{"id":4187,"date":"2011-04-11T03:28:15","date_gmt":"2011-04-11T06:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/11\/domingo-guggenheim-e-rush\/"},"modified":"2011-04-11T11:03:16","modified_gmt":"2011-04-11T14:03:16","slug":"domingo-guggenheim-e-rush","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/04\/11\/domingo-guggenheim-e-rush\/","title":{"rendered":"Domingo, Guggenheim e Rush"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5609162290\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/solomon.jpg\" alt=\"solomon.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O sol do s\u00e1bado foi um dose engano de come\u00e7o de primavera. No domingo, l\u00e1 estava o c\u00e9u cinza novamente, mas sem tanto vento, o que de certa forma n\u00e3o fez com que o frio assustasse como nos primeiros dias. Caf\u00e9 de manh\u00e3 (franc\u00eas) no hotel e bora para a rua. Primeiro destino, Museu Guggenheim, o pr\u00e9dio fant\u00e1stico de Frank Llyod Wright que fica na quinta avenida de frente para o Central Park e que abriga uma cole\u00e7\u00e3o de arrancar l\u00e1grimas dos olhos.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio em espiral \u00e9 uma obra de arte, com os quadros sendo expostos nos corredores do segundo ao sexto andar (vale a dica:comece a ver a exposi\u00e7\u00e3o de cima para baixo: seu joelho agradecer\u00e1). Diz a lenda que quando reclamaram com Wright sobre a altura das paredes, ele teria dito: \u201cTirem as pinturas\u201d, num claro exerc\u00edcio de egocentrismo consciente. Wright sabia que tinha desenhado uma maravilha do mundo moderno. Por\u00e9m, talves n\u00e3o soubesse quantas maravilhas seu pr\u00e9dio iria abrigar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5608580805\/in\/stream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/solomon1.jpg\" alt=\"solomon1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se fosse para falar sobre tudo que anotei eu ficaria horas contando de Gauguin, Picasso, Degas, Braque, Monet, Manet, Modigliani, Matisse, Gris, Malevich, Duchamp, Chagall e Cezanne, todos expostos nos corredores do museu (para desespero da alma: como decifrar tanto sentimento ao mesmo tempo?), mas melhor se concentrar em Kandisky (h\u00e1 v\u00e1\u00e1\u00e1\u00e1rias obras dele na casa, mas as que me emocionaram foram duas: \u201cBlack Lines\u201d e \u201cBlue Mountain), Delaunay (h\u00e1 quatro quadro dele de tirar o f\u00f4lego) e Van Gogh.<\/p>\n<p>Van Gogh estava se recuperando de uma crise de dist\u00farbio mental quando pintou \u201cMontanhas em San Remy\u201d, em 1889, um ano antes de seu suic\u00eddio. O pintor observava as montanhas do hospital em que se tratava, e h\u00e1 algo em \u201cMontanhas em San Remy\u201d que me lembrou muito o cl\u00e1ssico \u201cA Noite Estrelada\u201d. Mais do que a lembran\u00e7a, por\u00e9m, uma ang\u00fastia, uma dor no peito, algo dificil de explicar. Outro quadro de Van Gogh, \u201cLandscape if Snow\u201d, tamb\u00e9m se destaca no Guggenheim, Para ver e n\u00e3o esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.free-desktop-backgrounds.net\/Art-painting-reproduction\/Vincent-Van-Gogh-painting-art\/Mountains-at-Saint-Remy-Vincent-Van-Gogh-art.html\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/vangoh.jpg\" alt=\"vangoh.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com o cora\u00e7\u00e3o leve, nada melhor que uma caminhada no Central Park para espairecer as ideias. O parque carrega as marcas do inverno rigoroso passado com todas as \u00e1rvores totalmente desfolhadas, mas algumas flores aqui e ali anunciam a primavera (embora o c\u00e9u cinza e o frio insistam em dizer o contr\u00e1rio). Patrim\u00f4nio p\u00fablico novaiorquino, o parque projetado em 1858 \u00e9 tomado por pessoas de todas as idades. N\u00e3o deixa de ser curioso, por exemplo, um senhor que chega de terno e gravata, bengala em punho e come\u00e7a uma s\u00e9rie de exerc\u00edcios (veja os passos <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5609164200\/in\/stream\" target=\"_blank\">1<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5608583339\/in\/stream\" target=\"_blank\">2<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5608583665\/in\/stream\" target=\"_blank\">3<\/a>) preparando-se para correr.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Central Park abriga o maior museu da cidade, o Metropolitan, mas dois grandes museus no mesmo dia \u00e9 tarefa herc\u00falea. Aprovamos o Jumbo Hot-Dog da frente da escadaria do Met e partimos para um museu menor e mais aconchegante, sete quadras antes. Erguido na mans\u00e3o do milion\u00e1rio industrial Henry Clay Frick, a Frick Collection exibe uma bonita cole\u00e7\u00e3o que destaca Vermeer (s\u00e3o tr\u00eas quadros, o mais interessante: \u201cMister and Maid\u201d), Renoir (\u201cMother and Children\u201d), muitos retratos pintados por Goya e um bel\u00edssimo Monet (\u201cVetheuil in Winter\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5608587691\/in\/stream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/central.jpg\" alt=\"central.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O cavalo de batalha da casa \u00e9 um extens\u00e3o cole\u00e7\u00e3o de gravuras de Rembrandt al\u00e9m de alguns daqueles retratos escuros do pintor neerland\u00eas, mas o que realmente chama a minha aten\u00e7\u00e3o s\u00e3o cinco inspirados quadros de Turner, dois deles um em frente ao outro na sala mais impressionante da casa (dividindo espa\u00e7o com Veronese, Ticiano e Velazquez): \u201cThe Harbor of Dieppe\u201d e \u201cCologne: The Arrival of a Packet-Boat: Evening\u201d &#8211; al\u00e9m de \u201cAntwerp: Van Goyen Looking Out for a Subject\u201d. Um museu n\u00e3o obrigat\u00f3rio, mas agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Pr\u00f3xima parada: Madison Square Garden: aproximadamente 20 mil pessoas (18 mil, rushmaniacos) se amontoam organizadamente atr\u00e1s de seus lugares para ver o trio canadense apresentar o repert\u00f3rio da  turn\u00ea \u201cTime Machine\u201d. Uns sete ou oito tipos de cerveja podem ser encontrados no corredores da casa, que ainda vende pipoca, amendoim, u\u00edsque, tequila, vodka e outros destilados venenosos. Encontro meu lugar. Meu vizinho, Michael, que pesa uns 150 quilos, se desculpa: \u201cGeralmente eu compro tr\u00eas lugares, o meu e os dois ao lado, para n\u00e3o atrapalhar, mas desta vez n\u00e3o rolou\u201d, diz ele, que se impressiona com o fato de ser o meu primeiro show do Rush. \u201cJ\u00e1 vi 14 vezes\u201d, vangloria-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5609171056\/in\/stream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rush1.jpg\" alt=\"rush1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma historinha chamada \u201cRash\u201d em um v\u00eddeo de alt\u00edssima qualidade traz a banda para o palco, e eles atacam dois hinos de cara: \u201cThe Spirit of Radio\u201d e \u201cTime Stand Still\u201d (com a voz de Aimee Mann no refr\u00e3o disparada via teclado). O primeiro set re\u00fane uma faixa in\u00e9dita, aqueles n\u00fameros instrumentais que os f\u00e3s amam (e que exibem a qualidade musical do trio, mas enchem o saco) e mais alguns cl\u00e1ssicos tocados com garra: \u201cFreewill\u201d e \u201cSubdivisions\u201d, que encerra o primeiro set dando uma pausa para que o p\u00fablico se abaste\u00e7a de pipoca, cerveja e destilados.<\/p>\n<p>O segundo set come\u00e7a com tr\u00eas cl\u00e1ssicos (\u201cTom Sawyer\u201d, \u201cRed Barchetta\u201d e \u201cYYZ\u201d). A banda n\u00e3o se intimida frente ao p\u00fablico, e improvisa, e se diverte. O trabalho de edi\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras \u00e9 de fazer o queixo cair e a apresenta\u00e7\u00e3o segue noite adentro com direito a solos de bateria e outros cl\u00e1ssicos do quilate de \u201cCloser To The Heart\u201d, \u201c2112 Part I: Overture\u201d e \u201c2112 Part II: The Temples Of Syrinx\u201d num set list para f\u00e3 nenhum colocar defeito: 26 m\u00fasicas (ok, bem que poderia ter rolado \u201cThe Trees\u201d, mas tudo bem). Um show de profissionalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5609171012\/in\/stream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/rush2.jpg\" alt=\"rush2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>A parte Nova York da viagem est\u00e1 chegando ao fim. A empolga\u00e7\u00e3o inicial baixou, mas a cidade continua apaixonante. Chega a incomodar o nacionalismo enfiado goela abaixo. Na frente do Square Garden, em um trecho de 200 metros, \u00e9 poss\u00edvel ver 17 enormes bandeiras dos Estados Unidos quase que uma lado da outra. H\u00e1 ratos nos metr\u00f4s (vi mais ratos caminhando nos trilhos aqui do que nos \u00faltimos 20 anos no Brasil) e um cuidado com o outro que impressiona (parisienses deveriam fazer um curso de como relacionar-se com outras pessoas aqui).<\/p>\n<p>Nova York, uma cidade para se apaixonar. E olha que v\u00e3o ficar faltando v\u00e1rios lugares para se visitar (e se apaixonar mais ainda), mas Nova York entra naquele grupo de cidades que voc\u00ea n\u00e3o deve ir apenas uma vez na vida. Desta forma, a cole\u00e7\u00e3o do Metropolian, os pontos punks (embora eu v\u00e1 tentar esticar at\u00e9 a St Marks Place nesta segunda), as casas noturnas do Harlem (Apollo, Cotton) e muitas outras coisas ficam para uma pr\u00f3xima visita. Big Apple, me aguarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5608586595\/in\/stream\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/met.jpg\" alt=\"met.jpg\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sol do s\u00e1bado foi um dose engano de come\u00e7o de primavera. No domingo, l\u00e1 estava o c\u00e9u cinza novamente, mas sem tanto vento, o que de certa forma n\u00e3o fez com que o frio assustasse como nos primeiros dias. Caf\u00e9 de manh\u00e3 (franc\u00eas) no hotel e bora para a rua. 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