{"id":15208,"date":"2017-05-29T23:00:49","date_gmt":"2017-05-30T02:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=15208"},"modified":"2017-05-29T23:13:32","modified_gmt":"2017-05-30T02:13:32","slug":"na-rota-dos-vinhos-na-argentina-parte-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/05\/29\/na-rota-dos-vinhos-na-argentina-parte-6\/","title":{"rendered":"Na rota dos vinhos na Argentina (parte 6)"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza30.jpg\" \/><\/p>\n<p>Na segunda semana do tour 2017 por Mendoza, deixamos o bom Wine Aparts, hospedagem mais simples no centro da cidade, ap\u00f3s quatro dias pr\u00e1ticos e partimos para dois dias de Club Tapiz Hotel Rest\u00f4, que fica em Maip\u00fa, dentro de uma das vin\u00edcolas da Tapiz \u2013 eu havia visitado o local no tour de 2014 e me apaixonado. Era segunda-feira, 01 de maio, e a grande maioria das vin\u00edcolas estaria fechada devido ao feriado do dia do trabalho, ent\u00e3o relaxamos e fizemos o check-in tranquilamente, desfizemos as malas, comemos algumas empanadas da cozinha do restaurante e descansamos antes de visitar a \u00fanica vin\u00edcola que conseguimos agendar no dia, a Trapiche.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza31.jpg\" \/><\/p>\n<p>Maior exportadora de vinho argentino, a Bodega Trapiche est\u00e1 localizada em Maip\u00fa em um pr\u00e9dio antigo, datado de 1912. Pedimos um taxi e duas retas e 13 quil\u00f4metros depois, ei-la. O tour foi agrad\u00e1vel e, ao final, provamos um Trapiche Fond de Cave Sauvingnon Blanc 2016, um Costa &amp; Pampa Pinot Noir 2014 e, mais interessante do trio, um Medalla Blend 2013. Foi legal conhecer o pr\u00e9dio e a hist\u00f3ria da vin\u00edcola, mas a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que a gente ainda n\u00e3o tinha enfiado o p\u00e9 na jaca&#8230; ou melhor, nas uvas, n\u00e3o havia sentido a verdadeira Mendoza, e, j\u00e1 de volta ao Club Tapiz, fomos surpreendidos com o aviso de que toda noite h\u00e1 uma degusta\u00e7\u00e3o orientada dos vinhos da casa para os hospedes. Partiu.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza32.jpg\" \/><\/p>\n<p>No bonito sal\u00e3o do hotel, o sommelier Alejandro conduziu uma degusta\u00e7\u00e3o que mais pareceu um agrad\u00e1vel bate papo. \u00c9ramos dois brasileiros (eu e Lili), dois holandeses e dois argentinos (de Buenos Aires), e Alejandro ficava alternando o foco buscando saber um pouco sobre cada um na mesa enquanto nos altern\u00e1vamos entre um agrad\u00e1vel Tapiz Torrontes e um \u00f3timo Tapiz Malbec 2013 (o maravilhoso Tapiz Black Tears, uma das minhas paix\u00f5es na \u00faltima viagem, ficou de fora e, na correria de ir pra c\u00e1 e pra l\u00e1, acabamos n\u00e3o bebendo-o. Uma pena). Dali partimos para mais vinho no restaurante da casa, que infelizmente n\u00e3o nos surpreendeu e ficou abaixo da nossa expectativa. Tudo bem, nada como um dia (e um vinho) ap\u00f3s o outro&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza33.jpg\" \/><\/p>\n<p>Planejamos curtir viagem de maneira econ\u00f4mica com alguns trechos de bike, outros de \u00f4nibus e, os mais distantes, de BusVitivinicola (que nem \u00e9 t\u00e3o barato e vale mais para conhecer o Valle do Uco) e taxi. Nossos \u00fanicos \u201cexageros financeiros\u201d seriam esses dois dias no Club Tapiz e o jantar no restaurante 1884, mas acabamos cedendo a mais um \u201cgasto extra\u201d: no segundo dia de Tapiz (por indica\u00e7\u00e3o certeira da atenciosa Monica), contratamos um motorista para ficar conosco entre 9h30 e 17h30 levando-nos a quatro vin\u00edcolas (sendo que tr\u00eas delas eu j\u00e1 havia reservado antecipadamente). Foi das melhores decis\u00f5es da viagem e um dos melhores dias.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza34.jpg\" \/><\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira ent\u00e3o, no hor\u00e1rio combinado, o motorista Claudio Moreno nos pegou para o nosso dia de beber vinho. Meu plano inicial era passar na lend\u00e1ria bodega de Carmelo Patti e beber um vinho com o pr\u00f3prio Carmelo, um en\u00f3logo por voca\u00e7\u00e3o e, mais do que isso, um grande personagem da cena vin\u00edcola local. Ele n\u00e3o pede reserva antecipada nem nada, \u00e9 s\u00f3 chegar chegando, mas, na manh\u00e3 seguinte a um feriado, demos com a cara na porta. E como t\u00ednhamos hor\u00e1rio marcado nas vin\u00edcolas seguintes, achamos por bem deixar para encontrar Carmelo na pr\u00f3xima vez que voltarmos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza35.jpg\" \/><\/p>\n<p>Esperamos cerca de 30 minutos, que passaram voando com as hist\u00f3rias que Claudio, um excelente guia, nos contava sobre Mendoza. Por exemplo: olhando o mapa da cidade nos dias anteriores, percebemos a quantidade de pra\u00e7as no centro, e Claudio nos explicou que elas foram constru\u00eddas ap\u00f3s o terremoto de 1861, que deixou mais de 4 mil mortos na cidade, visando ser uma \u00e1rea de escape para um poss\u00edvel terremoto futuro (o \u00faltimo marcante foi em 1985). N\u00e3o s\u00f3 isso: a cidade \u00e9 toda baixa (h\u00e1 poucos arranha-c\u00e9us) visando a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o. Claudio tamb\u00e9m nos contou curiosidades sobre os pl\u00e1tanos que embelezam a cidade no outono e da divis\u00e3o de \u00e1gua em Mendoza, um bem raro e muito importante numa cidade que, dizem, tem mais de 1000 bodegas, entre outras coisas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza36.jpg\" \/><\/p>\n<p>Nossa segunda (primeira na verdade) foi na bela Bodega Alta Vista. Se voc\u00ea fez um tour de vinho, os outros v\u00e3o ser todos bem parecidos, com pequenas aulas sobre processos e barricas. A diferen\u00e7a \u00e9 a parte hist\u00f3rica e, claro, os vinhos, que aqui surpreenderam: abrimos com um refrescante Alta Vista Premium Torrontes 2015, seguimos com um Alta Vista Atemporal Blend 2013 (um dos favoritos da viagem) e com um Alta Vista Terroir Selection Malbec 2014. Para fechar, o badalado Alta Vista Alto 2010 (75% Malbec 25% Cabernet Sauvignon), a estrela da casa, excelente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza37.jpg\" \/><\/p>\n<p>Dali partimos para, segundo M\u00f4nica, da Tapiz, a bodega mais procurada por brasileiros no momento: El Enemigo, projeto pessoal de Alejandro Vigil (apelidado <a href=\"http:\/\/especiales.clarin.com\/chachingo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em uma reportagem do jornal Clarin<\/a> como \u201cO Messi dos vinhos\u201d), en\u00f3logo chefe da renomada Catena Zapata, e de Adrianna Catena, filha mais nova do lend\u00e1rio Nicol\u00e1s Catena (\u201cNa \u00e9poca da crise, quando o pa\u00eds quebrou no final dos ano 90, e todo mundo teve que vender suas bodegas para os estrangeiros, Nic\u00f3las era o \u00fanico que n\u00e3o vendia, mas sim comprava. Dizem que ele fez um pacto\u201d, brincou o motorista). O plano era fazer o tour, degustar os vinhos e almo\u00e7ar, mas acabamos (com a fome e com a sede) fazendo apenas as duas \u00faltimas, que foram a grande surpresa da viagem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza38.jpg\" \/><\/p>\n<p>O local \u00e9 um charme, o almo\u00e7o foi absolutamente excelente (um costela divina \u2013 e enorme) e os vinhos, os melhores das duas semanas: escolhi uma sequencia mais simples e Lili ficou com a sequencia Premium (e, claro, depois alternamos). Experimentamos o El Enemigo Chardonnay, Malbec, Bonarda e os sensacionais Gran Blend, Gran Agrelo e Gran Gualtallary. Lili percebeu que o Gualtallary e o Agrelo t\u00eam a mesma composi\u00e7\u00e3o de 85% Cabernet Franc e 15% de Malbec, mas s\u00e3o bem diferentes. Como o \u201cO Messi dos vinhos\u201d estava por ali, questionamos e, gentilmente, ele puxou uma cadeira e nos deu uma pequena aula sobre rabiscando no papel toalha:<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza39.jpg\" \/><\/p>\n<p>A) A diferen\u00e7a de altitude das vinhas de cada garrafa: a planta\u00e7\u00e3o de Agrelo est\u00e1 a 930 metros acima do n\u00edvel do mar e a de Tupungato, onde \u00e9 produzida a uva do Gualtallary, 1470 metros. \u201cA cada 100 metros diminui um 1 grau de temperatura\u201d, explicou. Ou seja, as vinhas de Tupungato est\u00e3o em uma regi\u00e3o quase seis graus mais fria.<\/p>\n<p>B) O solo de Agrelo \u00e9 rico em cascalho, com um pouco de argila e de areia do fundo do mar (voc\u00ea sabia que boa parte dessa regi\u00e3o estava encoberta pelo oceano? Assim que a Cordilheira se forma, parte da regi\u00e3o de Maip\u00fa surge e, por isso, em algumas calicatas no lado de c\u00e1 da Cordilheira \u00e9 poss\u00edvel encontrar conchinhas do mar enterradas a bilh\u00f5es de anos) enquanto o solo de Tupungato tem bastante cascalho e pedras.<\/p>\n<p>C) A posi\u00e7\u00e3o de cada uma das vinhas em rela\u00e7\u00e3o ao sol.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o da aula: &#8220;Basicamente o que voc\u00eas sentem de diferen\u00e7a \u00e9 sol, solo e temperatura&#8221;. E brincou: \u201cUm amigo meu, en\u00f3logo em Bordeaux, me disse certa vez: se voc\u00ea plantar Malbec aqui, o resultado ser\u00e1 Merlot. Porque o solo \u00e9 mais importante que a varietal\u201d. \u00c9 o famoso Terroir&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza41.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ps. Ao ir para o caixa pagar a conta, com Alejandro pr\u00f3ximo, presenciamos a cena de um f\u00e3 pedindo para o en\u00f3logo autografar a garrafa: \u201cVoc\u00ea \u00e9 um artista\u201d, ele disse, e Alejandro, que deve estar acostumado com os elogios, minimizou o gracejo com gentileza (e eu e Lili nos arrependemos de n\u00e3o ter pegado uma garrafa e feito o mesmo)&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza40.jpg\" \/><\/p>\n<p>A equipe e o pr\u00f3prio Alejandro haviam nos servido de vinho mais duas ou tr\u00eas vezes e esse delicioso exagero prejudicou a terceira vin\u00edcola do dia: satisfeitos com o belo almo\u00e7o e com a aula de vinhos, partimos para a renomada Lagarde. Lili j\u00e1 havia entregado os pontos, mas l\u00e1 fomos n\u00f3s para mais seis vinhos e um espumante: Lagarde Extra Brut, Guarda Chardonnay 2015, Primeiras Vi\u00f1as 2013 Cabernet Sauvignon, Altas Cumbres Torrontes 2015 (&lt;3 Torrontes), Merlot 2014, Collection Cabernet Franc 2013, um dos meus favoritos da sess\u00e3o ao lado da estrela da casa, Henry 1 2012. Ufa! O tour foi interessante, mas j\u00e1 est\u00e1vamos mais pra l\u00e1 do que pra c\u00e1, ent\u00e3o hora de voltar pra casa, feliz e vinhamente b\u00eabado.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza42.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a extensa oferta de vinhos do dia, cabulamos a degusta\u00e7\u00e3o do hotel \u00e0 noite (eu s\u00f3 tor\u00e7o para que n\u00e3o tenha entrado um Black Tears na roda justamente nesse dia &#8211; ou melhor, tor\u00e7o para a felicidade dos presentes) e fomos arrumar as malas, pois no dia seguinte partir\u00edamos para o trecho final da viagem: dois dias em San Rafael com direito a tour por canyons e mais vinho, e mais dois dias em Buenos Aires (ok, um e meio), que rendera os bares que completam os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/12\/11-points-de-cerveja-artesanal-em-buenos-aires\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">11 locais para se beber cerveja artesanal na cidade<\/a>, assim como a melhor carne de todo o passeio. Fica para o pr\u00f3ximo post.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/mendoza43.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Turismo: Na rota das vin\u00edcolas argentinas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/vinhos-argentinos\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na segunda semana do tour 2017 por Mendoza, deixamos o bom Wine Aparts, hospedagem mais simples no centro da cidade, ap\u00f3s quatro dias pr\u00e1ticos e partimos para dois dias de Club Tapiz Hotel Rest\u00f4, que fica em Maip\u00fa, dentro de uma das vin\u00edcolas da Tapiz \u2013 eu havia visitado o local no tour de 2014 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[22],"tags":[122,121],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15208"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15211,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15208\/revisions\/15211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}