{"id":16351,"date":"2008-03-31T15:43:57","date_gmt":"2008-03-31T18:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16351"},"modified":"2018-01-23T15:45:58","modified_gmt":"2018-01-23T18:45:58","slug":"cinema-2-dias-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/03\/31\/cinema-2-dias-em-paris\/","title":{"rendered":"Cinema: \u201c2 Dias em Paris\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16353 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"648\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris-208x300.jpg 208w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p><strong>\u201c2\u00a0Dias em Paris\u201d<\/strong>, de Julie Delpy &#8211; Cota\u00e7\u00e3o: 2,5\/5<\/p>\n<p>O Brasil leva a fama pelo resto do mundo de ser o pa\u00eds do samba, mesmo que o ritmo esteja longe de ser caracter\u00edstico e representativo de capitais dispares como S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia e Rio Branco. A Fran\u00e7a \u2013 no geral, e Paris em particular \u2013 carrega a fama de ser a terra dos amantes. Em uma das cenas de \u201cBonecas Russas\u201d (seq\u00fc\u00eancia de \u201cAlbergue Espanhol\u201d), um dos estudantes ingleses, assim que pisa em Paris, p\u00e1ra uma garota na rua e pergunta: \u201cVoc\u00ea quer dormir comigo\u201d. A garota o deixa falando sozinho enquanto ele comenta com o amigo que sempre sonhou fazer isso, afinal, a fama das francesas ultrapassa fronteiras.<\/p>\n<p>Em seu segundo filme como diretora, a atriz (roteirista e produtora) Julie Delpy amplifica essa fama apoiando em duas vertentes do cinema c\u00f4mico: a com\u00e9dia rom\u00e2ntica tradicional (e tagarela, cujo grande influ\u00eancia de Delpy \u00e9 \u201cAnnie Hall\u201d, de Woody Allen) e a com\u00e9dia de costumes, mostrando que Paris tem muito a ensinar a Jack (Adam Goldberg), um decorador de interiores que namora uma fot\u00f3grafa francesa, mas n\u00e3o sabe falar quase nada de franc\u00eas. Delpy usa at\u00e9 a cena cl\u00e1ssica do estrangeiro que vai pedir um lanche em uma rede de fast foods (tipo McDonalds) para ilustrar a disparidade das l\u00ednguas e culturas.<\/p>\n<p>Julie Delpy interpreta Marion, francesinha que vive em Nova York e namora o americano Jack. O casal completou dois anos de relacionamento, e decidiu reascender \u201ca chama do amor\u201d fazendo uma viagem a Europa. A primeira parada foi Veneza, mas tudo deu errado. Jack, que \u00e9 hipocondr\u00edaco, teve uma gastrite e o casal passou mais tempo brigando do que namorando. Na seq\u00fc\u00eancia eles decidem passar dois dias em Paris, cidade natal de Marion, e a com\u00e9dia de erros aumenta progressivamente conforme os minutos passam na cidade francesa. Os pais de Marion s\u00e3o um artista pl\u00e1stico cujas obras t\u00eam forte apelo sexual (ou s\u00f3 apelo sexual) e uma ex-hippie que traz no curr\u00edculo um breve affair com Jim Morrison (os dois, pai e m\u00e3e de Delpy na vida real).<\/p>\n<p>Algumas caracter\u00edsticas da personalidade francesa s\u00e3o jogadas no colo do espectador com uma sinceridade e comicidade que encantam. A pr\u00f3pria atriz parece rir verdadeiramente em v\u00e1rias passagens de seu filme, como nas brigas hom\u00e9ricas no meio da rua que parecem que v\u00e3o terminar em assassinato, mas acabam em abra\u00e7os e risos; a valoriza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua p\u00e1tria, que causa desconforto em Jack, al\u00e9m de render dezenas de cenas hil\u00e1rias; as greves e a pol\u00edtica al\u00e9m da tal fama de cidade rom\u00e2ntica, cuja piada no cartaz do filme j\u00e1 desvenda uma das tramas paralelas da hist\u00f3ria: \u201cEle sabia que Paris era a cidade dos amantes, mas n\u00e3o sabia que eram todos dela\u201d.<\/p>\n<p>Como produtora, diretora e roteirista, Julie demonstra que aprendeu muito com a dobradinha \u201cAntes do Amanhecer\u201d e \u201cAntes do Por-do-Sol\u201d (neste \u00faltimo, inclusive, ela assina o roteiro com o tamb\u00e9m ator Ethan Hawke e o diretor Richard Linklater), e \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o relacionar \u201c2 Dias em Paris\u201d com a segunda pel\u00edcula, j\u00e1 que boa parte de ambos os filmes tratam de rela\u00e7\u00f5es\/discuss\u00f5es amorosas por ruas parisienses. Por\u00e9m, por mais que o romance seja o ponto de in\u00edcio e fim de \u201c2 Dias em Paris\u201d, grande parte de sua gra\u00e7a se deve ao choque de culturas, fato valorizado devido a atriz transitar com desenvoltura entre as duas l\u00ednguas, o que lhe permite \u201cbrincar\u201d com Bush tanto quanto tirar sarro da fixa\u00e7\u00e3o sexual dos franceses.<\/p>\n<p>Quando a com\u00e9dia de costumes d\u00e1 o tom do filme, \u201c2 Dias em Paris\u201d diverte e entret\u00e9m. Por\u00e9m, quando procura discutir o amor, o filme se perde de tal forma que Delpy precisa costurar tudo no final com uma longa narrativa em off, deixando a impress\u00e3o de que ela tentou fazer em um filme tudo aquilo que Richard Linklater fez em dois. Falta foco para a cineasta, que tenta desenvolver v\u00e1rias subtramas sem se ater diretamente a uma (o choque de l\u00ednguas, a dificuldade dos relacionamentos, a liberdade sexual, as quest\u00f5es pol\u00edticas), mas n\u00e3o consegue uni-las a contento no final. Esse deslize na edi\u00e7\u00e3o e no fechamento, no entanto, n\u00e3o desmerece \u201c2 Dias em Paris\u201d, que abre a possibilidade de uma boa carreira atr\u00e1s das c\u00e2meras para Julie Delpy, e pode ser t\u00e3o c\u00f4mico quanto educativo. Para rir e aprender.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/franca.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Fran\u00e7a<\/a>, por Fl\u00e1via Ballv\u00e9<br \/>\n&#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/cinemadois\/beforesunrise.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cAntes do Por-do-Sol\u201d<\/a>, por Marcelo Costa<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16352 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris1.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/dois_dias_paris1-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c2\u00a0Dias em Paris\u201d, de Julie Delpy &#8211; Cota\u00e7\u00e3o: 2,5\/5 O Brasil leva a fama pelo resto do mundo de ser o pa\u00eds do samba, mesmo que o ritmo esteja longe de ser caracter\u00edstico e representativo de capitais dispares como S\u00e3o Paulo, Porto Alegre, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia e Rio Branco. 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