{"id":16819,"date":"2018-02-15T09:15:52","date_gmt":"2018-02-15T12:15:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16819"},"modified":"2018-02-15T09:53:15","modified_gmt":"2018-02-15T12:53:15","slug":"bruce-springsteen-explica-born-in-the-usa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/02\/15\/bruce-springsteen-explica-born-in-the-usa\/","title":{"rendered":"Bruce Springsteen explica &#8220;Born in the USA&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16820 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born2.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born2.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born2-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born2-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><em>&#8220;Alguns livros, algumas palhetas de guitarra espalhadas e um suporte de gaita se digladiavam com as migalhas de um lanche, roubando espa\u00e7o do meu bloco de notas. Um abajur antigo iluminava o roteiro que estava em cima da mesa e que havia sido enviado por Paul Schrader, roteirista que havia escrito \u201cTaxi Driver\u201d e \u201cVivendo na Corda Bamba\u201d, dois dos meus filmes favoritos dos anos 70. Toquei alguns acordes na minha Gibson J200 queimada pelo sol, percorri as folhas do meu bloco de notas, parei numa p\u00e1gina e murmurei o verso de uma can\u00e7\u00e3o em que estava trabalhando sobre os veteranos da Guerra do Vietn\u00e3 que voltavam para casa. Dei uma olhada na primeira p\u00e1gina do roteiro ainda por ler e cantei o t\u00edtulo: \u201cBorn in the USA\u201d.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rZRznZ50JU0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Peguei \u201cBorn in the USA\u201d diretamente do roteiro do Schrader, uma hist\u00f3ria sobre as aventuras e desventuras de uma banda de bar de Cleveland, Ohio, que acabou por ser lan\u00e7ado com o t\u00edtulo de \u201cLight of Day\u201d em 1987 (no Brasil, \u201cLuz da Fama\u201d), incluindo uma can\u00e7\u00e3o minha com o mesmo t\u00edtulo, tentativa educada de retribuir ao Paul aquele roubo imprevisto que acabaria por dar um empurr\u00e3o \u00e0 minha carreira. No est\u00fadio Hit Factory, observei que tinha em m\u00e3os uma letra, um grande t\u00edtulo, dois acordes e um riff de sintetizador, mas n\u00e3o tinha um arranjo. Era o nosso segundo take. Um turbilh\u00e3o de som vindo do amplificador Marshall soou nos meus fones. Comecei a cantar. A banda me seguiu de perto num arranjo improvisado e, na bateria, Max Weinberg fez uma de suas melhores atua\u00e7\u00f5es em est\u00fadio. 4 minutos e 39 segundos depois, \u201cBorn in The USA\u201d, a m\u00fasica, ficava pronta. Soava como se tiv\u00e9ssemos conseguido prender um rel\u00e2mpago dentro de uma garrafa.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EPhWR4d3FJQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>13 anos depois do fim da Guerra do Vietn\u00e3, escrevi e gravei a minha hist\u00f3ria de um soldado. Era uma can\u00e7\u00e3o de protesto, e quando a ouvi trovejando atrav\u00e9s das gigantescas colunas do est\u00fadio, soube logo que era uma das melhores coisas que j\u00e1 tinha feito. Era um blues de soldado americano, em que os versos eram um relato do que aconteceu, e o refr\u00e3o uma declara\u00e7\u00e3o da \u00fanica coisa que jamais poderia lhe ser negada: o lugar do nascimento, o direito a todo o sangue, confus\u00e3o, b\u00ean\u00e7\u00e3os e gra\u00e7a que vinham com ele. Ao darmos corpo e alma, ganhamos o direito de reclamar e moldar o peda\u00e7o de terra onde nascemos.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cBorn in The USA\u201d se mant\u00e9m como uma das minhas melhores e mais incompreendidas can\u00e7\u00f5es. A combina\u00e7\u00e3o dos seus vers\u00f5es blues \u201cpara baixo\u201d com o refr\u00e3o declarativo \u201cpara cima\u201d, a exig\u00eancia do direito de ter uma voz patri\u00f3tica \u201ccr\u00edtica\u201d, juntamente com o orgulho do lugar onde se nasce, parecia ser conflituosa demais (ou simplesmente inc\u00f4moda!) para ouvidos despreocupados e menos perspicazes. \u00c9 assim, meu amigo, que a bola do pop pol\u00edtico pode rolar. Os discos s\u00e3o, muitas vezes, testes auditivos de Rorschach: ouvimos aquilo que queremos ouvir.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wnvCPQqQWds?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Durante anos e anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do meu \u00e1lbum campe\u00e3o de vendas, na \u00e9poca do Halloween, havia sempre criancinhas com bandanas vermelhas batendo \u00e0 minha porta, com seus sacos de doces ou travessuras na m\u00e3o e cantando \u201dI was born in the USA\u201d. A can\u00e7\u00e3o \u201cThis Land Is Your Land\u201d, de Woody Guthrie, acabou tendo o mesmo destino, tornando-se presen\u00e7a habitual nas f\u00e9rias em acampamentos, mas isso n\u00e3o me fazia sentir melhor (quanto Pete Seeger e eu cantamos \u201cThis Land Is Your Land\u201d na posse do presidente Barack Obama, um dos pedidos do Pete foi que cant\u00e1ssemos todos os contraversos escritos por Woody, pois ele queria recuperar a radicalidade da can\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n<p><em>Em 1984, ainda por cima um ano de elei\u00e7\u00f5es, com o Partido Republicano querendo cooptar at\u00e9 o cu de uma vaca se houvesse uma tatuagem da bandeira dos Estados Unidos nele, o presidente em exerc\u00edcio, Ronald Reagan, acabou distribuindo cinicamente por todo o Estado o seu agradecimento \u00e0 \u201cmensagem de esperan\u00e7a nas can\u00e7\u00f5es&#8230; do filho de New Jersey, Bruce Springsteen\u201d numa estrat\u00e9gia de campanha, e, bem&#8230; voc\u00eas sabem o resto. Em contrapartida, Bobby Muller, \u00e0quela altura presidente do Vietnam Veterans of America, foi o primeiro cara a quem mostrei a vers\u00e3o final de \u201cBorn in The USA\u201d. Ele entrou no est\u00fadio, sentou-se e aumentei o volume. Ele escutou durante alguns momentos e depois deu um largo sorriso.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3UBei3n4FOY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>Um compositor escreve para ser compreendido. Ser\u00e1 uma tomada de posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica? Ser\u00e1 que o som e a forma da can\u00e7\u00e3o transmitem o seu conte\u00fado? Vindo do disco \u201cNebraska\u201d, eu tinha acabado de fazer isso de ambas as formas, mas aprendi uma li\u00e7\u00e3o de como o pop e a imagem do pop eram apreendidos. Ainda assim, eu n\u00e3o teria feito qualquer desses discos de forma diferente. Ao longo dos anos, tenho tido a oportunidade de reinterpretar \u201cBorn in the USA\u201d, especialmente em vers\u00f5es ac\u00fasticas que dificilmente seriam mal-entendidas (h\u00e1, inclusive, uma vers\u00e3o ac\u00fastica no box \u201cTracks\u201d, de 1998), mas mesmo essas reinterpreta\u00e7\u00f5es eram sempre comparadas com a vers\u00e3o original, e ganhavam parte de seu novo poder a partir da experi\u00eancia anterior que o p\u00fablico tivera com o \u00e1lbum. No disco, \u201cBorn in the USA\u201d surgia na sua vers\u00e3o mais poderosa. Se eu tentasse enfraquecer o alterar a m\u00fasica, acredito que at\u00e9 poderia ter ficado com um disco que teria sido mais facilmente compreendido, mas que n\u00e3o seria t\u00e3o gratificante.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cBorn in the USA\u201d, o \u00e1lbum, foi um sucesso em escala planet\u00e1ria. Eu sabia que tinha uma verdadeira vencedora na can\u00e7\u00e3o t\u00edtulo, mas n\u00e3o esperava a onda maci\u00e7a de reconhecimento que obtivemos. Ter\u00e1 sido o timing? A m\u00fasica? Os m\u00fasculos? N\u00e3o sei. \u00c9 sempre mais ou menos um mist\u00e9rio o que provoca um sucesso t\u00e3o gigantesco&#8221;.\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Trecho de \u201cBorn To Run \u2013 Uma Autobiografia\u201d, de Bruce Springsteen<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16821 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born1.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/born1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nascido numa cidade de um homem morto (1)<\/em><br \/>\n<em>O primeiro chute que recebi foi quando ca\u00ed no ch\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Voc\u00ea acaba como um c\u00e3o que foi surrado demais<\/em><br \/>\n<em>E que gasta metade da sua vida s\u00f3 se escondendo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nascido nos EUA, eu nasci nos EUA<\/em><br \/>\n<em>Eu nasci nos EUA, nascido nos EUA<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Me meti numa pequena confus\u00e3o em minha cidade natal<\/em><br \/>\n<em>Ent\u00e3o eles colocaram um fuzil na minha m\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Me enviaram para uma terra estrangeira<\/em><br \/>\n<em>Para ir e matar os homens amarelos<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Volto para casa, para (o trabalho n)a refinaria<\/em><br \/>\n<em>O homem que contrata diz: &#8220;Filho, se dependesse de mim&#8221;<\/em><br \/>\n<em>Mostra para ele minha carteira de veterano de guerra<\/em><br \/>\n<em>Ele diz: &#8220;Filho, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 compreendendo&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Eu tinha um irm\u00e3o em Khe Sahh, combatendo os Vietcongues<\/em><br \/>\n<em>Eles ainda est\u00e3o l\u00e1, mas se morreu<\/em><br \/>\n<em>Ele tinha uma mulher que amava em Saigon <\/em><br \/>\n<em>Eu tenho uma foto dele nos bra\u00e7os dela<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Debaixo da sombra da pris\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Ou perto das chamas de g\u00e1s da refinaria<\/em><br \/>\n<em>Estou h\u00e1 10 anos sem rumo<\/em><br \/>\n<em>Nada para fazer, nenhum lugar para ir<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nascido nos EUA, eu nasci nos E.U.A<\/em><br \/>\n<em>Nascido nos EUA, sou um pai ausente nos EUA<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nascido nos EUA, eu nasci nos E.U.A<\/em><br \/>\n<em>Nascido nos EUA, sou um pai bacana agitando nos EUA<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">****<\/p>\n<p><em>(1) Dead man&#8217;s town significa\u00a0&#8220;cidade de um homem morto&#8221;, uma express\u00e3o que sugere uma cidade sem grandes oportunidades de trabalho que perde a m\u00e3o de obra de sua popula\u00e7\u00e3o jovem, que migra para locais com maiores perspectivas.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7VgTqtR0PSM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d8TwMqpBeL4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"338\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m7XLeYMUZY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xBuZGiisGvs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"450\" height=\"253\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dSkIuPHbrLs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Bruce Springsteen e o fot\u00f3grafo Frank Stefanko\u00a0(<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2018\/01\/17\/bruce-springsteen-e-frank-stefanko\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cWrecking Ball\u201d, retrato do lado podre das pessoas\u00a0 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/30\/wrecking-ball-bruce-springsteen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 A passagem da turn\u00ea \u201cWrecking Ball\u201d por Trieste (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2012\/07\/02\/bruce-springsteen-infiamma-trieste\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cWorking on a Dream\u201d n\u00e3o \u00e9 ruim, o n\u00edvel \u00e9 que \u00e9 alto (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/19\/bruce-springsteen-brian-wilson-e-paul-weller\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cMagic\u201d fica abaixo de outros \u00e1lbuns de Bruce(<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/09\/24\/disco-da-semana-magic-de-bruce-springsteen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 \u201cThe Promise\u201d resgata do limbo can\u00e7\u00f5es sensacionais (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/02\/11\/orbison-springsteen-sinatra-e-jobim\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas horas de Bruce Springsteen ao vivo em Roma (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/20\/tres-horas-de-bruce-springsteen-em-roma-2\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia: todos os discos de Bruce Springsteen (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/08\/16\/discografia-comentada-bruce-springsteen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Bruce Springsteen ao vivo em S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/19\/bruce-springsteen-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Alguns livros, algumas palhetas de guitarra espalhadas e um suporte de gaita se digladiavam com as migalhas de um lanche, roubando espa\u00e7o do meu bloco de notas. 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