{"id":15195,"date":"2017-05-21T22:48:06","date_gmt":"2017-05-22T01:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=15195"},"modified":"2017-05-21T22:48:06","modified_gmt":"2017-05-22T01:48:06","slug":"sobre-indie-e-independente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/05\/21\/sobre-indie-e-independente\/","title":{"rendered":"Sobre indie e independente"},"content":{"rendered":"<p>Respostas para Thiago Cardim, do Jud\u00e3o, que fez essa pauta bem bacana: &#8220;<a href=\"http:\/\/judao.com.br\/dyi-indie-mainstream\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Do DIY ao tal do indie mainstream<\/a>&#8221;<\/p>\n<p><strong>Hoje em dia, a palavra &#8220;indie&#8221; virou um g\u00eanero em si, certo? Ou, pelo menos, um que a gente v\u00ea f\u00e3s e parte da imprensa usar bastante&#8230;<\/strong><br \/>\n<em>Sim, se transformou em g\u00eanero isso at\u00e9 confunde muita gente, pois acontece de falarem de uma determinada banda, que est\u00e1 no mainstream, com grande gravadora, mas tem uma \u201csonoridade indie\u201d. Ou seja, Smells Like Indie Spirit (hehe). Mas \u00e9 importante definir como o indie rock surgiu para entender essa adequa\u00e7\u00e3o: o indie rock era algo n\u00e3o t\u00e3o palat\u00e1vel para uma grande gravadora, era o som que os vov\u00f4s sentados nas poltronas de presidente das majors n\u00e3o entendiam e diziam que n\u00e3o era m\u00fasica. Dai, com o advento das college radios nos EUA e dos selos independentes na Inglaterra, essas bandas come\u00e7aram a ter mais espa\u00e7o e criou-se um mercado independente paralelo ao mainstream. Ent\u00e3o t\u00ednhamos l\u00e1 o U2 vendendo milh\u00f5es de \u201cThe Joshua Tree\u201d pela Island, que era um sub-selo da poderosa Universal, ao mesmo tempo em que o R.E.M. estava lan\u00e7ando o \u201cDocument\u201d pela I.R.S. Records e o Smiths lan\u00e7ando o \u201cStrangeways, Here We Come\u201d pela Rough Trade. Ou seja, U2 era mainstream, R.E.M. e Smiths eram indies, de independentes mesmo. Com a explos\u00e3o do Nirvana no come\u00e7o dos 90, muita gente que era rock alternativo, indie, foi parar no mainstream, e dai tudo se confundiu, pois a sonoridade indie virou mainstream. Hoje temos bandas como o Wilco (que \u00e9 alternative country, um indie de chap\u00e9u de palha), Arcade Fire (que ainda lan\u00e7a discos pela min\u00fascula Merge Records) e Decemberists (que apesar de lan\u00e7ar pela Capitol, \u00e9 essencialmente indie), por exemplo, que mant\u00e9m esse esp\u00edrito de independ\u00eancia art\u00edstica que \u201ccontamina\u201d a m\u00fasica e a faz soar&#8230; indie. Por outro lado teremos nomes como Two Door Cinema Club, que pretendem soar indies, mas s\u00e3o muito mais um produto de major tentando um \u201cstreet cred\u201d num fil\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 o dele (e muita gente ca\u00ed na ladainha).<\/em><\/p>\n<p><strong>Em termos sonoros, de estilo musical, d\u00e1 pra encontrar algumas caracter\u00edsticas que unam os indies enquanto g\u00eanero musical e\/ou um subg\u00eanero do rock?<\/strong><br \/>\n<em>Hoje em dia, n\u00e3o, pois ser independente hoje \u00e9 quase como uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia para o artista que quer tomar conta de sua pr\u00f3pria carreira. Ent\u00e3o podemos encontrar artistas independentes em diversos g\u00eaneros, do rap ao pop, do rock ao eletr\u00f4nico e at\u00e9 no jazz. Isso se pensarmos na quest\u00e3o independente como um artista que n\u00e3o est\u00e1 numa grande gravadora. Se pensarmos em sonoridade indie, bem, talvez bandas como The 1975 sejam mais indies que Sonic Youth, por exemplo, que terminou a carreira em major sem deixar de soar&#8230; alternativa.<\/em><\/p>\n<p><strong>Mas o quanto, nos dias de hoje, os &#8220;indies&#8221; remontam ao &#8220;rock independente&#8221; de outrora? Digo, aquele rock de quem fazia tudo por conta pr\u00f3pria, n\u00e3o tinha grana, n\u00e3o tinha gravadora?<\/strong><br \/>\n<em>Acredito que cada vez mais porque esse \u00e9 um caminho que est\u00e1 se cristalizando cada vez mais hoje em dia, j\u00e1 que poucas majors veem potencial no rock, e a sa\u00edda \u00e9 lan\u00e7ar de maneira independente. Nesse quesito, o Brasil vive um boom de artistas e selos indies. Apesar de que se eles podem se magoar se forem chamados de indie (risos). Talvez \u201cindie\u201d tenha virado um palavr\u00e3o do quilate de \u201cpop\u201d. Nesse ponto, a galera vai tergiversar e se dizer \u201calternativa\u201d. Mas h\u00e1, sim, muita gente apostando no DIY, na carreira independente, principalmente no Brasil.<\/em><\/p>\n<p><strong>Ali\u00e1s, hoje em dia, c\u00ea acha que \u00e9 mais f\u00e1cil ser de fato independente do que j\u00e1 foi um dia? Com todas as facilidades e potencialidades do mundo digital\/online? T\u00e1 mais sussa ser DIY? \ud83d\ude09<\/strong><br \/>\n<em>Sussa nunca vai ser, mas caminhamos bastante e j\u00e1 d\u00e1 para fazer um nome, garantir uns shows, gravar uns discos, vender umas camisetas. A divis\u00e3o de \u00e1guas na m\u00fasica pop aconteceu mais pelo avan\u00e7o da tecnologia, que tirou o monop\u00f3lio dos grandes est\u00fadios das m\u00e3os das grandes gravadoras. A oportunidade de gravar um grande disco na sala da sua pr\u00f3pria casa \u00e9 algo revolucion\u00e1rio, e o DIY s\u00f3 se beneficiou com isso. A grande quest\u00e3o, sempre, \u00e9 o aluguel, a conta de luz, de \u00e1gua, de telefone e de internet no fim do m\u00eas. Como transformar o que voc\u00ea grava no seu quarto em algo rent\u00e1vel? Qualquer sexta dessas o Globo Rep\u00f3rter ensina.<\/em><\/p>\n<p><strong>O quanto \u00e9 mais f\u00e1cil e\/ou mais dif\u00edcil ser independente no Brasil?<\/strong><br \/>\n<em>Acho que n\u00e3o existe facilidade, mas sim pontos positivos. E nesse quesito, ser independente no Brasil tem v\u00e1rios pontos positivos como ser respons\u00e1vel por sua pr\u00f3pria arte, sua pr\u00f3pria carreira, seus pr\u00f3prios shows. O DIY \u00e9 important\u00edssimo nesse corre, porque s\u00e3o as conex\u00f5es que v\u00e3o fazer um artista independente galgar patamares, sabe. Uma banda fazendo tudo sozinha alcance um n\u00famero x de pessoas. Duas bandas juntas alcan\u00e7am dois x e por ai vai. O ponto negativo \u00e9 que, ainda, \u00e9 dif\u00edcil sobreviver de m\u00fasica independente no Brasil, o cara rala pacas, vende o almo\u00e7o para pagar o jantar e muita gente n\u00e3o t\u00e1 nem ai, afinal vivemos um sucateamento art\u00edstico no pa\u00eds, com cada vez menos pessoas valorizando a arte como um todo, e a m\u00fasica em particular est\u00e1 sofrendo muito com isso. Se est\u00e1 dif\u00edcil para a Marisa Monte, para o Arnaldo Antunes e para o Carlinhos Brown a ponto deles terem que se reunir como Tribalistas, imagina pra quem \u00e9 independente&#8230;<\/em><\/p>\n<p><strong>O quanto \u00e9 mais f\u00e1cil e\/ou mais dif\u00edcil ser indie no Brasil?<\/strong><br \/>\n<em>O mais dif\u00edcil de ser indie no Brasil \u00e9 gostar de bandas que muito raramente v\u00e3o descer at\u00e9 aqui para fazer um show, e se acontecer delas vierem, a chance de tu ter que ficar numa maldita fila morrendo de sede atr\u00e1s de uma cerveja ruim por horas quando deveria estar vendo o show \u00e9 enorme. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil ser indie no Brasil. Vamos virar pagodeiro todo mundo? \ud83d\ude42<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respostas para Thiago Cardim, do Jud\u00e3o, que fez essa pauta bem bacana: &#8220;Do DIY ao tal do indie mainstream&#8221; Hoje em dia, a palavra &#8220;indie&#8221; virou um g\u00eanero em si, certo? 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