{"id":16332,"date":"2008-03-09T15:26:42","date_gmt":"2008-03-09T18:26:42","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=16332"},"modified":"2018-01-23T15:28:21","modified_gmt":"2018-01-23T18:28:21","slug":"mr-love-and-justice-billy-bragg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/03\/09\/mr-love-and-justice-billy-bragg\/","title":{"rendered":"\u201cMr. Love and Justice\u201d, Billy Bragg"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-16333 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/billy_bragg_love.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"407\" srcset=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/billy_bragg_love.jpg 450w, https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/billy_bragg_love-300x271.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p>Billy Bragg nasceu na \u00e9poca errada. S\u00f3 pode ser. Com cinq\u00fcenta anos completados em dezembro \u00faltimo, o roqueiro brit\u00e2nico que ousa misturar Clash com Bob Dylan chega ao seu d\u00e9cimo segundo disco falando de coisas que est\u00e3o fora de moda na nova ordem mundial. Em uma \u00e9poca em que o pop celebra muito mais os barracos de seus principais artistas (Britney e Amy na dianteira) do que a m\u00fasica propriamente dita, qual espa\u00e7o para um cara que fala de amor, pol\u00edtica e justi\u00e7a?<\/p>\n<p>\u201cMr. Love and Justice\u201d sucede o brilhante \u201cEnglish, Half, English\u201d (2002), e vem sendo saudado com tiros de canh\u00e3o pela imprensa inglesa. \u201cAntes do Arctic Monkeys escrever dolorosas can\u00e7\u00f5es de amor; antes de Mike Skinner destilar noites b\u00eabadas em dramas de tr\u00eas minutos; antes do Radiohead descobrir a pol\u00edtica; Billy Bragg j\u00e1 tinha feito tudo isso\u201d, cravou a NME. \u201cO Bob Dylan de Essex\u201d, comparou a Q. \u201cUma das vozes de protesto mais importantes do pop brit\u00e2nico\u201d, bradou a Uncut. \u201cA British icon\u201d, resumiu a Mojo.<\/p>\n<p>Em um mundo cada vez mais dominado por grandes conglomerados, afundado em religi\u00f5es fakes que prometem a vida eterna em troca de dinheiro, atolado de livros de auto-ajuda que prometem desvendar o grande segredo, e repleto de amizades virtuais (igual a solid\u00e3o real), Billy Bragg aparece carregando sua guitarra, seu texto afiado e interrogando o Sr. Amor e Justi\u00e7a. Em \u201cSome Days I See The Point\u201d, do \u00e1lbum anterior, ele dizia que queria fazer do mundo um lugar melhor, mas que n\u00e3o conseguia fazer isso sozinho. Nem parece que se passaram s\u00f3 quatro anos. Quantas pessoas est\u00e3o dispostas a fazer do mundo um lugar melhor? \u00c9 poss\u00edvel contar nos dedos de uma das m\u00e3os.<\/p>\n<p>No entanto, apesar do cen\u00e1rio catastr\u00f3fico em que vive a sociedade atual, Billy Bragg abre \u201cMr. Love and Justice\u201d bradando, no refr\u00e3o: \u201cEu mantenho a f\u00e9 em voc\u00ea\u201d. Soa at\u00e9 inocente, eu sei, mas quem est\u00e1 cantando isso j\u00e1 passou dos 50 anos, \u00e9 um ativista pol\u00edtico que luta pelos direitos da classe trabalhadora inglesa e que defende a multiculturalidade brit\u00e2nica. E que, sobretudo, ainda acredita no amor e na justi\u00e7a. \u201cI Keep Faith\u201d \u00e9 singela, conta com a participa\u00e7\u00e3o de Robert Wyatt e \u00e9 uma daquelas can\u00e7\u00f5es que podem ser ouvidas por dias e dias a fio.<\/p>\n<p>Com clima flamenco, \u201cI Almost Killed You\u201d surge movida por gaita e viol\u00f5es. \u201cVoc\u00ea v\u00ea um arco-\u00edris \/ Eu vejo uma nuvem escura \/ Voc\u00ea v\u00ea novos amigos \/ Eu vejo uma multid\u00e3o m\u00e1 \/ Eu quase lhe matei com meu amor\u201d, diz a letra. Na tocante \u201cM For Me\u201d ele prop\u00f5e: \u201cSeus problemas agora s\u00e3o nossos\u201d. No rock\u00e3o \u201cThe Beach is Free\u201d ele explica: \u201cOs campos pertencem aos fazendeiros \/ As florestas pertencem ao rei \/ Hoje em dia nossos prazeres est\u00e3o cercados \/ Temos que pagar por tudo \/ Mas a praia est\u00e1 livre\u201d. Na suave \u201cYou Make Me Brave\u201d ele se recusa a se esconder no passado. Em \u201cSomething Happened\u201d ele compara amor e luxuria.<\/p>\n<p>Na faixa t\u00edtulo, Billy Bragg interroga o senhor amor e justi\u00e7a; em \u201cIf You Ever Leave\u201d, fala de solid\u00e3o e abandono; \u201cO\u2019Freedom\u201d versa sobre democracia e liberdade, temas caros; em \u201cThe Johnny Carcinogenic Show\u201d, praticamente adapta para o formato can\u00e7\u00e3o pop a tem\u00e1tica do filme \u201cObrigado Por Fumar\u201d: \u201cVi um garoto na televis\u00e3o ontem \/ Ele estava vendendo uma tonelada de veneno \/ Uma mulher perguntou: Como voc\u00ea pode fazer isso? \/ Ele respondeu: o segredo \u00e9 agarrar os jovens \/ Eu n\u00e3o posso ser responsabilizado pelo que as crian\u00e7as aprendem \/ Sou respons\u00e1vel apenas em dar algum retorno aos meus investidores\u201d. L\u00e1 pelo meio, ainda crava: \u201cA pobreza \u00e9 t\u00f3xica, todos sabem\u201d.<\/p>\n<p>Entre rocks, folks e ballads, \u201cMr. Love and Justice\u201d soa muito mais um \u00e1lbum de amor do que pol\u00edtica. Seu clima (entre anos 40 e 50), no entanto, n\u00e3o alcan\u00e7a a sobriedade de \u201cEnglish, Half, English\u201d nem a grandiosidade de \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos do cantor, como \u201cTalking With The Taxman About Poetry\u201d (lan\u00e7ado em vinil no Brasil nos anos 80) ou os dois discos em parceria com o Wilco tendo por base can\u00e7\u00f5es inacabadas de Woody Guthrie. Mesmo assim, ele chega a tocar a alma em alguns momentos. \u00c9 um disco que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o nenhuma com a melancolia pueril dos emo punks, com a rebeldia sem causa do novo rock, com a divers\u00e3o sem limites do electro. Talvez, por isso, soe fora do tempo. Billy Bragg nasceu na \u00e9poca errada. Ainda bem.<\/p>\n<p><em>Ps. O \u00e1lbum tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado em uma edi\u00e7\u00e3o dupla luxuosa, que traz no CD b\u00f4nus as doze can\u00e7\u00f5es originais em vers\u00f5es caseiras, a maioria voz e guitarra.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Billy Bragg nasceu na \u00e9poca errada. S\u00f3 pode ser. Com cinq\u00fcenta anos completados em dezembro \u00faltimo, o roqueiro brit\u00e2nico que ousa misturar Clash com Bob Dylan chega ao seu d\u00e9cimo segundo disco falando de coisas que est\u00e3o fora de moda na nova ordem mundial. 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