{"id":13572,"date":"2013-06-29T02:16:35","date_gmt":"2013-06-29T05:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/29\/europa-2013-rodando-bares-em-bruxelas\/"},"modified":"2016-03-27T02:37:01","modified_gmt":"2016-03-27T05:37:01","slug":"europa-2013-rodando-bares-em-bruxelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/06\/29\/europa-2013-rodando-bares-em-bruxelas\/","title":{"rendered":"Europa 2013: Rodando bares em Bruxelas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/monasteriu2.jpg\" alt=\"monasteriu2.jpg\"\/><\/p>\n<p>Beber em Bruxelas n\u00e3o \u00e9 um desafio, mas um prazer que se pode fazer em qualquer esquina &#8211; desde que voc\u00ea saiba o caminho de casa ap\u00f3s a terceira garrafa. Afinal, qualquer lojinha destaca um cem n\u00fameros de cervejas belgas que v\u00e3o fazer voc\u00ea feliz a pre\u00e7os m\u00f3dicos, mas, ainda assim, entrar em um autentico \u201cboteco\u201d belga (que poder\u00e1 ser um bar, um caf\u00e9, um bistr\u00f4 ou uma brasserie \u2013 ou tudo isso junto) \u00e9 praticamente voltar no tempo. Abaixo, alguns lugares que visitei nos meus dois dias e meio desta viagem separados para Bruxelas, e que voc\u00ea encontrar\u00e1 cerveja de excelente qualidade \u2013 e eventualmente comer\u00e1 alguma coisa. Mas v\u00e1 devagar e tenha em mente o mantra \u201cbeba menos, beba melhor\u201d, porque a coisa aqui \u00e9 s\u00e9ria<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/mortsubite.jpg\" alt=\"mortsubite.jpg\"\/><\/p>\n<p><strong>A La Morte Subite<\/strong><br \/>\nRue Montagne-aux-Herbes Potag\u00e8res 7<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.alamortsubite.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.alamortsubite.com\/<\/a><\/p>\n<p>Conhe\u00e7o M\u00e1rcio LC desde o s\u00e9culo passado, quando o Scream &amp; Yell ainda era um fanzine em papel, e \u00e9ramos apenas sonhadores f\u00e3s de boa m\u00fasica. M\u00e1rcio mora em Bruxelas desde aquela \u00e9poca, o que n\u00e3o o impediu certa vez de me mandar uma colet\u00e2nea \u201cBest of 2001\u201d, que foi trilha sonora pessoal durante aqueles meses incertos de rec\u00e9m-morador de S\u00e3o Paulo, sem muitas perspectivas, mas com muitos sonhos (Air, Royksopp, Spiritualized, Tindersticks, Mogwai, Bonnie Prince Billy, Nick Cave e outros ca\u00edram a perfei\u00e7\u00e3o na escurid\u00e3o de noitadas em claro).  Apesar de conversamos bastante naquela \u00e9poca, nunca tinha encontrado M\u00e1rcio pessoalmente (eis uma das caracter\u00edsticas marcantes do mundo moderno &#8211; para o bem e para o mal), e essa passagem em Bruxelas serviu para brindarmos aos velhos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/mortsubite2.jpg\" alt=\"mortsubite2.jpg\"\/><\/p>\n<p>M\u00e1rcio recomendou irmos ao A La Morte Subite, um caf\u00e9 brasserie fincado no mesmo local desde 1928, e que serve algumas das especialidades da marca. Abrimos a noitada com uma Mort Subite Gueuze sur Lie, uma t\u00edpica cerveja azeda e saborosa, caracterizada por uma fermenta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, e que voc\u00ea ir\u00e1 encontrar em apenas uma cidade do mundo: Bruxelas. Excelente. O Caf\u00e9, mensalmente, aposta em um r\u00f3tulo de alguma micro cervejaria belga, e a deste m\u00eas era a La Corne du bois des pendus Tripel 10. Uma das melhores da noite, que ainda contou com uma espetacular Westmalle Double Brune tirada da torneira, sem muita carbonata\u00e7\u00e3o, e altamente frutada, uma Grimbergen Optimo Bruno e, pra fechar, uma deliciosa A La Morte Subite Blanche. Noitada perfeita (e nem comentei do excelente omelete).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/moedor1.jpg\" alt=\"moedor1.jpg\"\/><\/p>\n<p><strong>Moeder Lambic<\/strong><br \/>\nPlace Fontainas 8<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.moederlambic.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.moederlambic.com\/<\/a><\/p>\n<p>Um amigo j\u00e1 havia avisado: se quiser beber <a href=\"http:\/\/www.cantillon.be\/\" target=\"_blank\">Cantillon<\/a> de torneira, v\u00e1 ao Moeder Lambic. Mas o parceiro tamb\u00e9m sommelier de cervejas <a href=\"https:\/\/twitter.com\/leodiaspereira\" target=\"_blank\">Leonardo Dias<\/a> j\u00e1 havia passado pelo local em janeiro com sua esposa, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/alinecs\" target=\"_blank\">Aline<\/a>, e conhecia bem o peda\u00e7o. Camelamos muito durante o dia inteiro (o que inclui uma tarde de degusta\u00e7\u00e3o de lambics na f\u00e1brica da Cantillon e um jantar no restaurante de \u201ccuisine \u00e0 la bi\u00e8re\u201d <a href=\"http:\/\/www.tripadvisor.com.br\/Restaurant_Review-g188644-d782187-Reviews-In_t_Spinnekopke-Brussels.html\" target=\"_blank\">In\u2019t Spinnekopke<\/a> \u2013 Albergue da Aranhazinha \u2013, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/25\/tres-livros-mezric-egan-e-oliver\/\" target=\"_blank\">dica retirada de um livro<\/a> do grande Garrett Oliver, mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, cujo final da noitada de dia claro, inesquec\u00edvel, foi um sorbet de cerveja kriek, absolutamente sensacional \u2013 n\u00e3o que a carne cozida em cerveja lambic abaixo tenha deixado a desejar, pelo contr\u00e1rio).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/albergue1.jpg\" alt=\"albergue1.jpg\"\/><\/p>\n<p>Do Albergue da Aranhazinha partimos para a Moeder Lambic, e o bar estava absolutamente lotado, ao contr\u00e1rio do come\u00e7o do ano, em que Leo e Aline estavam em uma das raras mesas ocupadas do local, o que facilitou o atendimento especial. Desta vez, a concorr\u00eancia era feroz, e n\u00f3s, estrangeiros, ficamos meio perdidos. Mas vale muito ir ao lugar, um dos raros templos cervejeiros em Bruxelas que abre a sua carta para cervejarias de outros pa\u00edses (h\u00e1 no card\u00e1pio online e mesmo em uma lousa no bar a lista de cervejarias convidadas). A especialidade da casa \u00e9 lambic, mas as mais de 60 torneiras s\u00e3o uma oferta paradis\u00edaca para aqueles que querem se aprofundar no territ\u00f3rio das boas cervejas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/moneuse.jpg\" alt=\"moneuse.jpg\"\/><\/p>\n<p>O cansa\u00e7o, no entanto, nos vitimou. E a demora no atendimento abaixou o pique que o sorbet de cerveja kriek nos trouxe ap\u00f3s o jantar especial. A ideia inicial era encarar uma Papa IPA, de uma cervejaria da cidade, a Brasserie de la Senne, e ver como os novos cervejeiros belgas est\u00e3o se movimentando nesse mercado mutante de cerveja artesanal (o fato de belgas apostarem em India Pale Ale mostra que, definitivamente, os Estados Unidos se inscreveram como uma escola altamente influente), mas acabamos por dividir uma \u00f3tima saison da Brasserie de Blaugies, a La Moneuse, mais caramelada e menos frutada que as saisons mais famosas, e por isso bem interessante. Foi s\u00f3 essa, mas quero voltar ao Moeder Lambic.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/delirium.jpg\" alt=\"delirium.jpg\"\/><\/p>\n<p><strong>Delirium Caf\u00e9 \/ Delirium Monasterium<\/strong><br \/>\nImpasse de la Fid\u00e9lit\u00e9 4<br \/>\n<a href=\"http:\/\/deliriumcafe.be\/\" target=\"_blank\">http:\/\/deliriumcafe.be\/<\/a><\/p>\n<p>Boa parte das pessoas que j\u00e1 foram alguma vez para Bruxelas, j\u00e1 passou pelo Delirium Caf\u00e9, boteco que est\u00e1 no Guiness, Livro dos Recordes, como o local com mais cervejas dispon\u00edveis para o cliente em todo o mundo, o que praticamente o transforma em um shopping center alco\u00f3lico para os f\u00e3s de boa cerveja. O cat\u00e1logo card\u00e1pio \u00e9 um sonho, com centenas e centenas de r\u00f3tulos, e n\u00e3o s\u00f3 belgas (apesar deles serem a maioria), mas italianos, norte-americanos, alem\u00e3es e at\u00e9 brasileiros (Skol, Xingu e uma chamada Samba do Brasil n\u00e3o nos representam em terras belgas \u2013 vou escrever um e-mail pra l\u00e1 sugerindo algumas artesanais nacionais como a W\u00e4ls, Way, Bodebrown e Colorado).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/fleurac.jpg\" alt=\"fleurac.jpg\"\/><\/p>\n<p>Diante de tanta oferta e algumas promo\u00e7\u00f5es (como boa parte da linha Baladin 750 ml por 10 euros), acabei escolhendo um r\u00f3tulo da francesa La Brasserie de Fleurac: Fleurac Triple Brune IPA, uma cacetada de 8% de \u00e1lcool envelhecida em barris de carvalho. Fiquei seduzido pelo Triple IPA, mas achei o \u00e1lcool exageradamente presente, o que a torna um pouco desbalanceada. Para manter o n\u00edvel alco\u00f3lico, a pr\u00f3xima, j\u00e1 no Delirium Monasterium, parte do Delirium Village especializado em cervejas trapistas (com ou sem t\u00edtulo oficial), foi uma Engelszell Gregorius Trappistenbier, a tal nova trapista austr\u00edaca, uma surpresa de 9,7% de \u00e1lcool, notas intensas de baunilha, caramelo e nozes (tanto no aroma quanto no paladar) e alto teor de causar rubor nas faces.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/monasteriu1.jpg\" alt=\"monasteriu1.jpg\"\/><\/p>\n<p>Na mesa ao lado, um grupo de espanh\u00f3is dividia uma bel\u00edssima ta\u00e7a de dois litros de La Trappe Quadrupel (21 euros, segundo o card\u00e1pio). Alguns amigos, assim que postei a foto no Facebook (as duas imagens que ilustram este texto s\u00e3o da Aline), lembraram das torres de chopp t\u00e3o famosas em pra\u00e7as de alimenta\u00e7\u00e3o de shopping centers brasileiros, mas no caso da ta\u00e7a de dois litros de La Trappe Quadrupel, a coisa faz todo sentido porque estamos diante de uma cerveja que muda o sabor conforme sua temperatura sobe, e fica ainda melhor (ao contr\u00e1rio das torres brasileiras, que precisam manter o l\u00edquido estupidamente gelado, para que ele n\u00e3o perca a talvez \u00fanica qualidade que tem, que \u00e9 a refresc\u00e2ncia). Ainda voltarei ao Delirium Monasterium com uma turma de amigos para encarar uma ta\u00e7a de dois litros\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/bonvieux.jpg\" alt=\"bonvieux.jpg\"\/><\/p>\n<p><strong>Au Bon Vieux Temps<\/strong><br \/>\nImpasse Saint-Nicolas 4<\/p>\n<p>H\u00e1 certa magia em torno da cerveja trapista Westvleteren, feita na abadia de Saint Sixtus. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2011\/03\/23\/opiniao-do-consumidor-westvleteren-8\/\" target=\"_blank\">Falei um pouco sobre o assunto<\/a> quando escrevi da Westvleteren 8, e, naquela \u00e9poca, era um pouco mais dif\u00edcil e mais caro encontrar um exemplar da cerveja m\u00edtica por ai dando sopa (mesmo em Bruxelas). Hoje, ap\u00f3s um projeto de moderniza\u00e7\u00e3o do mosteiro que colocou centenas de milhares de caixas no mercado (uma manchete dizia que havia mais fila para comprar Westvleteren do que o ent\u00e3o rec\u00e9m-lan\u00e7ado iPad 2), \u00e9 at\u00e9 mais f\u00e1cil encontrar as tr\u00eas Westvleteren (6, 8 e 12) em bons emp\u00f3rios, seja em Amsterdam, Paris ou Bruxelas. O pre\u00e7o ir\u00e1 variar entre 10 e 20 euros a garrafinha de 330 ml, a n\u00e3o ser que voc\u00ea decida ir at\u00e9 o mosteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/roche.jpg\" alt=\"roche.jpg\"\/><\/p>\n<p>Ainda assim \u00e9 poss\u00edvel beber a Westvleteren 12, eleita a melhor cerveja do mundo, em um caf\u00e9 de Bruxelas pagando 10 euros (mais barato, por exemplo, do que no Bier Tempel, tradicional reduto cervejeiro bruxelense). O local se chama Au Bon Vieux Temps, e fica numa vielinha perto da Grande Pra\u00e7a. A senhora espanhola \u00e9 atenciosa, e o card\u00e1pio da casa traz v\u00e1rias trapistas, mas eu n\u00e3o podia perder a chance de beber uma 12 sem que ela tenha sofrido tanto para chegar ao Brasil (h\u00e1 sobre minha geladeira, neste momento, uma 6, duas 8 e duas 12 \u2013 a primeira trazida na viagem deste ano e as outras quatro da viagem do ano passado, cortesia da Luana, que as comprou em Amsterdam). Valeu a expectativa, o ambiente aconchegante e a bel\u00edssima cerveja. Se tiver por perto da Grande Pra\u00e7a, vale muito ir ao Au Bon Vieux Temps.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/corne.jpg\" alt=\"corne.jpg\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Leia mais: Di\u00e1rio de Viagem Europa 2013 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beber em Bruxelas n\u00e3o \u00e9 um desafio, mas um prazer que se pode fazer em qualquer esquina &#8211; desde que voc\u00ea saiba o caminho de casa ap\u00f3s a terceira garrafa. 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