{"id":2087,"date":"2009-09-15T10:28:42","date_gmt":"2009-09-15T13:28:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/15\/quem-precisa-pensar-sobre-tamanhas-bobagens\/"},"modified":"2013-01-29T22:51:34","modified_gmt":"2013-01-30T01:51:34","slug":"quem-precisa-pensar-sobre-tamanhas-bobagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/15\/quem-precisa-pensar-sobre-tamanhas-bobagens\/","title":{"rendered":"Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/allen_lax.jpg\" alt=\"Eric Lax\" \/><\/p>\n<p>&#8220;O Richard Schickel (escritor e h\u00e1 muito tempo cr\u00edtico da revista Time) escreveu um ensaio muito bom a meu respeito, dizendo que em determinado ponto o p\u00fablico me abandonava. E achei que foi a \u00fanica coisa que ele errou. Fui eu que abandonei o meu p\u00fablico; ele n\u00e3o me abandonou. O meu p\u00fablico era muito bom, e, se eu continuasse a cumprir com a minha parte do contrato, ele n\u00e3o demonstraria nenhum sinal de querer me abandonar e ser algo mais do que uma boa plat\u00e9ia afetiva. Eu \u00e9 que tomei um rumo diferente, e uma boa parcela desse p\u00fablico ficou incomodada, se sentiu tra\u00edda. N\u00e3o gostaram quando fiz &#8220;Interiores&#8221; e &#8220;Mem\u00f3rias&#8221;. Um cr\u00edtico disse que &#8220;Interiores&#8221; foi um ato de m\u00e1-f\u00e9. Achei que foi uma rea\u00e7\u00e3o exagerada. Tentei fazer um filme espec\u00edfico, e se n\u00e3o funcionou, n\u00e3o funcionou. Respeito plenamente as opini\u00f5es das pessoas para quem n\u00e3o funcionou. Mas n\u00e3o foi feito com m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n<p>Depois, &#8220;Mem\u00f3rias&#8221; decepcionou as pessoas, e ao longo dos anos o p\u00fablico ficou mais e mais incomodado comigo, sem saber direito como seria o meu pr\u00f3ximo filme, e menos seguro de que iria gostar. Muita gente ainda acha que os meus melhores filmes ficam pela \u00e9poca de &#8220;Annie Hall&#8221; e &#8220;Manhattan&#8221;, mas mesmo que esses filmes ocupem um lugar caloroso em seu cora\u00e7\u00e3o &#8211; o que me deixa muito satisfeito &#8211; est\u00e3o errados. Filmes como &#8220;Maridos e Esposas&#8221;, &#8220;A Rosa P\u00farpura do Cairo&#8221;, &#8220;Tiros na Broadway&#8221;, &#8220;Zelig&#8221; e at\u00e9 mesmo &#8220;Um Misterioso Assassinato em Manhattan&#8221; e &#8220;Poucas e Boas&#8221; s\u00e3o muito superiores. Claro, isso \u00e9 quest\u00e3o de opini\u00e3o, mas eu tenho a minha, assim como os outros t\u00eam as deles.<\/p>\n<p>Agora, \u00e9 verdade que depois de alguns filmes eu parei de pensar em popularidade e no p\u00fablico, ou no que escreviam sobre os meus filmes, mas n\u00e3o por arrog\u00e2ncia, nem algum sentimento de superioridade. S\u00f3 porque essa parte do processo &#8211; a chamada gratifica\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o estava me deixando feliz, nem satisfeito. As pessoas muitas vezes tomam erroneamente a minha timidez por indiferen\u00e7a, mas n\u00e3o \u00e9.\u00a0 Eu precisava de um centro espiritual e, sendo ateu, isso \u00e9 dif\u00edcil de encontrar. Ent\u00e3o experimentei uma sensa\u00e7\u00e3o de apatia em rela\u00e7\u00e3o ao sucesso ou fracasso, e, \u00e9 triste dizer, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida em geral. Tanto o sucesso quanto o fracasso provaram n\u00e3o significar muito para mim do jeito que pensei que fossem significar quando comecei. Nenhum dos dois contribui para a solu\u00e7\u00e3o dos verdadeiros problemas da vida.<\/p>\n<p>O lado bom de ser, como dizem os meus amigos, &#8220;imune \u00e0 cr\u00edtica&#8221;, \u00e9 ser incapaz de gozar o prazer que um sucesso retumbante traz. Isso n\u00e3o quer dizer que eu deteste dinheiro, mas, resumidamente, apesar de toda a bajula\u00e7\u00e3o do mundo, a gente continua incomodamente finito (<em>encolhe os ombros, depois ri<\/em>).\u00a0 Ent\u00e3o, como eu estava dizendo, a minha timidez e a minha inabilidade em afastar a nuvem negra que vem com a incapacidade de lidar com a realidade fazem as pessoas pensarem que sou distante e inating\u00edvel, mas n\u00e3o sou nem um pouco alheio, nem recluso &#8211; que \u00e9 outra descri\u00e7\u00e3o nada exata de mim. Por outro lado, n\u00e3o quer dizer que eu n\u00e3o concordaria com boa parte da cr\u00edtica mais severa ao meu trabalho se ouvisse cr\u00edticas. Tenho um olhar muito cr\u00edtico sobre o meu trabalho e o de outras pessoas. Antes eu lia a meu respeito, mas parei de vez, porque \u00e9 uma perda de tempo, n\u00e3o ajuda em nada o absurdo de ler que voc\u00ea \u00e9 um g\u00eanio c\u00f4mico ou que tem m\u00e1-f\u00e9. Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens?&#8221;<\/p>\n<p>Woody Allen em um dos melhores trechos do livro (<a href=\"http:\/\/www.cosacnaify.com.br\/noticias\/extra\/woody\/woody.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>) de Eric Lax.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Match Point&#8221;, de Woody Allen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/11\/sting-duck-soup-e-match-point\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Os filmes prediletos de Woody Allen em todos os tempos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/09\/03\/os-filmes-prediletos-de-woody-allen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A cinematografia de Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/04\/woody-allen-de-0-a-10-atualizado\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O Richard Schickel (escritor e h\u00e1 muito tempo cr\u00edtico da revista Time) escreveu um ensaio muito bom a meu respeito, dizendo que em determinado ponto o p\u00fablico me abandonava. 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