{"id":16361,"date":"2008-03-23T15:49:39","date_gmt":"2008-03-23T18:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16361"},"modified":"2018-01-23T15:52:12","modified_gmt":"2018-01-23T18:52:12","slug":"musica-accelerate-r-e-m","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/03\/23\/musica-accelerate-r-e-m\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: \u201cAccelerate\u201d, R.E.M."},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16364 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate-300x288.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>\u201cPenso que, talvez, Mike e Michael ficaram um pouco atordoados em como o \u00faltimo disco foi mal recebido. Eu n\u00e3o fiquei. Eu j\u00e1 sabia que o disco n\u00e3o era t\u00e3o bom antes mesmo de termin\u00e1-lo\u201d, diz Peter Buck\u00a0<a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/arts\/main.jhtml?xml=\/arts\/2008\/03\/08\/sm_rem08.xml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em entrevista<\/a>\u00a0para Craig McLean, do Telegraph. O tal \u201c\u00faltimo disco\u201d a que o guitarrista do R.E.M. se refere \u00e9 \u201cAround The Sun\u201d (2004), um \u00e1lbum que ousou macular uma carreira at\u00e9 ent\u00e3o brilhante (mesmo com o fato de seus predecessores, \u201cUp\u201d e \u201cReveal\u201d, serem apenas bons em uma carreira repleta de \u00e1lbuns sensacionais). Peter Buck assume o erro, e isso \u00e9 um fato que n\u00e3o se v\u00ea todos os dias no mainstream. Por\u00e9m, estamos diante do R.E.M., uma banda rara no mundo pop.<\/p>\n<p>Tudo que voc\u00ea precisava saber previamente sobre \u201cAccelerate\u201d, d\u00e9cimo-quarto \u00e1lbum do R.E.M., j\u00e1 est\u00e1 pipocando de blog em blog faz alguns dias: que este \u00e9 o melhor \u00e1lbum do R.E.M. na d\u00e9cada 00; que \u00e9 o \u00e1lbum mais barulhento do trio desde \u201cMonster\u201d (1994); que suas onze m\u00fasicas juntas n\u00e3o ultrapassam os 35 minutos de dura\u00e7\u00e3o (quase metade do tempo dos \u00e1lbuns anteriores); que \u201cAccelerate\u201d (\u201dAcelerar\u201d) \u00e9 um nome apropriado para um disco r\u00e1pido e urgente; que Jacknife Lee, o produtor, tinha trabalhado com Bloc Party e Green Day, e foi recomendado ao R.E.M. por The Edge (U2); e outros bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1s. \u00c9 bem prov\u00e1vel que qualquer texto que voc\u00ea leia sobre \u201cAccelerate\u201d lhe dar\u00e1 a impress\u00e3o de estar diante de um grande \u00e1lbum, e mais: de que \u2013 parafraseando a manchete da reportagem do Telegraph \u2013 o R.E.M. renasceu. Tudo verdade.<\/p>\n<p>\u201cLiving Well Is The Best Revenge\u201d, a porrada que abre \u201cAccelerate\u201d, \u00e9 um bom resumo de tudo que vir\u00e1 pela frente. O baixo de Mike Mills (a grande estrela do disco) pula a frente da bateria agitada de Bill Rieflin e das guitarras punks de Peter Buck e Scott McCaughey. \u201cMan-Sized Wreath\u201d, a segunda faixa, desacelera em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 abertura, mas mant\u00e9m o \u00e1lbum em alta velocidade. A tem\u00e1tica permanece a mesma, mantendo a m\u00eddia como alvo. Al\u00e9m de uma pulsante linha de baixo, Mike Mills se destaca na harmonia vocal. O ritmo desacelara mais um tiquinho em \u201cSupernatural Superserious\u201d, contagiante primeiro single do \u00e1lbum que fala sobre adolesc\u00eancia e humilha\u00e7\u00e3o, mais uma can\u00e7\u00e3o para entrar no rol das grandes m\u00fasicas do R.E.M., que Michael Stipe apelidou carinhosamente de \u201chino geek\u201d.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da sensacional \u201cHollow Man\u201d \u00e9 piano e voz. Quando voc\u00ea acredita estar diante de uma balada\u00e7a daquelas \u201cestilo R.E.M.\u201d, o grupo acelera em dire\u00e7\u00e3o ao refr\u00e3o com Michael Stipe gritando assustado com medo de ser um homem oco. Viol\u00e3o e \u00f3rg\u00e3o comp\u00f5em o clima denso de \u201cHouston\u201d, com Michael Stipe postando-se entre os terr\u00edveis furac\u00e3o Katrina e o presidente Bush: \u201cSe a tempestade n\u00e3o me matar, o governo ir\u00e1\u201d. A faixa t\u00edtulo volta a trazer urg\u00eancia ao \u00e1lbum com Stipe cravando frases como: \u201cA incerteza \u00e9 sufocante. Nossa esperan\u00e7a nunca foi t\u00e3o grande\u201d. Para o vocalista e letrista, n\u00e3o \u00e9 hora de perder tempo: \u201cN\u00e3o tenho tempo para questionar as escolhas que eu fa\u00e7o \/ Eu tenho que seguir outro caminho: acelerar\u201d.<\/p>\n<p>O folk irland\u00eas \u201cUntil The Day Is Done\u201d fala sobre um pa\u00eds em ru\u00ednas, sobre guerras perdidas. Sob uma base de guitarra encharcada de eco e colocada no fundo da melodia na mixagem, \u201cMr. Richards\u201d permite um paralelo com \u201cMr. Jones\u201d, personagem da letra de \u201cBallad of a Thin Man\u201d, cl\u00e1ssico de Bob Dylan, com Michael Stipe aqui questionando um pol\u00edtico que ignora o povo. A clim\u00e1tica e arrastada \u201cSing For The Submarine\u201d cita \u201cElectron Blue\u201d e \u201cIt\u2019s A End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)\u201d enquanto \u201cHorse To Water\u201d surge como um dos momentos mais r\u00e1pidos do disco, uma punk song brilhante.<\/p>\n<p>Para fechar, cinismo, caos e muito barulho: \u201cI\u2019m Gonna DJ\u201d surge mais pesada do que a vers\u00e3o do \u00e1lbum \u201cLive\u201d e termina o disco da mesma forma que come\u00e7ou: com rapidez e sujeira. Novamente na linha de frente do rock mundial, o R.E.M. \u201cvende\u201d ao p\u00fablico certo tipo de transcend\u00eancia, algo que faz deles exemplos de honestidade, atitude e opini\u00e3o. Pois o R.E.M. faz parte de um tempo (perdido) em que amar uma banda ia al\u00e9m de comprar discos e decorar as m\u00fasicas. Impl\u00edcito, entre os devaneios, est\u00e1 a necessidade de acreditar que \u00e9 poss\u00edvel mudar o mundo com uma can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAccelerate\u201d \u00e9 um \u00e1lbum que une as duas principais facetas musicais do R.E.M.: o lado rock, amargurado e barulhento, e o lado ac\u00fastico, denso e provocativo. No entanto, por mais que os viol\u00f5es dominem um ter\u00e7o das can\u00e7\u00f5es, este \u00e9 o primeiro \u00e1lbum inspiradamente punk do trio (\u201dMonster\u201d era muito mais glam). \u00c9 o primeiro \u00e1lbum, tamb\u00e9m, que coloca Mike Mills em p\u00e9 de igualdade com Peter Buck e Michal Stipe. \u00c9 um disco excelente, que se n\u00e3o alcan\u00e7a o status de cl\u00e1ssicos como \u201cDocument\u201d, \u201cOut of Time\u201d e \u201cAutomatic For The People\u201d, serve para recolocar a banda novamente no rumo ap\u00f3s o fiasco de \u201cAround The Sun\u201d. \u00c9 um \u00e1lbum que se n\u00e3o vai mudar o mundo, serve para ser deixado no repeat enquanto se questiona a descren\u00e7a na m\u00eddia, nos pol\u00edticos e em si mesmo. A resposta a ser encontrada provavelmente ser\u00e1 a mesma proposta por Michael Stipe: acelere, n\u00e3o h\u00e1 tempo a perder. N\u00e3o h\u00e1 mesmo.<\/p>\n<p><strong>\u201cAccelerate\u201d, R.E.M.<\/strong>\u00a0(Warner)<br \/>\nPre\u00e7o em media: R$ 30<br \/>\nNota 9<br \/>\nLan\u00e7amento Oficial: 01 de Abril<\/p>\n<p><em>Al\u00e9m da vers\u00e3o normal, \u201cAccelerate\u201d conta com uma vers\u00e3o de luxo com CD e DVD (e um encarte de 64 p\u00e1ginas), que inclui um filme de 48 minutos sobre as grava\u00e7\u00f5es e ainda traz dois b-sides, \u201cRed Head Walking\u201d e \u201cAirliner\u201d. Essa vers\u00e3o, importada, deve sair por R$ 60.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16365 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate_dvd.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate_dvd.jpg 400w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate_dvd-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/rem_accelerate_dvd-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; R.E.M. ao vivo no Rock in Rio 3, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/rem_rir.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Discografia comentada do R.E.M., por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/remdiscografia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; R.E.M. reborn, por Craig McLean, do Telegraph (<a href=\"http:\/\/www.telegraph.co.uk\/arts\/main.jhtml?xml=\/arts\/2008\/03\/08\/sm_rem08.xml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPenso que, talvez, Mike e Michael ficaram um pouco atordoados em como o \u00faltimo disco foi mal recebido. 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