{"id":13531,"date":"2013-11-13T10:17:11","date_gmt":"2013-11-13T13:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2013\/11\/13\/entrevista-ao-verdades-particulares\/"},"modified":"2013-11-13T10:17:11","modified_gmt":"2013-11-13T13:17:11","slug":"entrevista-ao-verdades-particulares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/11\/13\/entrevista-ao-verdades-particulares\/","title":{"rendered":"Entrevista ao Verdades Particulares"},"content":{"rendered":"<p>Entrevista concedida a B\u00e1rbara Bom Angelo (setembro de 2011)<\/p>\n<p><em>Texto curto, r\u00e1pido e direto. De prefer\u00eancia com fotos mil. Esse \u00e9 o padr\u00e3o em que querem, h\u00e1 tempos, amarrar a internet. S\u00f3 que tem vezes que voc\u00ea quer algo com mais sust\u00e2ncia, sabe? Tipo comida de m\u00e3e? Voc\u00ea quer ler impress\u00f5es mais profundas de um disco, um show, um filme ou um livro e para isso n\u00e3o ter que correr para um jornal ou revista. Afinal, voc\u00ea quer agora \u2013 \u00e9 o mal dessa nossa gera\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando essa vontade bate, o lugar para onde vou de olhos fechados \u00e9 o Scream &amp; Yell, site de cultura pop que j\u00e1 est\u00e1 em seu d\u00e9cimo primeiro ano de vida. Antes de estabelecer casa no mundo digital, o S&amp;Y era um fanzine de papel e tinta que rodava feliz pelas ruas de Taubat\u00e9, interior de S\u00e3o Paulo. Ele vinha cheio de textos sobre m\u00fasica, filmes e comportamento e se manteve assim at\u00e9 mesmo quando mudou de m\u00eddia definitivamente em 2000. O editor Marcelo Costa resolveu vir para a capital paulista de vez e n\u00e3o mais restringir todo aquele conte\u00fado bacana a uma s\u00f3 cidade.<\/em><\/p>\n<p><em>Gosto de imaginar o Marcelo como um Rob Gordon tupiniquim. Rob, para quem n\u00e3o lembra, \u00e9 o personagem principal de Alta Fidelidade, do Nick Hornby, que \u00e9 viciado em m\u00fasica e em fazer listas de tudo o que for poss\u00edvel. Quem frequenta o blog pessoal do Marcelo sabe bem do apre\u00e7o que ele tem pelo escritor brit\u00e2nico e tamb\u00e9m em bolar os seus pr\u00f3prios Top 5, que ficam sempre em destaque e acabam servindo para mim como uma esp\u00e9cie de guia. Mas aten\u00e7\u00e3o, ele garante ser bem mais confiante que Rob e outros tipos de Hornby.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu tendo a concordar com ele, ainda mais depois de gentilmente aceitar dar a entrevista que voc\u00ea confere abaixo ao Verdades para contar um pouco mais do S&amp;Y e de si mesmo.<\/em><\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 a vida que voc\u00ea sempre quis? Escrever sobre o que gosta, viajar bastante, ir a v\u00e1rios shows\u2026 Est\u00e1 faltando algo?<\/strong><br \/>\nEu tive um pouquinho de sorte no trajeto at\u00e9 agora (e vou precisar de mais um tantinho para prosseguir), mas quando olho para tr\u00e1s fico muito feliz com tudo o que aconteceu. Ainda assim tento n\u00e3o pensar tanto no que aconteceu e sim no que vai acontecer. \u00c9 uma met\u00e1fora interessante: quando observo o tanto que caminhei, me sinto feliz e realizado; quando penso no tanto que ainda falta para caminhar, parece que n\u00e3o sai do lugar. A vida segue\u2026<\/p>\n<p><strong>Como fazer para n\u00e3o perder o tes\u00e3o editando h\u00e1 11 anos o mesmo site?<\/strong><br \/>\nE quem disse que eu n\u00e3o perco?  Existem dias ruins, em que a vontade de abandonar tudo \u00e9 enorme. Deletar e-mail, Facebook, Twitter, largar o site e\u2026 sair por a\u00ed sem rumo, len\u00e7o e documento. Felizmente existem dias bons, em que um bom texto me faz sentir que, sim, vale a pena continuar fazendo o que eu fa\u00e7o. Sigo balan\u00e7ando entre os dois extremos e\u2026 risos\u2026 parece outra met\u00e1fora da minha vida.<\/p>\n<p><strong>?O Scream &amp; Yell vai na contram\u00e3o do que muitos acreditam ser o que funciona na internet: textos curtos. Por l\u00e1, a gente encontra entrevistas, cr\u00edticas e reportagens bem longas. E d\u00e1 mais do que certo. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o tenho a resposta, mas acredito que existem pessoas interessadas em conte\u00fado, em algo mais elaborado, profundo, ir\u00f4nico. Quando come\u00e7amos s\u00f3 quer\u00edamos provocar, sabe. Fugir do lugar comum. Fazer algo que a gente gostasse realmente sem precisar seguir algum hype. E conseguimos um espa\u00e7o de que me orgulho. No entanto, um tempo depois apareceu gente escrevendo textos longos, ent\u00e3o inverti a provoca\u00e7\u00e3o tentando resenhar discos em 500 e 1000 toques. Provocar \u00e9 essencial. Tirar o leitor (e voc\u00ea mesmo) da zona de conforto. Isso me interessa.<\/p>\n<p><strong>Como dar conta de tudo o que voc\u00ea precisa ouvir, ler e assistir? Como n\u00e3o deixar as coisas que voc\u00ea mais gosta virarem obriga\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAlgumas coisas acabam virando, inevitavelmente, mas o que me salva ainda \u00e9 um bom disco, um bom filme, um bom livro, uma boa foto. Quando algo bom toma a alma da gente, a obriga\u00e7\u00e3o passa a ser falar disso, estender o entendimento, contaminar outras pessoas. N\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o \u2013 no sentido negativo do termo \u2013 escrever 11 mil toques sobre o disco do Decemberists. Eu preciso escrever do disco porque quero que pessoas que n\u00e3o o conhecem, o descubram. Se vou dormir \u00e0s 5 da manh\u00e3 em uma viagem porque eu queria escrever sobre o que aconteceu naquele dia \u00e9 porque quero que essa pessoa que l\u00ea participe da minha experi\u00eancia e tenha, assim, vontade de ter a dela.<\/p>\n<p><strong>Qual banda anda consumindo seus ouvidos ultimamente? Est\u00e1 ansioso por algum show que vai rolar em breve?<\/strong><br \/>\nTenho tentado n\u00e3o ouvir Decemberists (risos), mas \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil. Sobre shows, tenho pensado bastante no Pearl Jam. Acho que ser\u00e1 especial. Mas se tivesse que escolher um seria o show gratuito que o Arcade Fire far\u00e1 em Montreal, 22 de setembro, encerrando a turn\u00ea \u201cThe Suburbs\u201d em casa. Tem tudo para ser hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><strong>?O que voc\u00ea faz s\u00f3 para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nVejo filmes (muitos), ou\u00e7o discos (muitos tamb\u00e9m), leio livros (poucos) e bebo cervejas (n\u00e3o muitas\u2026 risos). De vez em quando cozinho\u2026 bem de vez em quando.<\/p>\n<p><strong>Acompanho muito o desenvolvimento dos seus roteiros de viagem, especialmente porque eu adoro fazer o mesmo. Qual a pr\u00f3xima?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nenhuma desenhada neste momento, mas pequenos prov\u00e1veis roteiros. Por exemplo: estou pensando em ir ao cruzeiro do Weezer, em janeiro, e descer de l\u00e1 para a casa de um amigo na Rep\u00fablica Dominicana passando pelo Haiti e por Cuba. N\u00e3o deve acontecer, mas \u00e9 uma ideia. Outra envolve a Escandin\u00e1via (incluindo San Petersburgo). H\u00e1 ainda uma viagem de carro pela It\u00e1lia, a necessidade de conhecer Portugal e a vontade de ir ao Fuji Rock Festival, no Jap\u00e3o. Ou seja: s\u00e3o v\u00e1rios roteiros que se adaptam a oportunidade do momento.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os lugares que voc\u00ea visitou que roubaram seu cora\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nVeneza \u00e9 a n\u00famero 1, e acredito que o texto sobre a cidade assinado pela Cathy Newman, editora especial da National Geographic, pesa no olhar po\u00e9tico que tenho sobre a cidade. Mas s\u00f3 um pouco: bastou olhar as casinhas empilhadas sobre o mar da janela do avi\u00e3o para o cora\u00e7\u00e3o derreter. Santorini tamb\u00e9m \u00e9 algo inacredit\u00e1vel. Praga, Paris e Amsterd\u00e3 s\u00e3o mais t\u00e1teis, mas n\u00e3o menos apaixonantes. Por fim, Cork \u2013 pelo folk irland\u00eas.<\/p>\n<p><strong>?Em que lugar de S\u00e3o Paulo voc\u00ea encontra um pouco de Taubat\u00e9, a cidade onde cresceu?<\/strong><br \/>\nEu nasci em uma maternidade no Belenzinho, pois, segundo minha m\u00e3e, n\u00e3o havia nenhuma na Mooca, onde mor\u00e1vamos na \u00e9poca. Fui para Taubat\u00e9 com cinco anos e cresci olhando a vida com olhar de interior. Mas meu cora\u00e7\u00e3o sempre bateu por S\u00e3o Paulo. Ent\u00e3o, hoje em dia, s\u00f3 encontro Taubat\u00e9 quando pego no telefone para falar com a minha m\u00e3e, a minha irm\u00e3 e a minha sobrinha. Sempre fui S\u00e3o Paulo, mesmo quando n\u00e3o estava aqui.<\/p>\n<p><strong>?O que tem de paulistano em voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nO jeito meio workaholic de ser, talvez. Sinceramente, n\u00e3o sei. Paulistano \u00e9 meio blas\u00e9 porque se acostumou a ter acesso a tudo (e isso \u00e9 um grande defeito), ent\u00e3o n\u00e3o se importa em perder um show ou um filme hoje, \u201cporque semana que vem tem outros shows e filmes\u201d. O bom de viver em uma cidade de interior \u00e9 aprender a valorizar a necessidade. Ir ao cinema e n\u00e3o ter filme nenhum para ver (mas n\u00e3o perder de maneira alguma quando aparecer algo interessante). Ser\u00e1 que sou paulistano mesmo? Certa vez, em uma troca de cartas com uma amiga carioca, escrevi:<\/p>\n<p><em>De resto, tudo bem. \u00c9 impressionante como essa polui\u00e7\u00e3o toda me faz bem para alma.<\/em><\/p>\n<p>E ela: <em>Meu Deus, os paulistas realmente n\u00e3o s\u00e3o deste planeta. Isso \u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o mora no Rio: eu vejo o mar e o sol e a lagoa e a montanha todos os dias\u2026 todos os dias Deus me lembra que estou viva.<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei se tenho algo de paulistano realmente, mas me emociono todas as vezes que o piloto do avi\u00e3o diz que o pouso na cidade est\u00e1 autorizado e as casas e pr\u00e9dios come\u00e7am a crescer e se multiplicar pela janela do avi\u00e3o at\u00e9 o infinito. Sei que estou em casa.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o podia deixar Nick Hornby de lado nesta entrevista. Tirando Alta Fidelidade, qual o seu livro preferido dele? Voc\u00ea se v\u00ea um pouco em Rob Gordon ou em algum outro personagem?<\/strong><br \/>\n\u201cUm Grande Garoto\u201d ocupa a posi\u00e7\u00e3o n\u00famero 2, mas \u201cJuliet Naked\u201d mexeu bastante comigo tamb\u00e9m. Acho que, de tudo que ele escreveu, s\u00f3 n\u00e3o gosto mesmo da segunda metade de \u201cUma Longa Queda\u201d. E eu devo ter coisas m\u00ednimas de v\u00e1rios personagens, mas n\u00e3o acredito que tenha um em especial que me absorva por inteiro. N\u00e3o sou t\u00e3o confiante, mas ainda assim sou mais confiante que os personagens dele (risos). Ou ao menos acho\u2026<\/p>\n<p><strong>E falando em livros e Nick Hornby\u2026 Nos seus Top 5 do Calmantes com Champagne falta uma lista de livros. Qual o ranking do momento?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho lido tanto, sabe. Isso \u00e9 algo que S\u00e3o Paulo tirou de mim: o prazer silencioso da leitura, algo que sobrava nos anos em Taubat\u00e9. Mas se eu tivesse que levar cinco livros para uma ilha deserta, eu iria roubar na contagem e incluir \u201cO Tempo e o Vento\u201d, do \u00c9rico Ver\u00edssimo (sim, os sete volumes, mas se voc\u00ea insistisse muito que eu n\u00e3o poderia levar tanto peso, eu deixaria os dois volumes relativos ao Arquip\u00e9lago), \u201cAs Obras Completas\u201d, do Oscar Wilde (parece muito, mas \u00e9 s\u00f3 um volume gordinho em papel b\u00edblia), \u201cO Ch\u00e3o Que Ela Pisa, de Salman Rushdie\u201d, \u201cO Macaco e a Ess\u00eancia\u201d, de Aldous Huxley e os dois volumes pequeninos de com\u00e9dias, trag\u00e9dias e sonetos, de Shakespeare (na edi\u00e7\u00e3o marrom da editora Abril, de 1981). Esses cinco livros me fariam feliz at\u00e9 o fim dos tempos. Se voc\u00ea fosse boazinha eu pediria, ainda, \u201cCrime e Castigo\u201d, de Dostoievski, uma colet\u00e2nea de poetas franceses do s\u00e9culo XIX (organizada por Jos\u00e9 Lino Gr\u00fcnewald e lan\u00e7ada pela Editora Nova Fronteira em 1991) e a cole\u00e7\u00e3o \u201cEm Busca do Tempo Perdido\u201d, de Marcel Proust (que est\u00e1 completa aqui na minha estante, mas que ainda n\u00e3o li). Droga, n\u00e3o inclui a colet\u00e2nea \u201cSeleta\u201d, da Lygia Fagundes Telles nem as tr\u00eas colet\u00e2neas de tirinhas sobre Deus, do Laerte, e nada do Manoel de Barros\u2026 Posso levar 10?<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/entrevistas\/\">Veja outras entrevistas aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista concedida a B\u00e1rbara Bom Angelo (setembro de 2011) Texto curto, r\u00e1pido e direto. De prefer\u00eancia com fotos mil. Esse \u00e9 o padr\u00e3o em que querem, h\u00e1 tempos, amarrar a internet. S\u00f3 que tem vezes que voc\u00ea quer algo com mais sust\u00e2ncia, sabe? Tipo comida de m\u00e3e? Voc\u00ea quer ler impress\u00f5es mais profundas de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13531"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13531"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13531\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13531"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13531"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13531"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}