{"id":16618,"date":"2008-06-16T13:12:57","date_gmt":"2008-06-16T16:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16618"},"modified":"2018-01-31T13:16:32","modified_gmt":"2018-01-31T16:16:32","slug":"viva-la-vida-or-death-and-all-his-friends-coldplay","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/06\/16\/viva-la-vida-or-death-and-all-his-friends-coldplay\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d, Coldplay"},"content":{"rendered":"<div class=\"post\">\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16619 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/viva.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/viva.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/viva-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/viva-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Fragmentos de um texto antigo:<\/p>\n<p><em>\u201cX&amp;Y\u201d eleva a mil\u00e9sima pot\u00eancia a grandiloq\u00fc\u00eancia exibida em \u201cA Rush Of Blood\u00a0To The Head\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA banda continua na \u00e1rdua caminhada para se transformar no novo U2?.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cCopiando o U2, o Coldplay est\u00e1 mais para um Simple Minds\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cO Coldplay pinta ser a grande banda da d\u00e9cada, por\u00e9m, ainda deve um grande \u00e1lbum aos cr\u00edticos\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cChris Martin precisa aprender a cantar sem chorar\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAlgum produtor foda\u00e7o (como Daniel Lanois e Brian Eno) precisa mostrar para os m\u00fasicos que n\u00e3o existem apenas teclados, pianos e sintetizadores no mundo\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Resenha de \u201cX&amp;Y\u201d datada de 13 de julho 2005 (a integra est\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/06\/13\/musica-xy-o-novo-disco-do-coldplay\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos se passaram desde o texto acima. Neste meio tempo, o Coldplay baixou na Am\u00e9rica latina para uma mini-turn\u00ea, o vocalista enfezadinho abandonou jornalistas em uma entrevista coletiva de imprensa em S\u00e3o Paulo e mais de 350 coment\u00e1rios superlotaram uma coluna (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/03\/01\/sete-motivos-para-rir-de-chris-martin\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) que escrevi em mar\u00e7o de 2007 sarreando a seriedade de Chris Martin (incrivelmente, 50% querendo o meu pesco\u00e7o, 50% me elogiando &#8211; e eu achei que fosse ser linchado em pra\u00e7a p\u00fablica sem nenhum amigo para me dar a m\u00e3o). Ah, e o Coldplay chamou Brian Eno para produzir o seu novo disco\u2026<\/p>\n<p>Brian Eno dividiu os trabalhos com Markus Dravs \u2013 recomendado por Win Butler, do Arcade Fire, ap\u00f3s ter assinado a produ\u00e7\u00e3o do maravilhoso \u201cNeon Bible\u201d \u2013 e chegou chutando a porta da lojinha Coldplay no geral, e de Chris Martin em particular, falando tudo aquilo que a gente j\u00e1 sabia: \u201cSuas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o longas demais. Voc\u00ea \u00e9 muito repetitivo, e usa excessivamente os mesmos truques \u2013 e coisas grandes n\u00e3o s\u00e3o necessariamente boas. Voc\u00ea recorre demais aos mesmos sons, e suas letras n\u00e3o s\u00e3o boas o suficiente\u201d (contou o vocalista em entrevista a Rolling Stone norte-americana).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma estr\u00e9ia bonita e inocente, um segundo disco mediano e um terceiro \u00e1lbum grandiloq\u00fcente e decepcionante, o Coldplay chega ao quarto disco assumindo os pr\u00f3prios erros e com desejo de tra\u00e7ar caminhos novos. \u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d, resultado do encontro da banda com Eno e Dravs, chega a surpreender pela forma radical com que a banda nega o passado e se prepara para o futuro. Domados pelas m\u00e3os s\u00e1bias da dupla de produtores, o quarteto brit\u00e2nico coloca nas ruas o seu melhor disco.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ser um comparativo de sucesso, o U2 passa agora a ser uma inspira\u00e7\u00e3o para Chris Martin, que gra\u00e7as aos c\u00e9us deixou de cantar em falsete (ele usa o expediente em poucos segundos da grava\u00e7\u00e3o), mas investe nos berros a la Bono. O som da guitarra que havia sido aposentado em \u201cX&amp;Y\u201d retorna forte e lembrando em muitos momentos os harm\u00f4nicos de The Edge. E at\u00e9 \u00f3rg\u00e3os de igreja entraram no \u00e1lbum (da mesma forma que entraram em \u201cJoshua Tree\u201d,\u00a0segundo \u00e1lbum produzido por Eno \u2013 e Daniel Lanois \u2013 para o U2).<\/p>\n<p>A influ\u00eancia descarada, no entanto, n\u00e3o faz de \u201cViva la Vida\u201d um pastiche, muito pela qualidade \u2013 tanto musical quanto tem\u00e1tica \u2013 do repert\u00f3rio. Chris Martin voltou no tempo e de l\u00e1 trouxe boas hist\u00f3rias para suas letras antes romanticamente \u2013 corretas e \u2013 monotem\u00e1ticas. \u201cCemeteries Of London\u201d fala sobre cavaleiros que cavalgam at\u00e9 o amanhecer e enfrentam bruxas e fantasmas. \u201c42? cita feiti\u00e7aria. \u201cYes\u201d \u00e9 sobre ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o. Em \u201cViva La Vida\u201d, o vocalista ouve os sinos de Jerusal\u00e9m e acredita que S\u00e3o Pedro n\u00e3o ir\u00e1 chamar seu nome. \u201cViolet Hill\u201d relembra um tempo em que padres tamb\u00e9m seguravam rifles.<\/p>\n<p>Musicalmente, Brian Eno enxugou os arranjos e deu personalidade aos sons de teclados (que fizeram muito mal aos repert\u00f3rios de \u201cA Rush of Blood to the Head\u201d e, principalmente, \u201cX&amp;Y\u201d) criando uma sonoridade com um p\u00e9 no rock progressivo, mas sem cair na vala insuport\u00e1vel da grandiloq\u00fc\u00eancia. Outra boa nova \u00e9 o resgate do som da guitarra de Jon Buckland (que enriquece faixas como \u201cViolet Hill\u201d, \u201cCemeteries Of London\u201d e \u201cStrawberry Swing\u201d). Boa parte do repert\u00f3rio de \u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d soa grandioso e delicadamente bonito como poucas vezes o Coldplay conseguiu ser em seus dez anos de carreira.<\/p>\n<p>A instrumental \u201cLife in Technicolor\u201d abre o \u00e1lbum com som de \u00f3rg\u00e3o de igreja e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o fazer um paralelo com \u201cWhere The Streets Have No Name\u201d, faixa que abre \u201cJoshua Tree\u201d, do U2 (os vocais de Chris Martin ao fundo poderiam ser de Bono, se n\u00e3o forem \u2013 brincadeirinha). \u201cCemeteries Of London\u201d traz Martin gastando voz sob uma cama de \u00f3rg\u00e3o, teclado, viol\u00e3o e guitarra. O \u00f3rg\u00e3o de igreja retorna no arranjo mantrico de \u201cLost\u201d (uma das grandes letras do \u00e1lbum).\u00a0 \u201c42?, a melhor m\u00fasica, mostra o quanto a banda cresceu melodicamente: come\u00e7a vagarosa e bonita a la Keane e depois se transforma em Radiohead. O arranjo de \u201cYes\u201d tamb\u00e9m surpreende, com Martin cantando pausadamente sobre uma boa estrutura mel\u00f3dica que inclui cordas no meio da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As guitarras d\u00e3o a cara de verdade em \u201cChinese Sleep Chant\u201d, faixa escondida que come\u00e7a ao final de \u201cYes\u201d e faz a cama para a bel\u00edssima melodia de \u201cViva La Vida\u201d, com arranjo de cordas e sons de \u00f3rg\u00e3o e teclados vindos do c\u00e9u. \u201cEu costumava controlar o mundo \/ Os oceanos aumentavam quando eu dava a palavra \/ E agora pela manh\u00e3 eu me arrasto sozinho\u201d, canta Chris no come\u00e7o da can\u00e7\u00e3o. \u201cViolet Hill\u201d \u00e9 o mais pr\u00f3ximo que o Coldplay j\u00e1 chegou dos Beatles (sonoramente e geograficamente: Violet Hill \u00e9 uma rua paralela a Abbey Road). \u201cStrawberry Swing\u201d tem clima cigano, e poderia ser o final conceitual do disco, j\u00e1 que \u201cDeath and All His Friends\u201d e \u201cThe Escapist\u201d (outra faixa escondida, esta com o mesmo \u00f3rg\u00e3o que abre o \u00e1lbum) s\u00e3o o mais pr\u00f3ximo que o velho Coldplay aproxima-se do novo.<\/p>\n<p>Mais do que ser um grande disco, \u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d coloca em primeiro plano a fun\u00e7\u00e3o do produtor. O que o lan\u00e7amento sugere \u00e9 que qualquer bandeca mediana pode lan\u00e7ar um grande \u00e1lbum se estiver devidamente assessorada. \u00c9 quase isso, e n\u00e3o \u00e9 vergonha nem dem\u00e9rito. O que seriam dos Beatles sem George Martin? Possivelmente uma grande banda, mas ser\u00e1 que chegariam no lugar em que chegaram?<\/p>\n<p>Ok, n\u00e3o h\u00e1 como comparar Chris com Lennon e McCartney, mas \u201cViva la Vida\u201d coloca definitivamente o Coldplay no rol das grandes bandas dos anos 00. Chris Martin continua sendo um mala de marca maior (os recentes casos de abandono de entrevista, de recusa a lan\u00e7ar uma m\u00fasica por ser sexy demais e o risco de cancelar a turn\u00ea por um acidente no ensaio \u2013 isso mesmo, ensaio \u2013 s\u00f3 confirmam sua postura coxinha), mas j\u00e1 pode dormir tranq\u00fcilo: o Coldplay lan\u00e7ou um grande disco. Agora ele s\u00f3 precisa de um assessor para cuidar de sua vida pessoal, mas uma coisa de cada vez, n\u00e3o \u00e9 mesmo.<\/p>\n<p><strong>\u201cViva la Vida or Death and All His Friends\u201d<\/strong>, Coldplay (EMI)<br \/>\nPre\u00e7o em media: R$ 30<br \/>\nNota: 8,5<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fragmentos de um texto antigo: \u201cX&amp;Y\u201d eleva a mil\u00e9sima pot\u00eancia a grandiloq\u00fc\u00eancia exibida em \u201cA Rush Of Blood\u00a0To The Head\u201d \u201cA banda continua na \u00e1rdua caminhada para se transformar no novo U2?. \u201cCopiando o U2, o Coldplay est\u00e1 mais para um Simple Minds\u201d. \u201cO Coldplay pinta ser a grande banda da d\u00e9cada, por\u00e9m, ainda deve [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[170],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16618"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16618"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16621,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16618\/revisions\/16621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}