{"id":17283,"date":"2018-04-05T11:42:49","date_gmt":"2018-04-05T14:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=17283"},"modified":"2022-03-22T23:49:29","modified_gmt":"2022-03-23T02:49:29","slug":"algumas-palavras-sobre-o-miranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/05\/algumas-palavras-sobre-o-miranda\/","title":{"rendered":"Algumas palavras sobre o Miranda"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-17284 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/miranda.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/miranda.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/miranda-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>A pedido da SIM S\u00e3o Paulo, escrevi algumas palavras sobre o amigo Carlos Eduardo Miranda, que nos deixou recentemente:<\/p>\n<p><em>\u201cSe n\u00e3o existisse o Miranda, talvez a hist\u00f3ria do rock brasileiro a partir dos anos 90 fosse completamente outra\u201d, escreveu Samuel Rosa (Skank) no Instagram. \u201cPerdemos nosso Guru da m\u00fasica e arte, um homem sem fronteiras, explorador do estranho, esquisito e legal\u201d, disseram os Raimundos, no Facebook. \u201cTalvez voc\u00ea n\u00e3o saiba, mas, nos \u00faltimos 25 anos, sua vida tem sido influenciada pelo Miranda\u201d, pontuou o m\u00fasico Giancarlo Rufatto, no Twitter, no dia em que as redes sociais se uniram para saudar a sabedoria de Carlos Eduardo Miranda, falecido na quinta-feira, 25, aos 56 anos.<\/em><\/p>\n<p><em>Miranda era tudo isso\u2026 e muito mais. Em sua coluna de estreia, na saudosa revista General, de dezembro de 1993, ap\u00f3s anos escrevendo na revista Bizz, ele batia no peito e escancarava em tom de bravata: \u201cComo inventei o rock ga\u00facho\u201d. Ironicamente, naquele mesmo momento ele estava \u201cinventando\u201d o rock nacional dos anos 90. Enquanto toda a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica da \u00e9poca estendia um tapete vermelho para a m\u00fasica sertaneja e arremessava p\u00e1s de cal sobre o rock, Miranda estava cercado de fitas K7 arquitetando a revolu\u00e7\u00e3o que lan\u00e7aria, atrav\u00e9s do selo Banguela Records (em parceria com os Tit\u00e3s), nomes como Raimundos, Mundo Livre S\/A, Little Quail and Mad Birds, Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica e Maskavo Roots. Era s\u00f3 o primeiro passo.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO contrato dos Raimundos foi assinado numa roda de chopp, num barzinho em Ipanema\u201d, relembrou ele em outra coluna da revista General. \u201cO Little Quail, um dia depois do Mundo Livre S\/A, tamb\u00e9m assinou na praia e em mesa de bar. Dessa vez no Leblon. Mais um dia e eu comemorava a assinatura do Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica com uma cervejada no Timbuca, na Assun\u00e7\u00e3o, em Porto Alegre. Na beira do rio Gua\u00edba, arquibancada para o mais tradicional p\u00f4r-do-sol sulista e brodagens gerais\u201d, completava Miranda para, no par\u00e1grafo seguinte, cantar a bola do ver\u00e3o 94\/95: \u201cPor sinal, o Maskavo Roots vai se dar bem nesse ver\u00e3o. Eles, o Skank\u2026 \u00c9 reggae na cabe\u00e7a\u201d. E n\u00e3o \u00e9 que o Velhinho estava certo?<\/em><\/p>\n<p><em>Ele n\u00e3o parou. Muito pelo contr\u00e1rio. Depois de virar os anos 90 do avesso, Miranda adentrou o novo s\u00e9culo arquitetando outro belo movimento de xadrez no tabuleiro da m\u00fasica brasileira. E quando a Internet come\u00e7ou a se tornar realidade em um Brasil ainda navegando em conex\u00f5es discadas, l\u00e1 estava ele \u00e0 frente da Trama Virtual, uma plataforma gratuita focada em m\u00fasica independente que criou um espa\u00e7o para novas bandas mostrarem seu trabalho. De Teatro M\u00e1gico a M\u00f3veis Coloniais De Acaju, de Hateen a Vanguart, de Jupiter Ma\u00e7\u00e3 a Fresno (que ocupou por muito tempo as paradas da plataforma), de Nuno Prata (Portugal) a Cansei de Ser Sexy, que foi a primeira banda a lan\u00e7ar um disco pelo selo, para depois se transformar em um sucesso mundial.<\/em><\/p>\n<p><em>Se um \u00e9 pouco e dois \u00e9 bom, tr\u00eas \u201c\u00e9 s\u00f3 alegria\u201d. No mesmo momento em que come\u00e7ava a se tornar um nome reconhecido nacionalmente atrav\u00e9s de programas de TV, Miranda tamb\u00e9m iniciava um relacionamento amoroso pela m\u00fasica paraense que renderia muitos frutos: ele dirigiu as tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es do Terru\u00e1 Par\u00e1, projeto grandioso envolvendo dezenas de m\u00fasicos da regi\u00e3o que aconteceu nos anos de 2006, 2011 e 2013, sendo que, nesse \u00faltimo ano, o show foi eleito como o melhor projeto especial na categoria M\u00fasica Popular, pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte (APCA). Depois trabalhou nos discos de Gaby Amarantos, Jaloo e Sammliz. J\u00e1 \u00e0 frente do selo StereoMono, tamb\u00e9m lan\u00e7ou Mahmundi e Boogarins. Miranda n\u00e3o era apaixonado por um estilo de m\u00fasica, mas sim pela m\u00fasica como um todo, por qualquer boa m\u00fasica.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas muito mais que m\u00fasico, jornalista, cr\u00edtico, produtor, curador, agitador, dono de selos (al\u00e9m do Banguela Records, Miranda montou a Excelente Discos, que lan\u00e7ou o Virguloides \u2013 do hit \u201cBagulho no Bumba\u201d \u2013 e tamb\u00e9m o Acabou La Tequila, influ\u00eancia assumida de outro grupo que faria sucesso nos anos 2000: Los Hermanos) e jurado de programa de TV, Miranda foi um dos maiores articuladores e influenciadores que a m\u00fasica brasileira j\u00e1 teve. Por tr\u00e1s das c\u00e2meras, era um pesquisador incans\u00e1vel de novos sons e acompanhava atentamente a carreira dos jovens artistas que admirava. Fonte inesgot\u00e1vel de boas ideias, se tornou uma esp\u00e9cie de guia e refer\u00eancia para quem criava ou produzia no mundo musical. Tem um projeto novo? Pergunta pro Miranda o que ele acha. Escreveu uma m\u00fasica nova? Manda pro Miranda dar uma escutada. E ele sempre tinha a resposta certa pra dar, como um bom amigo.<\/em><\/p>\n<p><em>Se n\u00e3o fosse ele, a m\u00fasica brasileira n\u00e3o teria alcan\u00e7ado muitos dos n\u00edveis de criatividade que alcan\u00e7ou nos \u00faltimos 30 anos. Miranda ajudou a mudar o mercado muitas vezes, injetando sabedoria, humanidade e bom humor. \u201cEu acho que n\u00e3o conhe\u00e7o outra pessoa que mudou tantas vidas como ele\u201d, comentou Adriano Cintra, ex-Cansei de Ser Sexy, em seu Facebook. \u201cA minha com certeza ele mudou\u201d, completou. A sua tamb\u00e9m, caro leitor, pode acreditar.<\/em><\/p>\n<p>*****<\/p>\n<p>. E junto com os amigos\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/rockemgeral\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcos Bragatto<\/a>, do site\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rockemgeral.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rock em Geral<\/a>,\u00a0 e\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/rodrigojames\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rodrigo James<\/a>, do\u00a0<a href=\"http:\/\/esquemanovo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Esquema Novo<\/a>, gravamos um v\u00eddeo mais emocional contando nossas hist\u00f3rias e nossos \u00e1lbuns favoritos produzidos pelo Miranda. Assista abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5Ep3L3GE95c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/scream-yell-discos\/\">Mais Scream &amp; Yell Videos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pedido da SIM S\u00e3o Paulo, escrevi algumas palavras sobre o amigo Carlos Eduardo Miranda, que nos deixou recentemente: \u201cSe n\u00e3o existisse o Miranda, talvez a hist\u00f3ria do rock brasileiro a partir dos anos 90 fosse completamente outra\u201d, escreveu Samuel Rosa (Skank) no Instagram. \u201cPerdemos nosso Guru da m\u00fasica e arte, um homem sem fronteiras, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50,3,106,17],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17283"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17283"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17283\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18961,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17283\/revisions\/18961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}