{"id":13605,"date":"2013-05-01T12:34:50","date_gmt":"2013-05-01T15:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/01\/eua-2013-feliz-em-memphis\/"},"modified":"2013-05-01T12:34:50","modified_gmt":"2013-05-01T15:34:50","slug":"eua-2013-feliz-em-memphis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/01\/eua-2013-feliz-em-memphis\/","title":{"rendered":"EUA 2013: Feliz em Memphis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem1.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"mem1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Chegamos a Memphis na segunda-feira, e a cidade pareceu logo de cara mais real. Na verdade, Lili matou a charada logo assim que come\u00e7amos a caminhar pelas ruas de Nashville: \u201cEla parece uma cidade cenogr\u00e1fica\u201d. E parece mesmo. As coisas devem funcionar em Nashville como na Galeria do Rock, como diz um amigo: voc\u00ea entra normal pela Rua 24 de Maio e sai na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o roqueiro com piercing, tatuagem, All Star, jaqueta de couro, cal\u00e7a surrada e o escambau. Em Nashville, basta entrar em algumas lojas da Broadway para se transformar em um aut\u00eantico f\u00e3 de country. Em Memphis, no entanto, a coisa parece diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem5.jpg\" alt=\"mem5.jpg\" \/><\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, blues e rock s\u00e3o muito mais interessantes que o country de boutique que \u00e9 praticado por gente que ser o novo Garth Brooks ou a nova Taylor Swift. Mas, al\u00e9m disso, o clima na cidade que viu Martin Luther King Jr. ser assassinado \u00e9, inevitavelmente, pesado (e assistir ao epis\u00f3dio de Mad Men desta semana antes de ir ao Museu dos Direitos Civis n\u00e3o poderia ter sido mais perfeito para nos colocar no clima). Al\u00e9m, Lili acha uma tremenda injusti\u00e7a ver o povo que criou tudo que conhecemos em termos de r&amp;b e rock and roll tocar por uns trocados na Beale Street enquanto os plagiadores est\u00e3o por ai garfando milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem3.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"mem3.jpg\" \/><\/p>\n<p>No entanto, essa \u00e9 Am\u00e9rica. Ok, estou olhando o lado do copo meio vazio, eu sei, mas estou gostando tanto das pessoas nesta viagem que \u00e9 complicado aceitar a forma com que o pa\u00eds mais rico do mundo trata seus filhos com base em uma igualdade que n\u00e3o funciona. Primeira emenda? Sei. A crise que atinge Donald Trump n\u00e3o \u00e9 a mesma que atinge uma pessoa de classe m\u00e9dia baixa. Muito menos as oportunidades. Por\u00e9m, como disse uma senhora num ponto de \u00f4nibus assim que falamos que o Brasil era um pa\u00eds \u00f3timo, mas cheio de problemas: \u201cA Am\u00e9rica tamb\u00e9m tem muitos problemas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem4.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"mem4.jpg\" \/><\/p>\n<p>Sentir a Am\u00e9rica viva em Memphis j\u00e1 me fez admirar a cidade, que tamb\u00e9m tem seus momentos de cidade fantasma. Voc\u00ea j\u00e1 ouviu isso 10 mil vezes, e agora ir\u00e1 ouvir mais uma: sem carro, a vida por aqui \u00e9 bem mais complicada. Os quatro pneus s\u00e3o uma extens\u00e3o do ser-humano por estes lados, e basta alguns dias para perceber porque o Oriente M\u00e9dio \u00e9 o tend\u00e3o de Aquiles dos presidentes norte-americanos: se faltar ouro negro esse pa\u00eds para. E s\u00e3o s\u00f3 as pessoas mais comuns, os homeless e turistas, como eu, que tem tanta vontade de tirar carteira de motorista quanto de tirar um dente, que andam de transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem6.jpg\" alt=\"mem6.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" \/><\/p>\n<p>Memphis tem Bondinhos que fazem o trajeto central, e uma linha que se estende at\u00e9 um pouco al\u00e9m da Rodovia, mas esta longe da periferia. Pra l\u00e1 e pra Graceland, se voc\u00ea n\u00e3o tiver carro, ou alugar um, s\u00f3 \u00f4nibus ou morrer uma grana com taxi. Optamos em encarar o bus\u00e3o num trajeto de meia hora, e fomos os \u00fanicos dois turistas daquele \u00f4nibus lotado a descer na mans\u00e3o que foi de Elvis Aaron Presley \u2013 e olha que o complexo, hoje museu e um pequeno shopping de bugigangas relacionadas ao mito, estava completamente lotado por vov\u00f4s e vov\u00f3s que deviam ter 15 anos quando Elvis cravou \u201cHeartbreak Hotel\u201d nas paradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem7.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"mem7.jpg\" \/><\/p>\n<p>Graceland, a resid\u00eancia oficial de Elvis em Memphis, \u00e9 bem menor do que a expectativa sup\u00f5e. E t\u00e3o brega quanto voc\u00ea pode imaginar (no estilo \u201cd\u00ea um monte de dinheiro para uma pessoa, e observe o mau-gosto tomando forma\u201d). Ok, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3ooo assim, s\u00f3 um pouco. A mans\u00e3o tem espelhos para todo canto fortalecendo a ideia de que \u00eddolos precisam constantemente se olhar no espelho para reafirmar poder (Freud deve explicar), algumas salas com cortinas no teto, objetos africanos, carpete na cozinha e muito mais. Mas tem tamb\u00e9m um corredor com discos de ouro para deixar Jay-Z (que escreveu \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/17\/jay-z-lady-gaga-e-robbie-williams\/\" target=\"_blank\">10 n\u00famero 1 em seguida, quem pode ser melhor do que eu? S\u00f3 os Beatles. Eu esmago Elvis Presley em seu sapato de camur\u00e7a azul<\/a>\u201d) corado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem8.jpg\" alt=\"mem8.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" \/><\/p>\n<p>A casa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, mas a propriedade \u00e9 imensa e abriga outras exposi\u00e7\u00f5es como uma que exibe os carr\u00f5es de Elvis e seus dois avi\u00f5es e outra com os filmes do ex-caminhoneiro. Al\u00e9m da sala de discos de ouro, outro destaque \u00e9 a sala que exibe as roupas da fase Elvis Gordo e mais discos de ouro (referentes \u00e0 venda dos \u00e1lbuns do Rei em CD e cassete) e o trecho final, com o t\u00famulo da fam\u00edlia \u2013 embora teorias conspirat\u00f3rias insistam que Elvis vive na Argentina, v\u00ea jogos do Boca J\u00faniors e come parrilada semana sim, semana n\u00e3o. No gift shop h\u00e1 desde compactos 7 polegadas por 5 d\u00f3lares at\u00e9 reedi\u00e7\u00f5es lindas em CD de cada \u00e1lbum. Ainda assim, deixei o local de m\u00e3os abanando (felizmente! A conta agradece).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/mem9.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"mem9.jpg\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\">Antes disso, na manh\u00e3, batemos ponto no m\u00edtico Sun Studio, e ali, confesso, n\u00e3o teve como segurar as l\u00e1grimas. Quando, ap\u00f3s descobrir algumas curiosidades no sal\u00e3o superior (como a hist\u00f3ria do The Prisonaires, quinteto que gravou um hit pelo selo em 1953 \u2013 numa hist\u00f3ria bastante semelhante a do filme dos Irm\u00e3os Coen \u201cE Ai Meu Irm\u00e3o, Cade Voc\u00ea?\u201d: eles gravaram algemados, com bolas de chumbo presas aos p\u00e9s e acompanhados por policiais do Estado), a guia (de cabelo azul) dirige os turistas para a sala de grava\u00e7\u00e3o que ecoou Elvis cantando \u201cThat\u2019s All Right\u201d, Johnny Cash tinindo com \u201cCry, Cry, Cry\u201d, \u201cFolsom Prison Blues\u201d e \u201cWalk The Line\u201d, Jerry Lee Lewis quebrando tudo com \u201cGreat Balls of Fire\u201d, a emo\u00e7\u00e3o toma conta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sun1.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" alt=\"sun1.jpg\" \/><\/p>\n<p>Ainda temos mais um dia para admirar Memphis, mas a cidade j\u00e1 nos conquistou, embora nos assuste. Diferente do parque de divers\u00f5es sertanejas que \u00e9 Nashville, Memphis te olha nos olhos e quer resposta. Acredito que New Orleans tamb\u00e9m deva ser assim, mas estou feliz de estar numa das cidades que foram ber\u00e7os do rock and roll, um estilo de m\u00fasica grisalho, como as centenas de pessoas que fazem esse mesmo roteiro tur\u00edstico que estou fazendo, e que tamb\u00e9m deve ter mudado a vida delas como mudou a minha. Se eu devo alguma coisa \u00e0 m\u00fasica (e devo muito), Memphis era um lugar que eu precisava realmente conhecer. E n\u00e3o h\u00e1 como escrever isso sem estampar um sorriso por estar aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/sun2.jpg\" alt=\"sun2.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Leia mais: Di\u00e1rio de Viagem Estados Unidos 2013 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chegamos a Memphis na segunda-feira, e a cidade pareceu logo de cara mais real. Na verdade, Lili matou a charada logo assim que come\u00e7amos a caminhar pelas ruas de Nashville: \u201cEla parece uma cidade cenogr\u00e1fica\u201d. E parece mesmo. 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