{"id":17288,"date":"2018-04-06T12:14:56","date_gmt":"2018-04-06T15:14:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17288"},"modified":"2018-04-06T14:52:37","modified_gmt":"2018-04-06T17:52:37","slug":"dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/06\/dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind\/","title":{"rendered":"Dylan com caf\u00e9, dia 39: Time Out of Mind"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17289 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/timeout.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/timeout.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/timeout-300x291.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 39: Ap\u00f3s o lan\u00e7amento de seu \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/04\/dylan-com-cafe-dia-38-mtv-unplugged\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unplugged MTv<\/a>\u201d, Dylan seguiu estrada afora com sua banda na Never Ending Tour. Foram 115 shows em 1995 e 84 em 1996, com uma pausa entre novembro e fevereiro de 1997. Naquele inverno nevado em sua fazenda no Minnesota, Bob escreveu uma s\u00e9rie de novas can\u00e7\u00f5es que, segundo ele, partilhavam de um mesmo ceticismo: \u201cS\u00e3o can\u00e7\u00f5es mais preocupadas com as realidades duras da vida do que com o idealismo cor-de-rosa e cintilante t\u00e3o popular nos dias de hoje\u201d. Ap\u00f3s sete anos sem material in\u00e9dito, Bob entrou em est\u00fadio em janeiro de 1997 escudado por Daniel Lanois para esbo\u00e7ar os arranjos do novo material. Eles n\u00e3o trabalhavam juntos desde \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/27\/dylan-com-cafe-dia-32-oh-mercy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oh Mercy<\/a>\u201d (1989), e o clima no est\u00fadio em muito lembrava aquelas sess\u00f5es, com Dylan e Lanois discutindo intensamente sobre o rumo de cada uma das can\u00e7\u00f5es, num processo de queda de bra\u00e7o criativo que, normalmente, terminava no estacionamento, com Bob e Daniel argumentando suas ideias longe da banda. No in\u00edcio das sess\u00f5es, Dylan mandou uma declara\u00e7\u00e3o por escrito \u00e0 sua gravadora: \u201cAntes de gravar essas m\u00fasicas, Daniel e eu conversamos sobre elas, sobre como deveriam soar longas. A m\u00fasica em si possui um efeito t\u00e3o potente quanto \u00e0s letras, e isso \u00e9 proposital. Trata-se de um \u00e1lbum perform\u00e1tico, n\u00e3o po\u00e9tico, liter\u00e1rio. Sentimos a m\u00fasica, mais do que pensamos nela\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan - Not Dark Yet\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RZgBhyU4IvQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>As sess\u00f5es aconteceram entre 13 e 28 de janeiro de 1997, e a banda tocava o novo material ao vivo cerca de 12 horas por dia \u2013 o bruto de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas gravadas renderia facilmente dois novos discos. Lanois seguiu na produ\u00e7\u00e3o enquanto Dylan dizia: \u201cAcho que esse novo disco pode ser chocante por sua aspereza\u201d. Ent\u00e3o em maio Bob foi diagnosticado com histoplasmose, uma micose sist\u00eamica que afeta \u00f3rg\u00e3os internos (principalmente pulm\u00e3o) e \u00e9 causada por um fungo transmitido por aves e morcegos. O homem cancelou dois meses de shows da Never Ending Tour e, por muito pouco, \u201cTime Out of Mind\u201d (1997) n\u00e3o foi um disco p\u00f3stumo. Em agosto, por\u00e9m, Dylan j\u00e1 estava recuperado e de volta \u00e0 estrada, e o novo disco, lan\u00e7ado em setembro, receberia os maiores elogios da carreira de Dylan desde \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/07\/dylan-com-cafe-dia-16-blood\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blood on The Tracks<\/a>\u201d (1975). As cr\u00edticas variavam de \u201c73 minutos de genialidade\u201d a \u201cDylan em seu \u00e1pice criativo\u201d e \u201co \u00e1lbum se atreve a tratar de mortalidade e \u00e9 chocante em sua amargura\u201d.\u00a0A defini\u00e7\u00e3o do biografo Brian Hinton para a esplendorosa faixa de abertura, \u201cLove Sick\u201d, \u00e9 t\u00e3o primorosa quanto \u00e0 m\u00fasica: \u201cSoa como psicodelia desacelerada, \u2018I Put A Spell On You\u2019 tocada em um hosp\u00edcio\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"White Stripes - Love Sick\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ktBq4Fcksa0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Outra boa defini\u00e7\u00e3o de Brian: \u201cA can\u00e7\u00e3o \u2018Dirt Road Blues\u2019 \u00e9 como se Charley Patton tivesse vivido o bastante para gravar nos est\u00fadios da Sun Records nos anos 50\u201d. Em \u201cStanding In The Doorway\u201d, uma suavemente desesperada can\u00e7\u00e3o de abandono anestesiada por melancolia, Bob canta: \u201cEu sei que a miseric\u00f3rdia de Deus deve estar pr\u00f3xima\u201d. J\u00e1 \u201cMillion Miles\u201d \u00e9 um blues em marcha f\u00fanebre enquanto \u201cTryin&#8217; To Get To Heaven\u201d inspirou uma das melhores can\u00e7\u00f5es de Marcelo Nova. Especialista em \u201cemprestar\u201d trechos de can\u00e7\u00f5es de outros artistas (muitas vezes can\u00e7\u00f5es inteiras), Bob incluso, ao ouvir esta can\u00e7\u00e3o, Nova titubeou: &#8220;Eu estava traduzindo &#8216;Tryin&#8217; To Get To Heaven&#8217;, em que o Dylan diz que est\u00e1 tentando entrar no c\u00e9u antes que fechem a porta, e fiquei dias pensando nisso at\u00e9 concluir: eu n\u00e3o quero entrar no c\u00e9u. Da\u00ed surgiu a poderosa \u2018A Balada do Perdedor\u2019\u201d. No r&amp;b retr\u00f4 \u201c\u2019Til I Fell In Love With You\u201d, Dylan canta que sua casa est\u00e1 em chamas, e lamenta: \u201cAchei que choveria, mas as nuvens passaram reto\u201d. O primeiro anti-single do disco foi \u201cNot Dark Yet\u201d, uma fantasmag\u00f3rica e maravilhosa can\u00e7\u00e3o sobre a desintegra\u00e7\u00e3o de um relacionamento. \u201cE, vamos ser sinceros, com tamanho deleite sobre sua pr\u00f3pria amargura\u201d, pontua Hilton. Para Emmylou Harris, essa \u00e9 a melhor m\u00fasica j\u00e1 composta sobre&#8230; envelhecer. Calma, h\u00e1 mais: A pr\u00f3xima, &#8220;Cold Irons Bound&#8221;, ganhou o Grammy de 1998 como Melhor Performance Vocal Masculina (outros dois Grammys foram concedidos ao disco: Melhor \u00c1lbum do Ano e Melhor \u00c1lbum Folk), e Daniel Lanois d\u00e1 um show colocando a voz de Dylan mil\u00e9simos \u00e0 frente dos instrumentos, rebeldes, nervosos, e tudo soa puro farrapo: \u201c\u00c9 t\u00e3o triste ver a decad\u00eancia da beleza\u201d, canta Dylan, concluindo: \u201cMais triste ainda \u00e9 sentir seu cora\u00e7\u00e3o sendo arrancado\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bob Dylan - Cold Irons Bound (Live Video)\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9hO-83CIVKM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Com a banda na mesma pegada desconstru\u00edda, nervosamente jazzy &amp; blues, \u201cCan\u2019t Wait\u201d trata o amor como uma condena\u00e7\u00e3o. Para encerrar, a mais longa faixa cantada por Dylan em um \u00e1lbum de est\u00fadio, e assim que terminou a sess\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o de \u201cHighlands\u201d, um cara da gravadora perguntou: \u201cBob, voc\u00ea tem uma vers\u00e3o curta dessa can\u00e7\u00e3o?\u201d. E Bob respondeu: \u201cEssa \u00e9 a vers\u00e3o curta!\u201d. S\u00e3o 16 minutos e 32 segundos (e ele n\u00e3o estava brincando: h\u00e1 uma vers\u00e3o de 27 minutos dessa mesma can\u00e7\u00e3o!) de um blues lento que vai num crescendo suave enquanto Bob narra acontecimentos nonsense, como estar ouvindo Neil Young e ter \u201cque aumentar o som\u201d, ou estar em um restaurante em Boston sem ter ideia do que quer comer. \u00c9 a t\u00edpica can\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel (Bob j\u00e1 fez v\u00e1rias dessas), em que o verso atual puxa um pr\u00f3ximo verso e assim por diante, encerrando um \u00e1lbum grandioso, marcado pela dor, pelo desamor e pelo envelhecimento. Sucesso de cr\u00edtica e p\u00fablico, \u201cTime Out of Mind\u201d foi o primeiro \u00e1lbum de Dylan no Top 10 dos mais vendidos da Billboard em quase 20 anos (o \u00faltimo havia sido \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/03\/14\/dylan-com-cafe-dia-22-slow-train\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slow Train Coming<\/a>\u201d, em 1979) e inaugura uma nova fase na carreira do bardo. Assim como \u201cOh Mercy\u201d, Dylan, no entanto, n\u00e3o ficou t\u00e3o satisfeito com o resultado da produ\u00e7\u00e3o de Lanois (ou, como algu\u00e9m certa vez escreveu \u2013 sobre \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chaos and Creation in the Backyard<\/a>\u201d, o \u00faltimo grande disco de Paul McCartney, produzido pelo genial Nigel Godrich: um bom produtor tira qualquer artista de sua zona de conforto, mas poucos grandes artistas est\u00e3o dispostos a esse exerc\u00edcio de caos e cria\u00e7\u00e3o), e passar\u00e1 a produzir ele mesmo seus futuros discos de est\u00fadio.<\/p>\n<p>Ps. Segundo o amigo @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/garrasverdes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">garrasverdes<\/a> (do Selo 180) <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/BhO6Ydhgwhm\/?taken-by=screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Instagram<\/a>:\u00a0\u00a0&#8220;Em vinil, teve uma tiragem pequena na \u00e9poca do lan\u00e7amento e ficou anos fora de cat\u00e1logo. Custava uma fortuna. Mas a procura era tamanha que pintaram umas prensagens piratas (em vinil colorido\/marmorizado). Alguns anos atr\u00e1s o selo Music On Vinyl reeditou o LP duplo oficialmente&#8221;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marcelo Nova - A balada do perdedor  &quot;DVD Hoje no Bolshoi&quot; Oficial\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lmckQWqhMmE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/bob-dylan-com-cafe\/\">Especial Bob Dylan com Caf\u00e9<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bob Dylan com caf\u00e9, dia 39: Ap\u00f3s o lan\u00e7amento de seu \u201cUnplugged MTv\u201d, Dylan seguiu estrada afora com sua banda na Never Ending Tour. Foram 115 shows em 1995 e 84 em 1996, com uma pausa entre novembro e fevereiro de 1997. Naquele inverno nevado em sua fazenda no Minnesota, Bob escreveu uma s\u00e9rie de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[248],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17288"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17288"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17288\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17299,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17288\/revisions\/17299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}