{"id":17429,"date":"2018-04-25T09:50:53","date_gmt":"2018-04-25T12:50:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17429"},"modified":"2018-05-20T17:25:27","modified_gmt":"2018-05-20T20:25:27","slug":"dylan-com-cafe-dia-49-modern-times__trashed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/25\/dylan-com-cafe-dia-49-modern-times__trashed\/","title":{"rendered":"Dylan com caf\u00e9, dia 49: Modern Times"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17430 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 49: Cinco ap\u00f3s \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/10\/dylan-com-cafe-dia-41-love-and-theft\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Love and Theft<\/a>\u201d (2001), seu \u00faltimo disco de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas chegar \u00e1s lojas, Bob estava novamente em est\u00fadio. Desde \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/06\/dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Time Out of Mind<\/a>\u201d (1997) que Dylan via sua fama atual crescer entre um p\u00fablico mais jovem e ainda que achasse que estava \u201cno inferno do esquecimento cultural\u201d, as paradas o desmentiam: \u201cTime Out of Mind\u201d bateu na 10\u00aa posi\u00e7\u00e3o dos discos mais vendidos da Billboard enquanto \u201cLove and Theft\u201d chegou no n\u00famero 5. O document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/19\/dylan-com-cafe-dia-47-no-direction-home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No Direction Home<\/a>\u201d, de Martin Scorsese, havia jogado mais lenha na fogueira preparando o territ\u00f3rio para o segundo turning point de Dylan no novo s\u00e9culo, apropriadamente chamado de \u201cModern Times\u201d (2006). Da banda que o acompanhava em \u201cLove and Theft\u201d e na Never Ending Tour restava apenas o baixista Tony Garnier, mas o sucesso daquele disco, com produ\u00e7\u00e3o assinada pelo pr\u00f3prio Bob (sob o codinome de Jack Frost), fez com que ele novamente assumisse a responsabilidade. Lan\u00e7ado em agosto de 2006, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/09\/28\/os-tempos-modernos-de-bob-dylan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Modern Times<\/a>\u201d levava a um novo patamar a discuss\u00e3o de \u201camor e roubo\u201d do disco anterior roubando (por amor) velhos blues, rocks e countrys de eras passadas e os recriando com novos versos e adapta\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17431 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"542\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes2.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/moderntimes2-249x300.jpg 249w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Do alto de seus 65 anos, Bob lan\u00e7ava um disco que n\u00e3o era para a molecada dan\u00e7ar na balada urrando as letras (para isso existia um \u2013 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ff0oWESdmH0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00f3timo<\/a> \u2013 single do Killers) muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no p\u00e3o no caf\u00e9 da manh\u00e3. Dylan precisa de mais aten\u00e7\u00e3o. \u201cModern Times\u201d \u00e9 um disco de tem\u00e1tica quase antag\u00f4nica, falando sobre sexo e morte. E tamb\u00e9m sobre amor. E tamb\u00e9m sobre um mundo que est\u00e1 se desintegrando na frente dos nossos olhos. Ser\u00e1 tudo a mesma coisa? \u00c9 um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fuma\u00e7a de cigarro num bal\u00e9 melanc\u00f3lico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis d\u00e9cadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solit\u00e1rio e vazio. Mas o pr\u00f3prio, <a href=\"https:\/\/usatoday30.usatoday.com\/life\/music\/news\/2006-08-28-bob-dylan_x.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista ao jornal USA Today<\/a>, atestava que n\u00e3o h\u00e1 nada de nost\u00e1lgico no \u00e1lbum. Ele estava falando do agora, do tempo sombrio que est\u00e1vamos, todos, vivendo (ainda estamos!). Uma de suas inspira\u00e7\u00f5es foi o poeta romano P\u00fablio Ov\u00eddio Naso, nascido 43 anos antes de Cristo (os livros \u201cA Arte do Amor\u201d, &#8220;Black Sea Letters&#8221;, \u201cTristia \u2013 Vol 2\u201d e \u201cTristia \u2013 Vol 4\u201d emprestam versos para o \u00e1lbum).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan - Thunder On The Mountain (Video)\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0RPkJeziNyI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cThunder On The Mountain\u201d abre o disco no formato rock cl\u00e1ssico, com direito a guitarra solando e um interlocutor que gostaria de saber onde encontrar Alicia Keys. A mesma levada pode ser ouvida na suave \u201cSomeday Baby\u201d (uma can\u00e7\u00e3o inspirada em Muddy Waters que rendeu a Dylan mais um Grammy) e na soturna \u201cThe Levee\u2019s Gonna Break\u201d (tamb\u00e9m roubada pelo Led Zeppelin no \u00e1lbum \u201cIV\u201d), com Dylan cantando de forma direta nesta \u00faltima: \u201cSe continuar chovendo, o dique vai quebrar\u201d (uma ponte com \u201cA Hard Rain&#8217;s A-Gonna Fall\u201d). O blueza\u00e7o \u201cRollin\u2019 and Thumblin\u201d (com jeit\u00e3o Robert Johnson de ser e tamb\u00e9m gravada por Eric Clapton em seu famoso discos \u201cUnplugged MTv\u201d) acelera em dire\u00e7\u00e3o ao rockabilly. De sotaque jazz, \u201cSpirit on the Water\u201d fala de pesadelos. \u201cEu estou suando sangue\u201d, diz a letra. \u201cWhen the Deal Goes Down\u201d, cujo clipe traz a musa Scarlett Johansson, \u00e9 uma balada folk que n\u00e3o revela em sua levada a tem\u00e1tica pesada da letra que procura um sentido em estar vivo, e diz a certa altura: \u201cN\u00f3s vivemos e n\u00f3s morremos, e n\u00e3o sabemos porqu\u00ea\u201d. O clima se acalma na suavidade de \u201cBeyond the Horizon\u201d, que imagina: \u201cAl\u00e9m do horizonte \u00e9 f\u00e1cil amar\u201d. Lembra o Rei Roberto em sua fase p\u00f3s-Jovem Guarda dizendo que \u201cAl\u00e9m do horizonte existe um lugar bonito e tranq\u00fcilo pra gente se amar\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan - When the Deal Goes Down (Video)\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CEoGqUqy-0w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O clima volta a pesar na arrastada \u201cNettie Moore\u201d e fica ainda mais sombrio em \u201cAin\u2019t Talkin&#8217;\u201d, faixa que encerra o disco com Dylan contando \u201cque n\u00e3o h\u00e1 nenhum altar nessa estrada longa e solit\u00e1ria\u201d. Dentre todas estas, a que merece maior aten\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cWorking Man\u2019s Blues #2\u201d, can\u00e7\u00e3o que atualiza para os tempos modernos um velho country de Merle Haggard. Enquanto o original versava sobre como o trabalho comprara o espa\u00e7o da divers\u00e3o (na letra, ap\u00f3s uma semana de batente e muito cansa\u00e7o, o cara planeja sair para beber uma cerveja quando o pagamento chegar), \u201cWorking Man\u2019s Blues #2\u201d avan\u00e7a criticando n\u00e3o s\u00f3 esse capitalismo que vendeu um sonho e acabou, no fim, comprando a alma de todos, mas tamb\u00e9m suas conseq\u00fc\u00eancias, entre elas a mais vis\u00edvel: a divis\u00e3o do povo em ricos e pobres. \u201cWorking Man\u2019s Blues #2\u201d consegue ser ainda, do alto de seus seis minutos, uma bel\u00edssima can\u00e7\u00e3o de amor. O resultado: \u201cModern Times\u201d foi (30 anos depois!) o quarto disco de Bob Dylan a bater no n\u00famero 1 da Billboard (os outros: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/05\/dylan-com-cafe-dia-14-planet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Planet Waves<\/a>\u201d, de 1974; \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/07\/dylan-com-cafe-dia-16-blood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blood on The Tracks<\/a>\u201d, de 1975; e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/09\/dylan-com-cafe-dia-18-desire\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Desire<\/a>\u201d, de 1976) rendendo a ele o raro t\u00edtulo de artista mais velho a emplacar um \u00e1lbum no topo das paradas norte-americanas. \u201cModern Times\u201d tamb\u00e9m apareceu no topo de diversas listas de Melhores do Ano (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/outros\/listas\/2007discointernacional.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a do Scream &amp; Yell, inclusive<\/a> &#8211; deixando Raconteurs, TV On The Radio, Cat Power e Sonic Youth para tr\u00e1s) e foi <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/03\/07\/bob-dylan-e-o-retrato-borrado-da-era-de-ouro-do-rock-n-roll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a base do show que Bob fez no Brasil em 2008<\/a>. Bob Dylan nunca havia deixado o cen\u00e1rio da m\u00fasica pop, mas, para muitos, essa foi uma volta aos holofotes. E que volta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan -Working Mans Blues\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YPPbQexwTR4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\"><em>Especial Bob Dylan com Caf\u00e9<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 49: Cinco ap\u00f3s \u201cLove and Theft\u201d (2001), seu \u00faltimo disco de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas chegar \u00e1s lojas, Bob estava novamente em est\u00fadio. Desde \u201cTime Out of Mind\u201d (1997) que Dylan via sua fama atual crescer entre um p\u00fablico mais jovem e ainda que achasse que estava \u201cno inferno do esquecimento cultural\u201d, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[248],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17429"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17429"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18608,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17429\/revisions\/18608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}