{"id":2329,"date":"2009-11-22T23:15:16","date_gmt":"2009-11-23T02:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/11\/22\/uma-noite-em-juiz-de-fora\/"},"modified":"2009-11-25T22:49:20","modified_gmt":"2009-11-26T01:49:20","slug":"uma-noite-em-juiz-de-fora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/11\/22\/uma-noite-em-juiz-de-fora\/","title":{"rendered":"Uma noite rock and roll em Juiz de Fora"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/quinta.jpg\" alt=\"quinta.jpg\" \/><\/p>\n<p>Apesar do inconfund\u00edvel sotaque mineiro, Juiz de Fora \u00e9 quase Rio de Janeiro. Isso fica percept\u00edvel quando se abre o caderno de esportes do Tribuna de Minas, o maior jornal da cidade, e a \u00faltima p\u00e1gina \u00e9 dividida em quatro blocos: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Um dia antes, o caderno de cultura destacava a ida deste que vos escreve \u00e0 cidade classificando-me como \u201cuma das maiores autoridades em cultura pop na internet\u201d. O t\u00edtulo \u00e9 exagerado, mas agrade\u00e7o o deferimento.<\/p>\n<p>Juiz de Fora tem 525 mil habitantes, seis faculdades (uma delas federal) e fica na Zona da Mata. Chegou a ser conhecida como a Manchester Mineira, n\u00e3o por bandas equivalentes a Smiths e New Order, mas por seu pioneirismo na industrializa\u00e7\u00e3o. Para chegar \u00e0 cidade, vindo de S\u00e3o Paulo, se pega a Via Dutra em dire\u00e7\u00e3o ao Rio, e segue-se beliscando Volta Redonda. Ou encara-se um v\u00f4o no avi\u00e3o de m\u00e9dio-porte ATR-42 sa\u00eddo de Congonhas de pouco mais de hora via Pantanal.<\/p>\n<p>Os v\u00f4os costumam atrasar. Na quinta foram duas horas de espera devido a uma vistoria na nave feita pela ANAC, o que permitiu descobrir que o chopp Brahma em Congonhas \u00e9 mais barato que o chopp Heineken em Guarulhos: R$ 7,50 x R$ 10,50. De qualquer forma, dois assaltos. Apesar do atraso, o v\u00f4o foi tranq\u00fcilo (e altitude da aeronave, voando a 18 mil p\u00e9s, permitiu uma bela vis\u00e3o de S\u00e3o Paulo iluminada \u00e0 noite) e o pouso em Juiz de Fora um dos mais sossegados dos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Fui recebido pelo Jo\u00e3o Paulo Mauler, do projeto Quinta do Bloco (<a href=\"http:\/\/www.quintadobloco.com\/\" target=\"_blank\">www.quintadobloco.com<\/a>), no aeroporto, e seguimos para o hotel e sem eguida para o Caf\u00e9 Musik, local que abriga o retorno do projeto ap\u00f3s tr\u00eas anos de hiberna\u00e7\u00e3o. K\u00e1tia Abreu, da Alavanca, j\u00e1 havia elogiado o Musik em um bate papo, mas n\u00e3o tenho palavras para descrever um local cuja parede lateral de entrada \u00e9 tomada inteiramente pela foto cl\u00e1ssica e nost\u00e1lgica do filme \u201cManhattan\u201d, de Woody Allen, em que o casal de personagens observa a Ponte do Brooklin. Estou em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/amandadias\/4130985013\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/mac.jpg\" alt=\"mac.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0A programa\u00e7\u00e3o para a noite era um bate papo meu com os presentes depois shows da banda local Hermitage e do carioca L\u00ea Almeida (<a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/lealmeida\" target=\"_blank\">www.myspace.com\/lealmeida<\/a>). Alguns minutos p\u00f3s a meia-noite dispensei o microfone, coloquei uma cadeira no meio do sal\u00e3o e gastei uns 20 ou 30 minutos falando bobagens sobre a minha forma\u00e7\u00e3o profissional e minha vis\u00e3o do cen\u00e1rio musical nacional. Fiquei feliz e surpreso com o bom n\u00famero de ouvintes e com algumas perguntas interessantes que surgiram ap\u00f3s meu mon\u00f3logo.<\/p>\n<p>A Raizza questionou minha cr\u00edtica \u00e0 Pitty, e precisei aprofundar o assunto \u201cjornalismo combativo\u201d. Del Guiducci, do Martiataka (<a href=\"http:\/\/www.martiataka.com\/\">www.martiataka.com<\/a>), tocou no assunto mainstream brasileiro, e assim que afirmei que vivemos a pior fase do rock nacional no mainstream e n\u00e3o h\u00e1 nada de bom acontecendo no momento, tr\u00eas emos de uma jovem banda local levantaram e partiram. Um pouco antes eu j\u00e1 havia dado o recado: \u201cAprenda a ler jornalistas e n\u00e3o revistas\u201d. Eles devem ter pegado o recado e visto que dessa cartola aqui n\u00e3o sai coelho.<\/p>\n<p>No geral, o bate papo foi extremamente proveitoso, ao menos para mim. Fiquei satisfeito, mas o melhor ainda estava por vir com curtos bate papos com a Raizza (que leu Simone de Beauvoir por causa da Pitty); com o Anderson, da banda Usversos (<a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/usversus\" target=\"_blank\">www.myspace.com\/usversus<\/a>), que faz um som na linha Dead Fish (e tenta fugir do emo); com o Greg, que curte o Scream e j\u00e1 tocou o Ameba, da Plebe Rude; com o Roney, que toca em duas bandas locais, sendo que uma delas far\u00e1 uma temporada na Alemanha nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Nas pick-ups da festa rock and roll, Luiz Valente, do selo Vinyl Land (<a href=\"http:\/\/www.vinyllandrecords.com\/\" target=\"_blank\">www.vinyllandrecords.com<\/a>), que lan\u00e7a singles em vinil e discoteca com compactos 7 polegadas de uma cole\u00e7\u00e3o que faria Rob Fleming corar de inveja. A frase que mais ouvi \u2013 e mais me deixou comovido \u2013 na noite foi: \u201cAcompanho o Scream &amp; Yell h\u00e1 seis (sete, oito, nove) anos, e ele (e o 1999, do Alexandre Matias e do Abonico Smith, e o Esquizofrenia, do Gilberto Cust\u00f3dio) moldou muito do que ou\u00e7o hoje em dia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/amandadias\/4131864936\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/hermitage.jpg\" alt=\"hermitage.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Hermitage, que fazia seu \u00faltimo show com esse nome, me arrancou sorrisos. A Paula Bento, do Quinta no Bloco, comentou que o som da guitarra estava alto, e o bom rock and roll \u00e9 isso: guitarra alta e distorcida. Bebendo cerveja num canto da pista e olhando a alegria do p\u00fablico dan\u00e7ando s\u00f3 pude imaginar que quando Pavement, Teenage e Guided by Voices, come\u00e7aram, eles tocavam assim para uma plat\u00e9ia n\u00e3o muito diferente dessa. Festa. Rock caipira poderoso com direito a cover de Neutral Milk Hotel.<\/p>\n<p>L\u00ea Almeida veio na seq\u00fc\u00eancia.\u00a0 Ele comanda o selo Transfus\u00e3o Noise Records de seu quarto est\u00fadio na Baixada Fluminense. Levando a s\u00e9rio o lema \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d, L\u00ea j\u00e1 organizou um tributo brasileiro ao Guided By Voices (veja <a href=\"http:\/\/mmrecords.com.br\/200909\/dont-stop-now-tributo-ao-guided-by-voices\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) chamado \u201cDon\u2019t Stop Now\u201d (que conta com Superguidis, Kid Vinl Experience, Snooze, Surfadelica e mais 27 bandas), toca em dezenas de bandas, lan\u00e7ou v\u00e1rios EPs caseiros e, segundo muitos presentes, \u00e9 um g\u00eanio. Toca tudo deste projeto solo, que ao vivo conta com o refor\u00e7o dos amigos.<\/p>\n<p>Antes do show, o projeto Quinta no Bloco apresentou em primeira m\u00e3o o clipe de \u201cNunca, Nunca\u201d, faixa de \u201cRevi\u201d, novo trabalho de L\u00ea Almeida lan\u00e7ado em parceria com os selos Midsummer Madness e Vinyl Land. O set list, na linha Guided By Voices, tinha 27 m\u00fasicas, e a banda mostrou suas guitarradas em um show potente, mas que acabou prejudicado por um problema em uma das caixas de som. No balan\u00e7o geral, dois bons shows que mostram que a cena lo-fi nacional continua rendendo excelentes frutos.<\/p>\n<p>Fica o agradecimento a Rayssa, ao Del Guiducci, ao Greg, ao Anderson, ao Roney, ao Evandro (n\u00e3o esqueci do Mojobook n\u00e3o!), ao L\u00ea Almeida (pela gentileza e por todos os CDs), ao Luiz (pelo bom papo sobre vinis), ao Andr\u00e9 Medeiros (que escreve junto com o Eduardo no \u00f3timo Last Splash &#8211; <a href=\"http:\/\/lastsplash.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">lastsplash.wordpress.com<\/a>) e o pessoal do ex-Hermitage, ao pessoal do Caf\u00e9 Musik, e especialmente ao Jo\u00e3o e a Paula pelo convite. Para mim, a noite foi bem bacana. Espero que para voc\u00eas todos, tamb\u00e9m. At\u00e9 a pr\u00f3xima, Juiz de Fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/amandadias\/4134376222\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/lealmeida.jpg\" alt=\"lealmeida.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Todas as fotos por Amanda Dias<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/amandadias\" target=\"_blank\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/amandadias <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do inconfund\u00edvel sotaque mineiro, Juiz de Fora \u00e9 quase Rio de Janeiro. Isso fica percept\u00edvel quando se abre o caderno de esportes do Tribuna de Minas, o maior jornal da cidade, e a \u00faltima p\u00e1gina \u00e9 dividida em quatro blocos: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. 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