{"id":14210,"date":"2010-03-25T21:38:40","date_gmt":"2010-03-26T00:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/?p=14210"},"modified":"2016-08-04T21:40:55","modified_gmt":"2016-08-05T00:40:55","slug":"blogdobracin-entrevista-marcelo-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2010\/03\/25\/blogdobracin-entrevista-marcelo-costa\/","title":{"rendered":"Entrevista ao Blog do Bracin"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Entrevista concedida a Vinicius Felix<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Se voc\u00ea \u00e9 leitor deste blog h\u00e1 algum tempo provavelmente sabe quem ele \u00e9. Se n\u00e3o sabe eu deixo que ele se apresente:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cMarcelo Costa \u00e9 um leonino do segundo decanato com ascendente em touro apaixonado por cervejas belgas, cacha\u00e7as mineiras, picanha ao ponto, mixto quente com salada e bacon, pipoca do Cinemark e tortinhas de morango. Editor do Scream &amp; Yell, coordenador de capa do iG, DJ eventual, cozinheiro de fim de semana e centroavante nos moldes do grande Gerald\u00e3o. Escreve sobre romances e cultura pop.\u201d (retirado do seu perfil no blog \u201cCalmantes com Champagne\u201d)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Foi a pouco mais de tr\u00eas anos que conheci o Scream &amp; Yell e seu editor, Marcelo Costa, via Comunidade da Bizz no Orkut.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Gostei logo do site e dos textos do Marcelo pela boa escrita e identifica\u00e7\u00e3o com as opini\u00f5es e gostos. Estava no terceiro ano do ensino m\u00e9dio e j\u00e1 tinha certeza em prestar jornalismo. Veio em boa parte dali o incentivo para come\u00e7ar a rabiscar um blog para treinar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A influ\u00eancia era tanta que na minha cabe\u00e7a tinha certeza que quando entrasse na faculdade e tivesse que fazer uma entrevista falaria com o Marcelo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tanto tempo depois e esta a\u00ed a entrevista com ele, feita por e-mail, resultado de um trabalho para faculdade onde foi necess\u00e1rio entrevistar algum profissional da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o e conseguir um perfil de sua rotina, carreira e outros detalhes profissionais, acad\u00eamicos e pessoais.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Minhas perguntas s\u00e3o simples, at\u00e9 pelo limite do tema \u2013 e pela falta de manha (primeira vez \u00e9 foda) \u2013, mas o Marcelo foi incr\u00edvel e deu respostas que voc\u00ea tem que ler. Ali\u00e1s agrade\u00e7o muito ele por ter cedido a entrevista e tamb\u00e9m pela sua aten\u00e7\u00e3o em concordar com o prazo curt\u00edssimo para a entrega do trabalho e depois ainda mandar um \u201cvers\u00e3o melhorada\u201d para ser publicada aqui.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>N\u00e3o sei ainda se rendeu um dez, mas o que eu aprendi nesta entrevista vale muito mais que qualquer nota.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Vamos l\u00e1<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 formado em jornalismo, certo? Faz alguma falta isso ou voc\u00ea acha que a experi\u00eancia j\u00e1 deu conta de suprir qualquer ensinamento da faculdade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu me formei em Publicidade e Propaganda e, a rigor, qualquer faculdade \u00e9 importante. A minha abriu meu olhar para uma s\u00e9rie de coisas que me ajudaram bastante profissionalmente. E acho que isso tamb\u00e9m deve acontecer com a Faculdade de Jornalismo, mas \u00e9 preciso lembrar que faculdade \u00e9 apenas a ponta do iceberg no quesito estudo. Vai soar piegas, mas a vida \u00e9 que a escola. A faculdade te d\u00e1 possibilidades e certos direcionamentos, mas o jornalista aprende mesmo na reda\u00e7\u00e3o, escrevendo, lendo, prestando aten\u00e7\u00e3o no mundo que o cerca. Eu gosto do jornalista que eu sou hoje em dia, mas precisei camelar para isso. Numa de minhas sa\u00eddas do iG, expliquei para minha superiora que eu precisava ir pois o outro emprego iria me dar oportunidades de fazer pauta na rua, entrevistar com microfone, fazer links ao vivo, coisas que naquela \u00e9poca n\u00e3o iria rolar no iG. E eu precisava crescer como profissional. Ou seja, acabei aprendendo o oficio em reda\u00e7\u00e3o. Acho que a faculdade tem o seu valor, mas muitas vezes ela acaba podando a liberdade textual do jornalista na cegueira das regras. N\u00e3o a toa, alguns dos jornalistas que mais admiro n\u00e3o fizeram jornalismo.<br \/>\n<strong><br \/>\nComo foi basicamente sua vida universit\u00e1ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normal\u2026 acho. Fui campe\u00e3o de truco na Semana da Comunica\u00e7\u00e3o (risos). Tive sorte em estudar na primeira turma grande matutina de PP da Unitau (Universidade de Taubat\u00e9). Eu trabalhava como auxiliar de biblioteca na Faculdade de Direito, passei no vestibular para Jornalismo, mas n\u00e3o havia jornalismo matutino, s\u00f3 noturno, e a pr\u00f3-reitora n\u00e3o abria m\u00e3o de eu abandonar a biblioteca \u00e0 noite (e eu precisava do trabalho n\u00e3o s\u00f3 para pagar a faculdade, mas tamb\u00e9m porque ele me dava uma bolsa de 50% por ser funcion\u00e1rio concursado da universidade). PP foi minha segunda op\u00e7\u00e3o. Entrei e encontrei uma turma excepcional, inteligente, agitada. Imagina: \u00e9ramos 70 calouros contra 15 veteranos (risos). Isso nos deu uma liberdade do tipo: \u201cPodemos fazer o que quiser aqui nesse lugar\u201d. E fizemos. De pe\u00e7as de teatro a n\u00fameros musicais. Nas aulas de r\u00e1dio, apresent\u00e1vamos programas em italian\u00eas (risos). Meu ponto alto foi o trabalho que apresentei para a cadeira de Est\u00e9tica de Cultura de Massa. A professora pediu uma leitura cr\u00edtica da \u201cDivina Com\u00e9dia\u201d, de Dante. Chamei um guitarrista amigo apaixonado por blues e metal e um DJ para fazer uma base pesada (pensando hoje, era puro Nine Inch Nails). Colocamos uns quinze lat\u00f5es com velas na frente da faculdade. Era noite do encerramento da Semana da Comunica\u00e7\u00e3o, com teatro lotado. Assim que acabou a cerim\u00f4nia, come\u00e7ou o barulho. Eu declamava uma cita\u00e7\u00e3o de Aldous Huxley, um poema meu em tr\u00eas partes, e fechava declamando \u201cOs Prov\u00e9rbios do Inferno\u201d, de William Blake, sob uma base de microfonia. Foram 10 minutos ensurdecedores com todo mundo saindo do teatro e atravessando aquele purgat\u00f3rio (risos). Uns cinco anos depois encontrei uma menina em uma balada. Ela fazia Arquitetura e tinha ido a Comunica\u00e7\u00e3o com uma amiga, e ficou chapada com o arranjo que fizemos. Valeu a pena (e tamb\u00e9m um 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem alguma pretens\u00e3o em fazer doutorado, mestrado, caso n\u00e3o tenha ainda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu cheguei a ter vontade de fazer, mas hoje em dia sem chance. Ao menos que algu\u00e9m aumentasse o dia de 24 para 36 horas. E olhe l\u00e1. Talvez ainda n\u00e3o me sobrasse tempo. N\u00e3o \u00e9 a toa que estou respondendo isso a 1 da manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A motiva\u00e7\u00e3o para trabalhar com jornalismo veio antes ou depois de alguma necessidade profissional? Em que momento o Screm &amp; Yell come\u00e7ou? Foi antes dessa necessidade, por paix\u00e3o por escrever ou surgiu depois quando voc\u00ea j\u00e1 estava formado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu pai sempre sonhou em ser jornalista. Ele era chefe da seguran\u00e7a da Volkswagen, mas escrevia no jornal da empresa, apresentava programa de r\u00e1dio. E aquilo de alguma forma me impressionou. Ent\u00e3o, desde que me conhe\u00e7o por gente penso em ser jornalista. Eu gostava daquilo, dele mostrando o jornal pra n\u00f3s. Parecia\u2026 especial. Da\u00ed veio a paix\u00e3o por m\u00fasica (tamb\u00e9m herdada dele) e a Bizz, e ent\u00e3o j\u00e1 viu: l\u00e1 estava eu, mais um moleque de 15 anos querendo escrever sobre m\u00fasica pop. Mas isso demorou a acontecer. Eu fazia o que todo moleque faz, que era escrever poesias. Eu explorava as formas (sonetos, baladas, redondilhas), e isso me fazia escrever melhor, mas s\u00f3 fui escrever algo sobre m\u00fasica quando uma namorada, a Maria Teresa, pediu um texto meu para ela mostrar para um amigo. Deve estar em algum lugar aqui em casa, e ficou uma porcaria. A id\u00e9ia era boa, mas como assim, escrever um texto sem gancho? Eu quero pauta (risos). Escrever um texto do nada foi bastante desafiador. Mas ela queria me colocar em contato com algumas pessoas que escreviam, ela queria me colocar em um jornal. Depois disso s\u00f3 fui escrever \u00e0 s\u00e9rio quando surgiu o Scream &amp; Yell, na metade da faculdade. Dois amigos j\u00e1 tinham feito um fanzine na classe, o Gambiarra, e aquilo me deu id\u00e9ias. Comentei a id\u00e9ia com um amigo que fazia Direito, e um dia ele aparece em casa do nada. Era 25 de dezembro, natal, e ele surge com a proposta de fazermos um fanzine exatamente pela paix\u00e3o de escrever. Nessa primeira fase, que durou uns tr\u00eas meses, nossa id\u00e9ia era mapear a cena local. Fazer um fanzine de cultura sobre Taubat\u00e9. Entrevistamos banda de metal da cidade. Mas da\u00ed o Jo\u00e3o se acidentou, e morreu. Aposentei a id\u00e9ia at\u00e9 um outro cara, que estudava com o Jo\u00e3o no Direito e tinha visto um rascunho do fanzine, fazer a proposta de tocarmos juntos o neg\u00f3cio. Foi um ano e pouco depois do acidente, eu j\u00e1 namorava outra garota, a Karina, que manjava de computa\u00e7\u00e3o (PageMaker), e nos ajudou a formatar a id\u00e9ia do que quer\u00edamos. Aqui j\u00e1 h\u00e1 uma necessidade de escrever devido aos ve\u00edculos que eu acompanhava (Ilustrada, Bizz) n\u00e3o estarem trazendo nada de novo. Ent\u00e3o foi algo: \u201cSe eles n\u00e3o falam das bandas que deveriam ser faladas, a gente fala\u201d. Nasceu o Scream &amp; Yell\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, quais s\u00e3o foram suas influ\u00eancias para escrever? O que voc\u00ea lia, ouvia quando come\u00e7ou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jornalistas: Ana Maria Bahiana e Andr\u00e9 Forastieri. Eu lia muito eles. Lia, recortava, guardava, lia de novo. N\u00e3o \u00e9 a toa que t\u00ednhamos uma se\u00e7\u00e3o no fanzine chamada \u201cMat\u00e9rias Antol\u00f3gicas\u201d. Eu queria ter escrito tudo aquilo, e queria que mais pessoas lessem. Eu lia muito Shakespeare, Oscar Wilde, Aldous Huxley, Vinicius de Moraes e Morris West na \u00e9poca. E ouvia muita m\u00fasica, traduzia letras com o dicion\u00e1rio na m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que eu me lembre voc\u00ea trabalhou nos principais portais do pa\u00eds, ou seja, pelas minhas contas aqui seu trabalho com internet vem de uma \u00e9poca menos popular dela e at\u00e9 uma fase extremamente popular, a atual. Quais portais foram e em quando e quanto voc\u00ea trabalhou em cada um? Como s\u00e3o as diferen\u00e7as desses per\u00edodos? E como \u00e9 trabalhar com um material t\u00e3o passageiro, incomoda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu cheguei em S\u00e3o Paulo em 2000 para trabalhar no rec\u00e9m criado iG. Cheguei em agosto para um trabalho como redator de nova economia (no iG.com \u2013 iG Economia), que nem eu e nem a editora sab\u00edamos direito o que era (risos). Trabalhava de 6h \u00e0s 12h, e em dezembro acumulei o Noticias Populares, cobrindo esportes. Passei a entrar no iG \u00e0s 5h e sair \u00e0s 11h. Ai eu almo\u00e7ava e corria pro NP, \u00e0s 14h, e ficava at\u00e9 a rodada do futebol acabar. Isso durou pouco mais de um m\u00eas. A diretoria da Folha da Manh\u00e3 assassinou o NP e o iG.com foi engolido pela bolha da internet. Foram uns seis, sete meses de trabalho, mas eu dei sorte. No mesmo dia que o iG fechou o iG.com (e demitiu as 24 pessoas \u2013 imagina: 24 pessoas na editoria de apenas um canal???) tinha show do Mudhoney. Enchi a cara, e fui desabafar ao som de \u201cTouch I\u2019m Sick\u201d. Na porta encontrei um cara que eu j\u00e1 conhecia por ele ter escrito algo para o Scream &amp; Yell (o site entrou no ar em novembro de 2000), e ele me arranjou um frila para cobrir esportes em um site parceiro da Zip.Net, o Esportes-E (do Banco do Brasil). Eu s\u00f3 trabalhava aos s\u00e1bados e domingos (e ganhava mais do que trabalhando o m\u00eas inteiro no iG), e cobria jogos do Gustavo Kuerten e da sele\u00e7\u00e3o de v\u00f4lei, esportes que o BB patrocinava. Ent\u00e3o o UOL comprou a Zip.Net, e esmagou o portal. Foi mandando paulatinamente todo mundo embora. Desse site parceiro mandaram o jornalista, depois o editor, depois o webmaster. Sobrou eu. E o UOL teria que honrar a parceria assinada em contrato com o BB. Ent\u00e3o me ofereceram um contrato de 15 meses para eu ser editor do site. E eu fui pro UOL. Os 15 meses se passaram, a parceria acabou, e eu fiquei mais cinco meses trabalhando em outros projetos. Chegou janeiro de 2003, meu chefe (que estava me pagando por border\u00f4, j\u00e1 que meu contrato tinha acabado uns seis meses antes) falou que n\u00e3o iria sobrar grana naquele m\u00eas pra mim. Fui pra casa. Numa balada encontrei minha ex-chefe do iG, que me convidou pra voltar para ser redator de capa do portal. Fui. Seis meses depois recebi uma proposta do Terra. Era para uma vaga de editor de m\u00fasica, mas eles curtiram meu curr\u00edculo e acabaram me dando a vaga de sub-editor de Divers\u00e3o e Cultura. Foram tr\u00eas anos intensos. A chefia mudou, fui sa\u00eddo. Tirei um semestre sab\u00e1tico e, quando menos esperava, l\u00e1 estava o iG de portas abertas para mim novamente. Voltei para ser editor de capa. E hoje fa\u00e7o parte da equipe que coordena a edi\u00e7\u00e3o de capa do portal (junto a do BrTurbo, do iBest e da Oi).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o existe tanta diferen\u00e7a entre esses per\u00edodos. Porque a internet ainda \u00e9 um meio a ser desbravado. Ningu\u00e9m pode dizer com toda a certeza do mundo o que \u00e9 certo e o que \u00e9 errado na internet. N\u00e3o existe formula. As pessoas se surpreendem quando digo que publico entrevistas no Scream &amp; Yell com 15, 16 laudas. E quem disse que n\u00e3o posso publicar? Se o material for relevante, o leitor acompanha, mas \u00e9 o leitor de um grande portal \u00e9 diferente do Scream, claro. Ent\u00e3o, os grandes portais ainda est\u00e3o tateando no escuro. Os grandes jornais do mundo tamb\u00e9m.<br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong>Quanto ao material passageiro, uma quest\u00e3o: qual a o veiculo que se perde mais? Os jornais, que v\u00e3o embrulhar peixe, banana ou servirem de forro para gaiolas ou a internet? Uma das mat\u00e9rias mais lidas do site no m\u00eas passado foi uma reflex\u00e3o que o Marco Antonio Barbosa, do Jornal do Brasil, escreveu sobre o \u201cApanhador no Campo de Centeio\u201d\u2026 em 2000. Hoje (18\/03\/2010) linkei no twitter um texto do Marcelo Orozco (ex-NP, atual Vip) escreveu em 2000 sobre o Big Star. Ser\u00e1 que \u00e9 passageiro mesmo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fale um pouco sobre sua rotina de trabalho no portal. Como \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o por l\u00e1, as coisas que voc\u00ea sempre faz, seus principais prazeres e o que \u00e9 chato demais nessa rotina. Como \u00e9 seu retorno do trabalho feito l\u00e1? Procurei muito, mas n\u00e3o encontrei, por exemplo, o nome do pessoal que edita o portal.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos preparando uma p\u00e1gina com o expediente do portal, mas ela ainda n\u00e3o est\u00e1 no ar. Bem, a minha rotina \u00e9 escolher (junto com mais quatro pessoas, sendo dois superiores) as mat\u00e9rias que v\u00e3o ser destacadas na capa, dentre as centenas que nos recebemos. Essa equipe escolhe n\u00e3o s\u00f3 a mat\u00e9ria, mas onde ela vai ficar na capa, e o tempo que ela vai ficar. Ent\u00e3o a rotina \u00e9 receber a pauta dos cadernos, analisar a validade jornal\u00edstica e a qualidade editorial dela, e encaixar aquela pauta no quebra-cabe\u00e7a de uma primeira p\u00e1gina de portal. O prazeroso \u00e9 que voc\u00ea acaba tendo contato com muita informa\u00e7\u00e3o vinda de todos os lados. O chato \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o escreve, apenas ad\u00e9qua o conte\u00fado que as pessoas te mandam em manchetes e boxes tem\u00e1ticos. E, posso estar enganado, mas 90% das pessoas que escolhem o jornalismo o fazem porque querem escrever. Basta subir um pouquinho na carreira que voc\u00ea deixa de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m escreve para a Rolling Stone e para a Billboard, as \u00fanicas revistas de cultura pop que circulam da maneira tradicional ainda. Ainda acredita nesse velho formato ou mais na internet, ou em revistas virtuais, voc\u00ea tamb\u00e9m colabora bastante para algumas, certo?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEu acredito no poder da palavra, mesmo. Seja na imprensa escrita, seja na internet. \u00c9 bom lembrar que 60 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam acesso \u00e0 internet, e apesar de ser um n\u00famero sensacional, e os outros 140 milh\u00f5es? Alguns desses l\u00eaem revistas, apesar das tiragens estarem despencando. Acho que h\u00e1 espa\u00e7o para ambos, assim como defendo que as revistas v\u00e3o precisar se desdobrar para convencer o leitor que o pre\u00e7o de capa foi bem pago. Ningu\u00e9m quer comprar uma revista para encontrar ali o que ele poderia encontrar de gra\u00e7a na internet. Por\u00e9m, muita gente paga por opini\u00e3o. Eu compro uma revista que tenha textos do Andr\u00e9 Forastieri, Lucio Ribeiro e Ana Maria Bahiana porque a opini\u00e3o deles me interessa. A informa\u00e7\u00e3o eu posso at\u00e9 saber, mas o modo como eles colocam as coisas me faz comprar a revista. Acontece o mesmo na web.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma grande d\u00favida dos jovens alunos acho que \u00e9 com o freelancer. Como conseguir, como administra-los. Lembro de uma verdadeira saga sua para receber certa vez um pagamento de freela, que voc\u00ea relatou cada enrolada da editora. Como funciona essa parte da profiss\u00e3o e quais s\u00e3o as dicas para um bom freelancer? Como mostrar o primeiro trabalho, fazer contatos, etc?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ser um bom frila voc\u00ea precisa ter uma id\u00e9ia genial por semana. S\u00e9rio. Pagar aluguel com frila \u00e9 pra poucos. A maneira de conseguir \u00e9 simples: \u00e9 s\u00f3 meter o p\u00e9 na porta do editor (risos), ou, menos violento, achar o email dele (que hoje em dia n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil) e oferecer uma pauta que s\u00f3 voc\u00ea tenha pensado. Nenhum editor recusa uma pauta boa\u2026 mas tem que ser boa.<br \/>\n<strong><br \/>\nSeu site musical j\u00e1 deu algum lucro ou n\u00e3o, \u00e9 puramente, como j\u00e1 disse, paix\u00e3o? E os nomes que voc\u00ea j\u00e1 revelou? Em 10 anos quantos j\u00e1 leram e escreveram por l\u00e1? \u00c9 um n\u00famero significativo, comparado at\u00e9 o de grandes ve\u00edculos com objetivo diferentes, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depende da forma que uma pessoa entende o lucro. Quem entende que lucro \u00e9 ganhar dinheiro, bem, o Scream nunca deu lucro. Mas abriu portas. Muitas. Eu fui chamado para um teste no iG devido aos textos que eu mostrava no Scream &amp; Yell em papel. J\u00e1 fui chamado para palestras, debates, entrevistas e conheci as pessoas que mais admiro na profiss\u00e3o (e algumas na m\u00fasica) atrav\u00e9s do Scream. Isso pra mim \u00e9 lucro. Quantos j\u00e1 leram? N\u00e3o tenho um n\u00famero preciso. Segundo as estat\u00edsticas do site, em 2009 foram 533 mil visitantes \u00fanicos. Em 2004 tinha sido 167 mil visitantes \u00fanicos. Em dois meses e meio de 2010 j\u00e1 temos 128 mil. J\u00e1 a lista de pessoas que escreveram para o site \u00e9 imensa, e muita gente boa. Quem sabe um dia eu n\u00e3o fa\u00e7o um list\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou me render a um clich\u00ea, como voc\u00ea v\u00ea o jornalismo daqui alguns anos? Voc\u00ea pretende participar disso ou pensa em descansar ou mudar de carreira? Ou acha que esse fasc\u00ednio em escrever ser\u00e1 eterno?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalismo vai existir. Sempre. Acho que a tend\u00eancia \u00e9 o mercado crescer, e exigir cada vez mais do profissional. Agora todo leitor tem acesso a informa\u00e7\u00f5es de fontes oficiais. Se voc\u00ea der uma mancada, ele vem e pega no seu p\u00e9, e n\u00e3o volta. Quanto a mim, uma das boas coisas do jornalismo \u00e9 que voc\u00ea pode (e deve) escrever sentado (risos). Enquanto o c\u00e9rebro funcionar quero estar escrevendo, mas ainda n\u00e3o sei sobre o que nem quanto tempo vou conseguir enfrentar baladas de madrugada da rua Augusta para ver shows de gente sensacional. J\u00e1 ando passando alguns\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, quais s\u00e3o suas dicas para os estudantes? Al\u00e9m de escrever e ler muito, qual outra qualidade voc\u00ea considera indispens\u00e1vel para o jornalista? Filmes e livros tamb\u00e9m indispens\u00e1veis, cite alguns?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dica n\u00famero 1: abra um blog, e comece a postar ali as coisas que voc\u00ea acha sobre o mundo. Escrever \u00e9 exerc\u00edcio. Quanto mais voc\u00ea escreve, mais as palavras te procuram na hora em que voc\u00ea precisa fechar um par\u00e1grafo confuso. Ler \u00e9 obrigat\u00f3rio. Nem que seja bula de rem\u00e9dio, mas dispense os livros de auto-ajuda. Voc\u00ea precisa ter a cabe\u00e7a em ordem para escrever bem e n\u00e3o filosofar bobagem. Se quer filosofia v\u00e1 atr\u00e1s dos grandes. Devore entrevistas e resenhas como se toma caf\u00e9 da manh\u00e3. Exerc\u00edcio: a coisa s\u00f3 come\u00e7a a funcionar quando voc\u00ea pega um texto e no primeiro par\u00e1grafo j\u00e1 descobre quem o escreveu. Quando voc\u00ea passa a distinguir bem os textos voc\u00ea passa tamb\u00e9m a ter um leque de op\u00e7\u00f5es que pode ser usado na hora que voc\u00ea precisar. Escrever \u00e9 filtrar nossas maiores influ\u00eancias atrav\u00e9s de nosso prisma pessoal. E, por fim, discuta muito. Veja um filme e analise. Discorde, concorde, mas argumente. Escrever (e principalmente resenhar, que \u00e9 o que a maioria gosta de fazer) tamb\u00e9m \u00e9 argumenta\u00e7\u00e3o. E isso lhe prepara para a vida, porque ela tamb\u00e9m \u00e9 feita de argumenta\u00e7\u00e3o. E aquele que presta aten\u00e7\u00e3o aos detalhes e sabe discutir e argumentar est\u00e1 um passo \u00e0 frente. Como diria Blake, &#8220;se os outros n\u00e3o fossem tolos, n\u00f3s ter\u00edamos que ser&#8221;. E como diria Forastieri, &#8220;ter um pouco de car\u00e1ter tamb\u00e9m nunca atrapalhou ningu\u00e9m&#8221;. Por fim, como diria Tony Parsons, &#8220;fique perto das coisas que voc\u00ea ama. E leve um bast\u00e3o de beisebol para o resto&#8221;. Basta.<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/entrevistas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida a Vinicius Felix Se voc\u00ea \u00e9 leitor deste blog h\u00e1 algum tempo provavelmente sabe quem ele \u00e9. Se n\u00e3o sabe eu deixo que ele se apresente: \u201cMarcelo Costa \u00e9 um leonino do segundo decanato com ascendente em touro apaixonado por cervejas belgas, cacha\u00e7as mineiras, picanha ao ponto, mixto quente com salada e bacon, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14210"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14210"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14210\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14212,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14210\/revisions\/14212"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}