{"id":13553,"date":"2013-09-13T00:01:56","date_gmt":"2013-09-13T03:01:56","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/09\/13\/dos-descaminhos-da-melancolia\/"},"modified":"2016-05-29T14:04:57","modified_gmt":"2016-05-29T17:04:57","slug":"dos-descaminhos-da-melancolia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/09\/13\/dos-descaminhos-da-melancolia\/","title":{"rendered":"Dos descaminhos da melancolia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/09\/carta.jpg\" alt=\"carta.jpg\" \/><\/p>\n<p>No sobe e desce do humor nos \u00faltimos dias, ontem foi um dos meus melhores dias. Daqueles dias que a vida \u00e9 prazerosa, e n\u00e3o um fardo imenso a ser carregado, como acontece em boa parte do tempo. N\u00e3o sei o motivo (at\u00e9 devo saber, mas n\u00e3o vem ao caso), em algum momento da noite, lembrei-me de Aldous Huxley, mais propriamente <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/05\/22\/a-base-e-o-fundamento-da-vida-moderna\/\" target=\"_blank\">de um trecho especial<\/a> de \u201cO Macaco e a Ess\u00eancia\u201d, meu livro preferido de tudo que j\u00e1 li nesses mais de 15 mil dias como cidad\u00e3o deste planetinha azul.<\/p>\n<p>A lembran\u00e7a do tal trecho e, por conseguinte, do livro, me fizeram lembrar uma listinha Top 10 que eu havia organizado alguns anos atr\u00e1s a pedido de algum site, aquela t\u00edpica listinha de ins\u00f4nia, em que o prazo se extingue e voc\u00ea acaba listando as coisas que vem a sua cabe\u00e7a na hora aguardando ansiosamente o momento de apertar o \u201cenviar\u201d do e-mail para se livrar de uma tarefa t\u00e3o \u00e1rdua quanto prazerosa \u2013 desde quando este prazer passou a ser risco de vida (pesquisar)?<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que em meio a pensamentos perdidos no espa\u00e7o, voltei para algum dia perdido na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado, em que, apaixonado por uma garota que morava em outra cidade bem distante da minha, comecei uma incessante troca de cartas que, felizmente, foi reciproca, e rendeu dezenas de momentos especiais \u2013 e um cora\u00e7\u00e3o partido, mas isso n\u00e3o importa. Numa dessas cartas, acho que no anivers\u00e1rio de 19 anos dela, eu fiz uma listinha de 19 v\u00e1rias coisas: m\u00fasicas, discos, filmes e\u2026 livros. Aquela listinha\u2026<\/p>\n<p>Guardo todas as cartas que recebi (muitas) e ent\u00e3o fui verificar se, na resposta da garota, ela falava sobre algum livro daquela listinha, e\u2026 n\u00e3o (e olha que s\u00e3o cinco p\u00e1ginas\u2026 \u00f3timas \u2013 risos). E o desejo de rever aquela listinha se instalou porque acredito que aqueles 19 livros ainda s\u00e3o, 17 anos depois, os meus livros preferidos, os livros que me formaram e me fizeram ser quem sou. Os mais importantes. Acho (ou apaixonado acreditava nisso).<\/p>\n<p>Dia desses, numa conversa de bar, algu\u00e9m perguntou o motivo de eu escrever e manter um site, e eu disse que escrevo para tornar a ideia palp\u00e1vel, real, e guarda-la. Calhou de ter um site e dividir v\u00e1rias ideias, pensamentos e observa\u00e7\u00f5es acerca do mundo com um monte de gente (que, muitas vezes, n\u00e3o querem pensar, s\u00f3 ler elogios &#8211; infelizmente faz parte), mas tudo isso poderia ser um di\u00e1rio, em que escrevo para que o Marcelo, senhor grisalho de idade com \u00f3culos pequenos e mem\u00f3ria curt\u00edssima, daqui uns 50 anos se lembre de algumas bobagens.<\/p>\n<p>Por isso, sempre procuro dar um passo pra frente, o que gera a quest\u00e3o: se eu j\u00e1 fiz uma lista com 19 livros, por que oras tenho que parar de fazer o que estou fazendo para fazer a mesma lista de novo? Risos idiotas. Ahhh, a melancolia \u00e9 imensamente trai\u00e7oeira. Abaixo replico a lista de 10 livros preferidos de todos os tempos que organizei em 2009 enquanto aproveito para abrir uma brechinha e tentar incluir \u201cA Visita Cruel do Tempo\u201d, de Jennifer Egan, no computo (junto com \u201cO Resto \u00e9 Ru\u00eddo\u201d, do Alex Ross, que preciso comprar novamente \u2013 dei o meu de presente)\u2026 e lembrar de outros.<\/p>\n<p>E aproveitar para guardar as velhas cartas. \u00c9 incr\u00edvel como consegu\u00edamos escrever tanto. Era\u2026 especial. Saudosismo? Talvez seja. E se for, n\u00e3o importa.<\/p>\n<p><em>\u201cO Lobo da Estepe\u201d, Hermann Hesse<br \/>\n\u201cO Macaco e a Ess\u00eancia\u201d, Aldous Huxley<br \/>\n\u201cCiranda de Pedra\u201d, Lygia Fagundes Telles<br \/>\n\u201cO Tempo e o Vento\u201d, \u00c9rico Verissimo<br \/>\n\u201cHamlet\u201d, William Shakespeare<br \/>\n\u201cCartas a Um Jovem Poeta\u201d, Rainer Maria Rilke<br \/>\n\u201cO Casamento do C\u00e9u e do Inferno\u201d, William Blake<br \/>\n\u201cRetrato de Dorian Gray\u201d, Oscar Wilde<br \/>\n\u201cAchei Que Meu Pai Fosse Deus\u201d, organizado por Paul Auster<br \/>\n\u201cAs Flores do Mal\u201d, Charles Baudelaire<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cA Insustent\u00e1vel Leveza do Ser\u201d, Milan Kundera<\/em><\/p>\n<p><em>Ps. Quando eu ler \u201cEm Busca do Tempo Perdido\u201d, do Proust, que s\u00f3 passei os olhos no primeiro volume quando tinha 19, 20 anos, com certeza um dos dez acima cai.<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; As bibliotecas da minha vida (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/09\/30\/as-bibliotecas-da-minha-vida\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sobe e desce do humor nos \u00faltimos dias, ontem foi um dos meus melhores dias. Daqueles dias que a vida \u00e9 prazerosa, e n\u00e3o um fardo imenso a ser carregado, como acontece em boa parte do tempo. N\u00e3o sei o motivo (at\u00e9 devo saber, mas n\u00e3o vem ao caso), em algum momento da noite, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6,5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13553"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13553"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13553\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13553"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13553"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}