{"id":13562,"date":"2013-08-10T01:28:37","date_gmt":"2013-08-10T04:28:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/08\/10\/sobre-nick-horby-e-alta-fidelidade\/"},"modified":"2013-08-10T01:28:37","modified_gmt":"2013-08-10T04:28:37","slug":"sobre-nick-horby-e-alta-fidelidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/08\/10\/sobre-nick-horby-e-alta-fidelidade\/","title":{"rendered":"Sobre Nick Horby e Alta Fidelidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/nicrkhorby.jpg\" alt=\"nicrkhorby.jpg\"\/><\/p>\n<p>Na onda dos relan\u00e7amentos dos dois primeiros livros do escritor brit\u00e2nico Nick Hornby, \u201cFebre de Bola\u201d (1992) e \u201cAlta Fidelidade\u201d (1995), o amigo jornalista Thiago Pereira me enviou algumas perguntas para uma reportagem especial que foi publicada no caderno Magazine, do jornal mineiro O Tempo, no domingo passado (04\/08), e o texto serviu para resgatar o carinho que tenho por estes livros em particular \u2013 e por quase toda obra de Hornby.<\/p>\n<p>Thiago dividiu a reportagem \u2013 que conta com a opini\u00e3o de Christian Schwartz, tradutor dos livros de Hornby, o doutor em hist\u00f3ria e teoria liter\u00e1ria Marcio Serelle, e Leonardo Bertozzi, jornalista da ESPN Brasil, al\u00e9m de mim \u2013 em tr\u00eas partes: o texto principal, <a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/divers%C3%A3o\/magazine\/uma-sensibilidade-pop-na-literatura-1.691097\" target=\"_blank\">\u201cUma sensibilidade pop na literatura\u201d<\/a>, e dois ap\u00eandices, <a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/divers%C3%A3o\/magazine\/o-texto-de-hornby-e-a-quest%C3%A3o-dos-g%C3%AAneros-liter%C3%A1rios-1.691123\" target=\"_blank\">\u201cO texto de Hornby e a quest\u00e3o dos g\u00eaneros liter\u00e1rios\u201d<\/a> mais <a href=\"http:\/\/www.otempo.com.br\/divers%C3%A3o\/magazine\/o-futebol-no-campo-das-letras-1.691118\" target=\"_blank\">\u201cO futebol no campo das letras\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi bastante sobre Nick Hornby no Scream &amp; Yell, tanto que perdi a conta. Ali\u00e1s, contei <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=600189826669824&amp;set=pb.100000364357573.-2207520000.1376110369.&amp;type=3&amp;theater\" target=\"_blank\">aqui<\/a> dia desses como \u201cAlta Fidelidade\u201d chegou a mim. Gosto da teoria dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/11\/23\/de-volta-ao-mundo-de-rob-fleming\/\" target=\"_blank\">pesos-m\u00e9dios<\/a> e, sobretudo, de \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/grndgrt.htm\" target=\"_blank\">Um Grande Garoto<\/a>\u201d (\u201d<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/comoserlegal.htm\" target=\"_blank\">Como Ser Legal<\/a>\u201d tamb\u00e9m, mas um pouco menos). Gostei de \u201cJuliet Naked\u201d e a pe\u00e7a \u201cA Vida \u00e9 Cheia de Som e F\u00faria\u201d foi uma experi\u00eancia espetacular (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/mais\/somefuria.html\" target=\"_blank\">entrevistei Guilherme Weber na \u00e9poca<\/a>).<\/p>\n<p>Possivelmente, se voc\u00ea vem com certa frequ\u00eancia a este espa\u00e7o,&nbsp; j\u00e1 deve ter lido tanto \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/febredabolatrecho.html\" target=\"_blank\">Febre de Bola<\/a>\u201d (n\u00e3o vale a fraca adapta\u00e7\u00e3o hollywoodiana \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/cinemadois\/amoremjogo.htm\" target=\"_blank\">Amor em Jogo<\/a>\u201d &#8211; <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/febredabola.html\" target=\"_blank\">a vers\u00e3o inglesa<\/a> com Colin Firh \u00e9 bem melhor) quanto \u201cAlta Fidelidade\u201d (a vers\u00e3o de <span class=\"st\">Stephen Frears \u00e9 boa, embora n\u00e3o definitiva)<\/span>, mas caso n\u00e3o tenha lido, fica a recomenda\u00e7\u00e3o: vale a pena. Muito. Abaixo, as respostas que enviei ao Thiago Pereira.<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea conheceu Nick Hornby? O que te chamou a aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nConheci com \u201cAlta Fidelidade\u201d, em 1998, e a primeira coisa que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a uni\u00e3o de duas coisas que admiro bastante: relacionamentos e cultura pop. A forma com que Nick Hornby chocava estes dois temas me interessou muito, porque tamb\u00e9m era uma cr\u00edtica a um certo esnobismo cultural que circulava \u2013 e circula muito ainda hoje \u2013 na \u00e9poca. Afinal, como uma pessoal pode ser legal se n\u00e3o conhecer Beatles? (risos). O interessante de Nick Hornby \u00e9 que ele questiona isso, mas tamb\u00e9m confere alma ao tal esnobe, permitindo que muita gente se identificasse (e at\u00e9 a pessoal que n\u00e3o conhece Beatles, entendesse esse ser-humano que surgiu junto com Elvis e com a Ind\u00fastria Cultural).<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea apontaria como os motivos maiores da obra dele ter chamado tanta a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico- inclusive mobilizando vers\u00f5es para cinema, teatro, etc?<\/strong><br \/>\n\u201cAlta Fidelidade\u201d \u00e9 um romance geracional, daqueles que retratam um grupo de pessoas em uma determinada \u00e9poca, neste caso, o decantado fim das lojas de discos (que, no fim, n\u00e3o acabaram, e est\u00e3o cada vez mais vivas), a valoriza\u00e7\u00e3o de certa honestidade em artistas, a eleva\u00e7\u00e3o de listas top alguma coisa a categoria de arte e coisas assim. O que voc\u00ea consome diz muito sobre quem voc\u00ea \u00e9, e Nick Hornby percebeu isso naquele momento olhando homens que se recusam a envelhecer como manda o figurino. \u00c9 um belo exemplo de adultescente, que j\u00e1 havia sido antecipado em \u201cFebre de Bola\u201d, e vai ser explorado de forma ainda mais genial em \u201cUm Grande Garoto\u201d.<\/p>\n<p><strong>A chave de entendimento para a obra de Hornby \u00e9 a conex\u00e3o com a cultura pop, ou acha ele um grande romancista, acima de tudo?<\/strong><br \/>\nA conex\u00e3o com a cultura pop \u00e9 um dos grandes destaques de boa parte de sua obra, mas h\u00e1, sim, um grande romancista. Ele usa ferramentas para atingir um grupo x de pessoas, mas s\u00e3o apenas ferramentas. O que move o leitor \u00e9 sua prosa e hist\u00f3ria envolventes.<\/p>\n<p><strong>\u201cAlta Fidelidade\u201d, em especial, \u00e9 um livro que marcou \u00e9poca para uma gera\u00e7\u00e3o do final dos anos 90, ligada em m\u00fasica. Ser\u00e1 que hoje, com a m\u00fasica t\u00e3o descompartimentada, t\u00e3o espalhada em diferentes suportes, ele tem o mesmo apelo?<\/strong><br \/>\nSim, sem d\u00favida. E a volta do vinil \u00e9 um sintoma de que o apelo continua o mesmo, qui\u00e7a aumentou. A discuss\u00e3o sobre MP3, CDs e vinis tomou outras propor\u00e7\u00f5es no novo s\u00e9culo. Quando \u201cAlta Fidelidade\u201d foi escrito, as lojas de discos e a pr\u00f3pria m\u00fasica pop de qualidade estava em franca decad\u00eancia. Hoje o cen\u00e1rio est\u00e1 mais est\u00e1vel, e esta estabilidade \u00e9 fruto de um novo grupo de pessoas que pensa e conversa coisas que poderiam ser dialogadas na loja de Rob Fleming.<br \/>\n<strong><br \/>\nAinda sobre \u201cAlta Fidelidade\u201d: qual a import\u00e2ncia do livro para voc\u00ea, pessoalmente? Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 um pouco Rob Gordon?<\/strong><br \/>\nUma jornalista, certa vez, fez a mesma pergunta. Eu respondi: \u201cDevo ter coisas m\u00ednimas de v\u00e1rios personagens, mas n\u00e3o acredito que tenha um em especial que me absorva por inteiro. N\u00e3o sou t\u00e3o confiante, mas ainda assim sou mais confiante que os personagens dele (risos). Ou ao menos acho\u2026\u201d. E mesmo assim, no abre do texto dela, ela dizia: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/entrevista-verdades-particulares\/\" target=\"_blank\">\u201cGosto de imaginar o Marcelo como um Rob Gordon tupiniquim\u201d<\/a>. A quest\u00e3o que fica \u00e9: somos o que achamos, ou o que as pessoas acham de n\u00f3s? (risos). E essa quest\u00e3o \u00e9 totalmente nickhorbiana. Ent\u00e3o eu devo ter um pouco de Nick Hornby sim, mais do que eu gostaria, talvez.<br \/>\n<strong><br \/>\nUma mania em \u201cAlta Fidelidade\u201d s\u00e3o os Top 5. De alguma forma ele materializou uma mania de muitos n\u00e3o? Voc\u00ea usa at\u00e9 hoje n\u00e9, assumidamente no teu site\u2026Hornby, de alguma forma, \u00e9 um jornalista de m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nHornby \u00e9 um apaixonado por m\u00fasica, e que tem o dom de escrever bem. Isso praticamente o torna um bom cr\u00edtico, porque a m\u00fasica, pra ele, tem um valor especial, que permite um livro como \u201c31 Can\u00e7\u00f5es\u201d. Quantas pessoas no mundo conseguiriam escrever livros sobre can\u00e7\u00f5es hoje em dia? O fato de ser atento ao universo pop e apaixonado por m\u00fasica o torna um jornalista de m\u00fasica em potencial, afinal, ele faria mais perguntas pertinentes para Bob Dylan do que a grande maioria dos jornalistas que participou da coletiva em S\u00e3o Francisco, 1965.<\/p>\n<p><strong>Pra fechar: consegue eleger 5 personagens favoritos na obra de Hornby?<\/strong><br \/>\n1) Will Freeman, de \u201cUm Grande Garoto\u201d<br \/>\n2) Rob Fleming, de \u201cAlta Fidelidade\u201d<br \/>\n3) Duncan, de \u201cJuliete, Nua\u201d<br \/>\n4) Katie Carr, de \u201cComo Ser Legal\u201d<br \/>\n5) Nick Hornby, de \u201cFebre de Bola\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/nick.jpg\" alt=\"nick.jpg\"\/><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cHowdy!\u201d, do Teenage Fanclub, por Nick Hornby (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/teenage.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Doce Mis\u00e9ria &#8211; A suaviza\u00e7\u00e3o de Nick Cave, por Nick Hornby (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/nomoreshall.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na onda dos relan\u00e7amentos dos dois primeiros livros do escritor brit\u00e2nico Nick Hornby, \u201cFebre de Bola\u201d (1992) e \u201cAlta Fidelidade\u201d (1995), o amigo jornalista Thiago Pereira me enviou algumas perguntas para uma reportagem especial que foi publicada no caderno Magazine, do jornal mineiro O Tempo, no domingo passado (04\/08), e o texto serviu para resgatar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50,5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13562"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13562\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}