{"id":4117,"date":"2011-03-25T06:28:24","date_gmt":"2011-03-25T09:28:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/25\/de-luis-bunuel-para-erasmo-carlos\/"},"modified":"2011-03-25T06:35:45","modified_gmt":"2011-03-25T09:35:45","slug":"de-luis-bunuel-para-erasmo-carlos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/25\/de-luis-bunuel-para-erasmo-carlos\/","title":{"rendered":"De Luis Bu\u00f1uel para Erasmo Carlos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/minhafamademau.jpg\" alt=\"minhafamademau.jpg\" \/><\/p>\n<p>Sai o surrealismo e entra a jovem guarda. Troca necess\u00e1ria neste momento. Em sua excelente biografia (recomendad\u00edssima), o cineasta espanhol inspira a desordem, provoca o pensamento e instiga o caos social. N\u00e3o h\u00e1 como ficar alheio ao mundo, e isso pode at\u00e9 enlouquecer (no m\u00ednimo garantir uma boa dor de est\u00f4mago). Extremamente inspirador. E (deliciosamente) perigoso.<\/p>\n<p>Por sua vez, em \u201cMinha Fama de Mau\u201d, Erasmo Carlos mostra toda a inoc\u00eancia dos primeiros anos do rock and roll. De mau Erasmo (e a jovem guarda) n\u00e3o tinha nada. Basta colocar lado a lado um filme de Bu\u00f1uel de 1930 (\u201cA Idade do Ouro\u201d) e uma m\u00fasica de Erasmo e Roberto de 1963 (\u201cParei na Contram\u00e3o\u201d). 60 anos separam as duas obras, e quem era mau mesmo?<\/p>\n<p>Erasmo narra um punhado de hist\u00f3rias inocentes de um garoto pobre do bairro da Tijuca. De causos de adolesc\u00eancia a hist\u00f3rias da jovem guarda (incluindo passagens de parcerias com Roberto at\u00e9 exemplos de sua rotina ao lado de um homem com toc), os cap\u00edtulos surgem com um verniz de inoc\u00eancia que caracteriza (e muito) o per\u00edodo. Parecia n\u00e3o haver maldade. \u00c9 tudo t\u00e3o simples que, por vezes, soa simpl\u00f3rio.<\/p>\n<p><em>\u201cTocaram a campainha e fui atender. Tinha 17 anos e vivia com minha m\u00e3e \u2013 e os gatos, os periquitos e o c\u00e1gado \u2013 no quarto alugado da rua Professor Gabizo. O tal casar\u00e3o de beleza decadente, com seus azulejos coloniais e suas incont\u00e1veis pulgas. Na porta, estavam Trindade, Arl\u00eanio e um outro cara, que eles queriam me apresentar. O sujeito morava no bairro de Lins de Vasconcelos e se chamava Roberto Carlos. Ele fizera parte do Sputnicks e, com o fim do grupo, resolvera seguir em carreira solo. J\u00e1 cantava boleros e sambas-can\u00e7\u00e3o em sua terra natal, Cachoeiro do Itapemirim, no Esp\u00edrito Santo. <\/em><\/p>\n<p><em>Gostei dele. Era simp\u00e1tico, usava topete e costeletas e vestia cal\u00e7a faroeste com uma jaqueta vermelha tipo James Dean. Conversamos bastante sobre rock, bebemos \u00e1gua da moringa de barro que eu tinha no quarto e comemos biscoito Aymor\u00e9. Num certo momento, a meu pedido, ele afinou o prec\u00e1rio viol\u00e3o de cravelhas de pau que eu havia ganhado da minha av\u00f3 Maria Luiza pouco tempo antes e cantou \u201cTutti Frutti\u201d e \u201cDon\u2019t Be Cruel\u201d. Arl\u00eanio e Trindade iniciaram um vocal que timidamente apoiei. Eu n\u00e3o tocava nem cantava, mas tinha a inten\u00e7\u00e3o de aprender. Foi demais! <\/em><\/p>\n<p><em>O motivo daquela visita era saber se eu tinha a letra de \u201cHound Dog\u201d, o grande hit de Elvis Presley que tocava adoidado nas r\u00e1dios \u2013 Bill Halley ans His Comets viriam se apresentar em breve no Maracan\u00e3nzinho e o Clube do Rock, do qual Roberto fazia parte, iria fazer o pr\u00e9-show. Ele queria aprender a can\u00e7\u00e3o e inclu\u00ed-la no seu repert\u00f3rio. <\/em><\/p>\n<p><em>Eu tinha a letra e prontamente o atendi, recorrendo aos meus arquivos musicais. Naquele mesmo instante ele come\u00e7ou a treinar o seu ingl\u00eas capixaba enquanto levava sua batida com meu viol\u00e3o. Na sa\u00edda, entre abra\u00e7os e piadas sobre as pulgas, agradecido pela hospitalidade, ele disse a frase que mudaria minha vida: <\/em><\/p>\n<p><em>\u2018Bicho, aparece l\u00e1 na televis\u00e3o.\u2019\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/erasmo_tim.jpg\" alt=\"erasmo_tim.jpg\" \/><br \/>\n<em>Erasmo com Tim Maia <\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; De Stanley Kubrick para Luis Bu\u00f1uel (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/02\/09\/de-stanley-kubrick-para-luis-bunuel\/\">aqu<\/a>i)<br \/>\n&#8211; Luis Bu\u00f1uel e uma estranha reuni\u00e3o de fantasmas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/06\/uma-estranha-reuniao-de-fantasmas\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Luis Bu\u00f1uel: o que aconteceu com o surrealismo? (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/02\/25\/o-que-aconteceu-com-o-surrealismo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Luis Bu\u00f1uel: o bar \u00e9 um exerc\u00edcio de solid\u00e3o (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/02\/14\/o-bar-e-um-exercicio-de-solidao\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sai o surrealismo e entra a jovem guarda. Troca necess\u00e1ria neste momento. Em sua excelente biografia (recomendad\u00edssima), o cineasta espanhol inspira a desordem, provoca o pensamento e instiga o caos social. N\u00e3o h\u00e1 como ficar alheio ao mundo, e isso pode at\u00e9 enlouquecer (no m\u00ednimo garantir uma boa dor de est\u00f4mago). Extremamente inspirador. 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