{"id":4285,"date":"2011-04-24T14:48:34","date_gmt":"2011-04-24T17:48:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/24\/the-decemberists-ao-vivo-em-ohio\/"},"modified":"2011-07-28T21:20:42","modified_gmt":"2011-07-29T00:20:42","slug":"the-decemberists-ao-vivo-em-ohio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/24\/the-decemberists-ao-vivo-em-ohio\/","title":{"rendered":"The Decemberists ao vivo em Ohio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5649114527\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/decemberists1.jpg\" alt=\"decemberists1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bandas \u201ccabe\u00e7a\u201d s\u00e3o sempre imprevis\u00edveis no palco. Voc\u00ea vai ao show sem saber ao certo o que esperar. Ser\u00e1 que eles v\u00e3o tocar os hits? Ser\u00e1 que eles v\u00e3o fazer um show dif\u00edcil? Ser\u00e1 que eles v\u00e3o fazer um show para eles ou para n\u00f3s? \u00c9 uma quest\u00e3o interessante: amamos bandas \u201cdif\u00edceis\u201d pela qualidade delas serem dif\u00edceis, peitarem a ind\u00fastria e seguir fazendo o que lhes der na telha, mas quando estamos frente a frente com elas queremos simplicidade. E isso sempre gera atrito.<\/p>\n<p>A lista de artistas que provocam a plateia \u00e9 imensa, mas a t\u00edtulo de exemplo, Radiohead, Sonic Youth e Lou Reed s\u00e3o imprevis\u00edveis. Os discos s\u00e3o quase sempre uma inc\u00f3gnita, o pr\u00f3ximo passo \u00e9 quase sempre um tiro no escuro, os shows s\u00e3o quase sempre inesperados. O Decemberists, banda de indie folk formada no pequeno Estado de Oregon (cuja popula\u00e7\u00e3o total \u00e9 tr\u00eas vezes menor do que a da cidade de S\u00e3o Paulo), nos Estados Unidos, segue a risca a cartilha das bandas acima.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5649092333\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/decemberists2.jpg\" alt=\"decemberists2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Colin Meloy \u00e9 o t\u00edpico nerd com tendencias a g\u00eanio. Gordinho, de \u00f3culos fundo de garrafa e f\u00e3 de rock indie oitentista, Colin aprendeu direitinho as aulas ministradas pelo R.E.M. a respeito de sucesso de massa vs carreira de longa dura\u00e7\u00e3o, e conseguiu repetir o feito da banda de Michael Stipe: ap\u00f3s dez anos de um crescimento lento e continuo, \u201cThe King is Dead\u201d, o sexto disco do Decemberists, alcan\u00e7ou o n\u00famero 1 da Billboard em fevereiro deste ano.<\/p>\n<p>\u201cThe King is Dead\u201d \u00e9 um compendio de homenagens: aos Smiths, via t\u00edtulo do disco (cita\u00e7\u00e3o direta a \u201cThe Queen is Dead\u201d, o feroz ataque a realeza brit\u00e2nica assinado por Morrissey e Marr), ao R.E.M. (a participa\u00e7\u00e3o de Peter Buck em tr\u00eas faixas faz desse \u00e1lbum um grande concorrente aos do R.E.M. em sua primeira fase) e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do folk norte-americano. Segundo Colin Meloy, o mundo vive uma \u00e9poca de revival do folk brit\u00e2nico, e ele quis fugir disso e olhar para as ra\u00edzes dos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5649661400\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/decemberists3.jpg\" alt=\"decemberists3.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O resultado conquistou o p\u00fablico norte-americano, e uma fila imensa se forma na entrada do The LC Pavilion, em Columbus, capital de Ohio, para ver o grupo. O show est\u00e1 sold out (das cinco pr\u00f3ximas datas, quatro tamb\u00e9m j\u00e1 esgotaram) e \u00e9 grande a expectativa em torno de qual direcionamento Colin Meloy dar\u00e1 ao show. Ser\u00e1 que o sucesso amaciou o grupo? O set list, que muda radicalmente de show para show, trar\u00e1 os hits indies do Decemberists? D\u00favidas.<\/p>\n<p>Primeiro boa impress\u00e3o da noite: o LC Pavillion \u00e9 um lugar bem bacana para ver shows. H\u00e1 uma divis\u00e3o na metade da pista, com a parte final alguns degraus acima do gargarejo, possibilitando que a galera do fund\u00e3o consiga ver a banda com mais facilidade. Copos de cerveja de um litro s\u00e3o vendidos como \u00e1gua, e as pessoas da cidade, extremamente atenciosas, conversam com todo mundo, indiscriminadamente. Todos parecem ser conhecer h\u00e1 s\u00e9culos, e s\u00f3 estamos h\u00e1 9 horas em Columbus.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5649645660\/in\/photostream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/decemberists4.jpg\" alt=\"decemberists4.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O show come\u00e7a com um \u00e1udio em que o apresentador, entre outras coisas, pede para que todo mundo cumprimente as pessoas que est\u00e3o ao seu redor. O LC Pavillion vira um festival de apertos de m\u00e3os e sorrisos, e com o clima extremamente amig\u00e1vel, o Decemberists entra no palco e faz um show&#8230; estranho.<\/p>\n<p>Os hits surgem aqui e ali, mas a banda pesca can\u00e7\u00f5es de todos os discos abrindo o show com a rara su\u00edte &#8220;The Tain&#8221; (lan\u00e7ade em 2003 pelo selo Kill Rock Stars), n\u00e3o inteira (ela tem 18 minutos), mas quase (uns 8 minutos), e a apresenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um crescendo, mas momentos de histeria  alternados com minutos de contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O p\u00fablico, nas m\u00e3os da banda, n\u00e3o se importa e vai a loucura com \u201cDown By The Water\u201d, a segunda m\u00fasica da noite (com belo backing de Jenny Conlee e gaita inaud\u00edvel de Colin), e &#8220;Calimity Song&#8221; (a terceira), e quase todas as p\u00e9rolas de \u201cThe Kings Is Dead\u201d marcam presen\u00e7a. Colin fala muito entre as can\u00e7\u00f5es, e se o som do disco soa bastante tradicionalista, ao vivo a banda refor\u00e7a ainda mais a impress\u00e3o chegando a parecer um grupo circense dos Estados Unidos do s\u00e9culo 17.<\/p>\n<param value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G5XlSI9FE_M\" name=\"movie\"><\/param>\n<param value=\"true\" name=\"allowFullScreen\"><\/param>\n<param value=\"always\" name=\"allowscriptaccess\"><\/param>\n<p align=\"center\"><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G5XlSI9FE_M\" allowfullscreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" height=\"300\" width=\"450\"><\/embed><\/p>\n<p>Na \u00e9pica &#8220;The Mariner&#8217;s Revenge Song&#8221; (do \u00e1lbum \u201cPicaresque\u201d, 2005), por exemplo, John Moen larga a bateria e vem para a frente do palco com um bumbo, sobe na banqueta, amea\u00e7a se jogar na galera, e o clima (refor\u00e7ado pelo acordeon de Jenny e pelo banjo de Chris Funk) \u00e9 de festa cigana. \u201cThe Rake&#8217;s Song\u201d, o hit do disco anterior e uma das prediletas da noite, incendeia o local. J\u00e1 \u201cThe Hazards Of Love 4 (The Drowned)\u201d \u00e9 momento de contempla\u00e7\u00e3o, e esse altern\u00e2ncia de sensa\u00e7\u00f5es faz com que o show, apesar de \u00f3timo, n\u00e3o se torne grandioso.<\/p>\n<p>Parece, no entanto, op\u00e7\u00e3o da banda. A mudan\u00e7a constante de set list faz com que o p\u00fablico se surpreenda com cada nova can\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m n\u00e3o mant\u00e9m o desenho caracter\u00edstico de produ\u00e7\u00e3o de show, que se preocupa com os altos e baixos durante uma apresenta\u00e7\u00e3o de 90 minutos visando construir um repert\u00f3rio que eleve a adrenalina do p\u00fablico lentamente.<\/p>\n<p>Colin Meloy dispensa esses artif\u00edcios e concentra-se nas can\u00e7\u00f5es. A rotatividade do set list deve funcionar como loteria: tem dias que o Decemberists pode fazer um daqueles shows da vida de uma pessoa. Em outros pode parecer \u201capenas\u201d \u00f3timo. Foi essa segunda face que Columbus assistiu. Ningu\u00e9m sabe o show de amanh\u00e3, mas sempre vale a pena arriscar. Com o Decemberists, sempre.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Set List<\/strong><br \/>\n<em>The Tain<br \/>\nDown by the Water<br \/>\nCalamity Song<br \/>\n&#8230;Rise to Me<br \/>\nBilly Liar<br \/>\nThe Sporting Life<br \/>\nJanuary Hymn<br \/>\nDon&#8217;t Carry It All<br \/>\nThe Rake&#8217;s Song<br \/>\n16 Military Wives<br \/>\nThis Is Why We Fight<br \/>\n&#8212;<br \/>\nThe Hazards of Love 4 (The Drowned)<br \/>\nThe Mariner&#8217;s Revenge Song<br \/>\n&#8212;<br \/>\nJune Hymn<\/em><\/p>\n<param value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/G5XlSI9FE_M\" name=\"movie\"><\/param>\n<param value=\"true\" name=\"allowFullScreen\"><\/param>\n<param value=\"always\" name=\"allowscriptaccess\"><\/param><\/p>\n<p align=\"center\"><embed src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/p6-T-ygoxi0\" allowfullscreen=\"true\" allowscriptaccess=\"always\" height=\"300\" width=\"450\"><\/embed><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bandas \u201ccabe\u00e7a\u201d s\u00e3o sempre imprevis\u00edveis no palco. Voc\u00ea vai ao show sem saber ao certo o que esperar. Ser\u00e1 que eles v\u00e3o tocar os hits? Ser\u00e1 que eles v\u00e3o fazer um show dif\u00edcil? Ser\u00e1 que eles v\u00e3o fazer um show para eles ou para n\u00f3s? \u00c9 uma quest\u00e3o interessante: amamos bandas \u201cdif\u00edceis\u201d pela qualidade delas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[44],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4285"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}