{"id":13599,"date":"2013-05-08T12:14:53","date_gmt":"2013-05-08T15:14:53","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/08\/eua-2013-nova-york-e-peter-murphy\/"},"modified":"2013-05-08T12:14:53","modified_gmt":"2013-05-08T15:14:53","slug":"eua-2013-nova-york-e-peter-murphy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/08\/eua-2013-nova-york-e-peter-murphy\/","title":{"rendered":"EUA 2013: Nova York e Peter Murphy"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny1.jpg\"\/><\/p>\n<p>New York, New York. Deixamos New Orleans apaixonados na madrugada de segunda para ter\u00e7a, e todo sentimento caipira agora \u00e9 coisa do passado. \u201cPra onde voc\u00eas est\u00e3o indo?\u201d, perguntou o rapaz da Delta no aeroporto Louis Armstrong. \u201cNova York\u201d, respondemos. \u201cAhh, The Big Apple\u201d, comentou com um sorriso de quem iria conosco se pudesse. O voo foi tranquilo, afinal, desmaiamos, e quando demos por conta j\u00e1 est\u00e1vamos pousando no aeroporto de La Guardia. Nova York nos recebeu com sol, frio, flores, buzinas e um tr\u00e2nsito ca\u00f3tico. Toda simpatia das tr\u00eas cidades anteriores s\u00e3o coisas do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny2.jpg\"\/><\/p>\n<p>Calma, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 assim. Carl, o seguran\u00e7a de dois metros de altura e largura que nos recebeu na porta do pr\u00e9dio do apartamento que alugamos, disse que a chave n\u00e3o estava na portaria (sab\u00edamos, afinal combinamos o check in para \u00e0s 15h e chegamos \u00e0s 11h30), mas que ele iria ligar e tentar resolver. \u201cV\u00e3o comer alguma coisa e voltem em uns 15 minutos\u201d, orientou, at\u00e9 indicando um lugar bacana. Meia hora depois, nossa chave j\u00e1 estava dispon\u00edvel e era hora de desfazer as malas mais uma vez, organizar a coisa toda e bater um pouquinho de pernas pela cidade que mais exige da disponibilidade f\u00edsica do turista.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny3.jpg\"\/><\/p>\n<p>Sem muita organiza\u00e7\u00e3o, sa\u00edmos caminhando pela Quinta Avenida, entramos na lojinha da Apple, comemos hot-dog vagabundo na frente do Guggenheim (se estivesse com fome comeria 15 destes hot-dogs de 2 d\u00f3lares numa tacada s\u00f3. Junto com uma Cherry Coke de 600 ml), olhamos o Central Park, passamos na Times Square, tudo lindo, tudo maravilhoso para a Lili, turista de primeira hora nessa cidade de pedra e de carros amarelos. Da s\u00e9rie \u201cContos de Nova York\u201d: dois carros encostam na cal\u00e7ada ap\u00f3s uma leve batida; o dono do taxi diz em ingl\u00eas de indiano: \u201cVoc\u00ea atravessou na luz vermelha\u201d. O dono do carro branco responde em ingl\u00eas de indiano: \u201cEu n\u00e3o. Quem atravessou foi voc\u00ea\u201d. De que lado voc\u00ea fica, Deus?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny5.jpg\"\/><\/p>\n<p>No metr\u00f4, pouco depois, um moleque com skate nos bra\u00e7os e a cara mais inocente do mundo senta ao lado de um caipir\u00e3o de bigod\u00e3o boler\u00e3o, chap\u00e9u de cowboy com uma lanterna para iluminar as noticias que ele lia atentamente no jornal, botas enormes com esporas e, assim que ele levantou, um molho de chaves no lado direito, um coldre com uma arma no lado direito. J\u00e1 vi muita coisa estranha no metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo, mas nunca um cara que estivesse atuando como dubl\u00ea de John Wayne uns 50 anos depois\u2026 em Nova York. N\u00e3o queria contar para voc\u00eas, mas cheguei na segunda aqui porque era convidado do baile do Metropolitan, que aconteceu na segunda. Estava t\u00e3o cansado que decidi dar cano. Gisele teve que ir sozinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny6.jpg\"\/><\/p>\n<p>Acordamos cedinho na ter\u00e7a-feira para tentar aproveitar o dia. Visitamos o Guggenheim, museu n\u00famero 1 na listinha pessoal (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/06\/15\/top-15-museus\/\" target=\"_blank\">veja os outros 14 aqui<\/a>), que est\u00e1 exibindo a exposi\u00e7\u00e3o \u201cGutai: Splendid Playground\u201d. O que deu pra perceber da mostra, que toma quase todos os corredores do museu, \u00e9 que Yoshihara Jir? \u00e9 bastante perturbado. Da primeira vez que vim aqui, em 2011, lembro que n\u00e3o havia nenhuma exposi\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, o que faz com que a produ\u00e7\u00e3o preencha os corredores circulares do museu com o fil\u00e9 de sua cole\u00e7\u00e3o. Foi t\u00e3o especial e tocando que desci os corredores com l\u00e1grimas nos olhos. Desta vez, aquela cole\u00e7\u00e3o ficou restringida a uma sala com cerca de 15 a 20 obras, mas valeu por ter visto a hil\u00e1ria Cabe\u00e7a da Dora, de Picasso, e as Montanhas de Saint Remy, de Van Gogh, novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny7.jpg\"\/><\/p>\n<p>O almo\u00e7o foi em Little Italy, uma pizza no tradicional Lombardis mais \u00f3timos canolis de rua. Dali estiquei sozinho para a New Beer Distributor, uma distribuidora de cervejas com pre\u00e7os \u00f3timos e incompar\u00e1veis. Comprei quatro garrafas grandes (Rogue Chocolate Stout, Rogue XS Russian Imperial Stout, Dogfish Namaste e uma Dogfish Head 75 min IPA) e mais nove pequenas, de 335 ml, quatro delas Flying Dog, quatro Dogfish Head e duas que atirei no escuro no meio de tanta cerveja desconhecida. 14 garrafas de cerveja, 84 d\u00f3lares com taxas inclusas. Se fosse no Brasil, s\u00f3 Rogue XS Russian Imperial Stout j\u00e1 estaria custando esse pre\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny8.jpg\"\/><\/p>\n<p>O ponto alto do dia, no entanto e pra variar, foi um show. Na verdade, tr\u00eas. N\u00e3o os tr\u00eas. Ok, do come\u00e7o. Peter Murphy iria celebrar 35 anos de Bauhaus no Webster Hall, com 1400 ingressos sold out. O pr\u00e9dio do Webster Hall data de 1886, e \u00e9 reconhecido pela prefeitura como um marco cultural de Nova York. Atualmente, o pr\u00e9dio se divide em discoteca, boate, sala de concertos, centro de eventos corporativos, bar e est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o. A sala de concertos est\u00e1 logo no primeiro piso, e o ticket do ingresso n\u00e3o d\u00e1 direito ao pagante de conferir as outras badaladas festas da casa (uma pena\u2026 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/media\/set\/?set=a.10151574697070606.1073741861.180014765605&amp;type=3\" target=\"_blank\">j\u00e1 viu as fotos?<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/peter.jpg\"\/><\/p>\n<p>Quem abre a noite \u00e9 uma banda t\u00e3o ruim, mas t\u00e3o ruim, mas t\u00e3o ruim, que faz o Muse parece interessante. Nem tentei descobrir o nome deles, mas eles castigam os ouvidos dos presentes por cerca de meia hora, e quando deixam o palco at\u00e9 penso em pegar uma cerveja para comemorar, mas ao pre\u00e7o de duas por 14, tr\u00eas por 20 Obamas, desisto porque eles n\u00e3o merecem. Quem vem na sequencia \u00e9 o Ours, com nova e excelente forma\u00e7\u00e3o (deve ser a quinquag\u00e9sima s\u00e9tima desde a estreia em 1994), e faz um show curto, de oito ou nove m\u00fasicas, mas n\u00e3o desperdi\u00e7a um segundo. Prestes a lan\u00e7ar disco, \u201cBallet the Boxer\u201d, a banda comandada por Jimmy Gnecco sai do Webster Hall com o t\u00edtulo de melhor show da noite (entrosamento perfeito entre as duas guitarras e um baterista de m\u00e3o t\u00e3o pesada que parecia querer derrubar o pr\u00e9dio).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny9.jpg\"\/><\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que Peter Murphy fracassou numa noite de ter\u00e7a-feira em Nova York. Acompanhado de baixo, guitarra e bateria perfeitamente entrosados, o eterno vocalista do Bauhaus (e que, com um bigodinho cafajeste, passaria f\u00e1cil por Nick Cave) exibiu estilo e cacoetes que entregam o quanto a hist\u00f3ria do rock \u00e9 desconhecida (se fosse conhecida, Bauhaus venderia muito mais discos que o Interpol). De cal\u00e7a e jaqueta de couro, careca surgindo no alto da cabe\u00e7a, um sabre de luz e um ar blas\u00e9 perfeitamente inserido no personagem, Murphy cumpriu o que prometeu cantando Bauhaus do come\u00e7o ao fim da noite (e ainda batucando na bateria e tentando tocar escaleta) e fez a festa da imensa galera de preto que tomou o Webster Hall.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/ny10.jpg\"\/><\/p>\n<p>Da abertura, com dobradinha do \u00e1lbum \u201cBurning from the Inside\u201d, de 1983 (\u201cKing Volcano\u201d e \u201cKingdom\u2019s Coming\u201c) passando por can\u00e7\u00f5es como \u201cDouble Dare\u201d, \u201cDark Entries\u201d e \u201cStigmata Martyr\u201d (1980), \u201cThe Passion of Lovers\u201d (1981) e \u201cShe\u2019s in Parties\u201d (1983) at\u00e9 \u201cAdrenalin\u201d, do \u00e1lbum \u201cGo Away White\u201d, de 2008, e covers de \u201cSeverance\u201d (Dead Can Dance) e \u201cTelegram Sam\u201d (Bauhaus), o que se viu foi um cantor insatisfeito com o som, que estava \u00f3timo (por mais de uma hora ele ficou gesticulando para a mesa com sinais de abaixa ou aumenta volume de algum instrumento), mas com uma voz que, aos 55 anos, continua em forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/peter66.jpg\"\/><\/p>\n<p>O hino \u201cBela Lugosi\u2019s Dead\u201d surgiu com alfinetadas de eletr\u00f4nica e fez o piso do primeiro andar do Webster Hall chacoalhar enquanto jornalistas foram agraciados com um dedo do meio em riste pelas cr\u00edticas a esta \u201cvolta financeira ao repert\u00f3rio do Bauhaus\u201d. Interessante que a m\u00fasica mais festejada de uma noite com Peter Murphy celebrando 35 anos de Bauhaus tenha sido \u201cZiggy Stardust\u201d, cover fiel e sujona de David Bowie, mas, ainda assim, o cantor deixa Nova York mantendo a aura m\u00edtica em torno do Bauhaus com um grande show. S\u00f3 n\u00e3o foi o melhor da noite\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/peter771.jpg\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Leia mais: Di\u00e1rio de Viagem Estados Unidos 2013 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>New York, New York. 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