{"id":14929,"date":"2017-03-20T11:47:27","date_gmt":"2017-03-20T14:47:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=14929"},"modified":"2017-03-20T11:47:27","modified_gmt":"2017-03-20T14:47:27","slug":"entrevista-musica-mercado-e-scream-yell","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/03\/20\/entrevista-musica-mercado-e-scream-yell\/","title":{"rendered":"Entrevista: M\u00fasica, Mercado e Scream &#038; Yell"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista concedida a R\u00favila Avelino, em fevereiro de 2017, para o site <a href=\"https:\/\/medium.likearock.com.br\/\" target=\"_blank\">Like a Rock<\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>Qual a sua primeira mem\u00f3ria relacionada \u00e0 m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nFestas em casa organizadas pelo meu pai, que tinha uma vasta cole\u00e7\u00e3o de MPB, coisa fina. Depois disso lembro-me da minha m\u00e3e chorando quando o Jornal Nacional anunciou a morte de John Lennon&#8230;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea descreveria sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica me deu tudo que tenho. Sou completamente dependente dela, mas \u00e9 uma depend\u00eancia boa, apaixonada e pacifica.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea se considera um \u201cnerd de m\u00fasica\u201d? O que isso significa pra voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me considero um nerd de m\u00fasica n\u00e3o. Eu acho que o nerdismo muitas vezes se torna um v\u00edcio em que o objeto (no caso a m\u00fasica) fica em segundo plano e o v\u00edcio em primeiro: a pessoa tem que ter todos os discos, saber todas as coisas ao m\u00e1ximo sobre cada disco, o nome do cachorro do roadie do baterista, essas bobagens. Prefiro me concentrar na m\u00fasica e nas pe\u00e7as que a constroem.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 passou por alguma situa\u00e7\u00e3o estranha ou divertida por conta da paix\u00e3o pela m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nConviver com pessoas que amam a m\u00fasica prop\u00f5e a voc\u00ea centenas de situa\u00e7\u00f5es divertidas. Saca os personagens de Nick Hornby em \u201cAlta Fidelidade\u201d? Eles s\u00e3o reais! Ou ao menos t\u00eam dezenas de vers\u00f5es pelo mundo. Isso \u00e9 hil\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea consome m\u00fasica hoje em dia?<\/strong><br \/>\nCerca de 80% da m\u00fasica que ou\u00e7o vem de CDs e vinis, mas uns 19% que recebo por streaming ou baixo. E dai tem menos de 1% que ou\u00e7o em streaming. Prezo muito pelo formato f\u00edsico.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 do tipo que coleciona discos?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 comprei muito mais do que compro hoje em dia, afinal, a crise est\u00e1 tensa, mas n\u00e3o d\u00e1 pra negar que ter uns 1000 vinis e uns 15 mil CDs me fa\u00e7a um colecionador.<\/p>\n<p><strong>Se pudesse resumir a sua cole\u00e7\u00e3o a cinco discos, quais seriam e por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu teria duas formas de tentar fazer esse resumo: a primeira seria a de escolher os discos da minha vida, dai entrariam \u201cLondon Calling\u201d, do Clash, \u201cOcean Rain\u201d, do Echo and The Bunnymen, \u201cSongs and Storeis\u201d, do Husker Du, \u201cCloser\u201d, do Joy Division, e \u201cDoolittle\u201d, do Pixies. A segunda maneira seria resumir a discos \u201cnovos\u201d que amo muito, favoritos que retorno sempre que posso. Dai escolheria \u201cThe King is Dead\u201d, do Decemberists; \u201cYankee Hotel Foxtrot\u201d, do Wilco; \u201cMy Secret is My Silence\u201d, do Roddy Woomble; \u201cMy Woman\u201d, da Angel Olsen; e \u201cOutras Hist\u00f3rias\u201d, do Deolinda.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea costuma ir em muitos shows? Por que?<\/strong><br \/>\nSim, vou a muitos shows. Porque a m\u00fasica acontece ao vivo. \u00c9 ali, no palco, que o que est\u00e1 no disco se transforma em real \u2013 para o bem e para o mal.<\/p>\n<p><strong>O que essa experi\u00eancia de show representa na sua vida?<\/strong><br \/>\nTudo. Minhas viagens s\u00e3o organizadas de acordo com os shows que quero ver. Houve um ano em que fiz uma viagem pra Europa que come\u00e7ou com o festival Primavera Sound, em Barcelona; depois vi Guns com um amigo em Paris; no outro dia est\u00e1vamos vendo Lou Reed em Luxemburgo; dois dias depois era a vez de assistir a Tom Petty na Irlanda. De l\u00e1 voltei pra Barcelona para assistir ao Stone Roses. Essa loucura de roteiro mostra como shows s\u00e3o importantes pra mim.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea consegue listar alguns que marcaram sua vida?<\/strong><br \/>\nEu tenho uma lista com mais de 100 shows entre o meio dos anos 80 e hoje em dia. Atualmente, entre os inesquec\u00edveis da minha vida, um Top 10 poss\u00edvel teria Arcade Fire no Coachella, em 2011; Radiohead em S\u00e3o Paulo, 2009; Bruce Springsteen em Trieste, 2012; Blur no Hyde Park, 2009; Leonard Cohen no Benic\u00e0ssim, 2008; Lou Reed em M\u00e1laga, 2008; R.E.M. no Rock in Rio, 2001; Page e Plant no Hollywood Rock de 1995, Elvis Costello no Tom Brasil em 1995, e Portishead no Best Kept Secret, 2013.<\/p>\n<p><strong>O que mais te empolga na m\u00fasica produzida atualmente, tanto no Brasil quanto no mundo?<\/strong><br \/>\nA liga\u00e7\u00e3o com suas ra\u00edzes. Acredito que estamos vivendo um momento especial, em que muitos povos est\u00e3o buscando valorizar sua cultura, mas sem ligar para fronteiras. Isso est\u00e1 fazendo com que muita m\u00fasica nova esteja surgindo desta aparente falta de fronteira musical que a internet nos permite aproveitar.<\/p>\n<p><strong>A forma de produzir e distribuir m\u00fasica mudou muito de alguns anos para c\u00e1, o que d\u00e1 mais liberdade para os artistas alternativos que n\u00e3o querem ou n\u00e3o conseguem entrar nas grandes gravadoras. Como voc\u00ea enxerga esse movimento?<\/strong><br \/>\nAcho sensacional. A liberdade criativa \u00e9 algo muito importante. O que \u00e9 preciso \u00e9 buscar uma forma de que essa arte gere um m\u00ednimo de lucro para que o artista receba pela arte que produz.<\/p>\n<p><strong>O Scream and Yell j\u00e1 est\u00e1 no ar, acompanhando o mundo da m\u00fasica h\u00e1 17 anos. O que \u00e9 mais importante para voc\u00ea na hist\u00f3ria do site?<\/strong><br \/>\nA valoriza\u00e7\u00e3o da cena independente nacional dando o mesmo espa\u00e7o para um jovem artista que damos a um Caetano, a um Chico, a um Electric Six, a um Teenage Fanclub. E tamb\u00e9m a nossa tentativa de promover conex\u00f5es musicais com Portugal e Am\u00e9rica Latina, um dos nossos maiores desafios atuais, mas que j\u00e1 vem rendendo frutos!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acredita que houve grandes mudan\u00e7as na forma de consumir conte\u00fado sobre m\u00fasica nesse tempo? Quais foram as mudan\u00e7as mais significativas que voc\u00ea poderia apontar para n\u00f3s?<\/strong><br \/>\nMudou tudo. Quando o site surgiu, o CD ainda reinava e o MP3 era um vislumbre poss\u00edvel nos Estados Unidos e Europa. Dai veio o Napster e a coisa toda virou de cabe\u00e7a pra baixo. Hoje temos o vinil novamente valorizado, temos artistas lan\u00e7ando trabalhos em fita cassete, temos uma vasta gama de possibilidades. As coisas est\u00e3o mudando a toda hora, todos os dias. Dif\u00edcil \u00e9 acompanhar, mas a gente tenta \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/entrevistas\/\"><em>Veja outras entrevistas aqui<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida a R\u00favila Avelino, em fevereiro de 2017, para o site Like a Rock Qual a sua primeira mem\u00f3ria relacionada \u00e0 m\u00fasica? Festas em casa organizadas pelo meu pai, que tinha uma vasta cole\u00e7\u00e3o de MPB, coisa fina. 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