta de vestido longo branco, nesta segunda noite em Amsterd\u00e3, PJ aparece trajando luto, mas o show \u00e9 muito mais alegre do que os anteriores. Boa parte do m\u00e9rito \u00e9 do p\u00fablico, que aplaude efusivamente todas as can\u00e7\u00f5es do dif\u00edcil e belo disco novo da cantora, que \u00e9 tocado na integra (incluindo um b-side). Para surpresa de alguns, \u201cThe Sky Lit Up\u201d surge na primeira parte do show, mas a dobradinha &#8220;Down by the Water&#8221; e &#8220;C&#8217;mon Billy&#8221; \u00e9 o \u00e1pice.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/pj4.jpg\" alt=\"pj4.jpg\" \/><\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o segue o mesmo roteiro que o show em S\u00e3o Francisco: ela n\u00e3o dirige nenhuma palavra ao p\u00fablico at\u00e9 o adeus, 18 m\u00fasicas depois. Retorna para o bis cl\u00e1ssico (\u201cBig Exit\u201d, \u201cAngelene\u201d e \u201cSilence\u201d) e se despede, mas o holandeses querem mais, e aplaudem por mais de cinco minutos at\u00e9 que a cantora quebra o protocolo da turn\u00ea e retorna para um segundo bis, e s\u00f3 n\u00e3o toca mais porque a noite j\u00e1 consumiu todas as can\u00e7\u00f5es que a banda tem ensaiada. \u201cTocamos tudo\u201d, desculpa se Polly, que deixa o para\u00edso debaixo de uma grande salva de palmas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/europa1.jpg\" alt=\"europa1.jpg\" \/><\/p>\n<p>O Royal Albert Hall, em Londres, \u00e9 uma sala de espet\u00e1culos inaugurada em 1871 em frente ao Hyde Park pela rainha Victoria, que a batizou em homenagem ao falecido esposo Albert. O sal\u00e3o oval pode receber at\u00e9 8 mil pessoas. \u00c9 uma casa charmosa, que nesta noite recebe o encerramento da tour que uniu Eric Clapton e Steve Winwood, ex-parceiros no Blind Faith. A reuni\u00e3o j\u00e1 ganhou lan\u00e7amento em CD e DVD de um registro no Madison Square Garden, e baixou em Londres com covers de Jimi Hendrix eMuddy Waters al\u00e9m de hinos pr\u00f3prios do quilate de \u201cLayla\u201d e \u201cCocaine\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/eric2.jpg\" alt=\"eric2.jpg\" \/><\/p>\n<p>O charme do Albert Hall, no entanto, n\u00e3o consegue evitar o distanciamento para aqueles que est\u00e3o sentados nos segundo e terceiro an\u00e9is ou em p\u00e9 na galeria superior. O som \u00e9 perfeito, mas a vis\u00e3o v\u00e1rias vezes \u00e9 prejudicada, o que impede uma intera\u00e7\u00e3o completa com o espet\u00e1culo. N\u00e3o tira o brilho da noite, mas n\u00e3o a torna m\u00e1gica. A base do repert\u00f3rio do show s\u00e3o can\u00e7\u00f5es do Blind Faith, grupo que Clapton e Winwood tiveram em 1968 ao sa\u00edrem, respectivamente do Cream (o baixista Ginger Baker tamb\u00e9m se uniu ao projeto) e do Traffic (Ric Grech completava a forma\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/eric1.jpg\" alt=\"eric1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Eric Clapton adentra o palco com uma Fender azul bebe que ser\u00e1 trocada apenas uma vez durante a noite inteira (por uma preta em \u201cCocaine\u201d &#8211; descontando o set ac\u00fastico, claro) e abre o show com \u201cHad To Cry Today\u201d, que tamb\u00e9m abre o \u00fanico disco do Blind Faith, hom\u00f4nimo, de 1969. Ele tem apenas dois pedais a sua frente, sendo que um deles \u00e9 um wah-wah (que ser\u00e1 usado em apenas duas m\u00fasicas), e a economia nos efeitos engrandece o tour de force de riffs e solos m\u00e1gicos que o guitarrista arranca de sua guitarra. Ela fala alto, e fatia a atmosfera do Albert Hall em pedacinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/steve1.jpg\" alt=\"steve1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Steve Winwood se alterna entre o piano, o viol\u00e3o e a guitarra, e apesar de n\u00e3o lembrar de v\u00e1rias letras (um tele-prompter enorme a beira do microfone o auxilia), ainda canta muito. Mesmo Clapton, quando rasga a voz, emociona, mas o ponto alto da noite acontece sempre que o homem mostra porque um dia foi chamado de o Deus da Guitarra. Eric Clapton impressiona. Ele parece estar entregue ao instrumento, que ressoa na bel\u00edssima ac\u00fastica de forma espetacular. A guitarra parece uma extens\u00e3o do m\u00fasico, e exprime os sentimentos do bluesman como ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/eric3.jpg\" alt=\"eric3.jpg\" \/><\/p>\n<p>O repert\u00f3rio n\u00e3o traz nenhuma surpresa.  \u201cAfter Midnight\u201d se junta a \u201cPresence of The Lord\u201d. \u201cGlad\u201d (Traffic) e \u201cWell All Right\u201d vem na sequencia, e o primeiro graaaande momento da noite surge com \u201cHoochie Coochie Man\u201d. Robert Johnson \u00e9 lembrado com \u201cCrossroads\u201d, mas o p\u00fablico vai ao del\u00edrio realmente com a vers\u00e3o linda de &#8220;Georgia On My Mind&#8221;. O set acustico \u00e9 aberto com \u201cDriftin\u201d e ainda conta com \u201cLayla\u201d (a mais aplaudida e cantada durante as duas horas de show) e &#8220;Can&#8217;t Find My Way Home&#8221;. Quem ainda n\u00e3o tinha se rendido a dupla o faz em \u201cVoodoo Chile\u201d, de Jimi Hendrix. E \u201cDear Mr. Fantasy\u201d, j\u00e1 no bis, encerra a noite de maneira consagradora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/eric7.jpg\" alt=\"eric7.jpg\" \/><\/p>\n<p>S\u00e3o dois shows diferentes. Enquanto PJ e seus cavaleiros de aluguel (Mick Harvey, John Parish e  Jean-Marc Butty) optam pela simplicidade (e tem a seu favor uma casa em que a aproxima\u00e7\u00e3o do p\u00fablico faz toda a diferen\u00e7a), Eric e Steve (e mais uma banda excelente) exibem uma t\u00e9cnica impec\u00e1vel, um charme exuberante para uma enorme audi\u00eancia (quatro vezes maior do que a do Paradiso) que est\u00e1 ali para ouvir hinos sem muitas surpresas. Polly Jean arrisca cantando can\u00e7\u00f5es dif\u00edceis que ainda n\u00e3o completaram nem seis meses de mercado, e ainda assim consegue uma impressionante aprova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. S\u00e3o dois shows diferentes&#8230; e excelentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Paradiso, em Amsterd\u00e3, \u00e9 uma velha igreja do s\u00e9culo 19 transformada em sal\u00e3o de shows em 1968 (ap\u00f3s uma frustrada invas\u00e3o de hippies no ano anterior). De 1968 para c\u00e1 j\u00e1 passarampela casa quase todas as grandes lendas do rock. 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