{"id":2686,"date":"2010-03-29T19:46:35","date_gmt":"2010-03-29T22:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/29\/eu-queria-falar-sobre-dez-discos\/"},"modified":"2010-04-05T09:46:16","modified_gmt":"2010-04-05T12:46:16","slug":"eu-queria-falar-sobre-dez-discos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/29\/eu-queria-falar-sobre-dez-discos\/","title":{"rendered":"Eu queria falar sobre dez discos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ouve a m\u00fasica que voc\u00ea quer ouvir, certo? Espero que sim. J\u00e1 eu, nem sempre. Uma das coisas fodas de escrever de m\u00fasica \u00e9 que quanto mais tempo voc\u00ea passa ouvindo um disco, mais os demais se acumulam. Tenho por regra pessoal escrever sobre um disco que eu esteja viciado exatamente para esgot\u00e1-lo na resenha. E s\u00f3 ent\u00e3o partir para o pr\u00f3ximo. Ou os pr\u00f3ximos. Sempre s\u00e3o muitos.<\/p>\n<p>As coisas aqui em casa funcionam mais ou menos assim: eu tenho uns 7 mil CDs em estantes (faz muito tempo que parei de contar, e esse n\u00famero \u00e9 um chute). Todo dia escolho uns dois ou tr\u00eas para me acompanhar no trabalho, algo que v\u00e1 ser a minha trilha sonora naquele dia. Completam o pacote alguns CDs que comprei recentemente ou ent\u00e3o recebi (da gravadora ou do pr\u00f3prio artista) e os MP3 do momento.<\/p>\n<p>Os CDs que ganho ou compro v\u00e3o diretamente para uma pilha a esquerda do meu computador. Eles s\u00f3 v\u00e3o para a estante assim que eu ouvi-los, sen\u00e3o se perderiam no limbo do esquecimento. Alguns eu ou\u00e7o duas, tr\u00eas vezes, e j\u00e1 tenho id\u00e9ia de que eles podem voltar a me acompanhar em determinados dias. O problema (e n\u00e3o deveria ser um problema, mas \u00e9) s\u00e3o aqueles que tenho vontade de escrever sobre.<\/p>\n<p>Esses se amontoam na prateleira e ficam aguardando um gancho, uma pauta, um espa\u00e7o na correria do dia a dia para que eu consiga traduzir em palavras aquilo que me conquistou a audi\u00e7\u00e3o. Eles v\u00e3o ficando, ficando, ficando, e quando vejo o tempo passou, e n\u00e3o consegui escrever. Continuo ouvindo, mas me recuso a colocar na estante pois&#8230; eu queria escrever sobre eles. O dia, por\u00e9m, \u00e9 curto demais.<\/p>\n<p>Como as tr\u00eas torres de CDs para \u201couvir\u201d est\u00e3o enormes, lotadas de coisas de 2008 e 2009, decidi usar o blog para esgot\u00e1-los em frases curtas. Assim, volto a tentar me dedicar \u00e0 safra 2010. O que passou, passou. A vida continua. Dessa forma, seguem abaixo dez de CDs que eu gostaria de ter escrito de 500 toques a 5 mil, mas que devido a velocidade do tempo, ficaram esperando por um momento livre&#8230; que n\u00e3o veio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/arnaldo_ie.jpg\" alt=\"arnaldo_ie.jpg\" \/><br \/>\n<strong>\u201cI\u00ea I\u00ea I\u00ea\u201d, Arnaldo Antunes<\/strong> (Rosa Celeste)<br \/>\nFalei que n\u00e3o gostei do show <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/17\/ao-vivo-arnaldo-antunes-em-sp\/\">aqui<\/a>, mas o disco foi chegando devagarinho e me pegou de jeito. Arnaldo \u00e9, de longe, o ex-tit\u00e3 com melhor carreira solo. A produ\u00e7\u00e3o de Fernando Catatau e a est\u00e9tica do \u00e1lbum fizeram o resultado soar particular. E tem uma penca de m\u00fasicas boas: \u201cA Casa \u00e9 Sua\u201d, \u201cAonde Voc\u00ea For\u201d, \u201cVem C\u00e1\u201c, a balada\u00e7a \u201cLonge\u201d e o grande hit \u201cInvejoso\u201d. Os tit\u00e3s remanescentes deveriam ter vergonha de lan\u00e7ar \u201cSacos Pl\u00e1sticos\u201d (falei mal dele <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/09\/titas-dado-villa-lobos-e-nando-reis\/\">aqui<\/a>) no mesmo ano. Disca\u00e7o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/erasmo_rock.jpg\" alt=\"erasmo_rock.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cRock\u2019n\u2019Roll\u201d, Erasmo Carlos<\/strong> (Coqueiro Verde)<br \/>\nAos 68 anos, o Tremend\u00e3o mostra for\u00e7a em um \u00e1lbum cheio de superlativos que nem Liminha conseguiu atrapalhar. A tira\u00e7\u00e3o de sarro de \u201cCover\u201d conquistou um bocado de gente, mas, para mim, a provoca\u00e7\u00e3o da balada de guitarras sujas (que, ali\u00e1s, soam bem em quase todas as faixas) \u201cOlhos de Mang\u00e1\u201d surpreendeu mais (e me embalou por semanas). Vale citar as parcerias de Erasmo com Chico Amaral (letrista do Skank) em \u201cA Guitarra \u00e9 Uma Mulher\u201d e com Nando Reis em \u201cUm Beijo \u00e9 um Tiro\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/gentileza_disco.jpg\" alt=\"gentileza_disco.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cBanda Gentileza\u201d, Banda Gentileza <\/strong>(Independente)<br \/>\nMelhor \u00e1lbum de estr\u00e9ia do 2009 pela enquete de melhores do ano do Scream &amp; Yell, o disco dos curitibanos tocou muito aqui em casa nos \u00faltimos meses. Os caras vieram aqui beber uma cerveja (entrevist\u00e3o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/21\/entrevista-do-mes-heitor-e-nevilton\/\">aqui<\/a>), e n\u00e3o consegui me concentrar para falar do disco. Sinceramente, n\u00e3o tem muito que falar. Basta baixar o \u00e1lbum gratuitamente <a href=\"http:\/\/www.bandagentileza.com.br\/\">aqui<\/a> e ouvir, ouvir e ouvir coisas como a empolgante \u201cCoracion\u201d, a baladinha caipira \u201cTeu Capricho, Meu Despacho\u201d, o sambinha \u201cPregui\u00e7a\u201d e a nonsense \u201cSempre Quase\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/lapupuna.jpg\" alt=\"lapupuna.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;All Right Penoso!!!\u201d, La Pupu\u00f1a<\/strong> (N\u00e1 Music)<br \/>\nO disco \u00e9 de 2008, mas s\u00f3 apareceu aqui em casa no ano passado, e desde a primeira vez que o ouvi fiquei com vontade de tra\u00e7ar grandes teoriza\u00e7\u00f5es sobre esse redescobrimento da m\u00fasica brasileira que aconteceu na segunda metade dos anos 00. N\u00e3o consegui escrever, mas toda vez que coloquei \u201cAll Right Penoso!!!\u201d para receber a luz do laser, o clima da casa pareceu ser de festa. Tem guitarrada, surf music e melodias caribenhas que aproximam o mar da gente num disco alto astral.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/graveola.jpg\" alt=\"graveola.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cGraveola e o Lixo Polif\u00f4nico\u201d, Graveola e o Lixo Polif\u00f4nico<\/strong> (Independente)<br \/>\nEles at\u00e9 j\u00e1 lan\u00e7aram um novo EP para download gratuito (baixe <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.graveola.com.br\/\">aqui<\/a>), mas eu namorei esse disco alguns dias do ano passado, e pensei que valeria muito falar mais. N\u00e3o consegui, mas aproveito agora para dizer que Minas tem surpreendido com bandas que fogem do arqu\u00e9tipo do pop radiof\u00f4nico (Jota Quest, Skank) abra\u00e7ando o samba, o jazz e o rock. \u00c9 o caso dos Gardenais (falei deles <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/24\/500-toques-rogerio-skylab-gardenais-e-itinerante-magazine\/\">aqui<\/a>) e deste excelente \u00e1lbum da Graveola e o Lixo Polif\u00f4nico. Baixe <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/graveola.com.br\/site\/\">aqui<\/a> e corra o risco de ficar cantando as can\u00e7\u00f5es por meses.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/voucomgas.jpg\" alt=\"voucomgas.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cVou com G\u00e1s\u201d, Falcatrua <\/strong>(Independente)<br \/>\nNa primeira vez que ouvi este \u00e1lbum (j\u00e1 tinha falado do disco anterior deles <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/11\/500-toques-falcatrua-surfadelica-e-wander-wildner\/\">aqui<\/a>), n\u00e3o teve como n\u00e3o pensar: se as r\u00e1dios descobrirem isso, vai tocar at\u00e9 dizer chega. Os mineiros pegaram o repert\u00f3rio de Tim Maia, turbinaram as guitarras e fizeram um puta \u00e1lbum dan\u00e7ante (com produ\u00e7\u00e3o de John, do Pato Fu, e dire\u00e7\u00e3o de Nelson Motta). Dif\u00edcil resistir ao apelo de \u201cFesta do Santo Reis\u201d, \u201cN\u00e3o Vou Ficar\u201d, \u201cR\u00e9u Confesso\u201d e \u201cAzul da Cor do Mar\u201d e at\u00e9 \u201cVale Tudo\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/trashpour4.jpg\" alt=\"trashpour4.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cSomething Stupid\u201d, Trash Pour 4<\/strong> (MCD)<br \/>\nTerceiro disco do Trash Pour 4 (os outros dois passaram desapercebidos por mim), \u201cSomething Stupid\u201d soa como um fantasma do lado maluco e divertido do Pato Fu, o que \u00e9 uma grande refer\u00eancia. \u201cBabalu\u201d (do repert\u00f3rio de Bola de Nieve, \u00c2ngela Maria e outros) tem um sotaque latino. \u201cCi Riprova la Bossa Nova\u201d \u00e9 bossa noise em italiano. \u201cManh\u00e3 Seguinte\u201d vai direto a fonte: Os Mutantes. Uma banda (e um disco) a se descobrir.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/simplesmete_darma.jpg\" alt=\"simplesmete_darma.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;Simplesmente\u201d. Os The Darma Lovers<\/strong> (Dubas)<br \/>\nAlgum amigo definiu este disco numa mesa de bar como \u201co \u00e1lbum de maconheiro de 2009\u201d. Pode ser, embora o clima buc\u00f3lico do \u00e1lbum convide mais a contempla\u00e7\u00e3o do que a viagem. A primeira coisa que me lembrou na primeira audi\u00e7\u00e3o foi o rock rural de Z\u00e9 Rodrix, S\u00e1 e Guarabira. Um disco calmo, suave, que ousa enfrentar a correria do dia a dia estirado numa rede e ganha belos contornos com o cello de Moreno Veloso em \u201cCan\u00e7\u00e3o Para Minha Morte\u201d, \u201cSrta Saudade da Silva\u201d, entre outras.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/orquestra_olinda.jpg\" alt=\"orquestra_olinda.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cOrquestra Contempor\u00e2nea de Olinda\u201d, Orquestra Contempor\u00e2nea de Olinda<\/strong> (Som Livre)<br \/>\nEsse \u00e1lbum me namorou umas quatro semanas em 2009, e lamento muito n\u00e3o ter visto a banda ao vivo em alguns dos shows deles em S\u00e3o Paulo . Fiquei assoviando a metaleira de \u201cCanto da Sereia\u201d dias a fio assim que ouvi o disco pela primeira vez. H\u00e1 um bom gosto na sonoridade do comboio pernambucano que bate direito no peito, e leva o cidad\u00e3o a bailar. Talvez sejam os metais, talvez seja a percuss\u00e3o, talvez seja a rabeca de Maciel Sal\u00fa, n\u00e3o d\u00e1 para precisar, mas mexe muito com o lado latino da gente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/anacronica.jpg\" alt=\"anacronica.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201cDeus e os Loucos\u201d, Anacr\u00f4nica<\/strong> (Independente)<br \/>\nUm dos destaques da atual cena curitibana (agora residindo em S\u00e3o Paulo e cumprindo bem a responsa de abrir o show de bandas gringas, no caso o Franz Ferdinand), o Anacr\u00f4nica colocou nas lojas em 2009 um \u00e1lbum de sonoridade forte (cortesia da boa produ\u00e7\u00e3o de Tomaz Magno) e dan\u00e7ante. O bom vocal de Sandra valoriza can\u00e7\u00f5es como \u201cEles Me Querem Assim\u201d enquanto a banda se mostra afiada e credencia a batida pop de \u201cO Que Ser\u00e1?\u201d, a porrada \u201cDelorean\u201d e a \u00f3tima faixa t\u00edtulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ouve a m\u00fasica que voc\u00ea quer ouvir, certo? Espero que sim. J\u00e1 eu, nem sempre. Uma das coisas fodas de escrever de m\u00fasica \u00e9 que quanto mais tempo voc\u00ea passa ouvindo um disco, mais os demais se acumulam. 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