{"id":13598,"date":"2013-05-10T12:12:48","date_gmt":"2013-05-10T15:12:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/10\/palma-violets-ao-vivo-em-nova-york\/"},"modified":"2016-03-27T12:14:52","modified_gmt":"2016-03-27T15:14:52","slug":"palma-violets-ao-vivo-em-nova-york","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/05\/10\/palma-violets-ao-vivo-em-nova-york\/","title":{"rendered":"Palma Violets ao vivo em Nova York"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma1.jpg\" alt=\"palma1.jpg\"\/><\/p>\n<p>A melhor banda dos \u00faltimos tempos da \u00faltima semana do seman\u00e1rio ingl\u00eas New Music Express chegou \u00e0 Nova York para sua segunda turn\u00ea cercada por um misto de descr\u00e9dito. A primeira passagem, em janeiro, antes mesmo do lan\u00e7amento de \u201c180\u201d, o primeiro \u00e1lbum, foi um t\u00edpico reconhecimento de terreno, com a banda inglesa tocando em lugares min\u00fasculos para um p\u00fablico curioso em conhecer a \u201cbanda que significa a morte de um modelo, um prego no caix\u00e3o da imprensa brit\u00e2nica como criadora de produtos capazes de produzir histeria em massa\u201d, segundo&nbsp;<a href=\"http:\/\/cultura.elpais.com\/cultura\/2013\/02\/25\/tentaciones\/1361819762_720383.html\" target=\"_blank\">resenha violenta e venenosa<\/a>&nbsp;do jornal espanhol El Pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez e n\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima, mas a Am\u00e9rica continua sendo um territ\u00f3rio complicado, sedutor e necess\u00e1rio para as bandas da terra da Rainha Elizabeth, e com o Palma Violets n\u00e3o poderia ser diferente. Das suas duas datas em Nova York em maio, a primeira, no pequeno e sensacionalmente barulhento Music Hall of Williamsburg, no Brooklyn, com lota\u00e7\u00e3o de 550 pessoas, os ingressos s\u00f3 foram esgotar na tarde do dia do show. J\u00e1 para o show no dia seguinte, no Bowery Ballroom (795 pessoas), ainda havia ingressos (enquanto gente como Lights, Ms Mr, !!! e Laura Mvula, que tocam na semana que vem, j\u00e1 est\u00e3o sold out).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma2.jpg\" alt=\"palma2.jpg\"\/><\/p>\n<p>A molecada do The Orwells, de Chicago, abriu a noitada diante de um bom p\u00fablico com um som interessante e barulhento, nerd at\u00e9 a medula, remetendo a um Weezer desengon\u00e7ado (e s\u00f3 fui descobrir que o vocalista se chama Mario Cuomo quando fui conversar com a banda na banquinha p\u00f3s-show). O single \u201cMallrats (La La La)\u201d soou perfeito ao vivo. J\u00e1 o Guards, banda do Brooklyn tocando em casa e lan\u00e7ando seu primeiro disco, \u201cIn Guards We Trust\u201d, fez um show eficiente e absolutamente profissional, com um p\u00e9 atolado no indie e outro no hippie viajand\u00e3o do come\u00e7o dos 70. Bom show \u2013 o som potente da casa ajuda, e muito, as bandas.<\/p>\n<p>Como um Malcolm McLaren canastr\u00e3o (o cabelo ruivo enrolado e a postura egoc\u00eantrica ajudam na compara\u00e7\u00e3o), o amigo meio roadie, meio faz tudo Harry Violent subiu ao palco para chamar a atra\u00e7\u00e3o principal avisando que, entre outras coisas, \u201cnesta noite, todos os seus sonhos ser\u00e3o realizados: de Londres, Palma Violets\u201d. Dif\u00edcil explicar o que aconteceu nos 50 minutos seguintes. Como uma banda respons\u00e1vel por um disquinho t\u00e3o vagabundo quanto \u201c180\u201d (\u201cmarcado por uma dolorosa falta de can\u00e7\u00f5es memor\u00e1veis\u201d, segundo&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/music\/2013\/feb\/24\/palma-violets-180-review-rough\" target=\"_blank\">resenha do Observer<\/a>) pode soar t\u00e3o urgente, violenta e apaixonadamente festeira ao vivo?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma4.jpg\" alt=\"palma4.jpg\"\/><\/p>\n<p>Se algu\u00e9m me contasse, afundado no ceticismo de meus 40 anos, eu duvidaria, mas o que o Palma Violets fez numa noite de quinta-feira primaveril no Brooklyn foi uma apresenta\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel que condensava alguns dos melhores momentos do (punk) rock sujo e mal tocado brit\u00e2nico das quatro \u00faltimas d\u00e9cadas. De Clash e Sex Pistols at\u00e9 Libertines e Vaccines, os quatro moleques ingleses fizeram mais de 500 pessoas pularem insanamente num daqueles shows que parecem validar o exagero da palavra hist\u00f3rico. Nada como ter menos de 20 anos e se entregar no palco como se este fosse o \u00faltimo show da vida.<\/p>\n<p>Desde o primeiro instante em que pisou no palco, o baixista com jeit\u00e3o de psicopata \u201cChilli\u201d Jesson provocou e instigou a audi\u00eancia. \u201c\u00c9 assim que funciona um show sold out nos Estados Unidos?\u201d, disse a certo momento, com os bra\u00e7os abertos simulando algo como \u201cmuita gente duvidou, mas aqui estamos n\u00f3s. Olhem isso!\u201d. E se \u201c180\u201d, o disco, n\u00e3o passa confian\u00e7a devido ao excesso de regurgita\u00e7\u00e3o de chicles sem carisma, ao vivo a coisa muda de figura. Mas n\u00e3o espere originalidade. O que o Palma Violets faz no palco \u00e9 apenas uma releitura desajeitada e explosiva do mais desajeitado e explosivo rock brit\u00e2nico. E funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma6.jpg\" alt=\"palma6.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\"\/><\/p>\n<p>O trio de can\u00e7\u00f5es inicial \u201cJohnny Bagga Donuts\u201d, \u201cRattlesnake Highway\u201d e \u201cAll the Garden Birds\u201d serviu para visualizar a postura da banda no palco. \u201cChilli\u201d Jesson \u00e9 o delinquente. N\u00e3o para um minuto e bate nas cordas do baixo muito mais pelo instrumento estar pendurado em seu pesco\u00e7o do que por t\u00e9cnica al\u00e9m de gritar como se estivesse cantando. O guitarrista e vocalista Samuel Thomas Fryer \u00e9 o contraste: inseguro, calculado, estudando cada mil\u00edmetro da loucura que est\u00e1 tomando o palco. Mayhew, o tecladista, alheio a confus\u00e3o, parece estar em um universo paralelo enquanto Doyle, o baterista, faz o b\u00e1sico sem frescura.<\/p>\n<p>O show empolga e o n\u00edvel de adrenalina sobe consideravelmente conforme as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o tocadas atingindo o \u00e1pice no meio do show, com \u201cBest of Friends\u201d, a melhor m\u00fasica de 2012, segundo a NME. Neste momento \u00e9 poss\u00edvel visualizar perfeitamente tudo aquilo que faz algu\u00e9m amar a m\u00fasica, ama-la cada vez mais: centenas de pessoas pulando abra\u00e7adas e cantando uma can\u00e7\u00e3o que diz muito mais a elas, aqui e agora, do que qualquer outra can\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi feita. Porque \u00e9 fresca. Porque fala de um mundo em que o sexo, quem diria, est\u00e1 sendo deixado de lado, e o pessoal do Music Hall parece entender isso melhor do que eu, que admiro a festa (embora n\u00e3o seja partid\u00e1rio da op\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s pouco mais de 40 minutos vibrantes, o quarteto deixa o palco tendo tocado 10 m\u00fasicas, praticamente tudo que eles compuseram at\u00e9 agora. O p\u00fablico pede, e eles voltam para exibir a j\u00e1 tradicional cover de \u201cInvasion of the Tribbles\u201d, can\u00e7\u00e3o de 1980 do grupo punk canadense The Hot Nasties, com Harry Violent no palco berrando a letra inintelig\u00edvel e incentivando o pogo. Integrantes do Guards entram com um bolo para o baixista \u201cChilli\u201d Jesson, dando in\u00edcio a uma guerra com cerveja voando para todo lado e todo mundo pulando abra\u00e7ado, festejando e comemorando o prov\u00e1vel primeiro show vitorioso do Palma Violets na Am\u00e9rica, um momento de certa inoc\u00eancia rock and roll de quem ainda n\u00e3o sabe direito o que est\u00e1 acontecendo, mas quer aproveitar ao m\u00e1ximo. Que eles consigam manter a chama acesa por mais alguns meses. Por esta noite valeu a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/palma71.jpg\" alt=\"palma71.jpg\" style=\"font-size: 1em; line-height: 1.3em\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Leia mais: Di\u00e1rio de Viagem Estados Unidos 2013 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/eua-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A melhor banda dos \u00faltimos tempos da \u00faltima semana do seman\u00e1rio ingl\u00eas New Music Express chegou \u00e0 Nova York para sua segunda turn\u00ea cercada por um misto de descr\u00e9dito. A primeira passagem, em janeiro, antes mesmo do lan\u00e7amento de \u201c180\u201d, o primeiro \u00e1lbum, foi um t\u00edpico reconhecimento de terreno, com a banda inglesa tocando em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13598"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}