{"id":2820,"date":"2010-05-18T17:17:53","date_gmt":"2010-05-18T20:17:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/18\/brmc-ao-vivo-em-viena\/"},"modified":"2010-11-30T15:31:40","modified_gmt":"2010-11-30T18:31:40","slug":"brmc-ao-vivo-em-viena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/05\/18\/brmc-ao-vivo-em-viena\/","title":{"rendered":"BRMC ao vivo em Viena"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.lastfm.com.br\/venue\/8778545+Arena\/images\/2149974\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/brmc0.jpg\" alt=\"brmc0.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0Antes de bater perna at\u00e9 o lugar do show nada melhor do que uma consultada no Google Maps para verificar qual a melhor forma de chegar. No mapa parecia do outro lado de Viena, e a melhor condu\u00e7\u00e3o sem d\u00favida era o metr\u00f4, mas o lugar tinha um jeit\u00e3o sinistro. Uma foto que registra a fachada toda pintada, lotada de grafites, tira a d\u00favida: a Arena Wien \u00e9 (praticamente) um squat. A noite promete.<\/p>\n<p>O trajeto entre o hotel e a Arena (doze esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4) n\u00e3o demorou 15 minutos. Chegamos mais de uma hora antes do hor\u00e1rio marcado para o show, mas a frente j\u00e1 estava tomada. Na entrada, a \u00fanica decep\u00e7\u00e3o da noite: confiscaram meu guarda-chuva&#8230; e minha c\u00e2mera digital. Logo em um lugar t\u00e3o fotograf\u00e1vel quanto a Arena Wien. Recebo um ticket para retirar os objetos na sa\u00edda. Tentei argumentar, mas sem choro.<\/p>\n<p>A Arena Wien \u00e9 um squat, mas a organiza\u00e7\u00e3o impressiona. A constru\u00e7\u00e3o parece uma antiga f\u00e1brica tomada pelos punks, que circulam pra cima e pra baixo com crach\u00e1s, piercings e cabelos azuis. O conjunto de pr\u00e9dios est\u00e1 totalmente detonado e todo pichado, mas o clima \u00e9 excelente e reina uma harmonia no ar. H\u00e1, no m\u00ednimo, uma meia d\u00fazia de bares no lugar, e barraquinhas que servem lanches, hot dogs e bratwurst.<\/p>\n<p>O espa\u00e7o da Arena parece pequeno, mas \u00e9 muito bem aproveitado. Devem caber umas cinco mil pessoas (talvez mais) entre pista e passagens laterais, e todo mundo assiste ao show numa boa. O palco \u00e9 profissional, a ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 deslumbrante, e apesar de parecerem detonadas pelas picha\u00e7\u00f5es, as caixas de som fazem bonito deixando qualquer Tim Festival\/Planeta Terra e casas noturnas brasileiras no chinelo.<\/p>\n<p>A garoa marca presen\u00e7a, e os californianos do Spindrift tem a \u00e1rdua miss\u00e3o de aquecer a plat\u00e9ia para a grande atra\u00e7\u00e3o da noite. O show \u00e9 chato, cheio de clich\u00eas e exagerado, mas a tortura dura pouco. Nem 20 minutos se passam e o BRMC est\u00e1 no palco detonando o primeiro single do novo disco, a empolgante \u201cBeat The Devil&#8217;s Tatoo\u201d. Uma edi\u00e7\u00e3o especial dupla do \u00e1lbum em vinil branco de 180 gramas est\u00e1 sendo vendida por 35 euros na lojinha, mais camisetas e outros badulaques.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/frf_kmeron\/4620612530\/in\/set-72157624090548758\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/brmc2.jpg\" alt=\"brmc2.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O show \u00e9 longo e o repert\u00f3rio caprichado passa pelos cinco \u00e1lbuns dos caras. Est\u00e1 tudo ali: da paix\u00e3o escancarada e escarrada pelo Jesus and Mary Chain at\u00e9 a descoberta de Bob Dylan numa porrada musical que faz parecer que os irm\u00e3os Reid nasceram no Mississipi. \u201cAin&#8217;t No Easy\u201d, do \u00e1lbum \u201cHowl\u201d, por exemplo, prova por a + b que \u00e9 poss\u00edvel contagiar uma multid\u00e3o apenas com viol\u00e3o, gaita, baixo e bateria. Um dos grandes momentos da noite.<\/p>\n<p>E eles n\u00e3o economizam os hits mandando os principais at\u00e9 o meio do show: \u201cBerlin\u201d (com direito a roda de pogo), \u201cRed Eyes and Tears\u201d, \u201cWeapon of Choice\u201d, \u201cLove Burns\u201d e \u201cShuffle Your Feet\u201d empolgam a galera, mas \u00e9 \u201cWhatever Happened To My Rock and Roll\u201d que ganha o pr\u00eamio de catalizadora de arremessos de cervejas ao alto pelo p\u00fablico. Carinhosamente apelidada de \u201cPunk Song\u201d, \u201cWhatever\u201d come\u00e7a com o \u201c1,2,3,4\u201d caracter\u00edstico dos Ramones e incendeia o lugar numa vers\u00e3o arrasadora.<\/p>\n<p>No palco, o baixista Robert Levon Been posa de b\u00eabado enquanto o guitarrista Peter Hayes \u00e9 mais comportado. Os dois dividem os vocais e tudo funciona perfeitamente, com a bateria segura de Leah Shapiro completando o time. N\u00fameros novos como \u201cWar Machine\u201d, \u201cMama Taught Me Better\u201d e a poderosa \u201cConsciente Killer\u201d marcam presen\u00e7a na noite mostrando que o novo disco tem seus momentos calmos, mas sabe ser denso quando quer. Por\u00e9m, \u201cHalf-State\u201d, tijolada psicod\u00e9lica de mais de dez minutos dispera o p\u00fablico.<\/p>\n<p>Levon Been sabe como trazer os f\u00e3s de volta: ele pega o viol\u00e3o e sozinho emenda uma vers\u00e3o emocional de \u201cDirty Old Town\u201d, m\u00fasica de 1949 regravada pelo Pogues nos anos 80. Dai em diante o show alterna momentos de brilho (\u201cSix Barrell Shotgun\u201c, \u201cSpread Your Love\u201d, \u201cStop\u201d) com exageros psicod\u00e9licos, longos solos que parecem n\u00e3o levar a lugar algum. No entanto, \u201cShadow&#8217;s Keeper\u201d, outra das novas, impressiona.<\/p>\n<p>BRMC ao vivo \u00e9 uma experi\u00eancia especial. N\u00e3o \u00e9 um show espetacular no quesito t\u00e9cnico, mas a entrega da dupla fundadora \u00e9 contagiante. O trio consegue emocionar ancorado em\u00a0um repert\u00f3rio repleto de m\u00fasicas brilhantes, e o p\u00fablico que deixa a Arena Wien quase \u00e0s 23h sabe que viu uma das principais bandas da atualidade em plena forma. Valeu a garoa, o \u00f3timo bratwurst e a boa cerveja de trigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/frf_kmeron\/4620004745\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/brmc1.jpg\" alt=\"brmc1.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fotos: BRMC Live At Botanique, Brussels, 14\/05\/10. Por <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/frf_kmeron\/sets\/72157624090548758\/\" target=\"_blank\">Kmeron<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Antes de bater perna at\u00e9 o lugar do show nada melhor do que uma consultada no Google Maps para verificar qual a melhor forma de chegar. No mapa parecia do outro lado de Viena, e a melhor condu\u00e7\u00e3o sem d\u00favida era o metr\u00f4, mas o lugar tinha um jeit\u00e3o sinistro. 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