{"id":2665,"date":"2010-03-17T11:06:28","date_gmt":"2010-03-17T14:06:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/17\/charme-chulo-e-a-defesa-da-brasilidade-esquecida\/"},"modified":"2010-03-17T11:11:44","modified_gmt":"2010-03-17T14:11:44","slug":"charme-chulo-e-a-defesa-da-brasilidade-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/17\/charme-chulo-e-a-defesa-da-brasilidade-esquecida\/","title":{"rendered":"A defesa de uma brasilidade esquecida"},"content":{"rendered":"<p><strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/charmechulo.jpg\" alt=\"charmechulo.jpg\" \/><\/p>\n<p><\/strong><strong>por Tiago Agostini<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o tenho mais vergonha em me passar por mim.\u201d<\/em> Formado em Curitiba, mas com a origem remontando \u00e0 inf\u00e2ncia em Maring\u00e1, no norte do Paran\u00e1, o Charme Chulo parece ter atingido a certeza do seu papel dentro da nova cena de rock independente no Brasil: ser a voz do interior, do povo simples que sai de suas pequenas cidades em busca da t\u00e3o sonhada e prometida vida melhor nos grandes centros.<\/p>\n<p>Os primos Igor Filus (voz) e Leandro Delmonico (guitarra, viol\u00e3o e viola) eram f\u00e3s do rock brit\u00e2nico dos anos 80. Durante algum passeio pelo cal\u00e7ad\u00e3o da rua XV de Novembro, em Curitiba, olharam as dezenas de mendigos, artistas de ruas simples e fizeram a conex\u00e3o deles com a m\u00fasica das r\u00e1dios AMs que embalaram sua cria\u00e7\u00e3o no interior do estado. Foi um passo para Leandro aprender a tocar viola e o Charme Chulo surgir, com a inusitada mistura de Tonico e Tinoco e Smiths, Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho e Violent Femmes. Tudo fazendo muito sentido.<\/p>\n<p>Em tempos de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura nacional, o Charme Chulo toma para si a defesa de uma brasilidade facilmente esquecida por boa parte da popula\u00e7\u00e3o. Com o discurso da metr\u00f3pole sendo dominante, \u00e9 f\u00e1cil considerar o samba como linguagem universal do brasileiro. Mas, como diz a letra manifesto da m\u00fasica \u201cNova Onda Caipira\u201d, <em>\u201co carnaval \u00e9 quatro dias, a viola \u00e9 durante o ano inteiro\u201d<\/em>. N\u00e3o poderiam estar mais certos esses curitibanos.<\/p>\n<p>Tomando a bandeira dos caipiras, eles se alinham ao Cidad\u00e3o Instigado como cronistas dos migrantes nos grandes centros. Mas, enquanto Fernando Catatau maneja com propriedade a sofistica\u00e7\u00e3o da mistura de Odair Jos\u00e9 com Pink Floyd para tratar de temas rom\u00e2nticos e de quest\u00f5es mais pontuais desta vida, sempre de forma l\u00edrica, o Charme Chulo \u00e9 mais direto na abordagem, resvalando na cr\u00edtica pol\u00edtica e social, quase um punk da ro\u00e7a \u2013 gra\u00e7as, muito, \u00e0 bateria precisa de Rony Carvalheiro \u2013 completa a banda o rec\u00e9m-admitido baixista Luciano Assump\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quantas pessoas vivem longe de suas fam\u00edlias, seus lares? \u00c9 s\u00f3 observar a lota\u00e7\u00e3o e o caos das grandes rodovi\u00e1rias em feriados para perceber que somos muitos. O Charme Chulo funciona como uma lembran\u00e7a doce de nossas ra\u00edzes, resgatando o melhor do cancioneiro popular que acompanha as manh\u00e3s de domingo com o pai assando um churrasco ou a m\u00e3e fazendo o almo\u00e7o. Nostalgia brega, charme chulo, mas sincero.<\/p>\n<p>Espertamente dan\u00e7ante como poucas bandas no Brasil, o Charme Chulo une a bateria marcante com dedilhados suaves e riffs simples, que ora remetem ao p\u00f3s-punk ingl\u00eas ora ao melhor do cancioneiro country norte-americano. Apesar de ser uma banda de rock, \u00e9 quando Leandro assume a viola que a banda consegue os melhores resultados de sua alquimia. Virtuose do instrumento, mesclando acordes cheios com solos minimalistas, ele cria di\u00e1logos cheios de emo\u00e7\u00e3o como um Johnny Marr do sert\u00e3o. Ao vivo, a equa\u00e7\u00e3o \u00e9 amplificada. O vocalista Igor Filus parece ser possu\u00eddo por alguma entidade no palco, fazendo as vezes de um Ian Curtis caipira.<\/p>\n<p><em>\u201cEu nasci no Norte e fui pro Sul, deixei muita alma pra tr\u00e1s.\u201d<\/em> Charme Chulo faz rock para dialogar com as grandes massas. N\u00e3o estariam deslocados tocando em alguma grande feira popular, como o a Festa do Pe\u00e3o de Barretos. O discurso \u00e9 simples, a melodia \u00e9 pegajosa. Sobra humildade e no\u00e7\u00e3o de contexto hist\u00f3rico, por\u00e9m. <em>\u201cCertas coisas n\u00e3o se podem escolher, eu sei onde \u00e9 o meu lugar.\u201d<\/em> \u00c9 por sempre lembrar e valorizar suas ra\u00edzes que o Charme Chulo consegue dosar corretamente o retr\u00f4 e o contempor\u00e2neo. Soa universal com um p\u00e9 no passado e nas tradi\u00e7\u00f5es, mas sem deixar de mirar o futuro.<\/p>\n<p align=\"center\"><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/scream_yell_party_one.jpg\"><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><em><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/scream_yell_party_one.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/scream_yell_party_one_peque.jpg\" alt=\"scream_yell_party_one_peque.jpg\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Clique na imagem para ver o flyer numa vers\u00e3o maior<\/em><\/p>\n<p>Festa Scream &amp; Yell #1<br \/>\nS\u00e1bado: 20\/03<br \/>\nAbertura da casa: 22h<br \/>\nShow: Charme Chulo \u00e0s 23h (transmitido via web)<br \/>\nDiscotecagem: DJ Set Scream &amp; Yell (Marcelo Costa e Tiago Agostini)<br \/>\n$20 na porta $15 na lista (screamyell@gmail.com)<br \/>\nLocal: Casa Dissenso, Rua dos Pinheiros, 747, S\u00e3o Paulo, SP<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista: Charme Chulo fala da moda caipira, por Murilo Basso (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/09\/23\/a-moda-caipira-do-charme-chulo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A caprichada carta de cervejas e mais seis coisas da Festa S&amp;Y #1 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/06\/7-coisas-sobre-a-festa-scream-yell-01\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Tiago Agostini \u201cN\u00e3o tenho mais vergonha em me passar por mim.\u201d Formado em Curitiba, mas com a origem remontando \u00e0 inf\u00e2ncia em Maring\u00e1, no norte do Paran\u00e1, o Charme Chulo parece ter atingido a certeza do seu papel dentro da nova cena de rock independente no Brasil: ser a voz do interior, do povo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}