{"id":3923,"date":"2011-02-09T09:21:07","date_gmt":"2011-02-09T12:21:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/02\/09\/de-stanley-kubrick-para-luis-bunuel\/"},"modified":"2017-10-11T00:13:25","modified_gmt":"2017-10-11T03:13:25","slug":"de-stanley-kubrick-para-luis-bunuel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/02\/09\/de-stanley-kubrick-para-luis-bunuel\/","title":{"rendered":"De Stanley Kubrick para Luis Bu\u00f1uel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/bunuel.jpg\" alt=\"bunuel.jpg\" \/><\/p>\n<p>Seis dias. Fazia tempo que eu n\u00e3o devorava um livro t\u00e3o ferozmente como este \u201cKubrick, De Olhos Bem Abertos\u201d, de Frederic Raphael, um senhor que ganhou o Oscar de Melhor Roteirista por \u201cDarling, a Que Amou Demais\u201d (1965), e em que em 1994 foi procurado por Stanley Kubrick para adaptar um trecho de um livro do escritor austr\u00edaco Arthur Schnitzler (\u201cBreve Romance de Sonho\u201d).<\/p>\n<p>O que se segue \u00e9 a rotina de um roteirista contratado por um grande diretor em um trabalho (quase) conjunto de um grande filme. \u201cO roteirista nunca tem o mesmo poder de um diretor. No entanto, \u00e1s vezes, pode ter a ilus\u00e3o de t\u00ea-lo\u201d, escreve Frederic em certo momento, enquanto relembra uma vez em que Diane Keaton, impressionada com um roteiro seu, fez apenas uma reclama\u00e7\u00e3o: \u201cPor que eu n\u00e3o podia escrever seu personagem com peitos maiores?\u201d.<\/p>\n<p>Frederic brinca com analogias cl\u00e1ssicas para explicar a fun\u00e7\u00e3o de um roteirista em um filme: \u201cNenhum homem \u00e9 her\u00f3i sem seu mordomo, mas o mordomo, por essa mesma raz\u00e3o, nunca \u00e9 um her\u00f3i\u201d. O roteirista \u00e9 o mordomo, e em boa parte do livro, Frederic imagina o momento em que, trabalho entregue, ser\u00e1 dispensado. \u201cStanley n\u00e3o quer um colaborador\u201d, reflete em certo momento. No fim, justifica para si mesmo: \u201cTenho o consolo da prostituta: o que quer que seja, ele me escolheu\u201d.<\/p>\n<p>O livro alterna tr\u00eas formas de escrita, que facilitam bastante a leitura, partindo do roteiro cl\u00e1ssico (com posi\u00e7\u00f5es de cen\u00e1rio \u2013 \u201cExterna, port\u00e3o da casa de Stanley Kubrick\u201d&#8230; \u2013 e conversas diretas entre F.R. e S.K.), passando pelo di\u00e1rio do escritor (que destaca v\u00e1rios trechos em que o autor tenta entender o mito Kubrick) e por trechos a la romance, que invariavelmente refletem o processo de feitura de \u201cDe Olhos Bem Fechados\u201d enquanto o roteirista conta hist\u00f3rias com Audrey Hepburn, Marcello Mastroianni, Billy Wilder&#8230;<\/p>\n<p>Cinema \u00e9 o tema de alguns telefonemas que Kubrick faz para Raphael, discuss\u00f5es curtas como: \u201cVoc\u00ea viu Pulp Fiction?\u201d, pergunta Kubrick. \u201c\u00c9 um filme que precisamos levar em considera\u00e7\u00e3o, eu acho\u201d, continua o diretor. \u201cO ritmo, observe o ritmo\u201d, finaliza. Envia o \u201cDec\u00e1logo\u201d, de Kieslowski, ao roteirista, diz que Woody Allen fez uma casa muito grande para o personagem de \u201cMaridos e Esposas\u201d (\u201cEle \u2013 o personagem \u2013 n\u00e3o ganha tanto para ter uma casa daquele tamanho\u201d, justifica, alertando: &#8220;N\u00e3o podemos cometer o mesmo erro&#8221;) e fala sobre seus filmes.<\/p>\n<p>Valeu o esfor\u00e7o? Com a palavra, Frederic Raphael, ap\u00f3s finalizar a segunda vers\u00e3o do roteiro:<\/p>\n<p>&#8211; Ele acha melhor tentar acertar para que o filme seja feito. \u00c9 a primeira vez que diz alguma coisa sobre fazer o filme.<br \/>\n&#8211; Espero que tenha valido a pena \u2013 comenta a esposa.<br \/>\n&#8211; Deus queira que em meu epit\u00e1fio n\u00e3o conste apenas \u201cEle trabalhou com Stanley Kubrick. Uma vez\u201d.<br \/>\n&#8211; E queira Deus que n\u00e3o sejam duas vezes \u2013 diz ela.<br \/>\n&#8211; Ele \u00e9 o melhor.<br \/>\n&#8211; \u00c9 bom mesmo que seja.<br \/>\n&#8211; O que acha de sairmos para jantar? Hora de comemorar. Mesmo sem saber o qu\u00ea, exatamente.<br \/>\n&#8211; Ter sobrevivido, talvez?<\/p>\n<p>Fica a dica. Na <a href=\"http:\/\/www.estantevirtual.com.br\/q\/Frederic-Raphael\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estante Virtual<\/a>, site que re\u00fane centenas de sebos do pa\u00eds inteiro, o livro de Frederic, lan\u00e7ado pela Gera\u00e7\u00e3o Editorial, custa entre R$ 12 e R$ 25. Vale.<\/p>\n<p>&#8220;Ele \u00e9, come\u00e7o a suspeitar, um diretor de cinema que por acaso \u00e9 um g\u00eanio e n\u00e3o um g\u00eanio que por acaso \u00e9 um diretor de cinema. Minha dificuldade ser\u00e1 adivinhar o que ele realmente quer de mim. E a dele ser\u00e1 a mesma. Vou acabar descobrindo que, como sempre acontece com os bons diretores, ele quer apenas as habilidades que n\u00e3o consegue obter por si s\u00f3. Uma vez que eu as fornecer, elas lhe parecer\u00e3o t\u00e3o banais que ele facilmente se convencer\u00e1 de que \u00e9 menos um caso de n\u00e3o possu\u00ed-las do que o de estar muito ocupado para poder aplic\u00e1-las. Fui contratado para preparar a festa, mas a festa com certeza ser\u00e1 dele&#8221;&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fVsiQiRsfqc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p align=\"left\">Agora&#8230; Luis Bu\u00f1uel&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seis dias. 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