{"id":3747,"date":"2011-01-03T01:13:52","date_gmt":"2011-01-03T04:13:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/01\/03\/tres-dias-e-meio-em-salvador\/"},"modified":"2012-03-29T17:07:21","modified_gmt":"2012-03-29T20:07:21","slug":"tres-dias-e-meio-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2011\/01\/03\/tres-dias-e-meio-em-salvador\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas dias e meio em Salvador"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314138015\/sizes\/l\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador1.jpg\" alt=\"salvador1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p> 23 de dezembro, 18h. A folga de fim de ano se aproximava (plant\u00e3o no natal, folga no reveillon) e o plano inicial era ficar em casa os sete dias (entre 27\/12 e 02\/01), mas da\u00ed caiu a ficha: se ficarmos em casa vamos inevitavelmente trabalhar. A vontade era descansar e desestressar, esquecer emprego e o caos paulistano por alguns dias. Mas ir para onde oito dias antes do ano terminar?<\/p>\n<p>A busca come\u00e7ou de modo simples. Com as p\u00e1ginas do Decolar e do Submarino Viagens abertas em duas janelas, e a do mapa do Brasil no Google Maps na outra comecei a buscar destinos. Primeiro tentei Montevid\u00e9u e Buenos Aires (mais caras do que pens\u00e1vamos gastar) e depois fui pra Bel\u00e9m e, de l\u00e1, comecei a descer capital a capital procurando um v\u00f4o ok. A cidade escolhida acabou sendo Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314571178\/sizes\/l\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador2.jpg\" alt=\"salvador2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na mesma hora, corri para o Twitter pedindo dicas aos amigos de hot\u00e9is na cidade. A Maira (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/MGoldschmidt\" target=\"_blank\">@MGoldschmidt<\/a>) indicou este <a href=\"http:\/\/www.hotelcatharinaparaguacu.com.br\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a> (al\u00e9m de repassar dicas bacanas <a href=\"http:\/\/www.mairaporaivai.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">em seu blog<\/a>), que me pareceu \u00f3timo, e s\u00f3 n\u00e3o fechei porque o Luciano (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/lubmatos\" target=\"_blank\">@lubmatos<\/a>), do \u00f3timo <a href=\"http:\/\/www.nemo.com.br\/elcabong\/\" target=\"_blank\">El Cabong<\/a>, fez o convite para ficarmos em sua casa garantindo dicas da cidade e muita hospitalidade soteropolitana. Primeira vez na cidade, viagem curt\u00edssima, bora correr para os amigos. Valeu demais a pena.<\/p>\n<p>Bem, um dos motivos do voo ser barato era que ele saia na ter\u00e7a (28\/12) \u00e0s 9h de Campinas e retornava de Salvador \u00e0s 8h do dia 01\/01 (quem voa na manh\u00e3 do primeiro dia do ano? Dos 118 lugares do avi\u00e3o s\u00f3 os quatro \u00faltimos estavam vagos). Traduzindo tudo isso: ter\u00edamos apenas a tarde de ter\u00e7a, mais tr\u00eas dias inteiros (quarta, quinta e sexta) e a madrugada de r\u00e9veillon para curtir Salvador. E foi bastante especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314022147\/sizes\/l\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador3.jpg\" alt=\"salvador3.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Encontramos com facilidade a casa do Luciano, na Vila Laura, e dicas repassadas (ele n\u00e3o poderia nos acompanhar porque tinha ferrado o joelho batendo baba \u2013 jogando futebol no dicion\u00e1rio local) l\u00e1 fomos n\u00f3s camelar pela primeira capital do Brasil. O dia parece come\u00e7ar com 30 graus logo \u00e0s 8h da manh\u00e3. Sabe a frase &#8220;o sol que arde em Itapu\u00e3&#8221;? N\u00e3o \u00e9 apenas l\u00e1. Mas venta bastante, o que deixa a cidade bastante agrad\u00e1vel (quando o sol se esconde atr\u00e1s do morma\u00e7o espere sufoco: esquenta muito e n\u00e3o venta).<\/p>\n<p>Roteiro b\u00e1sico de turista: descemos do \u00f4nibus na Baixa do Sapateiro e  seguimos Pelourinho adentro at\u00e9 chegar ao Terreiro de Jesus e esticar ao  Elevador Lacerda. Local de prostitui\u00e7\u00e3o e drogas nos anos 60, o Pelourinho (que possui um conjunto arquitet\u00f4nico colonial) foi revitalizado nos anos 80 pela administra\u00e7\u00e3o ACM, que transformou as casas dos moradores (que foram obrigados a migrar para as extremidades do Centro Hist\u00f3rico) em lojas, centros culturais e restaurantes, o que deu ao local uma caracter\u00edstica tur\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5313518761\/sizes\/l\/in\/set-72157625723726310\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador12.jpg\" alt=\"salvador12.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por\u00e9m, imposs\u00edvel n\u00e3o parar na frente da Funda\u00e7\u00e3o Casa de Jorge Amado (o im\u00f3vel azul que mais se destaca na pra\u00e7a principal) e relembrar Caetano e Gil cantando: \u201cPense no Haiti, reze pelo Haiti\u201d. Ele tamb\u00e9m \u00e9 aqui. Mas o clima \u00e9 leve. Totalmente preservado, o Centro Hist\u00f3rico tem uma aura tur\u00edstica, mas suas ladeiras (e tudo que deve ter acontecido nelas durante cinco s\u00e9culos) t\u00eam muita hist\u00f3ria para contar (a maioria triste) e emocionam.<\/p>\n<p>O Terreiro de Jesus vem logo depois do Largo do Pel\u00f4, e \u00e9 uma pra\u00e7a bel\u00edssima e extensa que se estende da Igreja de S\u00e3o Francisco em uma ponta (uma das igrejas mais ornamentadas com ouro do Pa\u00eds) at\u00e9 a Bas\u00edlica de S\u00e3o Salvador, na outra extremidade.  Entre as duas h\u00e1 desde rodas de capoeira, barracas de acaraj\u00e9, bares (Cravinho fica por ali) e algumas lojas al\u00e9m do pr\u00e9dio da primeira Faculdade de Medicina do Pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5314129036\/sizes\/l\/in\/photostream\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador5.jpg\" alt=\"salvador5.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Um dos destaques da pra\u00e7a \u00e9 a maravilhosa fachada da Igreja da Ordem Terceira de S\u00e3o Francisco, toda trabalhada com pedra de cantaria, solu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica pouco usada no Brasil, que remete ao barroco espanhol. Encoberta com argamassa por mais de um s\u00e9culo (visando esconder as imagens pag\u00e3s), a fachada original foi descoberta no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. E \u00e9 deslumbrante &#8211; lembra algumas igrejas g\u00f3ticas de Londres e Paris. A visita ao interior ainda vale a pena porque \u00e9 uma das poucas igrejas no Pa\u00eds que permite visitar os andares superiores.<\/p>\n<p>O Elevador Lacerda, por sua vez, \u00e9 s\u00f3 um elevador (sem vis\u00e3o panor\u00e2mica nem nada). Um dos principais cart\u00f5es postais da cidade, o Elevador foi inaugurado em 1873 visando ligar a Cidade Baixa \u00e0 Cidade Alta, e \u00e9 muito mais bonito visto por fora. Se o caso \u00e9 descer, vale mais ir atr\u00e1s dos tr\u00eas Planos Inclinados que ligam o Centro Hist\u00f3rico \u00e0 Cidade Baixa (com a mesma tarifa de R$ 0,15 e a vantagem da vista). O Plano Gon\u00e7alves (semelhante aos Ascensores de Valparaiso, no Chile, denominados Patrim\u00f4nio da Humanidade) fica exatamente atr\u00e1s da Bas\u00edlica \u2013 e \u00e9 menos concorrido que o Lacerda.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314750680\/sizes\/l\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador6.jpg\" alt=\"salvador6.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na Cidade Baixa, uma olhada de fora no Mercado Modelo (s\u00f3 fiquei sabendo depois que o Sepultura gravou o clipe que \u201cRoots Bloody Roots\u201d ali \u2013 relembre o v\u00eddeo <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F_6IjeprfE\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e uma caminhada ao primeiro grande ponto apaixonante da cidade, o Solar do Unh\u00e3o, um pr\u00e9dio do s\u00e9culo XVI \u00e0s margens da Ba\u00eda de Todos os Santos que, desde 1969 (com trabalho de restaura\u00e7\u00e3o com projeto assinado pela arquiteta Lina Bo Bardi), virou a casa do Museu de Arte Moderna da Bahia.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o proposta por Lina (que tamb\u00e9m assina o bel\u00edssimo projeto do Sesc Pomp\u00e9ia, em S\u00e3o Paulo) fizeram do local um charme, desde a elegante escada lateral com uma bela rampa de madeira sobre o mar at\u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do ambiente em museu (s\u00e3o oito salas de exposi\u00e7\u00e3o, um teatro\/cinema, uma biblioteca, um caf\u00e9 \u2013 e uma famosa escada helicoidal, essa\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mam.ba.gov.br\/i\/f\/%7B5557C1E6-F429-4091-A48A-3B570F39E9C9%7D_403x550.jpg\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) com uma vista esplendorosa do p\u00f4r-do-sol na Ba\u00eda. Um local para se visitar todas as vezes que eu for a Salvador daqui em diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5314119188\/sizes\/l\/in\/set-72157625723726310\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador7.jpg\" alt=\"salvador7.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 que o assunto \u00e9 museu vale encaixar o bonito Museu Rodin, instalado em um bel\u00edssimo casar\u00e3o de 1912 (vale olhar as esculturas em gesso do mestre franc\u00eas e o teto detalhado da casa), que ganhou um anexo respeitoso \u2013 assinado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci \u2013 que se integra ao casar\u00e3o e d\u00e1 lugar a uma bela galeria e um aconchegante caf\u00e9 (Lili namorou o prato de camar\u00e3o ao molho de jabuticabas oferecido pelo card\u00e1pio, mas hav\u00edamos acabado de almo\u00e7ar quando chegamos).<\/p>\n<p>E se falamos em comida, eu provei o Acaraj\u00e9 da Cira (do Rio Vermelho e de Itapu\u00e3)&#8230; e n\u00e3o gostei. Lili curtiu, mas achei o lance todo meio sem gosto (e eu nem gosto tanto de camar\u00e3o assim). Fugimos dos pratos quentes (apimentados), e me encontrei numa das melhores dicas do Luciano, a carne de fumeiro, carne de porco defumada na fuma\u00e7a (e que lembra muito um peda\u00e7o suculento e delicioso de&#8230; bacon). Muito popular na Espanha e em Portugal, a carne de fumeiro \u00e9 quase desconhecida no Brasil. Mas n\u00e3o na Bahia. Aleluia. S\u00f3 uma coisa: pra que tanto coentro na comida????<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314150055\/sizes\/l\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador9.jpg\" alt=\"salvador9.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>No quesito sabores valeu demais a visita a <a href=\"http:\/\/www.sorveteriadaribeira.com.br\/\" target=\"_blank\">Sorveteria da Ribeira<\/a>, na compania do chapa Andr\u00e9 Mendes (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/andre__mendes\" target=\"_blank\">@andre__mendes<\/a>) (lembra da \u00f3tima banda Maria Bacana?). Provei os sabores de Caj\u00e1 e, por engano, Tapioca (eu pedi Caipiroska). Ainda bem. Fiquei completamente viciado no sorvete de Tapioca, uma delicia de dar \u00e1gua na boca. Lili apostou (e se deu muito bem) no destaque da casa, o tamb\u00e9m maravilhoso sorvete de Coco Verde (lembra \u00e1gua de coco). Andr\u00e9, que nasceu e cresceu no Bonfim, nos levou por um tour pela regi\u00e3o, com direito a p\u00f4r-do-sol na Ponta do Humait\u00e1 e muitas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Ainda teve banho de mar no Porto da Barra (eu ficava o dia inteiro l\u00e1 se me deixassem, mas mesmo com protetor sai queimado ficando s\u00f3 de 8h \u00e0s 11h), almo\u00e7o na barraca <a href=\"http:\/\/www.buracodavelha.com.br\/inter.htm\" target=\"_blank\">Buraco da Velha<\/a> (uma \u00f3tima pescada amarela) aos p\u00e9s da praia (completamente lotada) e tamb\u00e9m na Pedra Furada (recomendo, recomendo) e r\u00e9veillon na casa da Lilla (parceira de cerveja e bom humor e papo constante) com muita gente legal e v\u00e1rias hist\u00f3rias do rock baiano (conheci Ronei Jorge, grande cara).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/5313531623\/sizes\/l\/in\/set-72157625723726310\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador10.jpg\" alt=\"salvador10.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Teve muito mais coisas (e s\u00f3 foram tr\u00eas dias e meio!), mas acho que o principal \u00e9 isso. Ent\u00e3o voc\u00ea me pergunta: o que voc\u00ea achou de Salvador? A resposta \u00e9 dif\u00edcil de se condensar em poucas palavras por t\u00e3o pouco tempo, mas a impress\u00e3o foi \u00f3tima. No come\u00e7o, um certo descuido com a cidade chamou a aten\u00e7\u00e3o e lan\u00e7ou uma d\u00favida: isso \u00e9 fruto de descaso pol\u00edtico (prefeito, governador) ou o jeito de ser soteropolitano? Ou uma mescla dos dois? Por que as praias (bel\u00edssimas e limpas) sugerem impon\u00eancia e as casas, boa parte, parecem desgastadas?<\/p>\n<p>Uma frase de Lina Bo Bardi (de uma exposi\u00e7\u00e3o no Solar Ferr\u00e3o, no Pelourinho, analisando sua passagem pelo Nordeste) saltou aos olhos: \u201cA n\u00e3o import\u00e2ncia da beleza\u201d. Entendi essa frase n\u00e3o como um descaso com o que \u00e9 belo, mas sim uma leveza em rela\u00e7\u00e3o a ele. A liberdade \u00e9 bela (Lina faz quest\u00e3o de frisar: \u201cA\u00ed eu vi a liberdade\u201d), e tudo mais funciona como amarras de certa condi\u00e7\u00e3o do que se convencionou dizer que \u00e9 bonito e feio. E Salvador, mesmo desgastada, \u00e9 bonita. Pois a beleza \u00e9 ser livre (e ser feliz).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314001053\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador11.jpg\" alt=\"salvador11.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ainda assim, um projeto assinado pelo escrit\u00f3rio paulista Brasil Arquitetura (que trabalhou no Museu Rodin \u2013 e recheou de m\u00f3veis da Lina o caf\u00e9 do local) pretende recuperar a Cidade Baixa, sufocada pelo tr\u00e2nsito de ve\u00edculos e com dezenas de im\u00f3veis condenados nas encostas. A reportagem (de abril de 2010) publicada na Folha levanta quest\u00f5es de ordem pol\u00edtica (penso no social: para onde v\u00e3o os moradores pobres da regi\u00e3o?), mas o projeto parece interessante (veja <a href=\"http:\/\/casaeimoveis.uol.com.br\/ultimas-noticias\/redacao\/2010\/04\/05\/salvador-ganha-projeto-urbanistico-para-revitalizar-cidade-baixa-e-entra-em-polemica-com-fundacao.jhtm\" target=\"_blank\">aqui<\/a>). Talvez seja a cidade se dedicando ao turismo (o grande gancho econ\u00f4mico do novo s\u00e9culo), querendo ficar bela para o olhar (soteropolitano ou n\u00e3o). Desde que a liberdade se preserve, tudo bem.<\/p>\n<p>Terceira maior cidade com habitantes do Pa\u00eds (oitava da Am\u00e9rica Latina), S\u00e3o Salvador da Bahia de Todos os Santos j\u00e1 foi a cidade de maior desigualdade social do Brasil, em ranking da ONU de 2007 (o posto em 2010 \u00e9 de Goi\u00e2nia.) T\u00eam bairros que parecem cidadezinhas de interior (como Santo Ant\u00f4nio, com coreto na pra\u00e7a e tudo), uma pressa no tr\u00e2nsito que joga pelo ralo o estigma da pregui\u00e7a e um jeito para o batuque (no ax\u00e9 e no candombl\u00e9) que contagia e parece correr no sangue. \u00c9 uma cidade com o poder de encantar (e fazer pensar) em tr\u00eas dias e meio. Ainda volto com mais tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/5314586590\/in\/set-72157625598467219\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/salvador8.jpg\" alt=\"salvador8.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\">Fotos: Liliane Callegari (mais <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157625598467219\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) e Marcelo Costa (mais <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/sets\/72157625723726310\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p align=\"center\"><em>Ps. Obrigado Luciano, Lilla e Andr\u00e9 por tudo!<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23 de dezembro, 18h. A folga de fim de ano se aproximava (plant\u00e3o no natal, folga no reveillon) e o plano inicial era ficar em casa os sete dias (entre 27\/12 e 02\/01), mas da\u00ed caiu a ficha: se ficarmos em casa vamos inevitavelmente trabalhar. 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