{"id":17898,"date":"2018-08-05T13:00:42","date_gmt":"2018-08-05T16:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17898"},"modified":"2018-08-05T13:00:42","modified_gmt":"2018-08-05T16:00:42","slug":"10-albuns-favoritos-em-10-dias-dia-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/08\/05\/10-albuns-favoritos-em-10-dias-dia-3\/","title":{"rendered":"10 \u00e1lbuns favoritos em 10 dias: Dia 3"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17900 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/picassosfalsos.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"526\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/picassosfalsos.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/picassosfalsos-128x150.jpg 128w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/picassosfalsos-257x300.jpg 257w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Entre outras coisas (sequestro da liberdade, tortura, assassinatos, corrup\u00e7\u00e3o), a Ditadura Militar Brasileira enfraqueceu a MPB com censura, extradi\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as. No fim do regime, j\u00e1 nos anos 80, a MPB n\u00e3o tinha for\u00e7as nem para jogar uma p\u00e1 de cal numa Ditadura moribunda, e coube ao rock, notadamente anglo-sax\u00e3o (e \u201cinspirado\u201d em Smiths, U2, Gang of Four, The Jam, The Police, Buzzcocks), cantar que a gente era in\u00fatil para escolher presidente (e parece que ainda somos), mandar coelhinhos peludos se foderem enquanto a quest\u00e3o central permanecia sem resposta: que pa\u00eds \u00e9 este? Em 1988, por\u00e9m, um disco reconectou o Brasil com seu passado mirando um futuro carnavalesco e psicod\u00e9lico ao juntar Jimi Hendrix e Noel Rosa, o Gil de \u201cPega a Voga, Cabeludo\u201d (1968), o Led Zeppelin de \u201cWhole Lotta Love\u201d e a batida suingante de Jorge Ben, estandartes em plena avenida, pierrots apaixonados, Wolverine e navegantes aflitos, tudo isso de uma maneira&#8230; \u201cSupercarioca\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dtubl7dj0eE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Uma obra prima daqueles anos em que \u201cenquanto perd\u00edamos tudo, a trag\u00e9dia vira festa de um calor quente e tropical\u201d, o segundo disco dos Picassos Falsos soava muito, mas muito \u00e0 frente de seu tempo ao tentar reconectar um Brasil que os anos de chumbo haviam soterrado utilizando o mantra de um p\u00f3s punk que encontra um samba torto perto do Cristo Redentor e o entorpece de riffs de guitarra, batidas nervosas de viol\u00e3o e microfonia decorando-o com a mais bela poesia das ruas. Ouvindo hoje, \u201cSupercarioca\u201d \u00e9 praticamente um retrato de um Rio, em primeiro plano, e de um novo Brasil que desembocaria, anos depois, nos saques a supermercados do triste final do governo de Fernando Collor, e no Brasil que vemos hoje. \u201cChamam de p\u00e1tria nossa mis\u00e9ria, tanta folia\u201d, canta Humberto Effe em \u201cFevereiro 2\u201d. J\u00e1 em \u201cFevereiro 1\u201d, ele avisa: \u201cUm navegante pronunciou aflito com seus escritos e s\u00f3 \/ Que uma cidade julgada a mais bela em poucos dias viraria p\u00f3\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EIdaeevWgWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Um cl\u00e1ssico subestimado, \u201cSupercarioca\u201d \u00e9 um disco de hinos carnavalescos roqueiros. Mais do que \u201cBora Bora\u201d (apesar de \u201cSanfona\u201d &lt;3), mais do que Mauro e Quit\u00e9ria em \u201cMis\u00e9ria\u201d, mais do que \u201cO Estrangeiro\u201d, esse \u00e9 o disco que me reconectou com o Brasil numa \u00e9poca em que todo mundo queria soar ingl\u00eas para, talvez, esquecer um pa\u00eds que, durante anos, havia nos maltratado, com paus de arara, choques el\u00e9tricos e afogamentos, um Brasil que havia nos tra\u00eddo. \u201cEstou feliz por quem j\u00e1 n\u00e3o existe\u201d, define a letra de \u201cBolero\u201d, uma das grandes can\u00e7\u00f5es de um \u00e1lbum repleto de grandes can\u00e7\u00f5es. Pode parecer estranho que um paulistano morador da Mo\u00f3ca e nascido no bairro do Belenzinho, que viveu quase duas d\u00e9cadas no interior paulista tenha sido t\u00e3o tocado por um disco supercarioca, mas aconteceu. Felizmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XGP3O8zuT2s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FCWiVovzItQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jEBTEBz9jv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/10favoritos\/\">10 discos favoritos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre outras coisas (sequestro da liberdade, tortura, assassinatos, corrup\u00e7\u00e3o), a Ditadura Militar Brasileira enfraqueceu a MPB com censura, extradi\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as. 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