{"id":16728,"date":"2008-09-08T14:08:28","date_gmt":"2008-09-08T17:08:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16728"},"modified":"2018-02-07T14:14:21","modified_gmt":"2018-02-07T17:14:21","slug":"musica-intimacy-bloc-party","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/09\/08\/musica-intimacy-bloc-party\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cIntimacy\u201d, Bloc Party"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16729 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/bloc.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/bloc.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/bloc-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/bloc-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Kele Okereke est\u00e1 procurando arduamente, mas ainda n\u00e3o conseguiu traduzir fielmente em m\u00fasica aquilo que traz na alma. \u201cIntimacy\u201d, terceiro trabalho de sua banda lan\u00e7ado virtualmente em agosto (nas lojas s\u00f3 em outubro), \u00e9 o t\u00edpico \u00e1lbum de transi\u00e7\u00e3o, cuja indefini\u00e7\u00e3o de rumo atira para todos os lados. A culpa, neste caso, pode ser jogada sobre os produtores do disco: Paul Epworth moldou a estr\u00e9ia da banda, destacando riffs metalizados; Jacknife Lee produziu o segundo \u00e1lbum injetando eletr\u00f4nica na mistura. Juntos, os dois parecem n\u00e3o querer brigar por terreno, e o repert\u00f3rio cede aos dois lados.<\/p>\n<p>Discos de transi\u00e7\u00e3o s\u00e3o estranhos por natureza. A banda est\u00e1 caminhando, mas ainda n\u00e3o ainda colocou os p\u00e9s no ch\u00e3o, ent\u00e3o o registro flagra o grupo no ar, flutuando sobre diversas nuvens e tempestades que os arrastam para c\u00e1 e para l\u00e1. No caso do Bloc Party, a influ\u00eancia m\u00e1xima parece ser \u201cKid A\u201d, disco (for\u00e7ado) de transi\u00e7\u00e3o do Radiohead, um break necess\u00e1rio na escadaria que levava a banda ao c\u00e9u \u2013 sem que os integrantes soubessem realmente se era isso mesmo que queriam. Kele parece ainda n\u00e3o saber o que quer, ent\u00e3o mistura tudo. O resultado, apesar de esquizofr\u00eanico, surpreende.<\/p>\n<p>\u201cIntimacy\u201d abre com \u201cAres\u201d, uma porrada incendi\u00e1ria que ousa misturar Chemical Brothers com Prodigy (como ningu\u00e9m nunca pensou nisso antes?). Guitarras no talo amea\u00e7am deixar ouvintes desatentos surdos enquanto a bateria atropela e Kele dan\u00e7a ao som das sirenes e deseja declarar uma guerra. \u201cMercury\u201d, o primeiro single de forte batida eletr\u00f4nica, ap\u00f3ia-se em astrologia: quando Merc\u00fario est\u00e1 retrogrado, a natureza do planeta muda radicalmente, e aquilo que era para ser r\u00e1pido pode sofrer atrasos devido a fatores diversos. \u201cEste n\u00e3o \u00e9 o momento para iniciar um novo amor\u201d, avisa Kele.<\/p>\n<p>\u201cHalo\u201d, terceira faixa, deixa a eletr\u00f4nica de lado e remete \u00e0s primeiras can\u00e7\u00f5es da banda, com bateria sincopada, guitarras cortantes no refr\u00e3o e vocal gritado. \u201cBiko\u201d \u00e9 uma desesperada can\u00e7\u00e3o de amor que abre com dedilhados de guitarra at\u00e9 receber pontadas de eletr\u00f4nica que soam estranhas casadas com a letra dram\u00e1tica: \u201cMeu amor era forte o suficiente para lhe trazer de volta dos mortos \/ Se eu pudesse comer seu c\u00e2ncer, mas eu n\u00e3o posso\u201d. Em \u201cTrojar Horse\u201d, o Bloc Party de \u201cSilent Alarm\u201d volta a dar as caras. Clima nervoso que seduz com um riff circular de guitarra na entrada, que salta \u00e0 frente no refr\u00e3o.<\/p>\n<p>A baladinha eletr\u00f4nica sonhadora e ordin\u00e1ria \u201cSigns\u201d poderia ser um lado b de \u201cKid A\u201d enquanto \u201cOne Months Off\u201d, com guitarras metalizadas e alfinetas de eletr\u00f4nica (o mais pr\u00f3ximo que os produtores conseguem chegar de unir os dois lados da banda numa mesma can\u00e7\u00e3o), \u00e9 mais uma das m\u00fasicas do \u00e1lbum que fariam bonito no disco de estr\u00e9ia do quarteto. Chega a ser engra\u00e7ado como a banda alterna aquilo que acredita ser seu passado e futuro, um karma contra o qual n\u00e3o podem lutar, e se entregam quase que matematicamente. Desta forma, ent\u00e3o, natural que a pr\u00f3xima faixa, \u201cZepherus\u201d, com um coral vocal clim\u00e1tico dispens\u00e1vel, seja arrastadamente eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>Em \u201cBetter Than Heaven\u201d, os dois mundos novamente parecem querer se aproximar, mas a can\u00e7\u00e3o apenas sugere isso, n\u00e3o realizando o encontro, e sim repartindo a melodia em duas partes (como a banda fez com o pr\u00f3prio \u00e1lbum). A letra cita uma passagem da B\u00edblia \u2013 Corinthians (15:22) \u2013 e crava: \u201cVerdade \u00e9 verdade\u201d. \u201cIon Square\u201d, faixa que encerra \u201cIntimacy\u201d, tem letra inspirada no poema \u201cI Carry Your Heart with Me\u201d, de EE Cummings, e uma batida eletr\u00f4nica repetitiva que testa a paci\u00eancia do ouvinte ultrapassando os seis minutos de dura\u00e7\u00e3o (parab\u00e9ns para quem conseguir chegar ao final).<\/p>\n<p>Kele Okereke est\u00e1 procurando arduamente uma forma de se expressar no cen\u00e1rio pop, e entrega sua intimidade em um \u00e1lbum que supera o trope\u00e7o de \u201cA Weekend In The City\u201d, mas n\u00e3o define rumos para a banda. \u201cIntimacy\u201d \u00e9 meio guitarreiro, meio eletr\u00f4nico e totalmente dolorido tematicamente. Suas letras narram paix\u00f5es fracassadas em que a falsa felicidade d\u00e1 as cartas (\u201dEu amo a minha mente quando estou fodendo voc\u00ea\u201d, \u201cEu poderia dormir para sempre porque verei voc\u00ea em meus sonhos novamente\u201d, \u201cEm qualquer bar, em todo o mundo, voc\u00ea poder\u00e1 escolher outro estranho e se apaixonar\u201d, \u201cParalise-me com o seu beijo, limpe essas m\u00e3os sujas em mim, talvez estejamos procurando a mesma coisa\u201d) num disco de transi\u00e7\u00e3o que merece aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em tempo: o Bloc Party disponibilizou no dia 10\/09 em seu site oficial\u00a0a m\u00fasica \u201cTalons\u201d,\u00a0segundo single de \u201cIntimacy\u201d que n\u00e3o havia sido liberado quando do lan\u00e7amento virtual do \u00e1lbum, mas far\u00e1 parte da vers\u00e3o fisica do disco.<\/p>\n<p><strong>\u201cIntimacy\u201d, Bloc Party<\/strong>\u00a0(Wichita)<br \/>\nPre\u00e7o: US$ 10 apenas em MP3; US$ 20 em CD e MP3 (blocparty.com)<br \/>\nNota: 7,5<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kele Okereke est\u00e1 procurando arduamente, mas ainda n\u00e3o conseguiu traduzir fielmente em m\u00fasica aquilo que traz na alma. \u201cIntimacy\u201d, terceiro trabalho de sua banda lan\u00e7ado virtualmente em agosto (nas lojas s\u00f3 em outubro), \u00e9 o t\u00edpico \u00e1lbum de transi\u00e7\u00e3o, cuja indefini\u00e7\u00e3o de rumo atira para todos os lados. 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