{"id":13510,"date":"2014-01-10T10:45:02","date_gmt":"2014-01-10T13:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/10\/desafio-harmonizando-vinho-e-musica\/"},"modified":"2023-09-27T22:23:40","modified_gmt":"2023-09-28T01:23:40","slug":"desafio-harmonizando-vinho-e-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2014\/01\/10\/desafio-harmonizando-vinho-e-musica\/","title":{"rendered":"Desafio: Harmonizando vinho e m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11876153143\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/kaiken3.jpg\" alt=\"kaiken3.jpg\"\/><\/a><br \/>\n<em>Fotos de <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a><\/em><\/p>\n<p>Sempre fui um admirador de vinhos, mas nunca um profundo conhecedor. N\u00e3o sei, por exemplo, que vinho combina com determinada comida muito menos ocasi\u00e3o, e quando o pessoal da Wines of Argentina me prop\u00f4s uma harmoniza\u00e7\u00e3o de vinhos com m\u00fasicas, achei que seria o momento perfeito para corrigir alguns erros no meu curr\u00edculo de bebedor, afinal meu olfato evoluiu bastante desde que me formei Beer Sommelier no primeiro semestre de 2013, e passei a estudar a bebida fermentada com afinco. Talvez eu esteja pronto para aproveitar mais do vinho na ta\u00e7a do que h\u00e1 alguns anos atr\u00e1s. A Wines of Argentina me mandou duas garrafas de vinho: um Kaiken Torront\u00e9s 2012, branco, da cidade de Salta, e um Reserve Pinot Noir 2011 da Bodega Salentein, de Mendoza. Se cada vinho precisasse ser harmonizado com apenas uma can\u00e7\u00e3o, eu iria de <strong>\u201cWhat\u2019d I Say\u201d, de Ray Charles, para o Kaiken Torront\u00e9s 2012<\/strong> (uma can\u00e7\u00e3o sedutora e atrevida para um vinho idem), e <strong>\u201cChelsea Hotel #2\u201d, de Leonard Cohen, para o Reserve Pinot Noir 2011 da Bodega Salentein<\/strong> (uma can\u00e7\u00e3o de saudade e mem\u00f3rias, suave e profunda que combina com este vinho), mas optei por criar uma pequena trilha sonora (com can\u00e7\u00f5es retiradas da playlist que me foi disponibilizada <a href=\"http:\/\/www.rdio.com\/people\/MauricioTagliari\/playlists\/7509948\/wines_of_argentina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>) que me acompanhasse no tempo em que eu bebesse o vinho.\n<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11876282604\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/kaiken2.jpg\" alt=\"kaiken2.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p>A primeira garrafa aberta foi a de Kaiken Torront\u00e9s, numa ter\u00e7a-feira calorenta de S\u00e3o Paulo, que tornou o vinho branco, gelado (calculei mais ou menos 10 \u00baC), ainda mais aconchegante. Na ta\u00e7a, a percep\u00e7\u00e3o do Torront\u00e9s \u00e9 de um vinho com um intenso bouquet floral, remetendo a um jardim primaveril. A uva \u00e9 bastante percept\u00edvel no aroma, mas h\u00e1 mais notas frutadas (como, por exemplo, abacaxi), que se traduzem de forma mais clara no paladar, remetendo a p\u00eassego (principalmente em calda) no final.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11876294734\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/kaiken4.jpg\" alt=\"kaiken4.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p> No quesito harmoniza\u00e7\u00e3o, a sensa\u00e7\u00e3o que o Torront\u00e9s passa \u00e9 de um vinho perfeito para abrir um in\u00edcio de noite a dois, ainda com o dia claro e com um clima de sedu\u00e7\u00e3o que valoriza o feminino, por isso abri com a vers\u00e3o de Brad Mehldau para \u201cDear Prudence\u201d, dos Beatles, cuja letra original convida a menina para brincar ao sol, algo que o Torront\u00e9s parece reafirmar. \u201cWhat\u2019d I Say\u201d, de Ray Charles, \u00e9 \u00f3tima para fazer a ponte da metade da garrafa, um pouco mais atrevida, mas nem tanto, enquanto os \u00e2nimos aquecem. \u201cEu Sou do Tempo Que a Gente Se Telefona\u201d, de Blubell, com seu arranjo, que come\u00e7a nos anos 40, e l\u00e1 pelo meio cresce e preenche o ambiente, parece perfeita para o calor que o vinho e a conversa trazem nesse est\u00e1gio, e quando a alegria parece querer pular para fora da ta\u00e7a, \u201cTuve Sol\u201d, do Bajofondo. Uma harmoniza\u00e7\u00e3o de encontro a dois, ao mesmo tempo sedutor e respeitoso, que os aproxima conforme a garrafa esvazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11876716826\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/salentein.jpg\" alt=\"salentein.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p>No dia seguinte foi a vez do Reserve Pinot Noir 2011 da Bodega Salentein, um vinho tinto de colora\u00e7\u00e3o avermelhada, puxada para o rubi. A recomenda\u00e7\u00e3o era para beb\u00ea-lo em torno dos 17 \u00baC, mas dado o calor intenso deste come\u00e7o de janeiro, deixei-o aproximar-se dos 20 \u00baC e, ao tirar da geladeira, deixei-o a garrafa sobre a mesa alguns minutos, para que o vinho se acostumasse com a temperatura ambiente do meu apartamento. Na ta\u00e7a, o Salentein Pinot Noir me pareceu bastante frutado (frutas vermelhas, mas puxado para amora e cereja), com um leve toque de amadeirado, que tamb\u00e9m traz baunilha. O paladar, por sua vez, come\u00e7a doce e frutado, e se abre, como um leque, oferecendo uma paleta variada de tons (leve acidez, frutado, amadeirado, uma pitada de \u00e1lcool, um toque de baunilha).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11875829285\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/salentein2.jpg\" alt=\"salentein2.jpg\"\/><\/a><\/p>\n<p>Para este vinho, no quesito harmoniza\u00e7\u00e3o, minha percep\u00e7\u00e3o foi direcionada para um conjunto de can\u00e7\u00f5es suaves, mas, ao mesmo tempo, profundas. Desta forma, imaginei abrir a garrafa ao som de \u201cChelsea Hotel #2\u201d, de Leonard Cohen, uma can\u00e7\u00e3o de saudade, de mem\u00f3rias, suave e profunda (impress\u00e3o que o arranjo delicado amplifica). Imagino o vinho descendo aconchegante e nos trazendo mem\u00f3rias e sonhos. Mantendo o clima, \u201cTodas Las Hojas Son Den VIento\u201d, do Pescado Rabioso, grupo que o saudoso Luis Alberto Spinetta manteve entre 1971 e 1973, e, na sequencia, outro de El Flaco, desta vez solo com \u201cEra de Tontos\u201d, as duas can\u00e7\u00f5es cumprindo a fun\u00e7\u00e3o de acompanhar o vinho na passagem do est\u00e1gio da contempla\u00e7\u00e3o para o da excita\u00e7\u00e3o, com a mem\u00f3ria ati\u00e7ada pelo l\u00edquido e pela letra (\u201cNo puedo evitar que mi memoria est\u00e9 recompilando los viejos tempos\u201d, canta El Flaco). Para o final da garrafa, nada acelerado (ao contr\u00e1rio do Torront\u00e9s), mas mais reflex\u00e3o: \u201cOff You\u201d, do Breeders, conduzindo o ouvinte, de m\u00e3os dadas com o vinho, por um mundo que muda a todo momento \u2013 o que valoriza todo o percurso de mem\u00f3rias feito at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar de novo?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/11876256784\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/salentein3.jpg\" alt=\"salentein3.jpg\"\/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotos de Liliane Callegari Sempre fui um admirador de vinhos, mas nunca um profundo conhecedor. 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