{"id":17905,"date":"2018-08-07T17:30:45","date_gmt":"2018-08-07T20:30:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17905"},"modified":"2018-08-07T17:30:45","modified_gmt":"2018-08-07T20:30:45","slug":"dylan-com-cafe-dia-75-alex-ross","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/08\/07\/dylan-com-cafe-dia-75-alex-ross\/","title":{"rendered":"Dylan com caf\u00e9, dia 75: Alex Ross"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17906 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/aleross.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/aleross.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/aleross-150x129.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/aleross-300x258.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Em 1998, ou seja, quase 10 anos antes de publicar sua obra prima finalista do Pulitzer Prize, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/05\/o-minimalismo-e-o-rock-and-roll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Resto \u00e9 Ru\u00eddo \u2013 Escutando o S\u00e9culo XX<\/a>\u201d (2007), o jornalista Alex Ross assistiu a 10 shows de Bob Dylan, que havia renascido (mais uma vez) das trevas com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/06\/dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time Out of Mind<\/a>\u201d um ano antes. A maratona (entre setembro e novembro de 1998) serviu de base para um longo ensaio publicado na revista The New Yorker em maio de 1999 com o t\u00edtulo \u201cThe Wanderer\u201d e recuperado nessa colet\u00e2nea de textos, \u201cEscuta S\u00f3\u201d, lan\u00e7ada em 2011. Talvez um dos melhores textos j\u00e1 escritos sobre Bob Dylan, \u201cThe Wanderer\u201d tenta entender a magia deste pobre homem destruindo quase tudo o que j\u00e1 foi falado sobre ele. De forma delirante e divertida, Alex Ross abre seu ensaio mostrando os dentes: \u201cOs Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o um pa\u00eds para homens velhos. A cultura pop \u00e9 o deleite dos ped\u00f3filos. O que fazer com um compositor de meia-idade, muito rodado, que tende para a melancolia e o absurdo? Se examinarmos o que foi escrito sobre Bob Dylan em d\u00e9cadas recentes, notaremos um desejo persistente de que o sujeito morra, para que seu eu mais jovem possa assumir seu lugar m\u00edtico\u201d. Dai pra frente, Alex enumera exemplos do \u201cdesejo persistente\u201d, e conta c\u00f4micas passagens nos shows que presenciou: \u201cEstou na Feira de Puyallup, 1998, neste sub\u00farbio agr\u00edcola de Tacoma, e entre outras atra\u00e7\u00f5es est\u00e3o presentes a vaca de uma tonelada Elmer, uma casa assombrada em miniatura montada engenhosamente na carroceria de um caminh\u00e3o, bingo com aspiradores como pr\u00eamio e Bob Dylan. (&#8230;) Quando eu disse que iria seguir Dylan na estrada, obtive v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es divertidas. (&#8230;) Alguns ficaram surpresos ao saber que ele ainda tocava em p\u00fablico (e ele faz mais de 100 shows por ano). As plateias foram mais diversificadas do que eu esperava: jovens urbanos do tipo que coleciona discos, pirados grisalhos, ex-hippies bem-vestidos, garotada do col\u00e9gio com camisetas do Grateful Dead\u201d.<\/p>\n<p>As entrevistas com o p\u00fablico s\u00e3o divertidas, mas a an\u00e1lise \u00e9 bem mais profunda. Pelo caminho da turn\u00ea, Alex visita Greil Marcus para depois questionar a defesa do velho jornalista sobre o exagerado elogio ao material qualquer nota das <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/08\/dylan-com-cafe-dia-17-basement\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Basement Tapes<\/a> (de maneira correta, mas falaremos disso no pr\u00f3ximo caf\u00e9) e sua leitura \u201cexagerada\u201d do show de Manchester, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/08\/dylan-com-cafe-dia-40-royal-albert-hall\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou o show do \u201cJudas\u201d<\/a> (discordo de Alex). Ele sacaneia o trabalho do bi\u00f3grafo Clinton Heylin (\u201cUm documento que se anula astutamente no sentido de que cada item de informa\u00e7\u00e3o aponta para uma falta maior de informa\u00e7\u00e3o\u201d), recupera uma baita cita\u00e7\u00e3o de Lester Bangs em 1981 (\u201cSe as pessoas v\u00e3o rejeitar, ou, na melhor das hip\u00f3teses, rir de Dylan agora do mesmo modo como outrora se ajoelhavam automaticamente diante dele, ent\u00e3o ningu\u00e9m vai saber se ele fizer um bom disco de novo. Elas n\u00e3o est\u00e3o ouvindo agora, o que talvez possa significar que tamb\u00e9m n\u00e3o estavam realmente ouvindo antes\u201d), analisa letras, estruturas de can\u00e7\u00f5es e opina: \u201cDesde Wagner, nenhum m\u00fasico havia sido submetido a press\u00f5es contradit\u00f3rias e irracionais desse tipo (na fase em que Bob eletrificou seu som e foi criticado pelos f\u00e3s). N\u00e3o surpreende que Dylan tenha ca\u00eddo fora depois do acidente de moto\u201d. Uma das conclus\u00f5es de Alex \u00e9 de que as respostas, as emo\u00e7\u00f5es e tudo mais est\u00e1&#8230; nas can\u00e7\u00f5es. \u201cEle sempre retira sua personalidade de cena&#8230; e deixa a m\u00fasica emergir\u201d. Ou seja, esque\u00e7a o homem, concentre-se na arte. E Alex escreve isso logo depois de se arrepiar com a oportunidade de um encontro n\u00e3o planejado com Dylan num estacionamento. Como separar? Eis a quest\u00e3o. Um texto genial presente no livro, mas que traz um ap\u00eandice no site de Alex (<a href=\"http:\/\/www.therestisnoise.com\/2008\/05\/chapter-17-i-saw-the-light.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) e que voc\u00ea pode ser lido na integra, em ingl\u00eas, por assinantes <a href=\"http:\/\/archives.newyorker.com\/?i=1999-05-10#folio=CV1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da The New Yorker aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.newyorker.com\/magazine\/1999\/05\/10\/the-wanderer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17907 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/wanderer.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"314\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/wanderer.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/wanderer-150x105.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/wanderer-300x209.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Especial Bob Dylan com Caf\u00e9<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1998, ou seja, quase 10 anos antes de publicar sua obra prima finalista do Pulitzer Prize, \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo \u2013 Escutando o S\u00e9culo XX\u201d (2007), o jornalista Alex Ross assistiu a 10 shows de Bob Dylan, que havia renascido (mais uma vez) das trevas com \u201cTime Out of Mind\u201d um ano antes. 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