{"id":16426,"date":"2008-04-07T14:56:33","date_gmt":"2008-04-07T17:56:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16426"},"modified":"2018-01-30T14:59:21","modified_gmt":"2018-01-30T17:59:21","slug":"musica-shine-a-light-o-disco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/04\/07\/musica-shine-a-light-o-disco\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cShine a Light\u201d, o disco"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/shinealight_cd.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>Existem duas maneiras de \u2018curtir\u2019 a m\u00fasica de \u201cShine a Light\u201d: a primeira, \u00f3bvia, \u00e9 dentro de uma boa sala de cinema, com as imagens sensacionais que praticamente colocam o espectador no gargarejo de uma das melhores bandas do mundo sobre um palco. Nesta primeira op\u00e7\u00e3o h\u00e1 um artif\u00edcio que funcionou a perfei\u00e7\u00e3o no filme: quando a c\u00e2mera foca um integrante da banda, o que ele estava fazendo pula a frente dos outros instrumentos, o que d\u00e1 um colorido todo especial ao som, mas que funciona ali, na sala de cinema.<\/p>\n<p>A segunda maneira de curtir \u201cShine a Light\u201d \u00e9 se jogar no CD duplo que chega \u00e0s lojas com o melhor das duas noites em que os Stones se apresentaram \u2013 no segundo semestre de 2006 \u2013 no hist\u00f3rico Beacon Theatre, um pequeno teatro nova-iorquino, o que por si s\u00f3 j\u00e1 ati\u00e7a a curiosidade de qualquer f\u00e3 de rock acostumado a trombar com o grupo em est\u00e1dios lotados quando n\u00e3o praias. Se na telona, as boas tomadas, a bela ilumina\u00e7\u00e3o e a vitalidade dos sessent\u00f5es sobre um palco impressionam, o que \u201cresta\u201d para o CD \u00e9 um conjunto de can\u00e7\u00f5es afundadas em guitarradas.<\/p>\n<p>\u201cShine a Light\u201d \u00e9 o nono disco ao vivo da carreira dos Stones, e entra de cara na briga pelo posto de melhor som que a banda j\u00e1 transp\u00f4s de um palco para um \u00e1lbum. \u201cJumpin\u2019 Jack Flash\u201d nunca soou t\u00e3o forte ao vivo como agora, e s\u00f3 n\u00e3o bate a vers\u00e3o sinuosa e cl\u00e1ssica do \u00e1lbum \u201cGet Yer Ya-Ya\u2019s Out!\u201d, deixando para tr\u00e1s os registros do \u00e1lbum \u201cLove You Live\u201d (1977) e \u201cFlashpoint\u201d (1991). \u201cTumbling Dice\u201d \u00e9 outra que cresce ao vivo, embora as vers\u00f5es do \u00e1lbum \u201cLove You Live\u201d e \u201cRarities\u201d sejam brilhantes. \u201cSympathy for the Devil\u201d, \u201cStart Me Up\u201d e \u201cBrown Sugar\u201d tamb\u00e9m s\u00e3o honradas com boas vers\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar de ser uma apresenta\u00e7\u00e3o dentro da turn\u00ea \u201cA Bigger Bang\u201d, o repert\u00f3rio do show do Beacon Theatre n\u00e3o seguiu o padr\u00e3o balanceado que reunia can\u00e7\u00f5es de 1965 a 2005 na \u201cA Bigger Bang Tour\u201d. A m\u00fasica mais \u201cnova\u201d do repert\u00f3rio escolhido \u00e9 \u201cShe Was Hot\u201d (em vers\u00e3o arrasa quarteir\u00e3o), do \u00e1lbum \u201cUndercover\u201d, de 1983, ignorando completamente material mais \u201crecente\u201d (inclusive as can\u00e7\u00f5es do excelente \u201cA Bigger Bang\u201d). Das 18 can\u00e7\u00f5es reunidas no filme (no CD s\u00e3o 22), a mais antiga \u00e9 \u201cAs Tears Go Bye\u201d, gravada por Mariane Faithfull em 1964, e o \u00e1lbum mais privilegiado foi \u201cSome Girls\u201d, que completa trinta anos em 2008.<\/p>\n<p>Detonado na \u00e9poca do lan\u00e7amento e atropelado pelo punk, \u201cSome Girls\u201d marca presen\u00e7a com quatro m\u00fasicas: a faixa t\u00edtulo, \u201cShattered\u201d e \u201cJust My Imagination\u201d, as duas em vers\u00f5es superiores as do \u201cStill Life\u201d (1981), e o excelente country \u201cFar Away Eyes\u201d. Dentre os convidados, Jack White divide viol\u00f5es e vocais com Mick Jagger em uma pungente vers\u00e3o de \u201cLoving Cup\u201d; Christina Aguilera se sai bem em \u201cLive With Me\u201d, mas o grande momento acontece em \u201cChampagne &amp; Reefer\u201d, \u00fanica can\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do show, um cover dos Stones para o original de Muddy Waters. Buddy Guy entra com guitarra e um vozeir\u00e3o que arrepia. No fim, ganha a guitarra de Keith Richards.<\/p>\n<p>Entre as quatro can\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no CD, mas n\u00e3o est\u00e3o no filme, \u201cPaint it Black\u201d aparece em uma boa vers\u00e3o, mas a do \u00e1lbum \u201cFlashpoint\u201d ainda \u00e9 a mais contagiante. \u201cLittle T&amp;A\u201d surge em grande vers\u00e3o e traz novamente Keith para frente do palco. \u201cI\u2019m Free\u201d tamb\u00e9m mant\u00e9m est\u00e1 no alto n\u00edvel de qualidade do \u00e1lbum, mas \u00e9 inferior a vers\u00e3o do \u00e1lbum \u201cStripped\u201d (1995) e a cover do Soup Dragons, que retirou a can\u00e7\u00e3o do limbo e a tranformou em hit mundial em 1990. Para fechar, \u201cShine a Light\u201d, a can\u00e7\u00e3o que d\u00e1 t\u00edtulo ao filme de Scorsese, e s\u00f3 aparece no filme em um curto trecho no final, outra que tamb\u00e9m ganhou uma vers\u00e3o irrepreens\u00edvel no \u00e1lbum \u201cStripped\u201d, mas que aqui tamb\u00e9m surge emocionante. Fora essas quatro, \u201cUndercover of the Night\u201d entrou de b\u00f4nus na edi\u00e7\u00e3o japonesa.<\/p>\n<p>Dentre os nove \u00e1lbuns ao vivo dos Stones, \u201cShine a Light\u201d traz um dos melhores repert\u00f3rios j\u00e1 apresentados ao vivo pela banda al\u00e9m de dar um tratamento para l\u00e1 de especial \u00e0s guitarras de Keith Richards e Ron Wood. A voz de Mick Jagger (como ele consegue cantar t\u00e3o bem correndo tanto de l\u00e1 pra c\u00e1 e de c\u00e1 pra l\u00e1 prestes a completar 65 anos???) e a bateria de Charlie Watts n\u00e3o ficam atr\u00e1s (o baixista Darryl Jones, um monstro nas quatro cordas, tamb\u00e9m merece destaque, assim como a backing Lisa Fisher, o tecladista Chuck Leavell e o saxofonista Bobby Keys) construindo uma massa sonora de qualidade impressionante que confirma o \u00f3bvio: sobre um palco, os Stones s\u00e3o imbat\u00edveis.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211; \u201cShine a Light &#8211; o Filme\u201d, de Martin Scorsese (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/04\/06\/dvd-shine-a-light-o-filme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cA Bigger Bang\u201d, dos Rolling Stones, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/stones_bigger.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cRolling Stones in Rio\u201d, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/stonesinrio.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem duas maneiras de \u2018curtir\u2019 a m\u00fasica de \u201cShine a Light\u201d: a primeira, \u00f3bvia, \u00e9 dentro de uma boa sala de cinema, com as imagens sensacionais que praticamente colocam o espectador no gargarejo de uma das melhores bandas do mundo sobre um palco. 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